Palavra máximo

GRANDE E PEQUENO

 

Eu mal estava no começo da adolescência quando, visitando meu avô em seu gabinete, comentei:

– Eu até que gosto de não ser mais pequeno, de ser grande, Vô.

Ele me olhou com cara séria mas com visível diversão no fundo dos olhos:

– Imagine quando você for grande e velho como eu.

– Ah, velho, velho assim não sei, Vô, mas… – aí percebi que estava começando a dar vexame e mudei o que estava dizendo:

– Mas, enfim, eu ia era lhe perguntar sobre as palavras que a gente usa para lidar com isso.

– Ah, bem, afinal algo que preste  –  disse ele, que captou que eu tinha aprendido uma lição e foi misericordioso comigo –  então vamos ver algumas origens dessas palavras.

Para começar, todas elas vêm do Latim, por isso não estranhe por eu não o citar.

Podemos iniciar com pequeno, que veio da palavra latina pittittus ou pittinus, de uma base expressiva pitt-, usada para expressar a qualidade de se ter um tamanho reduzido.

– E o que tem tamanho mais reduzido ainda?

– Aí é menor, de minus, “menor”. Essa palavra vem do Sânscrito minati, “ele diminui, ele destrói”. Veja aqui mais uma vez a sabedoria na construção de uma palavra: destruir, seja fisicamente, seja metaforicamente, torna alguma coisa menor

Essa palavra minus tinha um superlativo, ou seja, uma palavra que expressava seu sentido com intensidade maior ainda: minimum, “o menor de todos”, que gerou o nosso mínimo.

Mas antes de chegar no minimum, havia na escala decrescente de tamanho o minusculus, que servia para dizer “menor ainda” e gerou…

Minúsculo, acertei?

– Sua inteligência me impressiona – disse meu avô com ar debochado – mas agora quero ver se você sabia que miúdo, outra palavra para “pequeno, de tamanho reduzido”, vem de minutus, “pequeno”, derivado de minus.

– Ah, Vô, não vai me dizer que isso tem que ver com o minuto do relógio, essa não!

– Pois essa sim; são a mesma palavra, seu bobinho. Preste atenção: todos sabem que a hora se divide em 60 minutos. Este nome se originou na Geometria; foi dado por analogia com o círculo, que é dividido em 360 partes iguais, os graus.

Um belo dia um matemático chamado Ptolomeu precisou de unidades mais precisas para seus estudos e dividiu cada um desses graus em 60 partes, e a cada uma delas recebeu o nome pars minuta prima, “a primeira parte pequena”, o que deu nosso minuto.

Quando você e seus pais vão ao restaurante, o garçon traz o menu, não é? Bem, já temos uma palavra para isso em Português, que é o “cardápio”; mas, de qualquer modo, muito se usa o Francês menu. Pois ele vem da expressão menu de repas, “lista do que é servido na refeição”, onde a primeira palavra vem de minutus e tem o significado aqui de “lista rápida, relação miúda”.

Veja que passamos dos significados de “pequeno” para “parte de uma hora” e para “cardápio” num instantinho, apenas conhecendo uma origem.

– Legal, Vô!

– Gostou, meu petiz?

– Ué, essa palavra eu não conheço, Vô, é Grego?

O velho riu:

– Ela quase não é mais usada, mas quando os dinossauros caminhavam pelas ruas e eu era pequeno, era conhecidíssima. Deriva do Francês petit, “pequeno”, que derivou do pittittus que citei há pouco, e quer dizer “menino, criança”. Pode usá-la à vontade, ainda faz parte de nosso vocabulário.

– E as palavras para coisas grandes, Vô?

– Também são muitas. Grande em si vem de grandis, “idoso, sublime, com bastante volume”. E não me olhe assim, desses adjetivos só “sublime” se aplica a mim.

– Tá certo, Vô, não vou falar nada. E o que é mais do que grande?

– Aí é maior, de majus, um comparativo de magnus, que também se usava para “grande”.

– E maior ainda, tem?

– Sim, é máximo, de maximus, o superlativo de magnus. Corresponde a mínimo.

Mas podemos encontrar também algo que descrevemos como enorme, derivado de enormis, “irregular, sem forma, fora dos padrões”, formado por ex-, “fora”, mais norma, “norma, lei, regra”. O seu sentido em termos de volume, de tamanho elevado, se fixou lá pelo século XVI; antes se aplicava mais frouxamente a alguma coisa que fosse fora do normal.

Mas para uma criancinha burrinha como você, por hoje chega. Estou com uma grande fome e a gente bem que poderia fazer uma pequena refeição ali na cozinha, não lhe parece?

 

 

 

 

Resposta:

Pergunta #164

Palavras: clímax , máximo , ricardo

Olá,

Cá estou novamente.

Gostaria de saber a origem da palavra “Climax”. Gostaria de saber se tem haver com “Clima Máximo”?

E se possível, gostaria de saber a origem do meu Nome.

Abraços e muito obrigado.

Resposta:

A origem de “climax” é o Grego KLINEIN, “inclinar”.
Nesse idioma, KLIMAX era “escada”, que na maioria das vezes é inclinada. Da noção de dar vários passos até chegar ao ponto mais alto, passou-se ao significado do ponto mais alto em si.
“MAXIMUS” em Latim é um superlativo de MAJOR, “maior”, que é um aumentativo de MAGIS, “mais”.
Nada tem a ver com “clímax”, mas é sentindo essas curiosidades através da percepção da semelhança das palavras que a gente começa a se aprofundar nesta nossa matéria tão gostosa.
O seu nome vem do Germânico RIK, “chefe poderoso” mais HARD, “forte, audacioso”. Logo, é o “chefe audaz” ou “forte no pder”.

Pergunta #18

Palavras: anima , animar , axioma , conluio , máximo

Gostaria de saber a origem de:
Axioma; conluio; máximo; anima, no sentido de “alma”.

Resposta:

Prezada Luísa:
Em Latim, ANIMA significava “sopro, ar, brisa”, e certamente a partir daí foi que adquiriu o sentido de “princípio vital, alma”, pois esta sempre foi encarada pelo homem como algo imaterial como um movimento do ar.
Também significava “criatura, vida”.
Em Português, o seu uso se restringe à poesia. Mas seu derivado, o verbo “animar”, está em uso constante.

Conluio: do Latim COLLUDERE, de COM, “junto, com” + LUDIO, “brincar, jogar”, de LUDUS, “jogo”. Significava “brincar com outrem” e se fixou na conotação “entender-se secretamente com alguém, em detrimento de uma terceira parte”.

Máximo: em Latim, MAGNUS significava “grande” (v. Alexandre Magno). O seu superlativo era MAXIMUS. Ou seja, muuuito grande.

Axioma: para variar um pouco, esta vem do Grego. AXIOS significava “de valor, válido”. AXIOMA era “o que é aceito”.
Assim, um axioma científico, p. ex., é algo que já se aceita sem discussão por ter tido o seu valor bem comprovado.

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