Conversas com meu Avô

Parentesco [Edição 37]

Eu tinha doze anos e a curiosidade pela origem das coisas fervia em minha cabeça. Numa das visitas que eu fazia à casa dos meus avós como que por puro acaso, entrei devagar no gabinete do Avô, cumprimentei-o e me sentei sobre o banquinho que morava à frente da sua cadeira de balanço revestida de leia mais

Viagens [Edição 36]

– Passei de ano, Vô! Estou de férias e agora vou poder fazer uma viagem com os meus pais! – eu havia irrompido barulhentamente no gabinete cheio de livros do meu avô, muito contente por lhe dar a notícia, recém recebida no meu colégio, que ficava perto dali. Ele me olhou com ar indiferente: – leia mais

Estudo [Edição 35]

Meu avô estava muito contente porsaber que eu tinha entrado na Faculdade. Mas não queria demonstrar que estava babando. No entanto, não conseguia disfarçar sua alegria. Eu o conhecia muito bem; percebia tudo mas fingia que não. Acredito que ele soubesse que eu sabia, mas aquela cumplicidade tácita corria entre nós há anos e estávamos leia mais

Tupi [Edição 34]

Eu andava pelos meus quinze anos. Cheguei à casa do meu avô, cumprimentei o gato Ernesto e logo fui para o seu gabinete. Do meu avô, não do gato. Espiei da soleira da porta e o vi limpando um tacape de quase um metro de comprimento, uma maça de guerra indígena em madeira bem escura, leia mais

Cumprimentos [Edição 31]

Eu estava entrando no acolhedor escritório de meu avô, na sua casa, enquanto ele se despedia de um amigo ao telefone e enviava saudações à esposa deste. Depois de dar um abraço no velho perguntei: – Vô, por que a gente sempre manda comprimentos e não áreas ou volumes? Ele me olhou demoradamente e respondeu: leia mais

Armas Modernas [Edição 30]

Encontrei meu avô no pátio, olhando as flores com uma lupa, seguido do gato Ernesto, muito curioso. – Procurando bactérias, Vô? – perguntei, com cara muito inocente. Ele chegou perto de mim em silêncio, muito sério, fingiu examinar-me com a lente de alto abaixo e falou, como para consigo mesmo: – Extraordinário! Sem dúvida, isto leia mais

Santo Caramba II [Edição 29]

  CONTINUAÇÃO DA EDIÇÃO ANTERIOR – Meu avô contou da grande festa da Inauguração do país. As nações costumam fazer comemorações pela sua descoberta, pela sua independência depois de uma luta feroz e heróica – enfim, por situações históricas bem definidas. Mas em Santo Caramba a coisa não é assim. Para começar, não tiveram nenhuma leia mais

Santo Caramba I [Edição 28]

Palavras: continua , decreto , não

  Eu estava já no início da Faculdade quando apareci para visitar meu avô em seu gabinete gostosamente forrado de livros, madeira e couro. Olhei pela porta e o vi lidando com alguns objetos à mesa. Ele estava completamente concentrado, passando cuidadosamente um pano num cubo esbranquiçado que tinha na mão. Quando o cumprimentei, ele leia mais

Armas Antigas [Edição 27]

Certa vez, quando eu estava com uns doze anos, contei para o meu avô, em seu gabinete confortável e cheio de livros: – Sabe, Vô, que no outro dia eu tinha lido umas coisas sobre as guerras da Idade Média e comecei a pensar que, se eu vivesse naquela época, poderia ter inventado algumas armas. leia mais

Sobrenomes II [Edição 26]

Meu avô havia começado e me ensinar a origem dos sobrenomes. E eu, que nunca tinha pensado que uma coisa tão óbvia tinha origens! Eu saíra fascinado da conversa anterior e, assim que pude, voltei a visitar o velho em seu gabinete rodeado de paz encadernada. Assim que me viu, ele me testou: – Você leia mais

Sobrenomes I [Edição 25]

Eu estava lá pelo fim do secundário quando fui visitar meu avô com uma dúvida específica. Como sempre, encontrei-o na sua biblioteca a furungar nas suas gavetas e papéis. – Quer uma ajuda para botar fora essas velharias todas, Vô? – intiquei. – Quero. Mas só depois que eu me livrar de certas novarias de leia mais

No Jardim [Edição 23]

Era verão e minha avó tinha feito aquele suco de uva fantástico, saboroso, espesso. Eu, com meus doze anos, e meu avô, com seus conhecimentos, pegamos copos enormes cheios daquela maravilha gelada e fomos sentar no pátio à sombra, sentindo um vento amável que prenunciava uma daquelas chuvas rápidas da estação. Ernesto, o enorme gato, leia mais

Puxa-sacos [Edição 22]

Eu tinha meus dez anos e estava visitando o meu avô no seu gabinete. Estantes cheias de livros, móveis de couro, muita madeira e um gentil senhor de barba branca curta e olhos claros que me recebia muito bem. Aquele lugar era um paraíso para mim. Essa era a minha impressão, embora houvesse quem reclamasse leia mais

Panne [Edição 20]

Eu estava com meus dez anos quando cheguei timidamente ao escritório de meu avô cheio de livros, na peça que ele havia construído no fundo do seu pátio. Ele voltou para mim aquele olhar claro e assustador, que imediatamente se suavizou: – Ora, quem está aqui! Quais são as novidades, meu menino? – O Pai leia mais

Space Shuttle [Edição 18]

Palavras: bitola , shuttle

Eu estava pelo fim do secundário naquele dia em que cheguei ao gabinete do meu avô. Espiei do lado de fora da porta e vi o velho esbelto, de olhos claros e barba branca curta, sentado à sua poltrona de couro, com um livro na mão, o olhar perdido no vazio. – Ué, Vô, o leia mais

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