Palavra papel

mais uma dúvida

Palavras: papel

Cada vez estou a gostar mais deste site, parabéns pelo vosso site! está muito bom, tenho ido todos os dias para aqui, tenho mais dúvidas, espero não estar a chatear obviamente, qual é a origem da palavra Papel?
Mais uma vez, muito obrigado!
Guilherme.

Resposta:

Salve, ultramarino leitor. Não estás a chatear, todo o contrário: estamos aqui para ser consultados.

Papel veio do Grego pápyros, provavelmente derivado de algum idioma oriental. No Latim era papyrus e acabou virando papel na Península Ibérica.

TIA ODETE VAI À BIBLIOTECA

 

– Bom dia, caro senhor que ostenta tão garboso uniforme, eu gostaria de consultar… Ah, o senhor é da Segurança, para consultas devo falar com o pessoal do Atendimento, lá dentro? Agradecida pela gentileza.

– Bom dia, senhorinha que fica atrás do balcão, preciso fazer consulta a uns livros; será aqui? É? Que bom! Eu gostaria de ver uns livros sobre…

Ah, preciso dar meu nome antes? Muito bem, vamos lá. Meu prenome é Odete, um derivado feminino  de Odon ou Oton, do Germânico Otto, que vem de auda, “propriedade, riqueza”.

E o sobrenome é Sinclair. Odete Sinclair. Está certo, não é meu sobrenome de nascimento, mas afinal cada um tem o direito de fazer certas escolhas na vida, ainda mais quando já se passou dos trinta e cinco há algum tempo e se é professora de um grupo de crianças que enlouqueceriam qualquer santo, que dirá uma simples mortal.

Oh, céus, pela expressão da senhorinha vejo que me esqueci de algo fundamental, que é explicar a origem do sobrenome que escolhi, que vem de Saint Clair, um santo cujo nome vem do Latim clarus, com o significado de “brilhante, distinto”.

Mas, enfim, hoje vim aqui a esta Biblioteca, palavra que vem do Grego byblion, “papel, rolo com escrita”, de Byblos, “papiro”.

Mas preste atenção, que este era na verdade apenas o nome do porto de onde era enviado esse material. Esse lugar fica na antiga Fenícia, hoje Líbano, e é considerado a cidade mais antiga em habitação contínua do planeta.

Dali era exportado para a Grécia e arredores o material de escrita chamado papiro, feito a partir da planta do mesmo nome, uma espécie de caniço.

Essa palavra acabou virando o nosso papel.

E com este são feitos os livros, do Latim liber, “livro, papel, pergaminho”, originalmente “parte interna da casca das árvores”, do Indo-Europeu leubh-, “descascar, retirar uma camada”. Deles se originou a palavra livraria, “local onde se vendem livros”.

Estes objetos não têm agora tanto uso como antigamente. Como a minha simpática e um pouco espantada interlocutora sabe, são guardados em estantes, que derivam do Latim stans, “o que está, que fica de pé”, de stare, “estar, ficar de pé”. Uma estante deitada não teria muito uso, não lhe parece?

E são protegidos por capas. Elas se chamam assim por causa do Latim capa, de caput, “cabeça”; o capuz das roupas para o frio recebeu este nome porque recobre a cabeça. A relação entre proteção do corpo e do livro é óbvia, mesmo para pessoas mal-preparadas.

A parte de trás da capa se chama contracapa, de óbvio significado.

Eles apresentam também uma lombada, que une as folhas, do Latim lumbus, “costas, espinha dorsal, espinhaço”.

Já que falamos em folhas, estas vêm do Latim folium, que designava inicialmente as folhas das plantas e depois as de papel, devido à espessura.

As folhas são presas por uma borda dobrada à lombada por meio de cola, do Grego kolla, “grude, goma, cola”.

E não nos esqueçamos que borda vem do Germânico bord, “lado, extremidade, limite”.

Os pequenos caderninhos formados pelas folhas são presos entre si por uma costura, do Latim consuere, “coser”.

Num livro podemos encontrar, como meio de facilitar a leitura, partes relacionadas ente si que se chamam capítulos. Esta é outra palavra que vem de caput e quer dizer “cabecinha”, acho eu que por iniciar ou encabeçar uma nova divisão de um livro.

Se um livro é muito grande, pode ser repartido em volumes, do Latim volumen, do verbo volvere, “ato de fazer rodar”  que acabou se aplicando aos livros da época de Roma antiga, aqueles que eram de papiro e a gente precisava fazer girar na mão para ler.

Seja como for, meu escopo neste momento é fazer um consulta, que vem do Latim consultare, “receber o conselho de”, relacionado a consulere, “aceitar um conselho, considerar maduramente”, originalmente “chamar junto”, de com-, “junto”, mais selere, “reunir”.

Essa consulta é fundamental para os estudos a que estou me dedicando como consequência de minha atividade. Essa palavra vem do Latim studiare, de studium, “estudo, aplicação”, originalmente “ansioso por fazer algo, sério”, de studere, “ser diligente”.

Gostaria de saber, enfim, se entre os títulos desta notável biblioteca existem algo sobre temas como “Aplicação de Corretivos”, “Palmatória”, “O Método de Fazer Ajoelhar Sobre Grãos de Milho”, “Da Solitária como Veículo para a Volta à Razão”, “Uso de Máscaras Assustadoras para Garantir o Futuro das Crianças” e outros assuntos correlatos, pois pretendo fazer a obra definitiva sobre a área.

Gentil Senhorinha? Ué, ela saiu correndo.

Deve estar passando meio mal, a coitadinha. Foi-se embora sem nem conseguir agradecer por tanta coisa que lhe ensinei.

Bem, meu tempo escasseia, preciso corrigir os Trabalhos de Conclusão de Curso de meus aluninhos do Maternal. Voltarei outro dia para ser atendida pela Gentil Senhorinha.

 

Resposta:

Mais Material Escolar

Quietos, todos! Estão pensando que a Tia Odete não percebe nada só porque usa óculos? Pois eu enxergo e ouço muito bem, bandidinhos.

Por exemplo, vejo que o Joãozinho ali não pára de olhar para uma misteriosa revistinha que tem escondida na mochila; que o Zorzinho está escrevendo sem parar coisas que nada têm que ver com nossa aulinha; que o Soneca está dormindo o sono dos anjos; que o Artur está com muita cara de sonso e deve estar aprontando alguma; que o Sidneizinho faz sinais para a Mariazinha e que esta ameaça bater nele.

Tia Odete é espertinha! Muito mais do que vocês pensam. É uma pena que vocês não… Ei, está aí uma palavra interessante. Vocês se lembram de uma aulinha em que eu falei sobre material escolar? Ali eu dei as origens de palavras como caneta, papel, lápis e outras.

Pois agora, para acalmar um pouco a turma, vamos falar sobre outras palavrinhas relacionadas com essas.

Vamos ver a pena, por exemplo. Agora praticamente só se usa a palavra caneta – vem de cana, lembram-se? – para dizer “instrumento de escrita à tinta”. Mas pena ainda tem pelo menos o sentido metafórico: “A pena vale mais que a espada”, etc. Há quem goste de pensar assim, mesmo nestas épocas em que a espada anda tão à solta, cortando cabeças pelo mundo.

Sim, Ledinha, os soldados usam muito pouco a espada para lutar agora. Eu sei que o que eles usam mesmo são armas de fogo. Eu citei “espada” em sentido metafórico.

Pois se usava mesmo uma pena – de pato, de ganso, etc. – para escrever antigamente. Fazia-se uma ponta nela e então ela era mergulhada num vidro de tinta. Esta subia para dentro do interior oco da haste, ou cálamo, e dava para escrever umas poucas palavras antes que ela terminasse. Imaginem o trabalhão que dava, escrever molhando constantemente a pena no tinteiro!

Não, Ledinha, não creio que tenham usado pena de avestruz para melhorar a situação. As que usavam eram menorzinhas mesmo. Mas o pessoal se acostumava. Se eu me acostumo com certas atividades, por que eles não se ajeitariam com isso?

Mas, como eu ia dizendo, pena veio do Latim pinna, “asa, pena, extremidade, flecha”.

Muito bem, Humbertinho, há uma outra palavra igual com outro sentido. Existe na nossa língua a palavra pena no sentido de “castigo”. E também no de “lástima, dó”.

Esta vem também do Latim, mas da palavra poena, que expressava “castigo, compensação por uma má ação, resgate”.

Como ela se referia a uma ação que sempre era de lamentar, mesmo que merecida, o sentimento gerado por ela acabou designando também a “lástima” que citei.

É uma pena que eu não possa pegar a pena e condenar certas pessoas à pena de cadeia por algum tempo. Ouviram??

Chii, uma meia dúzia pulou aí, por que será?

Os estudantes e escritores antigamente usavam penas em caixas e gastavam uma grande quantidade delas. Se vocês olharem gravuras antigas representando estudantes e professores da Idade Média, verão que eles andavam com essa caixa e um tinteiro pendurados do cinto.

Hein? Não, Mariazinha, não sei se os patos e gansos viviam pelados e tremendo naquelas épocas. Talvez, se sentissem frio, as donas lhes tricotassem umas roupinhas de lã. Sei lá. Acho que faltei a essa aula quando eu estava estudando.

Uma coisa indispensável para usar as penas era um apontador, na época uma pequena faca bem afiada. Esta palavra vem do Latim puncta, “ponta, voto, ponto no jogo, espetada”. Um objeto ad punctam servia “para apontar”.

Quando eu era pequena a gente surripiava uma gilete usada do pai para apontar os lápis. O apontador como o que vocês têm agora servia muito bem, mas quando a gente queria um lápis apontado de um jeito especial, só com a gilete. Hoje em dia, a maioria dos aparelhos para fazer a barba não apresentam aquele tipo de lâmina e não permitem fazer aquelas pontas divinas.

O nome desse objeto vem de um americano que nasceu em 1855 e morreu em 1932, o senhor King Camp Gillette.

Não, senhores, não foi nenhuma coincidência ele ter nascido com este nome, não. O sobrenome dele é que passou a designar o objeto, que a rigor devia ser designado por “lâmina de barbear descartável”.

Isso se chama eponímia. Esta palavra se formou do Grego epi-, “sobre”, mais onyma, “nome”. Um epônimo é uma palavra que se usa para designar algo a partir do nome do criador ou de uma marca. “Sanduíche”, “volt”, “watt” são exemplos.

Bem; acontece que o senhor Gillette conhecia o inventor das tampinhas de garrafa. Um dia, em conversa, este comentou que o futuro estava em fazer objetos descartáveis e baratos.

Uma manhã de 1895, pensando no assunto enquanto fazia a barba com aquelas navalhas antigas, Gillette percebeu que o que importa numa navalha é apenas a sua borda afiada. Todo o resto é apenas para manejar o instrumento. A partir daí o seu pensamento evoluiu, e oito anos depois ele estava produzindo suas lâminas de barbear descartáveis, encaixadas em aparelhos adequados para portá-las.

Ele levou um susto no primeiro ano, quando verificou que tinha vendido apenas 51 aparelhos de barbear e 168 lâminas.

Felizmente a situação mudou logo e, no fim do ano seguinte, ele já tinha vendido mais do que doze milhões de lâminas, constituindo um sucesso enorme.

Voltando ao assunto de escrever: se a caneta-tinteiro, tão usada antes, agora está sendo pouco usada, é porque a esferográfica tomou conta do mercado. Ela é muito barata, mais ágil, não derrama – embora não permita uma letra bonita e de classe como a outra.

A caneta-tinteiro às vezes derramava a sua tinta. Quando a gente viajava de avião – olha só, falei em avião e o Soneca acordou – recebia, antes da decolagem, um recipientezinho de papel mataborrão para colocar a caneta, porque a diminuição da pressão ambiente fazia a tinta sair e emporcalhar toda a roupa.

Não, Soneca, a Tia Odete não andava de dirigível nem de biplano. Eram os DC-3, os Curtiss C-46 e outras coisas românticas, lentas e barulhentas.

O papel mataborrão recebeu esse nome porque ele absorvia a tinta. Ele era bem grosso e poroso, para esse efeito. A gente escrevia um pouco e passava o papel em cima da folha. Em algum tempo o papel estava saturado e era necessário trocá-lo.

Ah, se existisse papel mataburrão eu ia comprar resmas…

Mas eu tinha citado as esferográficas. Sabiam que este tipo de caneta foi inventado aqui na América do Sul?

Foi assim: o desenvolvimento delas começou na Hungria, logo antes do começo da Segunda Guerra Mundial, com um jornalista chamado Laszlo Biro. Com seu país invadido, ele se refugiou na Argentina, onde patenteou a idéia em 1943.

Nesse ano, um inglês comprou os direitos da invenção e a caneta começou a ser produzida na Inglaterra, para poder ser usada pelos navegadores de bombardeiros. Eles não podiam usar canetas-tinteiro nas alturas em que voavam, pois a tinta fazia uma grande sujeirada. As primeiras esferográficas da Europa foram feitas por um grupo de dezessete moças num hangar abandonado.

O lançamento das canetas para o público civil foi feito em Buenos Aires no começo de 1945. A marca “Birome” foi conhecida na Argentina por muito tempo, chegando a constituir um substantivo comum, como “celofane” e “frigidaire”. Ou seja, um epônimo.

Nessa época, as esferográficas foram vistas em Buenos Aires por um comerciante americano esperto, que descobriu que o Sr. Biro não havia patenteado o objeto nos Estados Unidos. Ele voltou correndo para a sua terra e lançou lá o produto.

No primeiro dia de vendas, 29 de outubro de 1945, foram vendidas dez mil canetas, apesar de serem ainda caras.

Viram só? Quando patentearem algum invento, tratem de pensar bem o que estão fazendo.

Artur, largue já essa borrachinha e o clipe! Era isso então que você estava aprontando. Não vê que pode machucar alguém se atirar? Passe para cá.

Já que estamos falando em invenções, vocês já perceberam que invenção simples e útil é o clipe para papéis? Um aramezinho torcido do modo certo e pronto, já podemos unir nossos papéis espalhados.

Papéis, Robertinho, papéis. Não, na Antigüidade não se prendia papiros ou pergaminhos com clipes, pois este só foi inventado em 1900, quando aqueles materiais já não eram usados no dia a dia. Foi um norueguês chamado Johann Vaaler que teve essa idéia genial.

E idéia é tão simples que a única alteração feita nela até hoje, lá por 1950, foi fazer uma pequena dobra para fora da ponta interna do clipe, de modo a permitir que o papel entre mais facilmente.

Falando em material para escrever, no outro dia vi no jornal uma frase assim: “Eu reconheci a caligrafia dele”.

Vejam só. Esta palavra está sendo usada para dizer “a letra, a escrita, a grafia dele”. Mas está errado usá-la assim. Caligrafia vem do Grego kalós, “bonito” mais graphéin, “escrever”.

Na verdade, o sentido original desta última palavra era “arranhar, sulcar, marcar” como em pedra, passando depois a significar “escrever” por modos de qualquer tipo.

Logo, dizer caligrafia é dizer “letra bonita”. Que é uma coisa que vocês aqui jamais vão ter se não começarem a escrever logo e muito. Hein? Está bem, o Zorzinho escreve muito e nem por isso tem letra bonita, mas aposto que quando ele for grande as pessoas vão fazer fila para ler os escritos dele, de tão linda que vai ser a letra.

Agora, com o uso do computador, as letras à mão cada vez ficam cada vez mais horríveis. Vai-se poder falar mais apropriadamente em cacografia, de kakós, “feio” em Grego.

Agora está tocando o sinal para a saída. Sejam kalós e saiam em ordem. Nada de fazer coisas kakós por aí. Até amanhã.

Resposta:

Material Escolar

Muito bem. Quem foi que escondeu o caderno do Oscarzinho? Por que tanta risada, Sidneyzinho, foi você? Tem certeza que não?

Enquanto o criminoso que fez isso não se acusar, a Tia Odete vai contar para vocês a origem dos nomes do materialzinho que vocês trazem nas mochilinhas para fingir que estudam.

Caderno, por exemplo, vem do Latim quaternum, de quattuor, “quatro”, porque eles começaram sendo feitos com folhas de tamanho padrão dobradas em quatro e juntadas pela dobra. Os caderninhos devem ser guardados com muito cuidado para não ficarem com orelhas de burro, parecidas com as de certos alunos.

A gente escreve nos cadernos com o lápis. Esta palavra vem do Latim lapis, que queria dizer “pedra”. Parece que, no começo, a pedra usada era uma que dava uma escrita vermelha, a lithos haimatites, “pedra vermelha” dos gregos, depois lapis haimatites dos romanos.

Hematita é uma pedra que ainda é usada para fazer jóias. Bem que uma professora sacrificada mereceria ganhar uma jóia dos seus aluninhos no fim do ano, mas ninguém se lembra disso.

Mais adiante, quando vocês forem maiorzinhos, vão usar a caneta para escrever. O nome dela se origina do Grego káuna, canna em Latim, e que queria dizer “cana, talo de vegetal”. Nas épocas antigas, cortava-se um talo desses, fazia-se uma ponta nele e se mergulhava a ponta na tinta para escrever. Era bem trabalhoso.

Não senhora, Mariazinha, eu não fui dessa época. Nasci séculos depois, está bom? Não é porque você é baixinha que pode ser abusada desse jeito!

Falando em tinta, este nome vem de acqua tincta, do Latim, que queria dizer “água pintada, colorida”. Tincta é o particípio de tingere, “colorir, tingir”.

Sim, senhores, vinho tinto vem daí, é o vinho “com cor”, mas não serve para escrever, não. Não interessa o que alguns pais digam, não é para escrever que eles compram vinho.

Os cadernos são formados por folhas, cujo nome vem do Latim folia, plural de folium, “folha de vegetal”. Aqui se revela de novo a importância da agricultura na formação das palavras latinas.

Atualmente, as folhas são de papel, que veio do Grego pápyros, provavelmente derivado de algum idioma oriental. No Latim era papyrus e acabou virando papel na Península Ibérica.

Não, Sidneyzinho, acho que na Antigüidade não se usava papiro higiênico e vamos mudar de assunto imediatamente.

Quando eu era estudante – não, eu não nasci deste jeito! Já fui estudante que nem vocês, com a diferença que eu respeitava meus professores e era bem comportada em aula. Como eu dizia, naquela época – não, não conheci nenhum faraó, Mariazinha! Naquela época a gente usava arquivos, que agora estão fora de moda.

Eram capas com garras metálicas onde a gente colocava folhas de papel já perfuradas. O nome deles vem do Grego arkhein, originalmente “começar” e depois, da noção de que quem começa fica na frente, “estar em primeiro lugar, dominar, reinar”. O arkheion era um prédio público. O plural dessa palavra, arkheia, era usado com o sentido de “registros públicos”.

Passou a archia em Latim, depois, archiva e agora está conosco nomeando ou “lugar onde se guardam informações e documentos” ou a espécie de caderno desmontável que eu citei para vocês, que também é um lugar para informações.

Se vocês cometerem um erro escrevendo a lápis, podem corrigi-lo com a borracha. Quem dera que a gente pudesse fazer o mesmo com as profissões mal escolhidas e que deixam a gente de cabelos brancos! Mas, enfim, o nome deste artigo tão útil parece vir do Espanhol borrar, que significa apagar. Hein? O Sidney está apagado de medo do Oscarzinho? Não, vocês já estão fazendo confusão. Quietos!

Algum dia vocês ainda vão usar um compasso, o instrumento que serve para fazer círculos e, por incrível que pareça, sem o qual não se pode desenhar um quadrado bem feito. O nome dele vem do Latim cumpassare, de cum, “com”, mais passare, de passus, “passo”. Dar passos regulares servia para algumas medidas, então esse nome foi aplicado ao instrumento que também serve para medir distâncias num mapa.

Ao fazer um desenho, vocês têm que cuidar para que a linha não fique torta. E linha vem do Latim linea, “corda, linha”, que era naquelas épocas feita com fios de um tecido chamado linho.

E, para que a linha saia bem retinha e bonitinha, vocês talvez tenham que usar uma régua. Esta vem de regula, do Latim, “padrão, bastão estreito, vara de medida”. Ah, se eu pudesse usar a régua de madeira de quarenta centímetros como a minha professoa usava…

Como era? Nada, deixem para lá. É apenas inveja dos bons tempos.

Mas, como eu dizia, esta palavra regula é parente de rex, “rei” e regere, “comandar, reger”. Daí o sentido de manter as coisas retas, de acordo com o prescrito. Para o pessoal que, aos domingos, não tem nada melhor para fazer e fica vendo as corridas de carro na TV, uma informação: o tal de guard-rail que se usa aos lados das curvas para que os carros não saiam da pista e não matem os espectadores que foram lá para ver os acidentes deriva daí. A palavra rail em Inglês foi formada a partir de regula.

Mas o que é aquilo? Ah, apareceu no chão o caderno do Oscarzinho? Que bom, não?

Estou tão contente que até vou deixar vocês saírem. Mas antes, só vou falar sobre a origem da palavra livro, que é tão importante no materialzinho de vocês. Agora não, mas um dia vocês estarão lendo, claro, Machado de Assis, Dostoyevski, Dickens, Balzac, e vão se lembrar que livro vem do Latim librum, que era o nome da película que fica entre a casca e o tronco das árvores, e que era usada para escrever antes da invenção do papiro.

Oscarzinho, fique aqui até que o Sidneyzinho pegue a condução escolar. E não discuta.

Resposta:

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