Palavra dia

Diagnóstico

Palavras: dia

Li num artigo que a palavra “diagnosticar” tem origem na fusão das palavras gregas dia e gnosis, sendo que a primeira quer dizer “separar uma parte da outra”. Portanto, seria um conhecimento que separa conjuntos. O problema é que não achei em lugar nenhum esse significado para “dia”, a não ser “através de”.

Resposta:

O grego DIA- pode apresentar os significados de “através”, “oposto a”, “inteiramente, completamente”, “entre”, “junto”, “separação”.

Em geral, ao lidar com Etimologia, se dá apenas o significado diretamente ligado à palavra que se estuda no momento, para que o texto não fique demasiado volumoso.

palavra diálogo

Palavras: dia

Olá, bom dia! Gostaria de saber a etimologia da palavra diálogo. Minha dúvida é no significado de dia, pois tenho visto que significa através, mas já ouvi dizer que também significa duas ou dois.
Qual é o certo: através da razão ou duas razões?

Resposta:

O prefixo grego DIA-  quer dizer “através, completamente, para o outro lado”. Mas tem a mesma origem de DYO-, “dois”. Assim, ele pode ser  usado com ambos os significados, embora com o sentido numérico se use mais como DI- (“dicotiledônio”, por exemplo).

Entre em nossa Lista de Palavras e dê uma olhada nas que começam com DI- ou DIA-.

O Tempo

Este tempo não passa! A turma está incontrolável e a hora da saída está longe ainda! Os segundos parecem minutos, os minutos são horas!

Como, Ledinha? Não, nada, estou apenas resmungando. Coisas de uma pessoa cujo destino a faz pagar por coisas que deve ter feito em outra vida, que nesta nada justifica tamanho penar.

Muito bem, já tive a inspiração que me faltava. Meninos, deixem de acossar a Maria Tereza. Val, pare de falar. Zorzinho, pare de escrever. Soneca, acorde e continue dormindo. Mariazinha, pare de tentar uma reunião de cúpula com os meninos. Agora vamos fazer uma roda aqui no chão e vamos falar do Tempo, essa coisa que assusta tanto os seres humanos.

Não, Ledinha, não interessa se o tempo agora está chuvoso ou não; nós vamos falar nele com o sentido de “passagem dos momentos”. Realmente, o nosso idioma se presta a essa confusão porque, desde o século 16, tal palavra passou a significar também clima.

Os ingleses não sofrem disso, pois têm uma palavra para clima, weather, e outra para o tempo que nos envelhece, que é time.

No início, os romanos usavam tempus para designar “estação do ano, medida de uma sílaba para fazer poemas”.

Houve até agora diversas maneiras de medir o transcorrer do tempo. Não vamos hoje falar nos mecanismos usados, mas sim nas unidades que eles marcam.

Está certo, Robertinho, é fácil ver as horas no relógio digital, mas na época antiga não existia nem o despertador do seu avô.

Já que você falou em hora, vou contar que hora, em Latim, tinha um significado menos estrito que hoje e servia para designar “tempo em geral, hora, estação do ano”.

Em Grego, a palavra hora era usada para qualquer porção delimitada de tempo, como dia, hora, ano, estação. Que confusão, não é?

Pior vocês vão achar ainda se souberem que os gregos pegaram dos babilônios a idéia de dividir o dia em doze partes. Só que estes dividiam o dia inteiro em doze partes, com o que as suas horas duravam o dobro das nossas.

Talvez porque naquelas épocas a iluminação artificial era precária e poucas atividades se desenvolviam durante a noite – quieto, Joãozinho! – os gregos resolveram, passar essa divisão em doze para as horas em que havia luz. Os romanos também adotaram esse método.

Como resultado, as horas passaram a ter uma duração diferente conforme a época do ano, pois o tempo entre o nascer e o pôr do sol varia conforme as estações.

Por incrível que pareça, apenas no século 16 foi que se fez a distinção entre a hora sideral – vinte e quatro por dia, todas iguais em duração – e a chamada “hora temporária”, essa de que eu falei.

Uma coisa em que muitos ainda acreditam é o horóscopo. Ele tem a ver com essa hora de que estou falando, sim. Vem do Grego horoscopos, de hora mais skopos, “olhar, vigiar”, já que o fazedor de horóscopos indagava da hora de nascimento da pessoa.

Hein, Valzinha? Não, não queremos saber da briga do casal da frente da sua casa porque a sua vizinha leu no horóscopo que o marido ia encontrar uma paixão no seu trabalho. Deixe para lá.

Não, Lúcia, o mundo continuava existindo de noite, só que eles não contavam horas nesse período. Talvez, como eu disse, porque não havia muito o que fazer… Não, Joãozinho, não pedi sugestões sobre o que eles poderiam fazer. Calado!

Todos sabem que a hora se divide em 60 minutos. Este nome se originou na Geometria; foi dado por analogia com o círculo. Vocês ainda vão aprender que este se divide em 360 partezinhas bonitinhas, todas iguaizinhas, que se chamam graus. Pois um dia um matemático chamado Ptolomeu precisou de unidades mais precisas para seus estudos e dividiu cada um desses graus em 60 partezinhas bonitinhas iguaizinhas pequenininhas.

A cada uma delas ele chamou, usando o Latim, pars minuta prima, “a primeira parte pequena”, o que deu nosso minuto.

Calma, Mariazinha; você tem razão, deixe-me contar. É isso mesmo, se ele deu esse nome foi porque ele pretendia fazer ainda outra divisão: fragmentou o minuto em outras 60 partezinhas, que ele chamou de pars minuta secunda, nossos atuais segundos.

Essas subdivisões se aplicaram à hora, que passou a ter 60 minutos com 60 segundos cada.

Muito bem, Robertinho; você quer saber porque os antigos não dividiam essas partes em dez e cem. É que os babilônios escolheram o sistema duodecimal, baseado no número doze, que apresenta a vantagem de ter vários divisores. O 60, por exemplo, que é 5 vezes 12, pode ser dividido exatamente por 1, 2, 3, 4, 5, 6, 10, 12, 15, 20, 30, 60. Isso ajudava muito numa época em que as calculadoras eletrônicas não eram abundantes no mercado.

Um conjunto de 24 horas é chamado de dia. Tal palavra vem do Latim dies, de uma fonte Indo-Européia dyeu- ou diwos-, que queria dizer “brilhar” e também era associada a “céu”. Esta fonte também gerou as palavras “deus”, “divindade”, “Zeus”.

Um grupo de sete dias nós chamamos de semana, que em Latim era septimana, “relativo ao sétimo dia”. O adjetivo mais comum referente a ela é semanal. Mas podemos usar uma palavra mais culta, hebdomadário. Isto vem do Latim eclesiástico hebdomadarius, “aquele que desempenha ofício uma vez por semana”, do Grego hebdomos, “sétimo”.

Nosso ano tem doze meses, nome que vem do Latim mens, que no começo designava o mês lunar. Sua fonte Indo-Europeia tinha o significado tanto de mês como de lua.

E ano vem do Latim annus, “volta completa da terra ao redor do sol” e se você não parar quieto, Joãozinho, eu vou prendê-lo no armário. Como? Não. Sozinho, sem nenhuma das meninas.

Existe uma medida de tempo pouco usada agora: é o lustro, “cinco anos”. Em Roma, a cada cinco anos, se fazia a cerimônia das “águas lustrais“, na qual se fazia a purificação através do contato com a água. Elas eram chamadas assim a partir do verbo lustrare, “espalhar luz, iluminar”. E esse verbo vinha da palavra lux, “luz”.

O dobro de um lustro é um decênio. Esse nome vem de decem, “dez”, mais… Está certo, Joãozinho, annus, “ano”, mas não precisava gritar assim.

Pode-se usar também década com esse sentido, mas essa palavra designa mesmo é um período de dez dias, de decem dies. Também pode ser usada para um conjunto qualquer de dez elementos. Dá para dizer “Na minha aula há duas décadas de mal-educados”, por exemplo.

A marcação das datas é feita pelos calendários. Esse nomezinho vem do Latim calendarium, “livro de contas”, que veio de kalendae, o nome dado em Roma ao primeiro dia de cada mês, época em que os empréstimos venciam e deviam ser acertados os negócios. E esse nome veio do verbo calare, “anunciar publicamente”, que deriva do Indo-Europeu gal-, “gritar, chamar”.

Hoje, nós chamamos um conjunto de cem anos um século, mas para os romanos saeculum podia significar também um espaço de trinta anos, de mil anos ou qualquer intervalo grande de tempo.

E o nosso milênio vem de mille, “mil”, mais… Aí está. Hoje o Joãozinho resolveu me ajudar com o Latim. Algumas coisas você aprende rápido, não?

Há nomes que designam também fragmentos curtos mas indeterminados de tempo, como momento. Esta palavra vem do Latim movimentum, de movere, “mover, deslocar”, já que fazemos a imagem de que o tempo passa, se desloca.

Isso fora daqui; dentro desta sala os astrofísicos deveriam fazer estudos para ver por que o tempo se arrasta, como eu já disse.

Também podemos dizer instante, que vem do Latim instans, “presente, urgente, aquele que apressa”, e que vem do verbo instare, de in-, “em”, mais stare, “estar, ficar de pé”.

E, ora vejam! Não é que o tempo se decidiu a passar e já terminou a nossa aulinha? Peguem as suas coisas e saiam como se fossem comportados. Sem perda de tempo, por favor.

Resposta:

Dia

Crianças, crianças! Quietinhas, senão um dia desses a Tia Odete não vai agüentar e… Como? Se eu posso falar um pouco sobre a origem da palavra dia? Posso, mas não é nenhum truque de vocês para evitar a aulinha? Juram? Bem, então lá vai:

Vocês acreditam que dia tenha um parentesco muito próximo com jornal? Parece impossível, não é? Pois vou contar agora.

A palavra latina dies significa “dia”. Daí veio diurnus, “diário, o que acontece todos os dias”. E também diurnum, “pagamento pelo trabalho que se faz num dia” ou “ração para um dia”. Dá para chamar a merendinha que cada um trouxe de diurnum, então. Não é uma gracinha?

Dessa base surgiu, no Latim vulgar, diurnata, com o significado de “o que se faz num dia”. Daí para o Italiano giornata e o Francês journée foi um passo.

Lá pelo século 16, o significado de “o que se anda num dia” perdeu a conotação de tempo, passando a predominar o sentido de distância, de viagem. Assim, jornada hoje em dia significa uma distância percorrida, sem maior definição.

A palavra jornaleiro originalmente significava “aquele que é pago por dia de trabalho”. Agora quase só se usa no sentido de “vendedor de jornais”.

E aí vem o que eu queria ensinar a vocês: em Francês, papier journal significava “escrito diário, texto renovado a cada dia”. Essa expressão acabou perdendo o papier, ficando só a outra palavra, que passou a jornal em Português. Que coisa, né?

E antes que vocês façam uma bobagenzinha muito comum, aviso que diuturno não quer dizer “o tempo todo” ou “diurno e noturno”, como muitos pensam e usam. Diuturnus em Latim significa “aquilo que dura muito tempo”. O mesmo significa o seu derivado em nossa língua. Não quero ver aluninho meu cometendo esta barbaridade.

E acrescento que dieta, aquilo que nós, mulheres, vivemos fazendo para deixar as outras com inveja, tem outra origem. Essa palavra vem do Grego díaita, “modo ou método de viver, governar”. Queria dizer também uma maneira de viver prescrita por um médico, que incluía, entre outras coisas, a escolha dos alimentos. Ela passou para o Latim como diaeta e seguiu uma carreira de sucesso, tanto que ela neurotiza muitas pessoas hoje em dia. Ou por acaso as mamães de vocês não vivem de dieta?

Agora, só para os cultos, que conhecem a palavra dieta usada como nome de certos parlamentos ou reuniões: ela começou a ser usada para um determinado dia (dies em latim, lembram-se?) marcado para uma reunião ou assembléia, e depois para a assembléia em si.

Mas, antes que alguém me pergunte se data tem a ver com dies, já vou dizendo que não. Data é do verbo dare, Latim, e significa dado.

É que as cartinhas que os romanos escreviam para os seus amiguinhos – não, Miguelito, ainda não tinham inventado o e-mail naquela época, não! – começavam com a fórmula data Romae, “dado em Roma”, antes de se colocar o dia em que estavam escrevendo. A frase queria dizer “carta dada (feita) em Roma no dia tal”.

Claro, Leonorzinha, meu anjo, que as cartas podiam ser escritas também em outras cidades. Roma foi só um exemplo que escolhi.

Sim, Aidinha? Não, minha querida, diadema não tem nada a ver com dia. Essa palavra vem do Grego diadéo, “ato, amarro”. Esse bonito enfeite bem colorido que você usa nos cabelos, combinando com os tênis, tem um nome antigo, sim, mas de outra origem.

Bem, Joãozinho, está certo, sua mãe tem uma caixa de plástico redonda onde está escrito diafragma, mas isso não tem que ver com nenhum momento do dia. Vem do Grego diaphragma, que quer dizer “parede, tabique, separação”. Para que é que serve? Ah, não sei, meu filho, só sei que é feio andar olhando as gavetas dos outros e vamos mudar de assunto já-já.

Não, não fiquei nervosa coisa nenhuma, não estou fugindo de nada e olhem só: há uma palavra que ninguém associa a dia: é dial, aquele mostradorzinho de aparelhos como os rádios e medidores. Todos pensam que é puro Inglês, mas é Latim do bom: dialis, “relativo ao dia”.

Essa palavra passou ao nosso idioma a partir do Inglês, onde sundial significa “relógio de sol”. Como o mostrador de um rádio apresenta marcas, à semelhança de um relógio de sol, acabou pegando esse nome.

Antes que alguém pergunte sobre diamante, aviso que também este não é parente de dia. Esta palavra vem do Grego a, um prefixo negativo, e damaein, “domar, dominar”.Pela sua dureza, os gregos consideravam este mineral “difícil de domar”. Eles usavam o nome adamas também para metais muito duros.

Talvez algum dos pais de um aluninho tenha deparado com a palavra jórnea em algum livro antigo ou nas palavras cruzadas; ela vem também de journée. Significa “capote militar” ou “roupa feminina para o frio”. Aplica-se a vestes que são só para uso durante o dia ou que só se usam um dia, como o vestido de casamento ou a toga usada nas formaturas.

E saibam que vocês só vão conseguir usar uma toga dessas se se comportarem bem e estudarem direitinho e tiverem pena da sua professora!

Viram só quanta coisa útil se pode aprender quando a turma fica quieta? Assim a jornada da professora fica melhor e ela tem menos pesadelos de noite!

Resposta:

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