Palavra cratera

VULCÃO NA AULINHA!

 

– Quem diria. Eu, Odete Sinclair, mui digna professora de Etimologia nesta aula de Maternal, um dia ia ver uma erupção vulcânica bem aqui na minha frente. Mas não se pense que fui de viagem a algum lugar onde essas coisas ocorrem e fui surpreendida por uma, não.

O que se dá é que simplesmente estou vendo mais uma manifestação da incrível força da natureza que são crianças agitadas.

É fantástico. A energia delas se manifesta por berros, gritos, urros, movimentação para todas as dimensões espaciais ao mesmo tempo, fenômeno absolutamente inusitado, puxões de cabelos, barbaridades de todo tipo…

Já sei. Crianças, façam roda que a Tia aqui vai contar as origens de umas palavras relacionadas com este frenesi de que estão possuídas.

Isso, todos menos agitados agora.

Vamos começar com vulcão. Ele vem do nome de um deus da mitologia romana, Vulcano. Ele era o ferreiro dos deuses e fabricava os raios que Júpiter usava para castigar os seres humanos quando eles faziam por merecer. Ou mesmo quando não faziam, só por diversão.

E erupção vem do Latim erumpere, “empurrar para fora”, de ex, “para fora”, mais rumpere, “quebrar, partir, romper”.

Explosão vem do Latim explodere, “fazer sair, expulsar por meio de palmas”, formada por ex mais plaudere, “bater palmas”.  O significado original vem do teatro, já que na antiga Roma os maus atores eram corridos do palco por meio do ruído, gritos, vaias e palmas.

É bem a sensação que vocês transmitem quando estão se divertindo.

Um vulcão ativo tem uma cratera, que é aquele buraco por onde ele expele material. Esta palavra vem do Latim crater, do Grego krater, “vaso para misturar vinho com água” (eles bebiam o vinho diluído), de keránninai, “misturar”, do Indo-Europeu kra-, “misturar, confundir”.

Quando ocorre uma erupção vulcânica, há a saída de lava, que deriva do dialeto napolitano lava, “torrente, curso líquido”,  do Latim lavare, “lavar”.

Essa lava muitas vezes é denominada magma, do Latim magma, “resíduos de uma unção”, do Grego magma, “unguento espesso”.

Muitas vezes ocorre a ejeção de um fluxo piroclástico. A primeira palavra vem do Latim fluxus, “o que escorre”, de fluere, “fluir, deslizar, escorrer”. A segunda, com ar tão complicado, vem do Grego pyr, “fogo”, mais klastós, “partido em pedaços”, de klaein, “quebrar, partir”. Esse se desloca com grande velocidade pela encosta abaixo e é extremamente destruidor.

Bem que eu teria uso para um fluxinho pessoal desses, se existisse.

Como? Nada não, crianças, foi só o pensamento fantasioso de uma professora cansada.

Falei em encosta há pouquinho; vou informar que ela vem de em mais costa, esta do Latim costa, “flanco, lado”.

Outra coisa que sai da boca do vulcão é fumaça. Ela vem do Latim fumus, “fumaça, fumo, vapor”, que veio do Indo-Europeu dheu-, “fumaça, vapor, erguer-se numa nuvem”. Esta originou também a palavra grega thymé, “espírito, alma”. Não é poético pensar na alma como algo que se evola pelos ares?

Exceto no caso de certas pessoinhas que aparentemente são desprovidas dela, claro.

Poeira também é expelida em grande quantidade numa erupção. Vem de “pó”, do Latim pulvis, “pó, poeira”.

Quando a lava se solidifica em contato com o ar, muitas vezes resulta daí a chamada pedra-pomes ou púmice. Trata-se de um tipo de rocha espumosa, cheia de bolhas de ar, e que por isso é leve a ponto de flutuar na água. Seu nome vem do Latim pumex, como era conhecida a rocha. E ele veio do Indo-Europeu poi-mo-, uma raiz ligada ao sentido de “espuma”.

Por muito tempo as pessoas usaram pedaços dela para amaciar a pele.

Outra rocha que resulta do esfriamento da lava é o basalto, muito abundante em nosso planeta. É uma rocha escura, usada extensamente para fazer calçamento. Seu nome vem do Latim basaltes, que descrevia uma pedra muito dura, uma alteração de basanites, do Grego basanites mesmo, de basanos, “pedra de toque”.

Calma, já vou explicar o que é isto. “Pedra de toque” é uma pedra onde se esfrega um metal para saber se é ouro ou não e, em caso positivo, para determinar a sua pureza.

Faz-se assim: com a amostra de metal se risca um traço na pedra de toque. O aspecto dele é comparado com amostras previamente conhecidas de ouro e daí se faz o diagnóstico.

Sim, Patty? Não, não é nenhuma tecnologia moderníssima, cibernética nem escalafobética. É muito antiga, pois as pessoas no Vale do Indus, há cinco mil e quinhentos anos, já a usavam.

Fale, Zorzinho.Se vulcanizar a  borracha é feito dentro de um vulcão? Mas cada ideia… O caso é que o nome em Inglês vulcanization para o processo de adequar a borracha para que ela se torne mais resistente e não se degrade com o tempo foi escolhido a partir do deus Vulcano mesmo. Isso porque ele exige muito calor e pressões elevadas, como no interior de um vulcão.

Para completar, vou contar-lhes que há uma borboleta europeia, a Vanessa atalanta,  que é chamada vulcão em Portugal e na França. As cores de suas asas, um laranja muito vivo que lembra a lava fervente sobre um marrom escuro que nem as encostas esfriadas, dão mesmo a ideia visual de um vulcão em atividade.

E agora podem sair. Vão brincar de erupção vulcânica em casa, que é para os seus pais terem uma ideia do que é a vida desta dedicada professora.

Resposta:

FUROS, FRINCHAS, FRESTAS

 

Vivemos topando com soluções de continuidade nos materiais de nosso dia-a-dia, sejam elas rachaduras numa parede ou um furo de cupim na folha de um livro. Elas têm diversos nomes em nosso idioma, cada um com sua origem.

 

FURO  –  do Latim forare, “furar”. E este por sua vez veio do Indo-Europeu  bhar-,  “furar, cortar”, que gerou o Latim ferire, “transfixar com ferro”, ou seja, “ferir”.

 

FRINCHA  –  sua origem é controversa. Silveira Bueno sugere o Calabrês fringulo, “retalho, pedaço pequeno retirado de algo”.

 

FRESTA  –  do Latim fenestra, “janela”, do Indo-Europeu bhan- ou phan-, “brilhar”, já que a função de uma janela é fazer entrar a luz num aposento.

 

GRETA  –  do Latim crepitare, ranger, fazer ruído, estalar”, pois o ato de formar uma rachadura ou fenda em algo costuma se acompanhar por um ruído do material se partindo.

 

FENDA  –  do Latim findere, “partir longitudinalmente alguma coisa”. O particípio passado deste verbo é fissus, que originou nossa palavra  fissão, que pode se aplicar a diversas substâncias ou mesmo a átomos, bem como fissura, “abertura ou fenda estreita”.

 

BURACO  –  também deriva do Latim forare. Do particípio passado deste verbo, foratus, surgiu a forma antiga furato, que mais tarde passou a buraco.

 

PERFURAÇÃO  –  de furo, com o radical per-, “através, de todo”.

 

ABERTURA  –  do Latim aperire, “abrir”.

 

BRECHA  –  do Francês brèche, “brecha”, do Gótico brikan, “romper, quebrar”. Esta palavra originou também o Inglês break, “quebrar”.

 

POÇO  –  do Latim puteus, “buraco, poço”.

 

CISTERNA  –  pode ser igual a um poço, mas recolhe apenas água da chuva.

Do Latim cis terram, “abaixo da terra”, onde cis, além do usual “do lado de cá”, significa “abaixo daqui”.

 

RACHADURA  –  possivelmente do Latim re-, intensificativo, mais ascla, “acha, pedaço de madeira”, que levou ao verbo rachar.

 

RUPTURA  –  do Latim  rompere, “quebrar, partir, romper”.

 

ROMPIMENTO  –  vide acima.

 

CRATERA  –  do Latim crater, do Grego krater, “vaso para misturar vinho com água” (eles bebiam o vinho diluído), de keránninai, “misturar”, do Indo-Europeu kra-, “misturar, confundir”.

 

VALA/VALO  –  do Latim valla, plural de  vallum, “paliçada, trincheira”, possivelmente de um radical val-, “cobrir, defender”.

 

FOSSO  –  do Latim fossus, “o que foi escavado”. Os fósseis que fazem a alegria dos paleontólogos se chamam assim porque são o resultado de escavações.

 

DRAGAGEM  –  do Inglês drag, “arrastar”, que originou o nome de um instrumento para limpar valados de plantação, uma enxada.

 

REGO  –  provavelmente sob influência do Celta rica, “sulco”.

 

TÚNEL  –  do Inglês  tunnel que deriva do Francês tonel, “barril”, que acabou desenvolvendo o sentido de “cano, tubo” e mais tarde o de “passagem subterrânea”.

 

TRINCADURA  –  talvez do Latim truncare, “partir, romper”.

 

Resposta:

FUROS, FRESTAS, FRINCHAS

 

 

Vivemos topando com soluções de continuidade nos materiais de nosso dia-a-dia, sejam elas rachaduras numa parede ou um furo de cupim na folha de um livro. Elas têm diversos nomes em nosso idioma, cada um com sua origem.

 

FURO  –  do Latim forare, “furar”. E este por sua vez veio do Indo-Europeu  bhar-,  “furar, cortar”, que gerou o Latim ferire, “transfixar com ferro”, ou seja, “ferir”.

 

FRINCHA  –  sua origem é controversa. Silveira Bueno sugere o Calabrês fringulo, “retalho, pedaço pequeno retirado de algo”.

 

FRESTA  –  do Latim fenestra, “janela”, do Indo-Europeu bhan- ou phan-, “brilhar”, já que a função de uma janela é fazer entrar a luz num aposento.

 

GRETA  –  do Latim crepitare, ranger, fazer ruído, estalar”, pois o ato de formar uma rachadura ou fenda em algo costuma se acompanhar por um ruído do material se partindo.

 

FENDA  –  do Latim findere, “partir longitudinalmente alguma coisa”. O particípio passado deste verbo é fissus, que originou nossa palavra  fissão, que pode se aplicar a diversas substâncias ou mesmo a átomos, bem como fissura, “abertura ou fenda estreita”.

 

BURACO  –  também deriva do Latim forare. Do particípio passado deste verbo, foratus, surgiu a forma antiga furato, que mais tarde passou a buraco.

 

PERFURAÇÃO  –  de furo, com o radical per-, “através, de todo”.

 

ABERTURA  –  do Latim aperire, “abrir”.

 

BRECHA  –  do Francês brèche, “brecha”, do Gótico brikan, “romper, quebrar”. Esta palavra originou também o Inglês break, “quebrar”.

 

POÇO  –  do Latim puteus, “buraco, poço”.

 

CISTERNA  –  pode ser igual a um poço, mas recolhe apenas água da chuva.

Do Latim cis terram, “abaixo da terra”, onde cis, além do usual “do lado de cá”, significa “abaixo daqui”.

 

RACHADURA  –  possivelmente do Latim re-, intensificativo, mais ascla, “acha, pedaço de madeira”, que levou ao verbo rachar.

 

RUPTURA  –  do Latim  rompere, “quebrar, partir, romper”.

 

ROMPIMENTO  –  vide acima.

 

CRATERA  –  do Latim crater, do Grego krater, “vaso para misturar vinho com água” (eles bebiam o vinho diluído), de keránninai, “misturar”, do Indo-Europeu kra-, “misturar, confundir”.

 

VALA/VALO  –  do Latim valla, plural de  vallum, “paliçada, trincheira”, possivelmente de um radical val-, “cobrir, defender”.

 

FOSSO  –  do Latim fossus, “o que foi escavado”. Os fósseis que fazem a alegria dos paleontólogos se chamam assim porque são o resultado de escavações.

 

DRAGAGEM  –  do Inglês drag, “arrastar”, que originou o nome de um instrumento para limpar valados de plantação, uma enxada.

 

REGO  –  provavelmente sob influência do Celta rica, “sulco”.

 

TÚNEL  –  do Inglês  tunnel que deriva do Francês tonel, “barril”, que acabou desenvolvendo o sentido de “cano, tubo” e mais tarde o de “passagem subterrânea”.

 

TRINCADURA  –  talvez do Latim truncare, “partir, romper”.

 

Resposta:

Palavras: cratera

Depois desses erros crassos, tia Odete merece mesmo é umas boas palmadas… Ah, e se foi o tempo da palmatória!! Falando em crasso, qual a origem de CRATERA?

Resposta:

 

A palmatória agora é proibida, Tia Odete morre de saudades.

Cratera vem do Latim CRATER, do Grego KRATÉR, relacionado a KERÁNNYNAI, “misturar”. Isso porque designava um pote de argila que continha o vinho que seria misturado com água antes de ser bebido. Aquela turma nunca tomava vinho puro.

O formato interno do pote mais adiante se aplicou às cavidades apresentadas por vulcões.

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