Palavra revólver

PALAVRA “REVOLUÇÃO”

QUAL A ORIGEM DA PALAVRA “REVOLUÇÃO” ?

Resposta:

É o Latim REVOLUTIO, “ato de dar voltas”, de REVOLUTUS, particípio passado de REVOLVERE, “girar, virar, dar voltas”, de RE-, “de novo”, mais VOLVERE, “girar”.

Sim, “revólver” vem daí também, devido ao giro do seu tambor.

E tanto “revolta” como o verbo “revolver” também têm a mesma origem.

Ajuda Mais Uma Palavrinha

X-8 estava bastante mudado ultimamente. Ele percebia que não ficava mais tanto tempo em seu escritório, que não se dedicava mais tanto a ganhar dinheiro ajudando as palavras que desejavam saber das suas origens.

Seria porque já havia ganho bastante? Por causa da idade mesmo? Mudanças internas por algum motivo desconhecido? Seja pelo que fosse, hoje ele havia encerrado mais cedo sua atividade no escritório detetivesco e tinha saído a passear pelo bairro.

Por mais que fosse o pior bairro do mundo, aquele aspecto dele à noite sempre fascinava a alma artística do detetive: o contraste entre a luz clara da lua (parecia ser sempre lua cheia e dramática ali) e as sombras cruas lançadas pelas paredes e postes sobre o chão, os volumes assim delineados, o movimento de palavras e pessoas duvidosas pelas calçadas… Tudo isso mexia estranhamente com ele, que andava devaneando com fazer um curso de desenho para registrar aquelas imagens.

Lá se deslocava ele, em sua gabardine folgada e seu chapéu desabado, que serviam para ele não ser reconhecido – pelo menos era o que ele pensava – quando percebeu que estava sendo seguido.

Rapidamente tratou de fazer uma das sutis e desconcertantes manobras evasivas que aprendera na Academia: saiu correndo desabaladamente para a frente, até parar num beco, completamente fora das vistas do perseguidor.

Novamente: pelo menos era o que ele pensava, pois sentiu um cutucão nas costas e se deu por entregue. O misterioso assaltante era mais esperto e rápido do que ele. Virou-se, pronto para entregar os seus trocados bravamente, sem reclamar, mas parou ao ver que era uma palavrinha quem estava ali.

– O… o que você quer? – disse ele, tentando não demonstrar como havia ficado confortado.

– Eu sou uma pequena palavra pobre que quer saber o seu lugar na vida, disse vol-, que assim se chamava a interlocutora do detetive.

X-8, para não dar a impressão errada de que se assustara com a palavra, se dispôs, com loquaz alívio, a contar tudo o que lhe vinha à cabeça sobre a etimologia daquela pequena.

Puxou uma lente do bolso e a examinou com atenção.

Foi rápido, pois não havia muito a olhar.

– Muito bem, vol-, você é uma partícula antepositiva, ou seja, é usada para começar palavras. Você descende de uma fonte Indo-Européia wel-, “rolar, rodar, fazer movimentos giratórios”.

E você tem uso em numerosas palavras no nosso idioma e em outros ocidentais. Quer ver?

Para começar, em Latim se formou, graças a você, o verbo volvere, “rolar, fazer girar”. E dele saíram, por exemplo, volumen, que quer dizer “ato de fazer rodar” e que acabou se aplicando aos livros da época de Roma antiga, aqueles que eram de papiro e a gente precisava fazer girar na mão para ler.

Como, no caso de um livro ser grande, ele ocupava mais espaço, a palavra volume acabou sendo aplicada a objetos que ocupam muito espaço. O mesmo aconteceu com a intensidade do som: às vezes a gente tem que pedir ao vizinho que baixe o volume do aparelho de som novo que ele deseja exibir para a quadra inteira.

De volvere veio a palavra voluta, do Latim volutus, “revirado, encurvado”, que se aplica a decorações e aos meneios da fumaça do cigarro numa história de detetive.

Esse volutus passou a volvita, no Latim tardio, de onde acabou saindo nossa conhecida abóbada. Com “A”, viu? Nada de dizer abóboda.

Saindo um pouco do Latim, temos que vol- gerou, no Grego, hélix, “movimento giratório, espiral”. Daí que você faz parte das hélices e helicópteros que andam zumbindo em nossos céus. E, voltando ao Latim, temos volubilis, “aquilo que gira com facilidade”, que virou o atual volúvel, qualidade que caracteriza uma pessoa que muda de idéia e de desejos com facilidade, que nem catavento.

Do verbo involvere, “rolar sobre”, saiu o nosso envolver, do qual inclusive derivou embrulho.

Naturalmente, colocando-se o prefixo negativo des– antes de envolver, temos desenvolver, que descreve um ato de “desenrolar, permitir a saída ou aparecimento de algo que estava tolhido”.

E, se colocarmos o prefixo intensificativo re– antes, temos o nosso conhecido revólver, que se chama assim porque tem um tambor que gira.

– Puxa, seu detetive, tudo isso?

– Isso e muito mais, minha cara, disse o bondoso e aliviado profissional – mas vamos fazer o seguinte: você estuda, cresce, ganha um dinheirinho e depois faz uma consulta comigo ali no Edifício Éden, que pagando meus emolumentos você ficará sabendo muito mais sobre a sua importância. Certo? Agora o Tio X-8 aqui precisa olhar a paisagem deste nosso lindo bairro.

E se afastou, passando um lenço na testa para secar o suor do susto que havia levado.

Resposta:

Armas Modernas

Encontrei meu avô no pátio, olhando as flores com uma lupa, seguido do gato Ernesto, muito curioso.

– Procurando bactérias, Vô? – perguntei, com cara muito inocente.

Ele chegou perto de mim em silêncio, muito sério, fingiu examinar-me com a lente de alto abaixo e falou, como para consigo mesmo:

– Extraordinário! Sem dúvida, isto é a maior bactéria do mundo. Gigantesca, bastante bem estruturada, mas com a inteligência que era de se esperar para um ser primitivo desses.

– Mentira, vô! – eu gritei, em tom de queixa.

Ele me olhou com ar de surpresa:

– E fala! Com esta descoberta, se eu não ganhar o prêmio Nobel…

– Não sou bactéria gigante nenhuma, sou o seu descendente! – ele fez um ar muito surpreendido:

– É mesmo! Agora reconheço a sua voz. Mas devo dizer que você lembra muito um Enterococcus crescido.

– Pare de mangar comigo, Vô. Vim aqui para consultar sobre um assunto – ele se sentou na cadeira preguiçosa e fez o seu olhar de “Fale, então”.

– Esses tempos o senhor falou na origem dos nomes de armas antigas para mim. Eu prometi para uns colegas levar as origens dos nomes de umas modernas, pode ser?

– Claro, as de matar gente individualmente não servem para eles. Tem que ser as que fazem o serviço por atacado, não? Mas podemos dar uma olhada nisso, para horror dos pacifistas.

Podemos começar com o material do pessoal do Velho Oeste, o revólver. Essa palavra veio do Latim revolvere, “virar, girar”, formado por re-, intensificativo, mais volvere, “fazer girar, dar voltas”. Esse nome foi dado porque o seu tambor gira para apresentar uma nova bala ao cano.

– E a pistola, Vô?

– Essa vem do Tcheco pis‘tala, “arma de fogo”, literalmente “cano”. Mas há quem diga que vem do Italiano pistolese, “de Pistóia”, que era um centro de fabricação de armas importante. Quando começam a abundar as possibilidades etimológicas, não dá para assinar embaixo de nenhuma.

Em matéria de armas pessoais, vem logo à mente o fuzil. A palavra deriva do Latim vulgar focilis, da expressão petra focilis, “pedra de fogo, pederneira”, sendo focilis gerado de focus, “fogo”. Isso tem relação com o uso da pederneira para gerar o fogo necessário para incendiar a pólvora e assim iniciar o processo de tiro nas armas antigas.

– E de onde vem escopeta?

– Não vem. Pelo menos em nosso país, essa palavra não tem aplicação correta. É coisa de jornal, aplicar essa palavra espanhola para aquilo que já tem o nome de espingarda por aqui.

Mas essa palavra vem do Italiano schioppetto, “arma de fogo longa”, que vem de schioppo, “explosão”.

O correto, ao se falar de uma arma longa, de cano com interior liso, é usar espingarda, que veio do nome francês de uma arma completamente diferente, a espringale.

Esta era uma espécie de catapulta para lançar projéteis grandes, cujo nome vem do Frâncico springan, “saltar”. Passou ao Italiano como spingarda e daí veio ao Português.

Falando em bobagens de jornal, muitas vezes a gente lê sobre “espingarda de cano cerrado”. Seria bastante perigoso usar uma arma dessas com o cano cerrado, pois ele explodiria no primeiro tiro. No caso, o que se quer dizer é serrado, “cortado”.

– Pois é, a gente vê no cinema essas armas com o cano encurtado e até pensa que é bobagem todo aquele cano e aquele peso, se os mocinhos usam umas com o cano bem curto e a coronha cortada, para ocupar menos lugar.

– Bobagem são essas histórias de cinema. Experimente pegar uma arma assim e dar um tiro. O recuo dela não permitirá acertar em nada e provavelmente vai derrubar você. Aquela massa toda é necessária para ajudar a absorver o choque.

– Ahnn… E agora fale-me sobre o rifle, Vô.

– Pois o rifle é uma palavra que não condiz com nada definido em nosso idioma. Rifle, em Inglês, designa apenas uma arma de fogo longa com raias no interior do cano para imprimir maior precisão ao tiro. Vem do Francês rifler, “arranhar, sulcar, escavar”.

Essa palavra poderia designar um fuzil, uma carabina, uma metralhadora – ou seja, armas tão diferentes que é melhor não usá-la.

– Puxa, e a gente sempre ouve falar nisso na TV… E a carabina?

– Essa tem uma história que dá muitas voltas. Vem do Francês carabin, que era como se chamavam os soldados da cavalaria ligeira. Os soldados a cavalo sempre tiveram que usar armas de fogo mais curtas, devido à dificuldade de manejo sobre a sela. O nome dos soldados passou às armas que eles portavam.

Esses soldados tinham recebido, por tradição, o nome que era usado pelos arqueiros de Flandres, escarrabin, “escaravelho”, que era como se chamavam os besouros necrófagos, ou que se alimentam de corpos em decomposição.

Esse nome era aplicado aos que carregavam corpos dos mortos pela peste e passou aos tais arqueiros porque se dizia que eles matavam tanto como a peste.

Assim, carabina e escaravelho têm a mesma origem, veja você.

– Mas que estranho!

– É verdade. E, falando em bichos e armas, me vêm à mente os dragões.

– O senhor acredita neles, Vô?

– Nunca vi um, mas isso não prova nada. No entanto, eu me refiro aos soldados de cavalaria ligeira que recebem esse nome, e que muitas vezes usam bonitos capacetes com um dragão em cima.

Eles foram assim chamados, lá por mil seiscentos e tantos, por causa da arma mais curta que usavam, e que por isso expelia grande quantidade de chamas ao disparar, tal como é hábito os dragões de verdade fazerem.

– E o que me diz o senhor da metralhadora que a gente vê ser puxada debaixo da capa e fazer aquele estrago? Essa é que legal, não sei por que os soldados não usam só essa arma. É difícil errar, com aquele jato de balas…

– Claro, espertinho, só que o tal “jato de balas” não dura mais que uns dois segundos até se esgotar o carregador.

– História, Vô, eles passam um tempão atirando nos filmes!

– Ah, geração que acredita nos filmes! Aquilo é mais uma mentira, rapaz. Sem falar que, a cada tiro, a arma se desvia mais para fora da mira. A precisão dessa arma em rajada é, no mínimo, duvidosa.

Mas você está se referindo ao que se chama de submetralhadora, aquela que pode ser levada por uma pessoa e disparada sozinha. Ela usa munição de pistola, de menos alcance e poder do que as de verdade, que disparam de um equipamento de fixação e têm outra munição.

O nome dela vem do Francês mitrailleuse, “metralhadora”, que vem de mitraille, “pedaços de metal”, derivado do nome de uma moeda de pequeno valor, mite, do Germânico mit, “cortar em pedaços”.

Muito antes de ser inventada essa arma de disparo automático, os canhões eram carregados com metralha, isto é, pedaços de metal diversos, que se espalhavam e obtinham um efeito terrível contra pessoal. Esse nome se aplicou à nova arma, que também atirava diversos projéteis, só que não todos de uma vez.

– Bom, Vô, vou levar isso para os meus colegas e me exibir bastante.

– Certo, meu Enterococcus, e aproveite para dizer a eles que jamais se aponta uma arma, carregada ou não, para ninguém.

Resposta:

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