Palavra cesariana

Cessar e cesariana

Palavras: César , cesariana

Eu li resposta para Laryssa, em Novembro de 2010 para a palavra \”cessar\”: CESSARE, \”parar, deixar, estar ocioso\”, relacionado a CEDERE, \”retirar-se, recuar, ir embora\”.

Há relação com cesariana (no sentido de parar ou retirar)?

Resposta:

Ah, as armadilhas desta matéria!

Nada disso. “Cesariana” vem do Latim CAEDERE, “cortar”, que não tem a ver com CEDERE, “ceder, recuar”.

De CAEDERE vieram também “incisão” e “incidir”.  

E desde já informamos que essa cirurgia nada tem a ver com o famoso Júlio César que, ao que tudo indica, não nasceu de cesariana.

Aliás, o nome dele vem de CAESARIES, “cabeleira”.

SIRCO

X-8, o impertérrito, animoso, audaz, bravo, denodado, impávido, intimorato e demais adjetivos laudatórios por ele mesmo escolhidos – mas com toda a honestidade! – detetive das palavras, esta noite se permitiu comer um bauru no Restaurante do Garcia.

O Porco Garcia (apelido que só circulava entre poucos clientes e que jamais era citado na frente dele) tem seu restaurante bem na frente do Ed. Éden, onde se situa o escritório etimológico de X-8.

Aqui este se dedica a ensinar afanosamente a quaisquer palavras, mesmo algumas estrangeiras, as origens delas.

Desde que elas pagassem bem, claro. E elas pagavam com gosto, pois se há uma coisa que deixa uma palavra maluquinha é lhe acenarem com a sua origem.

Enfim, esta noite o detetive foi comer um bauru.

O conteúdo de bacon e maionese dos baurus do Porco Garcia o tornaria material proibido pelas autoridades sanitárias em qualquer outro lugar que não fosse aquele bairro.

Depois de saborear longamente tão insalubre delícia, nosso herói sentiu o de sempre: uma locomotiva dançando um animado pagode no interior do seu abdome.

Ele sabia que precisava caminhar um pouco para tentar digerir aquela refeição que teria mantido uma jiboia quieta por um mês.

Deliciado pelos sabores recém-desfrutados, sentindo culpa por não ter caráter suficiente para se manter longe daquela tentação, o detetive percorreu devagar as ruelas sujas, eternamente iluminadas pela lua cheia.

Foi quando ouviu barulho no fim de um beco, pouco adiante. Curioso, foi espiar.

Chegou até a sua entrada e viu uma faixa com letras irregulares estendida de lado a lado, no alto:

GRAN SIRCO ETIMOLÓJICO!

APRESENTAÇÕES ÚNICAS!

NÃO PERCA!

Intrigado com aquilo, o detetive entregou algumas moedas para o sujeito mal-encarado que fazia de porteiro atrás de um caixote de madeira desengonçado e seguiu até o fundo do beco.

A parede bem dos fundos estava totalmente tapada por um pano com coisas pintadas que pareciam ter a ver com flores e anjinhos esvoaçando, mas X-8 não pôde ter certeza, dada a duvidosa capacidade do pintor.

Um público de palavras e pessoas se sentava em bancos feitos com tábuas mal equilibradas sobre pilhas de tijolos.

Bem naquele momento começava o estranho espetáculo. Um sujeito com capa preta até os pés, cartola puída e longos bigodes negros mefistofélicos, com um ar maligno levemente prejudicado pelos óculos para miopia, apresentou-se, com voz retumbante, como sendo o Conde Potok, o último sobrevivente da família imperial russa, os Romanov.

Ele estaria fazendo uma gira intelectual ao mundo para pagar uma promessa, apresentando palavras e explicando as origens delas; em troca, a divindade o faria ser entronado como Imperador e Autocrata de Todas as Rússias, como lhe era devido por nascença.

Sem mais delongas, estalou um chicotinho e apareceu no palco improvisado uma palavra murcha, esquálida, Currículo.  Enquanto ela dava uma volta desanimada no espaço exíguo, o Conde anunciou:

– Aqui temos, distinto público, uma palavra que vem direto da época das legiões romanas!

Inicialmente ela era curniculus, “pequeno chifre”, um pequeno pingente de metal concedido ao legionário que tivesse pegado o touro pelos chifres numa luta, isto é, enfrentado o inimigo com as mãos nuas, que ele pendurava orgulhosamente da borda de seu capacete.  O curniculus, não o inimigo.

A palavra saiu por um lado e entrou outra, igualmente tristonha:

– Aqui está a conhecidíssima Cesariana. Ela data exatamente do dia do nascimento de Júlio César, o general romano. Por problemas de dilatação do colo uterino da parturiente, ele teve que nascer por uma incisão na barriga dela.

Assim que teve a criança nas mãos, o obstetra disse: “Esta operação, de agora em diante, receberá o nome deste nenê, já que ele vai ser muito famoso. Qual foi o nome que os papais escolheram para ele?”

O detetive, quieto na plateia, não arregalava mais os olhos por falta de espaço.

E assim seguiu a inacreditável apresentação etimológica.

Agora apareceu Miradouro, com a explicação de que se originara de um belvedere às margens do Rio Douro, em Portugal, de onde se “mirava o Douro”.

A seguir, surgiu Forró. Esta foi originada no Nordeste quando os americanos tiveram uma base militar ali, na Segunda Guerra Mundial. Em algumas  ocasiões, eles faziam festas for all, isto é, “para todos”, não apenas para os militares estrangeiros.

E aí foi a vez de Testemunha, que surgiu devido ao hábito romano de, ao se fazer um juramento, colocar a mão nos testículos.

E então desfilou, muito constrangida, a palavra Enfezar, “que vem de fezes, demonstrando que quem está sujo com elas só pode estar muito incomodado, raivoso”, disse o Conde, pavoneando-se pelo palco, fazendo rodar a sua capa de tecido sintético, e estalando o chicote – que nem sempre produzia o estalo desejado, diminuindo consideravelmente o efeito esperado pelo Mestre de Cerimônias.

Aí veio Cronologia, cuja origem era o deus do tempo grego, Cronos, que tinha originado diversos termos eruditos relacionados ao tempo e sua medida.

O detetive não pôde se agüentar. Colocou-se em pé e berrou:

– Não é nada disso! Tudo o que esse sacripanta disse é mentira! Ele está explorando essas pobres palavras e dando falsas origens!

O público ficou estarrecido. O apresentador puxou a cartola um pouco para trás, num gesto indignado, e enrolou dramaticamente a capa nos ombros.

Ia abrir a boca para se manifestar, os olhos fuzilando, quando X-8  lançou uma torrente de explicações:

– Para começar, Currículo vem é do Latim curriculus, de currere, “correr, cumprir um percurso”. É um documento que descreve o percurso profissional de uma pessoa, a sua carreira.

E Cesariana vem do verbo latino caedere, “cortar”, que nos deu igualmente “incisão”. Nada tem a ver com o nome do nascituro.

Mesmo porque, naquela época, essa cirurgia só se fazia in extremis, ou seja, num caso perdido, apenas para salvar a vida de uma criança cuja mãe estivesse à morte. Se ela por acaso não tivesse morrido ainda, a infecção do corte certamente a levaria em pouco tempo. E Aurélia, a mãe de César, sobreviveu por bastante tempo ao nascimento dele.

Miradouro se formou a partir de mirare, “espantar-se, olhar demoradamente, olhar com muito interesse”, mais o sufixo –orius, formador de adjetivos.

Quanto a Forró, deriva do Francês faux-bourdon, um tipo de composição musical, que deu em nosso país “forrobodó” e depois “forró”.

Testemunha vem do Latim ter, “três”, mostrando que ela é uma terceira parte numa causa, nada tendo a ver com as querelantes. Ou assim devia ser, pelo menos.

A pobre Enfezar ali (a essa altura, as palavras da apresentação tinham saído de trás da cortina e olhavam, espantadas, aquela manifestação)  vem é do Latim infensare, “ter hostilidade contra, encarniçar-se com, perseguir”. Nada tem a ver com fezes, palavra que deriva de faex.

Para terminar, Cronologia vem do Grego khrono, “tempo”; nada tem a ver com o deus Kronos, que aliás não era deus do tempo coisíssima nenhuma. Os gregos nem sequer tinham em seu panteão um deus para o tempo.

O “kh” inicial indica nossa transliteração da letra grega “chi”, que tem o som de “ch” alemão, tornando essas palavras tão distintas entre si quanto “rolo” e “bolo” em nosso idioma.

Em conclusão, EU DENUNCIO! Denuncio este conde de araque como um escravagista de palavras e mentiroso, que está desencaminhando as palavras de menor idade aqui presentes e enganando o público pagante, sabe-se lá com que intenções malignas por trás!

Os presentes, que sabiam que X-8 era o maior intelectual do bairro  – o único, aliás –  ergueram-se dispostos a fazer um linchamento, atividade que o pessoal das redondezas achava particularmente divertida.

Armaram-se com paus, pedras, garrafas plásticas vazias e avançaram para o palco.

O Conde deu um passo atrás, fez um ar feroz e ripostou:

– Nada disso! Se pensam que me intimidam, saibam que não vão conseguir! Sou um nobre, altivo e bravo!

E tranquilamente digo: prefiro fugir a morrer! – e se escafedeu por uma abertura que tinha preparada por trás das cortinas e que o levava a uma moto que tinha preparada no beco de trás para o caso de algo dar errado.

Não pôde ser alcançado de modo algum pelos circunstantes indignados. À distância se ouviu morrer o ruído da moto e as gargalhadas do fugitivo.

De qualquer jeito, as palavras do “Sirco” foram resgatadas e carinhosamente acolhidas no bairro.

X-8 teve seu dia de herói. Muitas e muitas vezes, anos depois, ele contaria de sua coragem épica, acrescentando uma liberdadezinha literária aqui e outra ali…

Resposta:

Gente Chata

 

Eu estava na sétima série. Tinha ido pedir ajuda com alguns problemas de Matemática ao meu avô em seu gabinete, todo macio de madeiras, livros e couro.

O velho de barba branca curta e olhos claros também era macio. Por dentro, que por fora parecia ser cheio de arestas e resmungos. Eu era o único dos seus netos que percebia o que havia por baixo da superfície e isso nos unia fortemente.

– Bem, por hoje parece que é isso. Acho que você finalmente entendeu o Teorema de Pitágoras. Não se esqueça que, quando a gente encontra um triângulo retângulo pela frente num problema, encontrou algo que pode ser domado.

– Pois é, Vô. Quando o senhor me ensina, parece tudo fácil. Mas meus professores são uns chatos e eu aprendo pouco com eles.

– Às vezes a pessoa que ensina não está seguindo sua verdadeira vocação. Na maior parte, porém, os professores enfrentam tamanha luta pela sobrevivência que não estão em condições de desenvolverem todo o seu potencial didático. E muitas outras vezes encontram alunos desinteressados, não é? Seu olhar penetrante me perfurou. Protestei:

– Eu não sou desses, Vô! Sou quieto e presto atenção. Mas é verdade que muitos dos meus colegas são assim como o senhor disse.

– Ah, então estamos chegando à conclusão de que nem sempre os professores é que são chatos. Já é um avanço. Aliás, já que tocamos nessa palavra…

– …Qual a sua origem, Vô? Acomodei-me sobre a banqueta de couro forrada onde eu ficava para ouvi-lo desde que era pequeno.

– Vem do Latim platus, “plano, sem relevo, sem destaques”. Esta palavra resultou em “chato” em Português, para designar uma pessoa que não tem destaques em sua personalidade ou conduta.

Mas isso só aconteceu em Português. Em Espanhol, por exemplo, um dos sentidos de chato é “de nariz curto e arrebitado, chimbé”.

– Esta palavra “chimbé” eu não conhecia! De onde vem?

– É, está em desuso, pelo menos nos meios urbanos. “Chimbé” ou “chimbeva” vem do Tupi timbé, de tim, “focinho, nariz” e mbé, “achatado”.

Seja como for, nos países do Prata se usa o apelido chato (ou ñato, com a mesma origem) para a pessoa com um nariz assim. É apenas uma referência ao apêndice nasal, não quer dizer que a pessoa seja uma mala sem alça.

– O senhor não sofre disso, né, Vô?

– O meu nariz é simplesmente perfeito – fez o seu melhor ar de dignidade ofendida. Só as pessoas desprovidas de senso artístico e de inteligência é que não lhe dão o devido valor estético. Torça para que o seu fique grande assim um dia.

Falando nisso, houve um lugar e uma época em que, quanto mais achatado um nariz, melhor para o seu dono. Na Rússia existiu, por bastante tempo, o Regimento de Infantaria Pavlovski, chefiado de direito pelo Czarévich, isto é, o primeiro filho do Czar, aquele que se esperava que sucedesse ao pai no trono.

Todos os soldados deste regimento tinham os narizes chatos e arrebitados, bem pequenos.

– Por que, Vô? Lutavam melhor assim? Ficavam mais ferozes?

– Não, foi apenas uma questão de vaidade. O que aconteceu foi que o Czar Paulo I, nascido em 1754 e morto em 1801, tinha nascido assim. Logo que puderam, os puxa-sacos da Corte o convenceram de que isso era o cúmulo da perfeição, bem como sinal de elevada inteligência.

Aí o pobre Czar, cujas faculdades mentais não eram das melhores – pelo retrato que vi, ele talvez fosse um caso de sífilis congênita – resolveu providenciar um regimento de guarda feito à sua imagem e semelhança nasal.

Mandou levar todos os homens portadores de nariz curto do império para servir no tal regimento. Eles desfilavam ante o Czar, que os escolhia pessoalmente.

E há mais: como o pobre Paulo achava que espirrar na sua presença lhe trazia azar, ordenou que o regimento inteiro se assoasse cuidadosamente sempre que ia se apresentar à autoridade máxima. Um problema sério é que não lhes eram fornecidos lenços, de modo que o regimento inteiro usava a mão para essa tarefa. Gurf!

O interessante é que o regimento e seus costumes perduraram até o início do século 20, quando os Czares já não tinham narizes curtos.

– Gostei da história, Vô! Mas por que o título dele era Czar? Já ouvi também falar em Tzar. Dá no mesmo?

– Sim. Esta palavra vem do nome de César, que passou a ser adotado como título pelos imperadores romanos a partir de Augusto. O título, em russo, passou a Czar ou Tzar.

– E eu sei de onde foi que veio o nome César! Um amigo do meu pai contou que vem da cirurgia chamada cesariana. Como o futuro imperador nasceu assim, ele recebeu este nome. Que tal? Não estou sabido hoje?

– Lamento dizer, mas não está nada sabido. Só que não é sua culpa. O problema é a etimologia popular, que sempre foi exercida conforme as fantasias dos interessados.

O nome de César vinha de caesaries, que queria dizer Cabeleira. Sei que as estátuas da época o mostram com pouco cabelo, mas provavelmente o nome se referisse a um antepassado seu. E a palavra cesariana vem de caesus, do verbo caedere, “cortar”. Diga isso ao amigo do seu pai; se ele quiser se esclarecer mais, mande-o falar comigo que terei gosto em orientá-lo.

Mas, já que começamos a falar em gente chata, vejamos outros tipos que em geral não nos agradam.

Há pouco falei nos puxa-sacos da Corte. Consta que esta expressão tem origem nas épocas coloniais do Brasil. Quando um oficial era designado para uma cidade e lá chegava com os seus pertences embalados num saco, sempre havia gente disposta a ajudar, de olho na gorjeta que pudesse obter; assim, às vezes havia até briga, com vários puxando o saco ao mesmo tempo.

– Foi assim mesmo?

– É uma possibilidade razoável. Não conheço esta expressão em idiomas aparentados.

Também temos aquelas pessoas que são perniciosas para as outras, seja por serem desagregadoras, demasiado arrogantes, fofoqueiras, invejosas ou coisa parecida. Esta palavra vem do Latim pernicies, “destruição”, de per nex, onde o per quer dizer “total, completamente” e nex vem de necare, “matar”. Um parente desta é nekros, “cadáver”.

– A minha outra avó gosta muito de chamar os outros de nojento. De onde vem isso?

– A palavra nojo vem do Latim inodiare, que vem da expressão in odio habere, “ter em desgosto, ter raiva de”. Seu sentido agora é o de algo repugnante, causador de asco.

Também temos, como um tipo de gente desagradável, os aborrecidos. A palavra vem do Latim abhorrere, “ser incompatível, afastar de si com horror”. É o que dá vontade de fazer com a nossa vizinha, D. Valéria, aquela que, mal enxerga a gente, começa a falar sem parar sobre pessoas e assuntos que nem sabemos o que são.

– E os asquerosos, Vô?

– Esses vêm de asco, aparentado com asca, “mau cheiro”. Há quem discorde, mas muitos apontam como origem o Grego éskhara, “crosta de ferida, casca”. Como muitas feridas podem ter aspecto pouco agradável e cheirar mal, acabou surgindo tal palavra para expressar o sentimento de repulsa gerado pela visão delas. Devo acrescentar que a palavra escara, “crosta de ferida” em nosso idioma, evidentemente vem daí.

Em minha opinião, um tipo dos mais desagradáveis é o arrogante. Esta palavra se formou do Latim arrogare, de ad-, “para” e rogare, aqui com o sentido de “exigir”. A origem descreve bem esta distorção da personalidade em que o portador se acha no direito de exigir do mundo um reconhecimento que ele não merece.

Coitados, andam pelo mundo com o nariz erguido, sentindo-se superiores a todos os outros. Nem sabem que o que os motiva é um sentimento inconsciente da sua pequenez mental.

Mais ou menos a mesma coisa é a pessoa presunçosa. Isto é do Latim prae, “antes” e sumptus, particípio passado de sumere, “tomar, pegar”. Uma pessoa presunçosa é a que “toma para si antes dos outros” o que deseja.

Mas que se vai fazer? As pessoas são diferentes entre si.

– No outro dia o Pai andava resmungando sobre uns políticos traidores. É verdade que o nome deles vem de uma antiga tribo romana de comedores de traíras que atacavam os viajantes ao passarem pela sua região?

Eu percebera que meu avô tinha ficado meio irritado com algum arrogante do seu passado, que agora tinha ressurgido entre os seus pensamentos.

Mas, se o velho sabia lidar comigo, eu também tinha aprendido alguns truques. Ele gostava muito quando eu inventava uma besteira surreal dessas, e com isso consegui o que queria: ele riu e as nuvens passaram.

– Continue assim que você ainda vai ser um cronista de sucesso em algum jornal. Agora, a verdade é que traição e tradição são parentes próximos.

Ambas as palavras vêm do Latim traditio, um derivado de tradere, “entregar, passar adiante”. E este verbo se formava por trans-, “além, adiante”, mais dare, “dar, entregar”.

Tradição atende ao significado de “passar algo a alguém”, como costumes, cerimônias, hábitos, características de um grupo.

Traição também, mas aí existe uma conotação de “entregar algo em prejuízo de outrem”, como quem passa informações que possam ser usadas com más conseqüências.

Também temos as pessoas molestas. São pessoas que incomodam, que se tornam como um espinho no pé dos outros. Este adjetivo vem do Latim molestia, “doença”. A gente, ao lado de uma pessoa destas, se sente como se estivesse doente.

Falando em doença, muitas vezes dizemos que tal pessoa é uma morrinha. Geralmente são pessoas molestas, e o seu nome realmente vem de uma doença. É a morrinha, moléstia epidêmica de animais, do Espanhol morriña, “tristeza do gado”. Não há certeza total sobre a origem mais remota, mas se faz a hipótese de que venha de morrer, pois muitas vezes esta é a conseqüência da doença.

– A Mãe ontem andava incomodada porque o encanador estava embromando…

– Sei como é. A pessoa diz que vai fazer tal coisa em tal dia, depois não deu porque aconteceu tal e tal coisa, mas agora vai, e aí faltou material na praça e no outro dia marcado o carro dele não pegou e ele teve que gastar na oficina, aliás, se ela não adiantar algum dinheiro ele vai ter que pegar outro serviço para poder consertar o carro para poder ir lá…

Uma pessoa que faz isso está deixando a outra insegura como se estivesse no escuro, nas brumas, que parece ter sido a origem desta palavra.

Mas muito bem, meu pitagórico aluno. Já falamos mal de uma porção de tipos de gente. Agora vá terminar de estudar em casa, para eu não correr o risco de virar um chato.

Resposta:

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