Palavra chocolate

FRUTAS

– Quem foi que deixou um resto de maçã roída na minha cadeira? E esta casca de banana no chão? E estas cascas de amendoim sobre a minha mesa? E estas sementes de laranja sobre as classes? Crianças, assim não dá! Feio, feio! Como é que uma pobre mestra pode sobreviver num meio destes?

Sentem-se todos em roda e vamos falar um pouco sobre a origem das palavras enquanto eu tento limpar um pouco a sala. Ah, eu sabia que podia contar com o Humbertinho para trazer o cesto de lixo atrás de mim. Continue assim que você vai agradar muito no futuro, menino.

Estão vendo esta casca de banana? Quem a jogou aqui provavelmente vai ter uma vasta dor de barriga, que é para aprender a não ser mal-educado. Mas por enquanto vamos ficar sabendo que o nome dessa fruta vem do Árabe banana, “dedo”, devido à sua forma.

Também chamamos de banana a pessoa muito mole, numa alusão à consistência macia do fruto. Falando nisso, levantem o Soneca dali um pouco, para que eu possa tirar essas cascas debaixo dele. Cuidado para não o acordar, que pelo menos é um que não está incomodando.

Olhem esta maçã esborrachada aqui. Saibam que o nome dela vem de mala mattiana, “maçã da cidade de Mattium, onde havia grande produção.

Esta palavra mala ou malum se aplicava também a frutos de polpa carnosa em geral.

Não, Joãozinho, não é dessa carne que estamos falando. Continue distraído fazendo os seus desenhos. Só não os mostre para ninguém, por favor.

Falando em malum, o pêssego, tão apreciado, se chamava em Roma malum persicum, “o fruto da Pérsia”. Com o tempo, caiu a primeira palavra e ficou a segunda. É por isso que o seu nome se escreve com “S” e não “C”, como alguns faziam. O “S” vem do nome do país.

– Como, Ledinha? Não, querida, essa fruta não foi inventada na Pérsia, ela apenas passou por lá a partir da Ásia, em seu caminho para o Ocidente.

Falando nisso, os romanos gostavam de uma fruta que continha muitos pequenos grãos cor de rubi com uma incômoda sementinha dentro, que nós hoje chamamos de romã. Ela era chamada mala granata, “fruto de grãos”, ou mala romana, “fruto romano”. O interessante é que, na Espanha, o que resultou hoje é a granada, de granata, e em Portugal, a romã, de romana.

Os romanos, aliás, chamavam as frutas tanto de fructus como de pomum. Daí que uma plantação de árvores frutíferas hoje se chama pomar.

Temos aqui uma casca de maracujá, que vem do Tupi moroku’ia, o nome da fruta.

Eles chamavam o abacaxi de iwa’kati, “a fruta que tem cheiro forte”, uma palavra que diz muito sobre ele.

Não, Sidneizinho, não quero ouvir nenhuma piada sobre frutas, não. Aliás, saia de perto da Maria Tereza que ela é inocente demais para você estar junto. Vá para o fundo da sala, vá.

Pulando para bem longe, sabiam que o abacate tem o seu nome oriundo de um idioma do México chamado Náhuatl? Lá ele era chamado awácatl. Eles também deram nome ao tomate, que era tomatl para eles. E também ao chocolate, chocolatl.

Lembrei-me do chocolate porque vi todo esse chocolate derretido na sua mão e ao redor de sua boca, Artur. Vá se lavar, menino! E não se esqueça de voltar.

O Náhuatl cacahuatl deu também o nome ao que os espanhóis chamam de cacahuete, e que nós por aqui chamamos de amendoim. Esta palavra vem do Tupi manu-ui, com influência de amêndoa. O pessoal de fala espanhola na parte mais ao sul do nosso continente usa maní, também baseado no Tupi.

Não senhor, Sidneizinho, essas histórias sobre o amendoim são bobagens e eu não quero falar nisso. Sim, sei que estou aqui para ensinar, mas isso vocês só podem aprender mais tarde. E vamos mudar de assunto.

Vejam esse rastro de pingos de laranja. O nome dela veio do Sânscrito naranga, através do Persa narang e do Árabe em duas formas, narang e larang. É por isso que dizemos laranja em português e naranja em Espanhol.

Falando em Árabe e em cítricas, temos o limão, de limun. Parente dele em idioma de origem e família é a lima, de limâ.

O que me lembra a tangerina, que recebeu esse nome do porto de Tânger, cidade do Marrocos perto do Estreito de Gibraltar, que era um local de exportação da fruta para a Europa.

Essa mesma fruta é chamada no sul do Brasil de bergamota. Esse nome vem do Turco mustafa beg armudi, “a pera do Príncipe”. Não se sabe que confusão os italianos fizeram entre as frutas, que passaram o nome para bergamotta e assim ficou.

Em outras partes do país, esta fruta é chamada de laranja mexeriqueira ou mexerica. Esta palavrinha vem de mexericar, no sentido de “denunciar”, já que o seu cheiro denuncia imediatamente quem foi que comeu a fruta e espalhou as cascas por aí. Sabia, Oscarzinho, que está com essa cara de santo aí no cantinho? Para completar: mexericar vem de mexer.

É bom que todos aprendam a não mexer com quem está quieto, pois um belo dia podem se surpreender provocando um ataque do coração em alguma pessoa esgotada com suas malcriações e aí não haverá mais professora para dar aulinhas para vocês e vocês vão ter que ir pedir esmolas nas ruas e dormir nas calçadas e…

Não, não! Não chorem! Era tudo uma brincadeirinha! Vocês não podem me levar a sério quando eu estou assim cansada de traquinagens. Calma, que a Tia Odete vai contar mais coisas interessantes. Olha aqui que artístico, esse pedaço de melancia atirado contra o teto! Muita criatividade mesmo. Miró não faria melhor.

Sabiam que o nome dessa fruta também vem do Árabe? Pois consta que se chamava bátikha balanci, “melão de Valência”. Como todos vocês ainda não sabem, os Árabes passaram longo tempo dominando a Espanha, tanto que a ajuda de arabistas, especialistas em idioma Árabe, é indispensável para se fazer um dicionário de Espanhol.

E o melão veio do Grego melopepon, passando pelo Latim melo e pelo Italiano mello. Aqui tem um pedaço de casca no peitoril da janela, vejam só que lindo!

Em Espanhol, o nome da melancia é sandía. Ele vem do Árabe sinddyya, “natural da região do Sind, no Paquistão”.

Muitos de vocês talvez não conheçam ainda as palavras sandice, sandeu, que querem dizer “loucura, louco”. Pois elas vêm do nome dessa fruta em Espanhol.

Em determinado momento se associou o tamanho da cabeça de crianças com macrocefalia, uma doença em que os líquidos do cérebro não drenam direito e que comprime o cérebro e aumenta o crânio, com a forma e tamanho da melancia.

Como não havia tratamento ainda para isso, as crianças tinham retardamento mental e a ligação com a loucura veio logo.

E está cientificamente provado que crianças que se portam mal com sua professora querida correm sério risco de acordar sandias. Portanto, agora vão para casa e prometam que vão se comportar.

E façam um favorzinho: digam para as mamães que a nossa experiência da Merenda de Frutas está cancelada e que é para não mandarem mais frutas com vocês, está certo?

Resposta:

BANANA SPLIT

 

– Boa tarde, senhorinha uniformizada que atende ao balcão desta lancheria. Eu gostaria de pedir, se não fosse atrapalhar a sua leitura do WhatsApp, que me confeccionasse uma banana split.

Ah, ela vai ser feita logo aqui na minha frente? Ótimo, assim poderemos passar algum tempo em sã e educativa palestra.

A senhorinha sabia, por exemplo, que essa sobremesa foi inventada numa farmácia em 1904? Veja só, ela é mais velha do que eu, dá para acreditar?

Pois é, isso aconteceu na cidadezinha de Latrobe, estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Havia ali um rapaz que atendia ao balcão enquanto seguia seus estudos para farmacêutico.

Ele gostava, como bom químico, de inventar sobremesas para servir, numa época em que as farmácias se distinguiam por prestar esse tipo de serviço além de dispensar medicamentos.

Um belo dia ele resolveu cortar uma banana ao meio, servi-la numa taça alongada e colocar bolas de sorvete e outros ingredientes entre os pedaços da fruta.

Daí vem o nome, já que em Inglês split quer dizer “partido, dividido, separado”, do Holandês splitten, de uma origem Indo-Europeia splei-, de mesmo significado.

Quem diria, minha cara, que hoje você estaria aprendendo uma palavra pertencente a um idioma desaparecido há milênios! E de graça!

Mas, como eu ia dizendo, esse rapaz, que se chamava David e tinha 23 anos, obteve grande êxito com sua invenção. Os estudantes que ali compareciam para passar o tempo logo espalharam a novidade e a febre pegou país afora.

Claro que, a esta altura, minha interlocutora deve estar se perguntando qual a origem da palavra banana. Ela vem do Árabe banana, “dedo”, devido à sua forma.

E agora me antecipo ensinando-lhe a origem de sorvete. Ela vem do Persa sharbat, “bebida com suco de fruta, açúcar e gelo”.

Deixe-me ver… Um dos sabores de sorvete que você vai colocar é chocolate, não? Este vem do Náhuatl –  que era o idioma dos Astecas  – xocolatl,  formado por xococ, “amargo”, mais atl, “água”.

O espanto em seus olhos demonstra que você não entende o que isso tem a ver com o seu conhecido chocolate. É que originalmente ele não era nem doce nem sólido, era uma bebida e com sabor bem amargo. Quando ele foi levado para a Europa é que foram feitas as alterações que hoje o caracterizam.

Vejamos, o próximo sabor é de baunilha? Esta palavrinha nos veio do Espanhol vainilla, diminutivo de vaina, “bainha”, do Latim vagina, “bainha”. Isso porque os grãos dos quais se retira o extrato são contidos em longas vagens.

Aliás, desde já informo que a baunilha é a segunda especiaria mais cara do mundo, o que infelizmente me deixa um tantinho duvidosa da legitimidade do que me vai ser servido. Ela precisa ser polinizada à mão, o que encarece em muito a mão-de-obra.

Bem, o terceiro sorvete vejo que é de creme, que veio de uma palavra latina de origem gaulesa, cramum, misturada com o Latim chrisma, outra palavra que eles tinham para “unguento”; e esta veio do Grego khrisma, de mesmo significado.

Mesmo embasbacada perante a torrente de cultura que emana de meus lábios, esta moça continua montando o prato solicitado, ela merece encômios.

Falando em prato, essa taça onde estão sendo colocados materiais que me satisfarão a gula vem do Árabe tasa, “taça, vaso raso para beber”.

E esse chantilly que jorra da sua máquina parece ter sido inventado no Castelo de Chantilly, na França, palavra que derivou do Latim medieval chantileium, uma alteração do nome próprio Cantilius, que imagino que tenha sido um habitante do local.

A espécie de biscoitinho que se coloca sobre o ponto mais alto desse amontoado de calorias, qual bandeira de alpinista após um glorioso feito de escalada, se chama em Inglês wafer. Assim mesmo, com um “F” só. Ela deriva do Holandês wafel, “favo de mel”, pois as formas para assar a massinha apresentavam um padrão em treliça como as casinhas das abelhinhas.

Ah, a calda! Não podia faltar. Seu nome vem do Latim calidus, “quente”.

E, representando o alpinista de que falei há pouco, eis a cereja. Ela vem do Latim cerisia, tanto o nome do fruto quanto o da árvore, do Grego kérasos, “cerejeira”.

Talvez não lhe tenham ensinado isso no Maternal, mas devo dizer que muitas das cerejas em compota vendidas às lancherias para enfeitar suas lindas sobremesas não são cerejas. São, na verdade, bolotinhas feitas com mamão.

O material deste é retirado sob essa forma com boleadeiras, recebe um tratamento para retirar o sabor próprio e depois se lhe acrescenta um corante vermelho e um flavorizante de cereja. Para conferir, basta olhar bem: a cereja verdadeira apresenta um pequeno oco onde havia as sementinhas e a imitação nada tem.

Hum, parece que é este o caso aqui. Bem, isso não é importante, a falsa cereja não faz mal algum à saúde. Só à moral de quem vende.

Não, minha cara, prefiro sem granulado. Embora bonitos e coloridos, esses fragmentos em forma de bactéria me parecem pouco imaginativos. Imagino que a senhorinha saiba que essa palavra vem de grânulo, “pequeno grão”, do Latim granus, “grão”.

Muito, muito bem! Agora o prato completo me é servido com um guardanapo, que se chama assim a partir do Francês garde-nappe, “proteção de toalha-de-mesa”. Eles foram inventados para evitar que os convidados a usassem para limpar mãos e bocas à mesa, com o emporcalhamento que se pode imaginar.

Nappe era como os franceses chamavam as toalhas-de-mesa, do Latim mappa, “tecido”.

E eu não poderia me servir sem esta colher. O nome dela, aliás, vem do Francês cuillère, do Latim cochlear, do Grego kokhliárion, de kokhlios, “caracol”, pela sua forma côncava.

Muito agradecida desde já, prezada, gentil e eficiente senhorinha que agora está retirando o avental, descabelando-se, pulando sobre o balcão e fugindo aos gritos como se os demônios a perseguissem… Ué, o que será que houve com ela?

Parecia tão interessada em nossa conversa!

Bem, isso não me impedirá de comer a sobremesa que ela fez.

 

Resposta:

Guloseimas

Lá pelos meus dez anos, entrei no gabinete do meu avô e lhe ofereci uma bala das que eu tinha no bolso. Ele aceitou e, enquanto a desembrulhava, eu perguntei:

– Vô, por que isto tem o mesmo nome daquilo que se usa nas armas de fogo? Essas coisas não têm nada a ver uma com a outra.

– Funcionalmente não, mas a origem é a mesma. A palavra vem do Francês balle, “conjunto de objetos enrolados, embrulhados, pacote”, mas também “objeto redondo, bola, projétil”, do Latim bulla, “objeto esférico, bola, bolha”. Pela semelhança de forma é que o doce recebeu o nome.

– Mas uma bala de fuzil não é todinha redonda!

– Antes era. Os primeiros projéteis de arma de fogo eram todos assim, desde os canhões aos fuzis, o que lhes reduzia a precisão. Depois se descobriu que um cano raiado por dentro e uma forma mais alongada melhoravam a sua eficácia e deu para os homens se matarem melhor uns aos outros.

– Puxa. Ei, falando nisso, e o puxa-puxa?

– Tá na cara que é uma reduplicação de uma forma do verbo puxar, né? E este vem do Latim pulsare, “empurrar, repelir, fazer vibrar uma corda”. Esse doce é uma forma esticável de melado.

Falando em melado, ocorre-me a rapadura, que vem de rapar, que vem do Germânico hrapon, “tirar de, arrebatar”, já que em certo momento da fabricação do doce se tem que rapar o tacho.

Enfim, todas essas coisas se enquadram na palavra guloseima, que deriva de…

– Gula!

– Espantosamente esperto, esse meu neto. E esse substantivo veio de…

– Aí já é querer demais, Vô! – ele riu:

– Verdade. Pois veio do Latim gulla, “garganta, goela, esôfago”. Um guloso sempre deseja passar coisas garganta abaixo.

– E o bombom, quem inventou?

– Quem, não sei; apenas digo que esse nome está em uso desde pelo menos 1604 e que é uma duplicação do Francês bon, “bom”, do Latim bonus, “bom”.

– Foi lá que inventaram a palavra chocolate também, aposto.

– Grande engano. Quem a inventou foram os Astecas. Em seu idioma, o Náhuatl, xocolatl  é feito de xococ, “amargo”, mais atl, “água”.

– “Água amarga”? Mas além de ele não ser líquido, é doce!

– Originalmente ele era uma bebida amarga. Depois que veio para a Europa foi que lhe adicionaram açúcar e o condensaram em forma sólida. Assim, se você voltar ao tempo dos Astecas e eles lhe oferecerem xocolatl, melhor não aceitar porque não será do seu agrado.

E agora me lembrei do rebuçado. Conhece?

– Nunca ouvi falar, meu avô. Não é invenção sua?

– Não; designa um doce à base de calda de açúcar e que era vendido embrulhado em papel. Rebuçar significa “tapar, encobrir, disfarçar” e veio de rebuço, a parte da capa que podia servir para encobrir o rosto. É por isso que quando alguém diz que vai falar “sem rebuços” quer dizer que vai se comunicar sem esconder nada.  O que provavelmente é mentira.

E, falando em doce à base de calda de açúcar, temos também o caramelo, cujo nome não se tem certeza de onde vem, mas se suspeita que seja do Latim calamellus, diminutivo de calamus, “cana”.

– E o que me diz o senhor do chiclete?

– Esse vem do Espanhol chicle, que designava uma resina usada para mascar; também é do Náhuatl e quer dizer, se não me engano, “grudento, pegajoso”. Quem já pisou numa coisa dessas na calçada sabe bem por quê.

– Então ele é uma coisa natural! Não dá para reclamar quando a gente anda por aí mascando.

Era natural. Agora é totalmente feito a partir de derivados do petróleo. Não dá para ficar contente por esse lado. Mas não se preocupe, não faz grande mal usá-lo.

– Eu gosto daquelas coisinhas que parecem umas drágeas, como é que se chamam…

Confeitos.

– Isso! O que é que eles têm que ver com o confete do Carnaval?

– Tudo. O nome dos docinhos vem do Italiano confetto, do Latim confectum, “feito, fabricado, preparado”, de com-, “junto”, mais facere, “fazer”. Usou-se primeiro para frutas secas recobertas de açúcar, depois para outros doces recobertos com ele.

– E o do Carnaval?

– Por incrível que pareça, o pessoal atirava esses docinhos uns nos outros nos carnavais de outrora, na Europa; depois se deram conta de que era desperdício demais e começaram a usar bolinhas de gesso colorido e afinal pequenos pedaços de papel redondo, o que saía bem mais em conta.  Como se dizia em Italiano confetti, plural, em Português se fez a palavra confete, no singular.

E agora, depois de tanta doçura que chegou a me enjoar, seja útil e vá descolar para o seu avô um sanduíche de salame ali na cozinha.

Resposta:

Encurralado Num Beco Escuro!

 

X-8 está satisfeito. Acabou cedo o seu trabalho de hoje, entregando as respostas pedidas por uma cliente. Mal passa das 21 horas e ele está livre. Receber dinheiro sempre o deixa de bom humor, e hoje o deixou com fome.

Resolve que vai fazer algo pela economia do bairro e do país em geral: vai sair e comer pizza, em vez de fazer o seu lanche no escritório, como sempre.

Fecha as janelas do seu escritório em preto-e-branco. Sai, chaveia a porta, verifica se ela está bem trancada.

Precauções exageradas. O bairro é tão ruim que nem os bandidos se atrevem a chegar ali. Ninguém desconfia, mas o índice de crimes é baixíssimo, simplesmente pelo aspecto assustador daquelas quadras esquecidas pela municipalidade. Essa foi uma das razões para ele se estabelecer ali. Além do aluguel barato, é claro.

Afinal, ele tinha a raríssima formação de Detetive Particular e Etimologista e estava firmemente resolvido a usar aquilo para ganhar dinheiro. Vivemos num mundo capitalista; juntar grana na área de serviços essenciais não é proibido nem é pecado.

Deixando de lado os seus projetos de vida, o detetive desce as escadas muito sujas do seu edifício comercial/residencial e anda pela calçada.

Ele aprendeu a gostar daquele ambiente noir, das calçadas cheias de lixo, das marcas redondas de luz que os postes lançam no chão escuro, dos bares e estabelecimentos decadentes abertos para poucos fregueses.

Ele se dirige resolutamente para a esquerda. É uma figura que chamaria a atenção se estivesse noutro lugar. Usa uma gabardine cor de areia maior do que o seu tamanho e um chapéu de aba bem enfiado na cabeça, de modo que nada se enxerga do seu rosto.

Faz a imagem, embora amarfanhada e pouco graciosa, daqueles detetives das histórias americanas da década de 1950. Ou pelo menos tenta.

Caminha algumas quadras por aquela paisagem que lembra Roma depois dos bárbaros e chega à Pizzaria do Porco.

Trata-se de um estabelecimento com grandes janelas, mesas antigas de mármore, redondas, cadeiras duras e geralmente com uma pata mais curta. Tem ventiladores sujos de moscas no teto muito alto, girando a uma velocidade ridiculamente lenta.

É atendida por garçonetes de saias muito curtas e meias arrastão que há muito tempo trabalhavam no ramo do entretenimento individual mas que agora, quiçá por falta de clientes, resolveram fazer uma vida mais pacata.

O dono, o Porco Garcia, é irmão do Garcia que possui o bar em frente ao edifício de X-8. Eles são gêmeos.

Idênticos na sua gordura, na barba por fazer no bigode caído, na sua falta de higiene. Só que este usa sempre uma misteriosa toalha de rosto cinzenta caída sobre a cabeça.

Ninguém sabe por quê. Será apenas para fazer gênero? Para ser distinguido do irmão? Alguns sussurram que é para esconder uma horrível cicatriz causada por uma barata há muito tempo.

Dizem que a tal barata teria sido encontrada numa de suas pizzas, com o conseqüente desagrado do cliente, que era um lutador de sumô em regime de engorda.

Outra hipótese é que a toalha esconderia uma bela cabeleira loura encaracolada cuidadosamente mantida, um capricho peculiar do pizzaiolo.

O único que se sabe é que ninguém se arrisca a perguntar a razão daquilo.

O detetive entra e toma assento numa das mesas do fundo, voltado para a porta. Assim ele não será apanhado de surpresa por … por… deixa pra lá. A vida fica mais interessante se a gente providencia algum colorido. E imaginação não lhe falta.

Olha e vê Odila, a sua garçonete favorita. Estala os dedos em sua direção, como cabe a um rude policial. Mas os dedos apenas fazem “ffft”, um som chocho e decepcionante.

Ele roga uma praga entre dentes: esquecera de retirar as luvas de couro. Precisar de luvas de couro preto com a borda dobrada para fora ele não precisa, mas isso acrescenta vários pontos ao charme romântico que ele pensa espalhar ao redor. Só não dá é para estalar os dedos com elas.

Retira as luvas disfarçadamente, mas àquela altura Odila já o viu e se aproxima, dengosa como sempre, rebolando:

– Olá, bonitão? O que vai ser hoje? Posso pedir dispensa agora e aí a gente sobe para o meu apartamento aqui em frente, que tal? Sei servir os pratos mais quentes que você já viu…

– Não, bêibi. Nunca quando estou a serviço. Vim apenas comer enquanto espero um criminoso passar pela rua.

Odila sempre faz isso para melhorar a sua gorjeta. Se, por acaso, algum cliente topar, ela desconversa.

Mas o pobre detetive, em sua inexperiência nesses assuntos, não sabe como são essas coisas. Acha que é verdade. E acha que ela acredita quando diz que está trabalhando. Sente até uma certa pena da coitada da moça que aparenta passar o tempo apaixonada, pensando nele.

Mas quem escolhe a vida da luta contra o crime não pode se comprometer. É duro, mas é a vida, bêibi.

Mostrando-se decepcionada e fazendo beicinho, Odila diz:

– Já que você não quer isso… O que vai ser então?

– O de sempre – X-8 acha uma glória pedir assim.

Claro que, nas histórias de detetive, “o de sempre” é um Bourbon com soda, um gin-fizz, uma taça balão com conhaque ou coisa parecida. Mas no caso dele, quer dizer uma fatia de pizza Seis Queijos e uma fatia de Pizza Surpresa com um copo de guaraná bem gelado.

A pizza Seis Queijos é coberta por seis pedaços do queijo que estiver sobrando no momento, não pensem que são seis tipos diferentes. Isso inclui as cascas também. E a pizza Surpresa foi o jeito de nomear uma fatia recoberta por material comestível de difícil identificação, que de cada vez se apresenta diferente. Daí o nome.

Mas a massa é boa, fina (não tanto por imitar as verdadeiras pizzas italianas mas por economizar insumos), o cheiro do queijo torradinho é tentador.

Em breve Odila traz o pedido e, como sempre, diz que ele foi sorteado para receber a Oferta da Casa grátis – ela mesma.

X-8 recusa polidamente, achando que às vezes seria melhor não ter tanto charme, para evitar trabalho. Odila encolhe os ombros; afasta-se, com jeito de amuada, e em trinta segundos se esquece do freguês.

Ele come as fatias com as mãos, tentando inutilmente evitar que caia molho e queijo derretido na sua gabardine. Azar; esta refeição vale a pena. Já estava na hora de mandar lavá-la mesmo. A última vez tinha sido há dois ou três anos, ele não se lembra.

Come devagar, saboreando a sua liberdade. Bebe o guaraná, que desliza gelado pela sua boca e vai se encontrar com a pizza ali adiante.

Enche a barriga pensando na vida, que não está das piores. Se os seus pais o vissem agora! Com um florescente escritório de pesquisas etimológicas, respeitado pela clientela, sabendo aplicar os mais modernos princípios de “marketing” – passou rapidamente por esta parte – podendo comer o que bem entendesse e quando bem entendesse…

Seus pais estavam errados quando se opuseram à sua ida para a Faculdade de Etimologia. Preferiam juntar dinheiro para comprar um carrinho de pipoca novo, para que ele pudese suceder ao pai na praça. Coitados, que o Céu os tenha em paz. O maior presente para eles era que ele estava bem.

Dali a meia hora pagou a conta para Odila e deixou uma boa gorjeta, meio culpado por não corresponder à paixão dela.

Aproveitou para explicar à moça que gorjeta vem do Latim gurguis, “garganta”, já que o dinheiro servia para molhar a dita cuja. Acrescentou que a palavra propinaquer dizer exatamente o mesmo, em Grego, de pro-, “para” e pinein, “beber”. Disse que, se ela trabalhasse na França, receberia um pourboire, literalmente “para beber”.

Despediu-se e saiu para a calçada deserta. Começou a andar lentamente, barriga contente, enquanto pensava automaticamente nos étimos que lhe vinham à cabeça:

Pizza aparenta vir do Grego pitta, “bolo, alimento assado feito com farinha”. Fez-se a hipótese de que venha mais remotamente de peptos, “cozido, digerido”. Aliás, esta palavra lembra dispepsia, sintoma de desconforto gástrico que casualmente costumava acompanhar as refeições na Pizzaria do Porco. Ela é grega, formada por dis-, “mau, mal feito” e pepsys.

O tomate que vem sobre a fatia tem seu nome derivado do Náhuatl, idioma da região do México, onde era tomatl, “a fruta que incha”, de tomana, “inchar”.

Alíás, este idioma nos deu também o xocolatl, de xococ, “amargo”, e atl, “água”. Na época, esta era uma bebida quente, amarga e apimentada. Com o tempo e as novas receitas virou o nosso chocolate, em barras e doce.

E o queijo? Este vem do Latim caseus, com origem mais remota no Indo-Europeu kwat-, “azedar, fermentar”. Na França – onde se entende do assunto – o nome tem outra origem: é fromage, que vem do Latim formaticum, de forma, “molde, forma”.

E assim ia o corajoso detetive, distraído com os seus pensamentos, os pensamentos que nunca lhe permitiam saber o que eram a solidão ou o tédio, virando esquinas, caminhando com calma, até que ele percebeu que nunca tinha passado por aquele lugar.

Voltou sobre os seus passos e virou para outro lado, andando mais um pouco.

Também não era por ali.

Tentou a rua transversal. Agora, sim. Aquele rato morto estava ali quando ele passou para a pizzaria. Seguiu em frente. Mas, pensando bem, o rato estava virado para o outro lado e era menor antes… Era outro mesmo, pois ele deu com um muro fechando a viela em que se tinha metido.

Com pezinhos frios e úmidos, o medo percorreu rápido os desvãos da sua cabeça e largou um pensamento como se botasse um ovo: se isto fosse uma história em quadrinhos, ao se virar ele veria a entrada da ruela tomada por vultos iluminados por trás, quietamente ameaçadores, sem possibilidade de fuga.

Voltou-se, resolvido a sair dali o mais rápido que pudesse.

E viu a entrada da ruela tomada por vultos iluminados por trás, quietamente ameaçadores, sem possibilidade de fuga.

– Sonho idiota! – pensou, mas sabia muito bem que aquilo não era sonho.

Os vultos começaram a se aproximar lentamente, por entre as caixas velhas, latas de lixo e pequenas poças dágua. Chegaram até bem perto.

Ele sentiu o cheiro de fumaça e de falta de banho. Procurou freneticamente em seus bolsos: clipes, caneta, bloquinho para anotações, o dinheiro que ele tinha recebido pelo seu último trabalho, guardanapos de papel subtraídos na Pizzaria, um chiclete de Tutti-Frutti… Nada que pudesse ajudar numa situação daquelas.

Os vultos se moviam tranqüilamente, decerto por perceberem que ele não poderia sair sem esbarrar neles. Chegaram perto e sentaram sobre caixotes, ainda barrando a passagem.

Como num gesto combinado, todos estenderam as mãos para ele, que olhou para ver as lâminas que ameaçavam a sua vida.

As mãos estavam vazias, com a palma voltada para cima, no gesto de quem pede.

Agora que os vultos tinham chegado perto, ajudado pela lâmpada de uma sacada próxima, ele pôde ver melhor. Eram todos palavras: Mendigo, Pedinte, Esmoleiro. Algumas eram palavras estrangeiras: Beggar, Pordiosero, Limosnero, Linyera.

Então ele percebeu que o medo havia sido gerado apenas pela sua consciência e pelos estereótipos; enfim, pela sua própria cabeça. Deu-se conta de que isso ia render uma agitada sessão com o seu psiquiatra naquela semana.

As pobres palavras apenas queriam ajuda para sobreviver. Expressavam isso claramente com sua atitude corporal.

Ele puxou um caixote mais alto que os outros, sentou-se em frente a elas e começou a falar. Disse que percebia que elas lutavam por cada migalha que lhes permitisse manter o coração batendo e que ele sabia que isso era resultado das políticas governamentais que há muito tempo contemplavam mais a sobrevivência dos homens no poder do que os anseios do povo e das palavras. E que ele, naquele momento, ia tentar dar a sua pequena contribuição, diretamente para eles.

– Por exemplo, Mendigo, você sabia que a sua origem é de menda, “quem tem defeito físico”? Como esta ocorrência em épocas antigas implicava em que a pessoa não teria meios de ganhar bem a vida, o significado adquiriu a conotação de “pobre” e depois a de “pessoa que vive de caridade”. Existem Ordens Mendicantes na Igreja Católica, que começaram com a idéia de serem sustentadas pela comunidade. A palavra mentira tem a mesma origem.

Voltou-se para outra palavra:

– E você, Esmoleiro, sabia que vem do Grego eleemosyne, “piedade, mercê, favor”? Em Grego Eclesiástico, adquiriu o significado de “donativo, caridade”. Assim, você é parente ali de Limosnero, do Espanhol limosna, que tem exatamente a mesma origem.

– Quanto a Pedinte, ali: evidentemente, sua origem é o verbo latino petire, que significava tanto “exigir, solicitar, pedir” como, originalmente, “atacar, ir em frente”. A origem mais remota ainda é o Indo-Europeu pet-, “voar”, por estranho que pareça.

– Os senhores estrangeiros que nos honram com a sua presença não escolheram um lugar dos melhores para pedir dinheiro; em todo caso, posso dizer que ali o Beggar, Inglês, teve seu nome derivado de uma ordem de irmãos leigos pedintes, os Beghards, do Holandês baggaert, “mendicante”.

Esta ordem em pouco tempo ficou com má reputação porque muitas pessoas que não pertenciam a ela começaram a pedir dinheiro em seu nome. E a base da palavra está no Germânico beth-, “pedir”, que passou a beg atualmente em Inglês, com o mesmo sentido.

– E Pordiosero é uma palavra espanhola de origem muito expressiva. Vem da invocação do pedinte ao solicitar esmola: “Por Dios”, ou seja, “Por Deus”.

– O amigo Linyera é do Lunfardo, a gíria portenha, em grande parte derivada do Italiano. No dialeto do Piemonte, llinger significava “pobre”, de onde se fez linghera, “peão, trabalhador por tarefa”, que originou o atual linyera.

No beco escuro, as palavras estavam mudas de assombro por terem recebido aquela lição. Enquanto ruminavam as idéias em suas cabeças obnubiladas pelo pouco exercício, X-8 intrepidamente passou entre elas, despediu-se, saiu do beco e foi a passo acelerado para a rua que ainda não havia testado, a qual logo o levou a caminhos bem conhecidos.

Já em casa, depois de um bom banho ter tirado o cheiro de pizza que grudava em todos os que freqüentavam a Pizzaria do Porco, deitado com seu pijama de listras azul e branco, o detetive pensava que naquele dia finalmente tinha feito algo fundamental pelas palavras pobres da região.

E sem cobrar um tostão! Ficou com os olhos marejados de tanta generosidade.

O sono dos justos tomou conta da sua mente e do seu corpo e ele dormiu muito bem.

Resposta:

Frutas

– Quem foi que deixou um resto de maçã roída na minha cadeira? E esta casca de banana no chão? E estas cascas de amendoim sobre a minha mesa? E estas sementes de laranja sobre as classes? Crianças, assim não dá! Feio, feio! Como é que uma pobre mestra pode sobreviver num meio destes?

Sentem-se todos em roda e vamos falar um pouco sobre a origem das palavras enquanto eu tento limpar um pouco a sala. Ah, eu sabia que podia contar com o Humbertinho para trazer o cesto de lixo atrás de mim. Continue assim que você vai agradar muito no futuro, menino.

Estão vendo esta casca de banana? Quem a jogou aqui provavelmente vai ter uma vasta dor de barriga, que é para aprender a não ser mal-educado. Mas por enquanto vamos ficar sabendo que o nome dessa fruta vem do Árabe banana, “dedo”, devido à sua forma.

Também chamamos de banana a pessoa muito mole, numa alusão à consistência macia do fruto. Falando nisso, levantem o Soneca dali um pouco, para que eu possa tirar essas cascas debaixo dele. Cuidado para não o acordar, que pelo menos é um que não está incomodando.

Olhem esta maçã esborrachada aqui. Saibam que o nome dela vem de mala mattiana, “maçã da cidade de Mattium, onde havia grande produção.

Esta palavra mala ou malum se aplicava também a frutos de polpa carnosa em geral.

Não, Joãozinho, não é dessa carne que estamos falando. Continue distraído fazendo os seus desenhos. Só não os mostre para ninguém, por favor.

Falando em malum, o pêssego, tão apreciado, se chamava em Roma malum persicum, “o fruto da Pérsia”. Com o tempo, caiu a primeira palavra e ficou a segunda. É por isso que o seu nome se escreve com “S” e não “C”, como alguns faziam. O “S” vem do nome do país.

– Como, Ledinha? Não, querida, essa fruta não foi inventada na Pérsia, ela apenas passou por lá a partir da Ásia, em seu caminho para o Ocidente.

Falando nisso, os romanos gostavam de uma fruta que continha muitos pequenos grãos cor de rubi com uma incômoda sementinha dentro, que nós hoje chamamos de romã. Ela era chamada mala granata, “fruto de grãos”, ou mala romana, “fruto romano”. O interessante é que, na Espanha, o que resultou hoje é a granada, de granata, e em Portugal, a romã, de romana.

Os romanos, aliás, chamavam as frutas tanto de fructus como de pomum. Daí que uma plantação de árvores frutíferas hoje se chama pomar.

Temos aqui uma casca de maracujá, que vem do Tupi moroku’ia, o nome da fruta.

Eles chamavam o abacaxi de iwa’kati, “a fruta que tem cheiro forte”, uma palavra que diz muito sobre ele.

Não, Sidneizinho, não quero ouvir nenhuma piada sobre frutas, não. Aliás, saia de perto da Maria Tereza que ela é inocente demais para você estar junto. Vá para o fundo da sala, vá.

Pulando para bem longe, sabiam que o abacate tem o seu nome oriundo de um idioma do México chamado Náhuatl? Lá ele era chamado awácatl. Eles também deram nome ao tomate, que era tomatl para eles. E também ao chocolate, chocolatl.

Lembrei-me do chocolate porque vi todo esse chocolate derretido na sua mão e ao redor de sua boca, Artur. Vá se lavar, menino! E não se esqueça de voltar.

O Náhuatl cacahuatl deu também o nome ao que os espanhóis chamam de cacahuete, e que nós por aqui chamamos de amendoim. Esta palavra vem do Tupi manu-ui, com influência de amêndoa. O pessoal de fala espanhola na parte mais ao sul do nosso continente usa maní, também baseado no Tupi.

Não senhor, Sidneizinho, essas histórias sobre o amendoim são bobagens e eu não quero falar nisso. Sim, sei que estou aqui para ensinar, mas isso vocês só podem aprender mais tarde. E vamos mudar de assunto.

Vejam esse rastro de pingos de laranja. O nome dela veio do Sânscrito naranga, através do Persa narang e do Árabe em duas formas, narang e larang. É por isso que dizemos laranja em português e naranja em Espanhol.

Falando em Árabe e em cítricas, temos o limão, de limun. Parente dele em idioma de origem e família é a lima, de limâ.

O que me lembra a tangerina, que recebeu esse nome do porto de Tânger, cidade do Marrocos perto do Estreito de Gibraltar, que era um local de exportação da fruta para a Europa.

Essa mesma fruta é chamada no sul do Brasil de bergamota. Esse nome vem do Turco mustafa beg armudi, “a pera do Príncipe”. Não se sabe que confusão os italianos fizeram entre as frutas, que passaram o nome para bergamotta e assim ficou.

Em outras partes do país, esta fruta é chamada de laranja mexeriqueira ou mexerica. Esta palavrinha vem de mexericar, no sentido de “denunciar”, já que o seu cheiro denuncia imediatamente quem foi que comeu a fruta e espalhou as cascas por aí. Sabia, Oscarzinho, que está com essa cara de santo aí no cantinho? Para completar: mexericar vem de mexer.

É bom que todos aprendam a não mexer com quem está quieto, pois um belo dia podem se surpreender provocando um ataque do coração em alguma pessoa esgotada com suas malcriações e aí não haverá mais professora para dar aulinhas para vocês e vocês vão ter que ir pedir esmolas nas ruas e dormir nas calçadas e…

Não, não! Não chorem! Era tudo uma brincadeirinha! Vocês não podem me levar a sério quando eu estou assim cansada de traquinagens. Calma, que a Tia Odete vai contar mais coisas interessantes. Olha aqui que artístico, esse pedaço de melancia atirado contra o teto! Muita criatividade mesmo. Miró não faria melhor.

Sabiam que o nome dessa fruta também vem do Árabe? Pois consta que se chamava bátikha balanci, “melão de Valência”. Como todos vocês ainda não sabem, os Árabes passaram longo tempo dominando a Espanha, tanto que a ajuda de arabistas, especialistas em idioma Árabe, é indispensável para se fazer um dicionário de Espanhol.

E o melão veio do Grego melopepon, passando pelo Latim melo e pelo Italiano mello. Aqui tem um pedaço de casca no peitoril da janela, vejam só que lindo!

Em Espanhol, o nome da melancia é sandía. Ele vem do Árabe sinddyya, “natural da região do Sind, no Paquistão”.

Muitos de vocês talvez não conheçam ainda as palavras sandice, sandeu, que querem dizer “loucura, louco”. Pois elas vêm do nome dessa fruta em Espanhol.

Em determinado momento se associou o tamanho da cabeça de crianças com macrocefalia, uma doença em que os líquidos do cérebro não drenam direito e que comprime o cérebro e aumenta o crânio, com a forma e tamanho da melancia.

Como não havia tratamento ainda para isso, as crianças tinham retardamento mental e a ligação com a loucura veio logo.

E está cientificamente provado que crianças que se portam mal com sua professora querida correm sério risco de acordar sandias. Portanto, agora vão para casa e prometam que vão se comportar.

E façam um favorzinho: digam para as mamães que a nossa experiência da Merenda de Frutas está cancelada e que é para não mandarem mais frutas com vocês, está certo?

Resposta:

Pergunta #304

Palavras: chocolate

Feliz Páscoa!Embora esta data tenha um significado tão especial,o que desejo saber,agora, é a origem da palavra chocolate.Um abraço.

Resposta:

Ele foi um presente do México para nós; vem de XOCOLATL, do Náhuatle, idioma antigo desse país, .
Só que eles não o usavam como nós, e sim como uma beberagem quente e apimentada.
Quem se candidata?

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