Palavra prisão

EM CANA

 

Se vocês continuarem se comportando desse jeito, só posso adivinhar um futuro negro à sua frente. É fácil imaginar todos com roupas listradas de presidiários, com bolas de ferro acorrentadas aos pés, magros e sujos, dormindo no chão duro sem terem nada mais que ratos para os aquecerem nas madrugadas terríveis da prisão.

Agora que obtive a atenção generalizada  –  para não dizer o horror geral, refletido nas bocas abertas e olhos arregalados –  vou esperar que a turminha fique quieta enquanto eu explico as origens de palavras que descrevem coisas que podem acontecer às crianças que desobedecem às suas queridas professoras.

Por exemplo, a prisão. Esta vem do Latim prensio, encurtamento de prehensio, do verbo prehendere, “agarrar, prender”.  Ele gerou várias palavras mais tranquilizantes
e desejadas, como apreender, compreeender, surpreeender.

Ele em si se origina em prae-, “à frente”, mais hendere, relacionado a hedera, “hera”, já que essa planta trepadeira se agarra, se prende às paredes para poder crescer.

Esse tipo de estabelecimento tem muitos nomes, como cadeia, que vem do Latim
catena, “cadeia, corrente”, acessório que era muitas vezes usado para garantir que um prisioneiro não pudesse voltar para casa a seu bel-prazer.

O xadrez tem origem no padrão formado pelas grades que abundam em qualquer local onde se proíba a saída de gente ou material.

Deriva do Espanhol ajedrez, que veio do Árabe chatranj, do Persa chatrang, por sua vez do Sânscrito chaturanga, de chatur, “quatro”, mais anga, que era o nome de cada uma das divisões do exército indiano de outras épocas.

Não, Aninha, os soldados indianos não usavam saiotes escoceses com aqueles padrões bonitos. É que o jogo do xadrez foi feito para representar uma batalha, com seus movimentos e derrubada final do rei.

Como falei em grades, informo que essa palavra vem do Latim crates, “grade feita de canas entrelaçadas”. Que, aliás, também é a origem da gíria “estar em cana”; vem do Latim canna, “caule de certas gramíneas, caniço”.

E, por sua forma, originou também a expressão “ver o sol nascer quadrado”, pois se as grades da janela são apertadas o formato arredondado do astro-rei pode se apresentar diferente.

“Astro-rei”, quem diria, hein? Estou poética hoje.

O cárcere, com um jeito mais pomposo e literário (quem é que diz “foi para o cárcere”, fora o narrador de algum livro?) deriva do Latim carcer, literalmente “lugar onde são guardados os carros, lugar de onde eles partem”, de carrum, “veículo de rodas”, do Gaulês karros.

Já que falamos em idiomas de outros países, um dos nomes usados para “prisão” em Inglês é jail, que tem a mesma origem que a nossa jaula; veio do Francês antig geôle, do Latim caveola, “lugar para guardar animais”, diminutivo de cavea, “local fechado”.

Cito isto para chamar a atenção de que um sinônimo de jail é gaol, que se pronuncia exatamente da mesma forma. É uma das poucas palavras inglesas escritas com “G” e pronunciadas com “J”.

Sei por que, sim, Lary, sua abelhuda. Isso é devido à invasão normanda da Inglaterra, que instalou o idioma francês lá por um bom tempo, e essa pronúncia veio do Sul do Canal da Mancha.

Ocorreu-me agora a custódia, do Latim custodia, “ato de guardar, de vigiar”, de custos, “guardião, vigilante”. É mais uma palavra que está em grande uso devido aos tradutores de filmes. As pessoas vivem ficando “sob custódia” em vez de “serem presas”.

Há uma conhecida frase em Latim que é Quis custodiet ipsos custodes? Ela quer
dizer “Quem vigia os próprios guardas?”, mostrando que, se há necessidade
de alguém para evitar algo proibido, esse alguém pode fazer o mesmo.

Mas não se esqueçam nunca que as crianças mal-comportadas podem acabar também numa masmorra, do Árabe matmura, “caverna, prisão”.

E penitenciária vem do Latim penitentiarius, “relativo à pena, ao castigo”, de poena,
“castigo, penitência, condenação”.

Ou seja, é um lugar onde a gente recebe o castigo por ter maltratado outras pessoas, tal como as pobres e esquecidas professoras.

Ei, calma, parem de chorar! Eu disse aquilo por piada, não quer dizer que você vão sair daqui para a cadeia.

Pelo menos por hoje  –   mas vamos ver alguma palavrinha mais, não pensem mais nisso.

Sou muito boba, não posso ver crianças chorando que nem gente grande perto de mim.

Já o presídio vem do Latim praesidium, “posto militar, guarnição, conjunto para guarda ou defesa”, de praesidere, literalmente “estar à frente”, de prae-, “à frente”, mais a raiz de sedere, “sentar”.

Certo, não gritem, muito bem. Esse verbo latino também originou a palavra presidente, que é “o que está à frente” da Nação. Mas um posto militar avançado também é algo que se considera “estar à frente”, e se ali são colocados prisioneiros temos o nosso presídio.

Uma palavra pouco conhecida usada nestaárea é a enxovia, que designa uma
prisão abaixo do nível do solo: viria do Árabe al-jub, “cisterna, poço, prisão subterrânea”.

Outra menos conhecida ainda é o ergástulo. Essa sim é difícil de ver num texto em nossos dias! Ela designa um local de trabalho onde as pessoas ficavam acorrentadas, do Latim ergastulum, do Grego ergasterion, derivado de ergon, “trabalho”. Até me lembra o que acontece com certas sacrificadas professoras que…

Deixem pra lá; de qualquer modo, sou da opinião que os estudantes deveriam ficar acorrentados ás suas mesas até terminarem seus trabalhos e demonstrarem que aprenderam tudo o que tinham que aprender.

Mas, enfim, sou da época em que os dinossauros andavam pelas ruas, derrubando coisas com seus enormes rabos…

Bem, agora que estão todos quietinhos e bem-comportados, podem pegar suas coisinhas e ir saindo.

Quando forem dormir pensem bem no que aprenderam hoje aqui e tentem tomar jeito.

Resposta:

TPC d filosofia xD

Palavras: prisão

qual a origem da palara prisão?

Resposta:

Ela deriva do Latim PREHENSIO, “ato de prender”.  

Criminosos

Todos os dias encontramos notícias que nos informam sobre processos investigativos que levam à prisão dos criminosos. Infelizmente, os grandes, aqueles que prejudicam um povo inteiro, têm mecanismos que os resguardam de maiores sanções.

Há todo um universo de palavras para veicular as ações envolvidas nesses procedimentos. Vamos agora esmiuçar umas poucas.

DESCONFIANÇA – muitas vezes uma investigação começa com base nesta. Tal palavra vem de “des-“, indicando “inverso, para trás”, mais o Latim confidere, “confiar”, formado por com-, intensificativo, mais fidere, “acreditar, ter fé”, de fes, “fé”.

Logo, quando deixamos de ter fé em alguém ou numa instituição, é hora de avaliar para ver se temos razão ou não.

SUSPEITAR – vem do Latim suspicere, “suspeitar, desconfiar”, formado por sub-, “de baixo”, mais specere, “olhar”. Significava “olhar disfarçadamente”, portanto, “desconfiando”, “não acreditando”.

CHEIRAR MAL – é uma expressão que diz tudo. Se se tentar ocultar um cadáver, ele vai espalhar o cheiro da decomposição e atrair até ele outras pessoas.

O cheiro não precisa ter bases químicas, como neste caso. Pode-se tratar, por exemplo, de uma capacidade financeira incompatível com os ganhos declarados de uma pessoa.

COM A BOCA NA BOTIJA – muitas vezes, em épocas antigas, os patrões tinham problemas com os criados beberrões que não resistiam a dar uma provadinha no estoque de bebidas. Os senhores podiam descobrir o criado praticando respiração boca-a-boca na botija, um recipiente para bebidas cujo nome vem do Latim butticula, diminutivo de buttis, “odre, vaso”.

Equivale a um flagrante definitivo.

Falando nisso, em Inglês há expressões muito interessantes para tal, como RED-HANDED, “com as mãos vermelhas”. Descreve uma pessoa que foi encontrada com as mãos ainda manchadas pelo crime que acabou de cometer.

Eles também podem dizer, passando da arma branca para a de fogo, que o criminoso foi descoberto com o SMOKING GUN, “com a arma fumegante”, isto é, visivelmente ligado aos meios de cometer o crime.

ACUSAR – uma pessoa pode ser acusada de uma desobediência à lei. Essa palavra vem do Latim accusare, “chamar a juízo”, formada por ad-, “contra”, mais causari, “apontar como causa, como motivo”, de causa, “razão, motivo, causa”.

PROVA – se apenas acusar bastasse para uma pessoa ser processada, o mundo estaria numa confusão tremenda. Para que se chegue à conclusão de culpa, é necessário provar as más ações do possível criminoso.

A legislação o considera inocente até que se prove o oposto. Felizmente estamos longe do Código Napoleônico, um conjunto de leis no qual o acusado era culpado de saída e a ele cabia provar a inocência.

Provar vem do Latim probare, “testar, demonstrar ser de valor”, de probus, “valoroso, bom, virtuoso”, que vem do Indo-Europeu pro-bhwuo-, “estar à frente”.

FLAGRANTE – ser apanhado assim pode ser a maior de todas as provas. Vem do Latim flagrans, “o que queima, ardente”, do verbo flagrare, “queimar”, da raiz Indo-Européia bhleg-, “queimar”.

Passou a ser usado a partir de 1706 com o sentido atual a partir da expressão jurídica in flagrante delicto, “com o crime ainda ardendo, ainda quente, recém-terminado”.

EXAME – para ser produzida prova, são necessárias muitas vezes procedimentos que chamamos de exame, como testar sangue, fibras presentes, armas disparadas, etc.

Essa palavra vem do Latim examen, “meio de testar”, de exigere, “pesar acuradamente”, literalmente “levar ou guiar para fora”, formado por ex-, “fora”, mais agere, “guiar, agir, levar”. O sentido figurado era “exigir, completar, inteirar”.

PESQUISA – compreende a reunião de informações e resultados de exames. Vem do Latim perquirere, “buscar com afinco”, de per-, intensificativo, mais quaerere, “indagar”, de quaestio, “busca, procura, problema”.

DETETIVE – geralmente imaginamos o agente da lei como um sujeito com capa de gabardine que anda atrás de provas.

A realidade é outra, mas podemos aproveitar para dizer que esta palavra vem do Latim detectare, “descobrir, destapar”, formado por de-, “fora”, mais tegere, “cobrir com algo”. Ele é a pessoa que “destapa, descobre” o que estava oculto pela conduta do criminoso.

A palavra em Inglês detective é um encurtamento da expressão detective police, “polícia investigativa”.

Falando nisso, convém esclarecer que Sherlock, palavra em uso desde 1903 e muitas vezes aplicada a um investigador como se fosse um sinônimo, é simplesmente um nome próprio inglês e quer dizer “de cabelo claro”. Vem do Inglês Arcaico scir, “claro”, mais locc, “mecha de cabelo”.

O autor das histórias em que Sherlock Holmes era um detetive de extraordinária eficiência, Sir Arthur Conan Doyle, colocou nele esse nome tal como poderia ter posto “John”, “James” ou “Archibald”.

INOCÊNCIA – é o que se presume se as provas não convencem a lei. Vem do Latim innocens, “que não causa dano ou mal”, formado por in-, negativo, mais nocens, “causador de dano”, do verbo nocere, “trazer dano”.

Em alguns países de língua espanhola, inocente se aplica como designativo às crianças pequenas.

CULPA – mas se a conclusão é outra… Esta palavra vem do Latim culpa, “crime, falta”.

Aproveitando, crime vem do Latim crimen, “lesão, acusação”, do verbo cernere, “peneirar, escolher”.

Provada a culpa, seguem-se as conseqüências.

SANÇÃO – não é aquele personagem da Biblia que derrubou o templo, não. Vem do Latim sanctio, “ato de de ordenar ou decretar”, do verbo sancire, “tornar sagrado, confirmar, decretar”, de sanctus, “sagrado”.

E este nome deriva de uma divindade romana, Sancus, em cujo nome eram feitos os juramentos.

PRISÃO – este lugar para onde quase nunca vão aqueles que nós sabemos que merecem tem o seu nome derivado do verbo latino prehendere, “prender, agarrar”. E ele se forma de prae-, “à frente”, mais hendere, derivado de hedera, “hera”, da noção de como essa planta se agarra aos muros para crescer. Talvez, algum dia, possamos ver lá todos os que deveriam estar presos.

Mas vai custar.

Resposta:

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