Palavra crepúsculo

DECLÍNIO

 

Muitas vezes uma instituição ou pessoa, depois de uma época de fastígio, apresenta uma diminuição das suas características positivas, seja por quais razões for. Isso é tão comum que muitas palavras são usadas para descrever a situação. Vamos olhar as suas origens.

 

DECLÍNIO  –  do Latim declinare, “abaixar, desviar, evitar”, de de-, indicando origem, mais clinare, “dobrar, curvar”, do Indo-Europeu klei-, “inclinar-se, encostar-se”.

Os leitores perceberão que um bom número destas palavras começa com de- ou des-, prefixo que tanto pode indicar origem, como citamos acima, quanto negação, intensidade, separação ou afastamento.

 

DECADÊNCIA –  Latim decadentia, “o que está estragado”, de decadere, formado por de-, “fora”, mais cadere, “cair”.

 

DECAIMENTO –  também vem de decadere. Tem uma aplicação muito grande no terreno da Física Nuclear, onde se aplica à diminuição da radioatividade de um material com o tempo.

 

DECRESCIMENTO –  deriva de decrescere, “diminuir, crescer menos”, de de-, aqui indicando oposição, mais crescere, “crescer”.

 

DEFINHAMENTO –  tem origem discutida, mas parece derivar de fim, que é  o que parece estar chegando quando alguém fica fraco e abatido.

 

DEGRINGOLAMENTO –  vem do Francês dégringoler, “cair rapidamente”, do Holandês crinc, “curvar-se”, originalmente “cair dando voltas”.

 

DEPAUPERAMENTO –  do Latim depauperare, “tornar pobre, empobrecer”, de de-, mais pauper, “pobre, sem recursos, desprovido”.

 

DEPERECIMENTO –  de de-, mais perecer, do Latim perire, “morrer perder a vida”, literalmente “ir através”. É formada de per, “além, através”, mais ire, “ir”. Os romanos usavam de muita delicadeza para se referir à morte.

 

DESCIDA –  de descedere, “afastar-se, mover-se de cima para baixo, baixar”, de de-, intensificativo, mais cadere, “cair”.

 

DERROCADA –  de de-, mais rocca, “pedra grande, rocha”. A queda de uma empresa ou instituição muitas vezes pode ser comparada à de parte de uma elevação que parecia sólida.

 

DESMORONAMENTO –  do Espanhol desmoronar, “desfazer aos poucos prédios, construções, partes do terreno”, antigamente desboronar, “partir o pão em migalhas”, de des-, mais o arcaico borona, “pão de trigo ou outros cereais, migalha”, que gerou em nosso idioma a palavra broa.

 

DETERIORAMENTO –  Latim deteriorare, “tornar pior”, de deterior, “pior”, comparativo de deter, “baixo, mau, ruim”.

 

CAÍDA/QUEDA –  de cadere, “cair”.

 

CREPÚSCULO –  do Latim crepusculum, diminutivo de creper, “escuro”, esta de origem anterior desconhecida.

 

OCASO –  do Latim occasum, “descida de um astro, fim, decadência”, de ob,  “à frente, por causa de, devido a” mais cadere, “cair, morrer, diminuir”.

 

EMPOBRECIMENTO –  tem a mesma origem de depauperamento, mas foi feita em nosso idioma mesmo, a partir de pobre.

 

ENFRAQUECIMENTO –  do Latim flaccus, “flácido, mole, sem vigor, insuficiente”.

 

INVOLUÇÃO –  de in-, “em”, mais volvere, “dar voltas, fazer girar”. Expressa um movimento regressivo, uma falta de ir adiante.

 

NAUFRÁGIO –  do Latim naufragium, “afundamento de uma embarcação”, de navifragium, formado por navis, “nave, barco”, mais a raiz de frangere, “romper, quebrar”.

 

RUÍNA –  do Latim ruina, “colapso, queda, desabamento”, de ruere, “cair violentamente, desabar”, do Indo-Europeu reue-, “esmagar, desabar, romper”.

 

SOÇOBRO –  do Espanhol zozobrar, “virar um barco”, do Catalão sotsobrar, do Italiano sotto, “sob”, mais sopra, “sobre”  –  ou seja, virar a embarcação de cabeça para baixo.

A metáfora pode se aplicar a muitas atividades que deram errado.

Resposta:

Palavra Atra Atrum

Palavras: ater , atra , crepúsculo

Dei uma pesquisada e gostaria de entender melhor essa palavra e se poderia ter haver com a palavra crepúsculo.

Resposta:

Por partes:

ATRA ATRUM não é uma palavra, são duas. E ainda falta. Essa palavra é citada como ATER, ATRA, ATRUM e quer dizer “escuro, negro, ameaçador”.

A 1ª forma é o masculino, a 2ª o feminino e a 3ª o gênero neutro, que não sobreviveu em nosso idioma.

Ou seja, se dix ATRA NOX (feminino) para a “noite escura”, mas ATRUM MURUS para “muro escuro” (masculino).

Ela nada tem a ver com CREPUSCULUM, “hora do lusco-fusco”, que veio de CREPER, “escuro”, de origem desconhecida, exceto no fato de se referirem a situações de pouca luz.

Coisas Que Estão No Ar

Se olharmos para cima, poderemos ver fenômenos típicos de nossa atmosfera. Em retribuição, eles até podem fazer contato com a gente, como a chuva que nos molha, o trovão que nos atordoa ou o raio que nos pode torrar. Enquanto nada disso acontece, vamos ver o que se pode comentar sobre os seus nomes.

CÉU – do Latim Caelus, que era como se designava em Roma o que era Ouranós para os gregos. Este era o deus que personificava o céu, um dos primeiros a surgirem no Universo.

Ele era casado com Gea, a Terra. Isso a mesmíssima Terra que agora está na moda chamar, com ar virtuoso e verde, de “Gaia”.

Supõe-se que a palavra derive de uma raiz muito antiga que significava “brilhante, claro”, donde o céu seria “o iluminado, o brilhante”.

O nome Urano foi aplicado a um dos planetas exteriores (o sétimo a contar do sol) em épocas mais recentes; os antigos não o conheciam.

Urânia era o nome da Musa dedicada à Astronomia.

CREPÚSCULO – do Latim crepusculum, diminutivo de creper, “escuro”. Será que os romanos convidavam as romanas para sentarem no crepusculum do Circo Máximo para trocarem uns amassos?

Antes que alguém pense em crêpes Suzettes, informamos que crêpe vem do Latim crispus, “ondulado, frisado”, (o tecido crepe e o papel crepom têm a mesma origem) e nada tem a ver com o momento do dia em que está meio escuro porque o sol ainda não se pôs ou ainda não nasceu.

Isso mesmo, há dois crepúsculos por dia: um matutino e outro vespertino.

METEOROLOGIA – em Grego, metá significava “além, mais adiante” e aeirô, “ergo, elevo, levanto no ar”.

Daí temos a palavra meteoro que, diferentemente do que pensa a maioria, tem o significado básico de “qualquer fenômeno natural que se manifeste na atmosfera”

Assim, a chuva é um meteoro hídrico, o raio é um meteoro luminoso, o trovão é um meteoro acústico.

Meteorologia é a ciência que estuda esses fenômenos com o objetivo de fazer previsão climática, o que tem enorme importância para evitar desastres naturais e para orientar atividades como a agricultura.

A estrela cadente que costumamos chamar chamar de meteoro é dita meteoróide em linguagem científica. Se for apanhada de onde caiu, é chamada de meteorito.

Meteorismo é a formação de gases nos intestinos.

NUVENS – em Latim, diz-se nubes. Como na antiga Roma já havia o costume de a noiva usar véus cobrindo o rosto durante a cerimônia de casamento, e estes eram meio transparentes como as nuvens, formou-se o verbo nubere, “contrair matrimônio, casar”.

Dessa palavra se formaram núpcias, “casamento”; núbil, “apto para casar” (em geral usado para a mulher); nubente, “pessoa que está por casar”.

De nubes se formaram também palavras de uso mais raro, como:

Nubifrágio, com o uso de frangere, “partir, quebrar. romper”, significando “aguaceiro, chuva forte”. É como se a própria nuvem tivesse se partido e derramado toda a sua carga de repente.

Que tal chegarmos encharcados no trabalho, resmungando contra o nubifrágio que nos apanhou? Não parece chique?

Nubívago, com vagare, “vagar, errar, deslocar-se sem destino”. Significa “pessoa que vive nas nuvens”. Fenômeno comum entre etimologistas. Sinônimo: nefelibata.

Núbilo, nubiloso: “nublado, coberto por nuvens”.

Névoa, neblina: de nebula, diminutivo de nubes. É alusão à sensação de se estar numa nuvem quando estamos em meio à neblina. Algo nebuloso é uma coisa que não se pode distinguir direito porque está meio oculto, como um negócio escuso.

CHUVA: vem direto do Latim pluvia, que deu lluvia em Espanhol e pluie em Francês.

RAIO: em Roma, era chamado de radium.

RELÂMPAGO: parece vir de re-, que indica repetição ou reforça o sentido, e lampadare ou lampadicare, de lampada, “tocha”.

TROVÃO: do Latim turbare, “confundir, fazer girar, perturbar”.

ARCO-ÍRIS: Íris, para os gregos, era uma deusa que formava como uma ponte entre o céu e a terra, entre os deuses e os homens. Poético, bonito, não?

Essa palavra vem de uma raiz Indoeuropéia wi-, “dobrar, encurvar”. Deste modo, dizer arco-íris é uma duplicação, pois ambas as partes da palavra dão a noção de arco, curva.

TURBILHÃO – já que falamos nele… Vem do Francês turbillion, que veio do Latim turbo, “que gira“. Se algo gira, tem uso em Mecânica, como se vê das numerosas aplicações que os derivados de turbo têm nessa área.

REDEMOINHO – antes era rodomoinho, passando a rodamoinho e à forma atual. É uma palavra formada em alusão ao movimento que a roda do moinho efetua para moer o grão.

CERRAÇÃO – do Latim serare, “fechar, cerrar”. Sim, era com “S” mesmo que começava. Aplica-se ao tempo fechado, com visibilidade restrita.

TEMPESTADE – vem do Latim tempestas, que além de mau tempo” significava “época, lapso de tempo” um uso que agora não temos mais.

Resposta:

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