Palavra raio

Consulta Etimologica

Palavras: raio

Olá, pessoal! Gostaria de saber se as palavras Raio (descarga elétrica) e Raio (geometria) tem a mesma origem. Vocês tem acesso a alguma história ou coisa do tipo sobre isso?

Resposta:

Raio vem do Latim  radius, “vareta de roda, bastão, raio de luz”.  Como se vê, esta originou em nossa idioma o nome do fenômeno das tempestades e das linhas que emanam de um ponto, em Geometria.

PARÂMETROS GEOMÉTRICOS

 

O detetive das Palavras, X-8, está terminando com satisfação uma torrada no bar do Garcia, que fica em frente ao Edifício Éden, onde ele tem seu escritório.

Embora feita numa cozinha que dificilmente seria aceita em qualquer pequena vila do mais subdesenvolvido país do mundo, a torrada tem um sabor absolutamente delicioso. Quanto ao seu conteúdo nos omitiremos, pois pode haver pessoas sensíveis na platéia.

Seja como for, desde o começo da insalubre refeição X-8 havia notado que uma palavra estava numa mesa próxima, embebedando-se profundamente com refrigerantes. Misturava todos os tipos, engolia com desespero e demonstrava ser portadora de grande sofrimento.

Depois de recolher a última migalha do seu prato, o detetive pediu licença para sentar à mesa da palavra, que era Geometria.

– Com licença, prezada palavra. Não pude deixar de notar que há alguma coisa errada com você. Sendo eu, deixando de lado quaisquer sentimentos de modéstia, uma pessoa de fama mundial no trato de palavras e suas origens, gostaria de saber se posso fazer algo para ajudar. Minha dedicação às palavras é tão grande que aceito pagamento em diversas moedas e cartões de crédito.

A palavra se espantou. Não esperava encontrar tão ilustre profissional em pessoa. Tomou mais um gole de guaraná e contou, entrecortadamente, o seu problema:

– Bebo para esquecer. Aqui onde me vê, eu, uma palavra de tanta importância para a Ciência, estou morrendo de vergonha porque outro dia me perguntaram as origens de determinadas variáveis e eu percebi que não sabia. Considerei seriamente me enforcar num poste de luz, mas palavras não têm pescoço e os postes de nosso bairro foram todos roubados há muito tempo.

O detetive, compadecido, respondeu:

– Seu problema está por ser resolvido, cara palavra. Diga a quais origens se refere e trataremos de dirimir suas dúvidas.

Geometria, ainda tensa, começou, timidamente:

– Que tal área?

– Ela vem do Latim area, “espaço aberto nivelado, lugar sem construções numa cidade”, possivelmente de arere, “ser ou estar seco”. Provavelmente você vai perguntar por superfície também, não? Esta vem Latim superficies, de super, “acima, sobre”, mais facies, “forma, aspecto”, ligado a facere, “fazer”.

– Hum. E agora, o que o senhor me diz de volume?

– Que veio do Latim volumen, de volvere, “ato de fazer rodar”; acabou se aplicando aos livros antigos, aqueles que eram de papiro e a gente precisava fazer girar na mão para ler. Como, no caso de um livro ser grande, ele ocupava mais espaço, a palavra volume acabou sendo aplicada a objetos que ocupam muito espaço e depois a uma grandeza física.

Comprimento, largura e altura?

– Todas do Latim. Respectivamente, de complere, “encher, completar”; de largus, “abundante, rico, solto”; e de altus, “alto, elevado”.

– Hum. E profundidade?

– Já que a maioria vem do Latim, vou parar de citá-lo de agora em diante. Esta vem de profundus, “vasto, fundo”, de pro-, “à frente”, mais fundus, “a parte de baixo, alicerce, área de terra”.

– Puxa, Seu X-8, já estou bem mais animada. Pode falar sobre espaço e dimensão?

– A primeira é de spatium, “espaço, lugar, lapso de tempo”. A outra, de dimensio, “dimensão, medida”, do verbo dimetiri, “fazer uma medida”, formado por dis, “movimento para fora”, mais metiri, “medir”, do Grego metron, “medida” do Indo-Europeu me-, “medida”.

– Vamos para aresta?

– Esta é de arista, “barba de espiga de trigo, aresta”, pela capacidade cortante que ela tem.

– E raio e diâmetro?

Raio vem radius, “vareta de roda, bastão, raio de luz”.  E diâmetro, do Grego dia, “através”, mais o metron de que recém falamos.

– Que tal perpendicular?

– De perpendicularis, “vertical como a linha de chumbada do pedreiro”, de perpendiculum, “linha com peso na ponta”, de perpendere, “balançar com cuidado”, formado por per-, “completamente”, mais pendere, “pendurar, sopesar”. Mais complicadinha, não?

– Mas muito legal. Falando nisso, e normal, como “reta perpendicular a uma outra ou a um plano”?

Ela vem do Latim normalis, “de acordo com a regra”, originalmente “feito de acordo com o esquadro do carpinteiro”, que era chamado norma e se usava para marcar ângulos retos. Passou a designar tanto “o que está na perpendicular” como “o que segue o padrão”.

Mas este de que falamos é o substantivo; o adjetivo normal se usa para falar de algo que está de acordo com o que se espera.

– E parâmetro?

– Do Grego para-, “ao lado”, mais metron.

– Ponto?

– De punctus, “ponto, picada”, particípio passado de pungere, “fincar, espetar, picar”. Uma espetada com algo agudo faz uma marquinha muito pequena, que nem um ponto de escrita.

– Senhor detetive, estou outra agora! Mal posso esperar para voltar para casa e dizer que larguei a bebida e…

– Epa, um momento. Por lei, é proibido usar os serviços de um profissional de minha importância sem pagar. Isso dá cadeia das mais fétidas.

– M-mas eu estou quase sem dinheiro!

– Muito bem, eu me satisfaço parcialmente em saber que salvei uma palavra das vascas da depressão. Faremos o seguinte: esquecerei a sua dívida se você pagar a pequena refeição que acabei de fazer.

E saiu, com a barriga pesada mas muito satisfeito, deixando a conta de seu lanche na mesa da cliente.

 

Resposta:

BICICLETA

 

Cheguei muito orgulhoso, empurrando minha primeira bicicleta, no gabinete do meu avô, que ficava no fundo do seu pátio. Ele saiu à porta para me receber.

– Olha só, Vô! Esta é a minha bicicleta!

– Ora, parabéns, menino! É muito bonita.

– Já que o senhor gostou dela, pode me dizer algumas coisas sobre as partes dela?

– Você vai longe com esse desejo de aprender, meu neto. E, como eu gosto de ensinar, formamos uma bela dupla. Vamos ver então: a própria palavra bicicleta veio do Latim bis, “dois, duas vezes”, mais o Grego kyklos, “redondo”. Isso porque tem duas rodas, já reparou?

– Então o triciclo que o senhor me deu quando eu tinha dois anos se chama assim porque tem três rodas?

– Exatamente. E roda vem do Latim rota, o nome do objeto.

– Esta tem um monte de varetas de metal, como é mesmo o nome delas?

Raios. Veio do Latim radius, “vareta de roda, bastão, raio de luz”.

– Tem algo a ver com os raios-X?

– Sim. Estes receberam o nome porque, ao serem descobertos, sabia-se que se tratava de uma forma de emissão de radiação, como os raios do sol. Mas, como eram ainda algo misterioso, ganharam o “X” como símbolo de uma incógnita.

Veja que ao redor da roda há os pneus, palavra que vem a ser um encurtamento do Francês pneumatique, “pneumático”, ou seja, “cheio de ar”. Deriva do Grego pneuma, “ar, vento, sopro”.

E preste atenção nestes apoios onde você coloca os pés para impulsionar essa geringonça: são os pedais, do Latim pes, “pé”.

– Então onde eu ponho as mãos para guiar esta belezinha se chama manual?

– Quase. O nome é manúbrio, e vem do Latim manus, mão. Aliás, falando em mãos e pés, desde já vou avisando que você precisa andar equipado para evitar acidentes.

Tem que usar capacete, que nos veio do Espanhol capacete, “peça de proteção para a cabeça”, do Latim capaceum, derivada de capere, “conter”.

E também cotoveleira, do Latim cubitus, “cotovelo”. Para não falarmos da joelheira, do Latim genu, “joelho”.

– Chii, vou ter que dizer isso para meus pais…

– Não lhes diga, eu e sua avó vamos lhe dar logo de presente esse material.

– Muito obrigado, Vô! –  e aproveitei para abraçá-lo.

– Não agradeça, é só porque eu não quero ter que cuidar de um neto com fraturas. Mas, voltando à etimologia da bicicleta, ocorre-me contar que o selim, onde a pessoa senta, vem de sela, do Latim sella, de sedes, “assento, lugar para sentar”.

E, para evitar bater contra alguma coisa, existem o freios, do Latim frenum, o nome da peça bucal que se usa nos cavalos para controlar sua direção e velocidade. Mantenha-os sempre em bom estado.

– Não vou esquecer.

– E não se esqueça de olhar sempre aqui, no espelho. Esta vem do Latim speculum, “espelho”, de specere, “olhar”. Olhar para trás é outra forma de evitar acidentes.

Há outro equipamento que é indispensável para andar à noite: são estas coisinhas coloridas aqui, os catadióptricos.

– Hã?

– Sim, eu sei que é muito complicado para uma cabecinha oca que nem a sua, mas essa palavra vem do Grego kata–, aqui querendo dizer “de volta”, mais dioptra, “instrumento óptico” em Latim. São os populares olhos-de-gato. Ou, para simplificar, refletores. E esta palavra, por sua vez, vem do Latim re-, “outra vez, novamente”, mais flexus, “dobrado, fletido”, do verbo flectere, “dobrar”.

Se alguém vai andar à noite de bicicleta, que seja em local sem maiores perigos. Nesse caso, é bom instalar também um farol, cujo nome vem da ilha de Pharos, em Alexandria, Egito.

Esse farol terá uma lâmpada, que vem do Grego lampein, “brilhar”.

– E esta parte da armação aqui, feita de tubos?

– Esse é o quadro, do Latim quadrum, “o que tem quatro lados”, de quattuor, “quatro”.

– Ué, mas este é triangular e não tem pintura dentro!

– Certo. Mas alguém achou que havia similaridades e escolheu esse nome, que acabou pegando. No duro, parece-me que chamar de “moldura” seria mais adequado.

– E estas rodas dentadas aqui junto ao pedal?

– São as engrenagens; esta vem do Francês engrener, “encaixar rodas dentadas”, também “colocar grãos para serem moídos”, do Latim granum, “grão’. Veja você as voltas que uma palavra dá em suas alterações ao longo do tempo.

E note que, encaixando nas engrenagens, está a correia, do Latim corrigia, “tira de couro, açoite”.

Mas bem, antes que eu me canse de falar muito e queira lhe aplicar uma correia, vamos sair para comprar aqueles seus equipamentos. Deixe a sua bicicleta aqui, que doravante você só subirá com eles postos.

– Vô… obrigado de novo!

 

Resposta:

Diâmetro, Raio e Volume no contexto esférico geométrico

Palavras: diâmetro , raio , volume

Bom dia! Nesse contexto qual a origem de DIÂMETRO, RAIO e VOLUME.
Pois : 2) ” Metro-” é do G. METRA, “útero”, relacionado a METER, ‘mãe”. Por isso esse órgão é chamado nas camadas menos cultas de “mãe do corpo”.
Comparo a parte interna da esfera e do útero no sentido do volume de portabilidade, é isso?

Resposta:

Não, não viaje assim. Em Grego, METRA é “útero”, METRON é “medida”. Uma letra basta para tornar uma palavra totalmente diferente de outra em sentido: veja, por exemplo, rolo e bolo.

1) Do G. DIA, “através”, mais METRON.

2) Do Latim RADIUS, “vareta de roda, bastão, raio de luz”.

3) Em L., VOLUMEN, quer dizer “ato de fazer rodar”; acabou se aplicando aos livros antigos, aqueles que eram de papiro e a gente precisava fazer girar na mão para ler. Como, no caso de um livro ser grande, ele ocupava mais espaço, a palavra volume acabou sendo aplicada a objetos que ocupam muito espaço e depois a uma grandeza física.

Coisas Que Estão No Ar

Se olharmos para cima, poderemos ver fenômenos típicos de nossa atmosfera. Em retribuição, eles até podem fazer contato com a gente, como a chuva que nos molha, o trovão que nos atordoa ou o raio que nos pode torrar. Enquanto nada disso acontece, vamos ver o que se pode comentar sobre os seus nomes.

CÉU – do Latim Caelus, que era como se designava em Roma o que era Ouranós para os gregos. Este era o deus que personificava o céu, um dos primeiros a surgirem no Universo.

Ele era casado com Gea, a Terra. Isso a mesmíssima Terra que agora está na moda chamar, com ar virtuoso e verde, de “Gaia”.

Supõe-se que a palavra derive de uma raiz muito antiga que significava “brilhante, claro”, donde o céu seria “o iluminado, o brilhante”.

O nome Urano foi aplicado a um dos planetas exteriores (o sétimo a contar do sol) em épocas mais recentes; os antigos não o conheciam.

Urânia era o nome da Musa dedicada à Astronomia.

CREPÚSCULO – do Latim crepusculum, diminutivo de creper, “escuro”. Será que os romanos convidavam as romanas para sentarem no crepusculum do Circo Máximo para trocarem uns amassos?

Antes que alguém pense em crêpes Suzettes, informamos que crêpe vem do Latim crispus, “ondulado, frisado”, (o tecido crepe e o papel crepom têm a mesma origem) e nada tem a ver com o momento do dia em que está meio escuro porque o sol ainda não se pôs ou ainda não nasceu.

Isso mesmo, há dois crepúsculos por dia: um matutino e outro vespertino.

METEOROLOGIA – em Grego, metá significava “além, mais adiante” e aeirô, “ergo, elevo, levanto no ar”.

Daí temos a palavra meteoro que, diferentemente do que pensa a maioria, tem o significado básico de “qualquer fenômeno natural que se manifeste na atmosfera”

Assim, a chuva é um meteoro hídrico, o raio é um meteoro luminoso, o trovão é um meteoro acústico.

Meteorologia é a ciência que estuda esses fenômenos com o objetivo de fazer previsão climática, o que tem enorme importância para evitar desastres naturais e para orientar atividades como a agricultura.

A estrela cadente que costumamos chamar chamar de meteoro é dita meteoróide em linguagem científica. Se for apanhada de onde caiu, é chamada de meteorito.

Meteorismo é a formação de gases nos intestinos.

NUVENS – em Latim, diz-se nubes. Como na antiga Roma já havia o costume de a noiva usar véus cobrindo o rosto durante a cerimônia de casamento, e estes eram meio transparentes como as nuvens, formou-se o verbo nubere, “contrair matrimônio, casar”.

Dessa palavra se formaram núpcias, “casamento”; núbil, “apto para casar” (em geral usado para a mulher); nubente, “pessoa que está por casar”.

De nubes se formaram também palavras de uso mais raro, como:

Nubifrágio, com o uso de frangere, “partir, quebrar. romper”, significando “aguaceiro, chuva forte”. É como se a própria nuvem tivesse se partido e derramado toda a sua carga de repente.

Que tal chegarmos encharcados no trabalho, resmungando contra o nubifrágio que nos apanhou? Não parece chique?

Nubívago, com vagare, “vagar, errar, deslocar-se sem destino”. Significa “pessoa que vive nas nuvens”. Fenômeno comum entre etimologistas. Sinônimo: nefelibata.

Núbilo, nubiloso: “nublado, coberto por nuvens”.

Névoa, neblina: de nebula, diminutivo de nubes. É alusão à sensação de se estar numa nuvem quando estamos em meio à neblina. Algo nebuloso é uma coisa que não se pode distinguir direito porque está meio oculto, como um negócio escuso.

CHUVA: vem direto do Latim pluvia, que deu lluvia em Espanhol e pluie em Francês.

RAIO: em Roma, era chamado de radium.

RELÂMPAGO: parece vir de re-, que indica repetição ou reforça o sentido, e lampadare ou lampadicare, de lampada, “tocha”.

TROVÃO: do Latim turbare, “confundir, fazer girar, perturbar”.

ARCO-ÍRIS: Íris, para os gregos, era uma deusa que formava como uma ponte entre o céu e a terra, entre os deuses e os homens. Poético, bonito, não?

Essa palavra vem de uma raiz Indoeuropéia wi-, “dobrar, encurvar”. Deste modo, dizer arco-íris é uma duplicação, pois ambas as partes da palavra dão a noção de arco, curva.

TURBILHÃO – já que falamos nele… Vem do Francês turbillion, que veio do Latim turbo, “que gira“. Se algo gira, tem uso em Mecânica, como se vê das numerosas aplicações que os derivados de turbo têm nessa área.

REDEMOINHO – antes era rodomoinho, passando a rodamoinho e à forma atual. É uma palavra formada em alusão ao movimento que a roda do moinho efetua para moer o grão.

CERRAÇÃO – do Latim serare, “fechar, cerrar”. Sim, era com “S” mesmo que começava. Aplica-se ao tempo fechado, com visibilidade restrita.

TEMPESTADE – vem do Latim tempestas, que além de mau tempo” significava “época, lapso de tempo” um uso que agora não temos mais.

Resposta:

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