Palavra ócio

PREGUIÇA

 

A preguiça é um dom espalhado entre diversas espécies, atingindo um grau supremo de refinamento na nossa. Às vezes ela é justa, causada por um excesso de trabalho; mas em geral ela tem uma vida própria e surge mesmo quando estamos descansados. Ela e outras de significado parecido terão as origens dissecadas neste artigo, se conseguirmos chegar ao fim dele.

 

PREGUIÇA –  em Latim era pigritia, derivado de piger, “preguiçoso”, que alguns acreditam derivado de pinguis, “gordo, volumoso”, pelo sentido de “lento, pesado”, possivelmente com influência do Grego paresis, “enfraquecimento, relaxamento”.

 

ÓCIO –  veio do Latim otium, “inatividade, ócio”. E esta derivou de autium, que se originou do Indo-Euroepeu av-eo, “estou bem, vou bem”. Já se vê que a Humanidade se sente bem quando está de folga.

INDOLÊNCIA –  do Latim indolere, “não ter sensibilidade à dor”, formada por in-, negativo, mais dolens, de dolere, “sentir dor”. Adquiriu o sentido de “preguiça” através da noção de “evitar trabalho”. Ou seja, para muitas pessoas o trabalho é uma dor. Desde já avisamos aqueles que se dedicam à Química que a palavra nada tem a ver com o indol, a substância extraída do alcatrão e usada em perfumaria. Esta vem do Espanhol indico, do Grego indikós, “relativo à Índia”.

CALAÇARIA –  além de designar “dito zombeteiro, grosseiro, ofensivo”, se usa para preguiça mesmo. Vem do Espanhol charlaza, de charla, “conversa, falatório”.

SEGNÍCIA –  este é um termo bem pouco conhecido para chamar a nossa velha conhecida preguiça. Deriva do Latim segnitia, “lentidão, apatia, indolência”.

MADRAÇARIA –  do Árabe madrassah, “lugar onde se estuda”, formado por ma-, um locativo, mais darassa, “ele estudou, ele leu várias vezes”. Segundo Silveira Bueno, há muitos séculos havia gente da Península Ibérica que considerava os estudos uma perda de tempo, coisa de preguiçosos, de onde viria esta estranha associação.

MOLEZA –  do Latim mollitia, “qualidade do que é macio, tenro ou a que falta vigor”, de mollis, “mole”.

VAGABUNDAGEM –  do Latim vagabundus, “pessoa que anda sem destino”, de vagare, “errar, andar ao léu”, mais o sufixo –bundus, “propenso a, cheio de”. A associação foi feita por se constatar que uma pessoa que anda sem destino é porque não tem ocupação.

GANDAIA – uma hipótese para sua origem é que venha do Espanhol gandaya, de gandalla, “rede para os cabelos”, objeto que era muito usado pelos bandoleiros e que passou a ser associado à malandragem em geral.

IGNÁVIA –  esta também é pouco conhecida em nossos dias. Vem do Latim ignavia, “preguiça, indolência”, formada por in-, prefixo negativo, mais gnavus/navus, “aquele que sabe fazer, prestativo, diligente”.

MALEMOLÊNCIA –  não se conhece a sua origem. Para compensar, suas formas de escrever são muitas: malimolência, manimolência, molimolência, manumolência, molemolência, manemonência.

CALUNGAGEM –  além da acepção de “graça, palhaçada, coisa sem valor”, é usada para designar a vadiagem. Sua origem é o Banto kalunga, “mar”, que eles atribuíram ao Deus dos catecistas, porque o achavam amplo e vago como o mar. Poético, não?

MÂNDRIA –  do Espanhol mandria, “folgazão, arruaceiro, despreocupado”, do Italiano mandria, com o significado inicial de “rebanho, conjunto de gado”. Passou depois a significar o local onde o gado fica guardado, o curral, e mais tarde a designar um conjunto de pessoas turbulentas e pouco intelectualizadas.

VADIAGEM –  essa palavra vem do Latim vagativus, “o que anda sem destino”, de vagare, “andar sem propósito, sem destino”; sendo parente da vagabundagem, da qual falamos há pouco.

VAGAGEM –  tem a mesma origem da anterior.

TUNA –  mais uma de emprego raro atualmente. Com o sentido de “vida ociosa, de vadiagem”, vem do Francês thune, “esmola”, do nome de uma moeda de pequeno valor.

LESEIRA –  além de querer dizer preguiça, usa-se para designar uma tolice, um ato bobo. Vem de leso, “ferido, paralisado, contundido”, do Latim laesus, “estragado, ferido, que sofreu dano”.

 

Resposta:

Òcio

Palavras: ócio

Olá, gostaria de saber a origem da palavra ócio.

Resposta:

Ela veio do Latim otium, “inatividade, ócio”. E esta derivou de autium, que se originou do Indo-Euroepeu av-eo, “estou bem, vou bem”.

PREGUIÇA

 

Ora, vejam só. Eu estava me aproximando da sala de aula e ouvia um ameaçador silêncio. Eu sabia que meus aluninhos já estavam em sala, pois ninguém se atreveria a raptá-los, de tão insuportáveis que são.

Pensei em outras possibilidades agradáveis, como uma definitiva fuga em massa ou um alistamento conjunto na Legião Estrangeira, mas nada disso.

O que eu encontro é uma turma amolecida, em arrasador surto de preguiça devido ao calor.

Já que estão assim prostrados e incapazes de reagir, Tia Odete vai lhes falar sobre a preguiça que os assola.

Esta palavra vem do Latim pigritia, de piger, “preguiçoso, tardo na ação, vadio”. Possivelmente ela derive de pinguis, “gordo, pesado”, características às vezes associadas ao preguiçoso.

Antes que perguntem se esta palavra originou também o nome do pinguim, aquele bichinho simpático que trabalha de garçom na Antártida, devo dizer que não se sabe ao certo. Alguns sugerem que sim, já que eles armazenam calorias como tecido subcutâneo e, portanto, são gordos. Mas outros pensam que possa vir do Galês pen gwin, “cabeça branca”.

Bem, da preguiça facilmente se passa para a modorra. Esta vem do Espanhol modorro, uma doença que aflige os ovinos, afetando-lhes o cérebro e deixando-os sonolentos e letárgicos.

Vocês hoje estão que nem um rebanho de ovelhinhas doentes.

Enfim, daí é um passo para o sono, que vem do Latim somnus, “sono” mesmo. Vejam que a palavra mudou pouco neste últimos mais de dois mil anos; acho que essa é uma atividade tão apreciada que ninguém tenta inventar novidades sobre ela.

Quando a gente está em pleno sono e sobrevém um sonho, que são aquelas imagens que vemos ao dormir, saibam que esta vem do Latim somnium, com a mesma origem de somnum. Tanto é que, em Espanhol, a palavra sueño serve para as duas coisas.

Agora, se a gente não vai dormir a noite inteira, mas apenas um pouquinho de tarde, coisa que poderia acontecer com alguma professora demasiado estressada pelos seus alunos se ela não tivesse que ganhar a vida honestamente dando aula em tudo que é turno, a gente dia que vai dormir a sesta.

Esta deriva do Latim hora sexta, “a sexta hora”. Eles começavam a contar as horas a partir do amanhecer, de modo que a sexta hora se situava pelo meio-dia. Num dia muito quente, às vezes é o único que resta a fazer a essa altura.

Não é o caso de vocês, que normalmente são possuídos por uma energia das mais diabólicas.

Mas, às vezes,  gente mais experiente que nem eu precisa de um descanso. Ela vem de des-, um prefixo negativo, mais cansar, que deriva do Latim campsare, “rodear algo, dobrar uma ponta de terra”.

Agora é tudo muito fácil, mas esta palavra vem de quando se precisava manobrar os remos ou as velas de uma embarcação, o que deixava os marinheiros com as energias gastas e precisando de uma folga.

Falando nesta, folga vem do Latim follicare, de follere, “assoprar, respirar”. Relaciona-se com follis, “fole”, um instrumento usado para forçar o ar no fogo, de modo a avivar as chamas.

O sentido de “descanso” que se fixou em folga é porque follere também queria dizer “respirar, tomar fôlego depois de um esforço”.

Um sinônimo de descanso é repouso, do Latim repausare, de re-, “outra vez”, mais pausare, “fazer uma parada, descansar”. E esta vem de pausa, do Grego pausis, “parada”, de paúein, “parar”.

Quando a gente sai esgotada de suas atividades com certos aluninhos, qualquer parada é bem recebida. Digo isso de forma genérica, naturalmente; nem pensaria em me referir a vocês.

Há uma palavra pouco usada em nossos tempos, letargo. Ela vem do Latim lethargus, do Grego lethargos, “sonolência”, de lethes, “esquecimento”. Isso porque uma sonolência dificulta várias coisas, entre elas a capacidade de memória.

E, se uma pobre profissional do magistério está perto do fim de sua vida útil neste planeta devido ao desgaste pelo trabalho, ela só deseja um mortório. Esta é usada em certas regiões do Brasil para designar, além de um enterro, um saudável descanso, um ócio.

Deriva, como até vocês podem deduzir, de morte, do Latim mors, “estado do que deixa de ser vivo”.

Já que falamos em ócio, informo que esta veio do Latim otium, “inatividade, ócio”. E esta palavra latina derivou de autium, que se originou em av-eo, “estou bem, vou bem”. Vejam com que propriedade foi feita esta palavra, pois para a maioria das pessoas normais estar sem obrigações a cumprir é bem gostoso.

E estar sem fazer nada nos lembra o lazer. Esta veio do Latim licere, “ser permitido”, já que só se deve desfrutar de lazer quando ele é permitido, isto é, quando as obrigações estão todas realizadas. Não que seja o caso de certos aluninhos, claro.

Pronto, está terminando o nosso período e hoje Tia Odete vivenciou algo extraordinário; Valzinha não veio contar histórias escabrosas do seu condomínio, Ledinha não fez perguntas descabeladas, Patty não puxou o cabelo de ninguém…

Para dizer a verdade, estou sentindo falta de alguma coisa.

Peguem seu material a raspem-se daqui antes que eu pense que vocês não gostam mais de mim.

 

Resposta:

etimologia

Palavras: ócio

Gostaria de saber a origem e os variados sentidos da palavra ócio, no decorrer do tempo.

Resposta:

A origem é o Latim OTIUS, “folga, repouso, lazer”.

Quanto ao resto da pergunta, não temos como responder.  

Origem das palavras

Qual a origem das palavras , Mulata ,samba ,sonho ,beleza ,cabelo ,minúcia ,dinheiro ,elegante ,chique ,búzios ,ócios ,palha ,trama ,formusura ?

Resposta:

Larissa, nosso site responde apenas a sete  palavras por dia (número mágico) , devido a certos abusos que andaram ocorrendo com trabalhos escolares.

Amanhã entre de novo nesta pergunta e v. receberá o faltante.

1) Do Espanhol MULATO, “macho jovem da mula”, fazendo uma comparação com o hibridismo do quadrúpede, que é cria de equino  com asinino.

2) Origem controversa.

3)  Latim, SOMNIUM, “sonho”.

4)  Latim, BELLITAS, “estado de ser belo”, de BELLUS, “bonito, bem-apessoado, encantador”, que se relaciona com BONUS, “bom”.

5) Latim, CAPILLUS, “cabelo”, derivado de CAPUT, “cabeça”.

6)  Latim, MINUTUS, particípio passado de MINUERE, “diminuir”, de MINUS, “menor”

7)  Latim, DENARIUS NUMMUS, “a moeda que contém dez (dez ‘asses’, uma subdivisão)”. Essa moeda logo passou a ser chamada apenas de DENARIUS.

8)  Do L. ELEGANS, “de escolha, refinado, de bom gosto”, de ELIGERE, “escolher com cuidado, selecionar”.

9) Do Francês CHIC, “elegante, de estilo”, talvez do Germânico medieval SCHIKKEN, “arrumar, ordenar adequadamente”.

10) No caso do molusco, é o L. BUCINUS, “trombeta”, já  que algumas conchas grandes serviam para esse fim.

11)  Do L. OTIUM, “descanso, lazer, tranquilidade”.

12) Do  L. PALEA, “palha”.

13) Do L. TRAMA, “fio, tecido, trama”.

14) Esta palavra não pertence ao nosso idioma.

Pergunta #153

Palavras: ócio

Qual a origem da palavra Ócio?

Resposta:

“Ócio” vem do Latim OTIUM, (este encontro “TI” soava “CI”), “descanso, retiro, inatividade, tempo livre para fazer algo que não o trabalho, paz, sossego”.

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