Palavra mico

CARETAS

 

X-8 está aguardando os clientes desta noite em seu escritório de investigador particular cuidadosamente mobiliado à moda dos Anos Cinquenta, com poeira, teias de aranha falsas e tudo. A única luz entra pela janela; é a de um cartaz luminoso piscante na fachada do edifício. A ambientação é perfeita para que as palavras-clientes sintam o charme de viver uma perigosa aventura à cata de suas origens.

E para isso elas pagam bem, que o detetive é bom de negócios.

Precisamente às vinte horas ele abre a porta que dá para o corredor e o grupo que esperava no corredor escuro e sujo entra, com suspiros de admiração.

O grande profissional se acomoda atrás da sua enorme escrivaninha e cumprimenta a clientela:

– Boa noite, caras palavras. Aqui estamos reunidos para discutir a etimologia de vocês, que representam, de uma forma ou de outra, o significado de “contração da musculatura facial”, seja por dor, por algum reflexo ou por chiste, por gracejo.

Começaremos por careta aqui, que nos fita com esgares horrorosos. Você obviamente vem de cara, do Latim  cara, ‘cara, face, rosto’,  do Grego kara,  “cabeça”.

Ao seu lado vemos um grupo formado por carantonha, caraça, caranchona, cariz, carranca, que apresentam a mesma origem de cara.

Aproveito para lembrar que carranca também é usada para designar uma figura que se usa para ornamentar a proa de vários tipos de embarcações.

Como falei em esgar ali acima, informo que ela nada tem a ver com o nome próprio Edgar, que vem do Anglo-Saxão ead, “riqueza, propriedade”, mais gar, “lança”. Esgar vem é do antigo Francês esgard, modernamente égard, de égarder, “olhar”, do Germânico wardon, “olhar para”.

E agora é a vez de trejeito: sua origem é o Latim transjactum, “gesto exagerado”, de trans-, “através”, mais jactum, particípio passado de jacere, “lançar”.

Para que micagem, que contrai o rosto sem parar lá no fundo, se aquiete, informamos que vem de mico. E que esta deriva do Caribe meku, o nome de primatas de pequeno porte da região e que eram tidos por careteiros.

Rimando com essa palavra, temos visagem, do Francês visage, “face, rosto”, proveniente do Latim visus, “ato de ver, aparência” de vedere, “ver”.

Com seu aspecto incomum, está conosco gatimonha. Os livros dizem que você foi feita a partir de gato e manha, associando os movimentos velozes do bichano com as mudanças que uma expressão facial pode apresentar. Em sendo verdade, você tem que ser considerada bem original. Pena que seu uso esteja em declínio ultimamente.

Falando em outro bicho, aqui está bugiaria, também pouco usada para designar trejeitos. Ela vem de bugio, que viria do Árabe budjia, o nome dado ao animalzinho. Mas devo reconhecer que ninguém explica como foi que os Árabes entraram em cena para originar este nome, que se aplica apenas a animais que vivem na América do Sul.

Com certo ar de desprezo, muxoxo nos olha esperando a sua vez. Sua origem é o Quimbundo muxoxo, “estalido com a boca, som de escárnio”.

Outra palavra pouco conhecida para expressar “careta” é truanice. Esta vem de truão, do Francês truand, “mendigo”.

Falando em palavras francesas, ali encontramos tique, que vem de tic, “movimento convulsivo do cavalo com a garganta”, de origem imitativa, e que acabou se aplicando a trejeitos faciais.

O rosto também pode apresentar cacoetes, do Grego kakoethés, “enganador, portador de mau hábito”, formada por kakós, “mau, ruim”, mais ethós, “comportamento, costume, hábito”.

Epa, vejo ali munganga, uma derivada do Quicongo; ela veio de moganga, uma estatueta que representava certas divindades.

Agora nos toca falar de momice. Sua origem remonta à Mitologia grega. Vem de momo, “palhaço, bufão”, do Latim Momus, do Grego Momos. Esta era uma deusa, filha da Noite, e personificava o sarcasmo. Talvez esse aspecto de deboche tenha sido o início da transformação conceitual que essa entidade sofreu até passar a simbolizar aquele que preside às festas de Carnaval.

Muito bem, prezadas palavras, por hoje é o que posso lhes contar. Agora vou receber os meus honorários, que são elevados devido aos inúmeros perigos que corro em bibliotecas escuras e empoeiradas para poder trazer-lhes informações tão preciosas.

Se algum perigo as acometer enquanto saem deste bairro, façam bastantes movimenos faciais para o espantar.

 

Resposta:

PRIMATAS

 

Valei-me, Nossa Senhora das Situações Desesperadas! Mal entro em minha aula, na qual acabei dando com os costados devido à minha romântica idéia de formar pequenas mentes, e vejo este cenário desolador.

Dois aluninhos dançando sobre minha mesa, um pendurado numa luminária por um cinto, outros pulando sobre cadeiras, diversos correndo para lá e para cá como se fossem bolas de mercúrio, todos emitindo gritos e roncos que lembram…

Já sei. Sentem-se aqui e vamos falar sobre um simpático tipo de animalzinho que atende pelo nome de primata. É uma ordem da classificação zoológica que recebeu esse nome do Latim primates, plural de primas, “principal”, de primus, “primeiro”. Quando Lineu começou a classificação dos animais, ele considerou que os humanos e outros mamíferos a eles assemelhados constituíam as espécies mais evoluídas e achou que esse nome seria adequado. De minha parte, tenho dúvidas.

Há muitos primatas além de nós, como o mico, por exemplo. Ele recebeu seu nomezinho do Caribe miku, que era como eles o chamavam.

Outro desses, menorzinho, é o sagui, do Tupi sa’gwi. Não se esqueçam de que a palavra não leva mais trema.

Indo para outro lado em tamanho, lembrei-me do gorila. Essa palavra tem uma história cheia de voltas. Lá pelo ano 500 de nossa era, um navegador cartaginês que atendia pelo nome de Hanno se meteu a explorar o noroeste da África. Explorando uma ilha, ele e seus homens depararam com um grupo de seres muito cabeludos, que foram chamados de gorillai pelos guias.

Este nome foi citado no livro em que ele descreveu seus feitos, chamado Périplo. Em 1847, um missionário e explorador americano o aplicou aos primatas que haviam sido descobertos há pouco pela civilização ocidental na Libéria.

Sim, Valzinha? Quer saber o que aconteceu depois do encontro com os marinheiros? Estes tentaram capturar alguns gorillai e conseguiram pegar três fêmeas. Como elas não paravam de lutar, mataram-nas e lhes tiraram a pele.

As expedições científicas naquelas épocas não eram lá das mais corretas quanto aos seus métodos.

Para piorar, não se sabe se os tais gorillai encontrados pelos cartagineses eram gorilas ou seres humanos.

Antes que eu me esqueça, deixem-me explicar que gorilas, seres humanos, chimpanzés e orangotangos fazem parte de um grupo chamado antropoides. Esta palavra foi feita a partir do Grego anthropos, “homem”, mais oeides, “semelhante a”.

Já que citamos, vou explicar que chimpanzé vem de um dialeto Banto, o Tshiluba, onde era kivili-chimpenze, “macaco”, mais exatamente “semelhante ao homem”.

Sim, Robertinho, já notei que eles criaram uma palavra de acordo com os princípios de antropóide, que expliquei acima. Não, Robertinho, não foram eles que descobriram a Grécia. Nada impede povos diferentes de criar palavras semelhantes, seu moço. E agora aquiete-se para eu poder contar que eles são os seres vivos geneticamente mais próximos do Homem.

Eu mesma, olhando para o comportamento de certos aluninhos, permito-me discordar com frequência.

Passando para coisas menos assustadoras, vejamos a origem de orangotango.

Ela nos veio do Holandês orang-outang, do Malaio orang utan, “homem da floresta”, de orang, “homem”, mais utan, “floresta, lugar selvagem”.

Aqui pode ter acontecido que o termo, no seu início, se tivesse referido a tribos distantes, homens verdadeiros que viviam na floresta, e que os europeus tenham entendido mal o que os habitantes locais diziam.

Temos também a palavra macaco, que passou do Português para outros idiomas. E que veio para o nosso a partir do Banto makaku, uma forma de kaku, “macaco”.

Temos um nome bastante genérico para nos referir a essa turma, que é símio.

Sim, Ledinha? Se tem a ver com o Seu Simão, o seu encanador? Pois até pode. Símio veio do Latim simus, “nariz chato”, do Grego simós, de mesmo significado.

E o nome desse senhor é dado por alguns como tendo essa origem, embora outros digam que ela é hebreia e queira dizer “Ele ouve”.

Em nossas florestas vive o bugio ou guariba. Ele é conhecido pelos seus gritos potentes, o que os faz serem chamado em Inglês de howlers, “gritadores”.

O primeiro desses nomezinhos vem do Árabe budjia. Mas não perguntem à pobre Tia Odete por que foram eles que deram o nome. Em seus estudos ela não conseguiu descobrir a razão, já que esses primatas vivem só na América Central e do Sul.

O outro nome vem do Tupi gwa’riwa, que era como eles chamavam o macaco.

Na África existem os perigosos babuínos, assim nomeados a partir do Francês babouin, uma variante de baboue, “fazer caretas”, porque eles se dedicam a essa atividade quando uma situação  lhes desagrada.

O que é comum a todos os macacos, aliás. E parem já de fazer caretas! Senão eu vou chamar o pessoal do Zoológico e vender uma bela carga de babuininhos jovens e ficar rica.

Um parente próximo do babuíno é o mandril. Certo, Lary, seu pai tem um mandril entre as suas ferramentas, mas não é desse que vamos falar. Eu me refiro à palavra que foi formada pelo Inglês man, “homem”, mais drill, o nome deste macaco na África, de origem desconhecida.

É interessante saber que o mandril macho é conhecido por ser o mamífero mais colorido que existe. Ele tem cores vivas no rosto e no traseiro e não vamos mais falar nisso porque a Tia Odete é uma pessoa muito recatada.

A ferramenta que o pai de Lary usa deriva do Francês mandrin, “eixo de ferro”, do Provençal mandre, “manivela”, do Latim manus, “mão”. Nada a ver.

Na língua inglesa se faz uma distinção que não existe em Português. É entre ape, que vem do Inglês antigo apa, do Germânico affo, e designa os macacos sem cauda.

Eles reservam monkey para os macacos portadores de cauda. Essa palavra vem provavelmente de um Germânico moneke-, originalmente o diminutivo de um termo de origem latina que acabou no Espanhol mono, “macaco”.

Bem, prezados exemplares simiescos, agora podem ir para casa. Em outra ocasião a Tia Odete vai falar sobre outros primatas como os lêmures, társio e outros.

Favor não tentarem subir nas árvores do pátio.

 

Resposta:

Trabalho de escola

Palavras: jururu , limusine , maçom , madrinha , metro , mico

Antes de enviar o e-mail já havia procurado as palavras e não as encontrei. a professora sugeriu este site mas não encontrei o que precisava.

origem das palavras: maçom, jururu, limusine, maionese, madrinha, metrô e mico. obrigada

Kátia | JundiaíSP

22 de fevereiro de 2012

Resposta:

Kátia, entre em nossa Lista de Palavras e procure por essas origens. Volte com as que tiverem faltado.

Resposta:

1) Há controvérsias. Uma das possibilidades é de que venha do Francês MAÇON, “pedreiro”, do Frâncico MAKJO, relacionado a MAHHON, “fazer”.

2) Sem origem definida.

3) Do F. LIMOUSINE, “relativo a LIMOUSIN”, originalmente um adjetivo referindo-se à sua cidade principal, LIMOGES, de LEMOVICES, um povo que morava na região.

Era o nome de uma espécie de gorro usado pelos habitantes locais, ao qual se achou parecido este tipo de automóvel.

4) Esta palavra se encontra, sim, na Lista de Palavras, entre “maio” e “maior”.

5) Deriva do Latim MATRINA, que vem de MATER, “mãe”.

6) Do Francês MÉTROPOLITAIN, de CHÉMIN DE FER MÉTROPOLITAIN, “Ferrovia Metropolitana”.

Para não sermos abusados pelo pessoal que só se interessa por Etimologia para fazer seus temas, há muito estabelecemos um limite de 6 perguntas por dia.

Volte amanhã que lhe daremos a palavra que falta.

7) Do Caribe MIKO ou MEKU, o nome do animal.

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