sentimento

qual e a origem das palavras do e pena para exprimir sentimento de piedade

Resposta:

vem do Latim DOLUS, “luto, compaixão, dor”, de DOLOR, “dor”. Pena deriva do Latim poena, que expressava “castigo, compensação por uma má ação, resgate”.
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religiao – duas origens

Srs, também consultei origem etimológica da palavra RELIGIÃO e deparei-me com um texto bastante amplo que tento verter ao portugues:

originalmente RELIGIO em latim não tinha nada a ver com “crença” ou “confissão”, mas com os desdobramentos práticos no ciclo da vida. É parente da palavra di-ligere – respeitar, apreciar. Também di-ligens e neglegere. De acordo com o Dicionário Georges (germanico) religio significa 1. desempenho consciente do dever em todos seus aspectos. Repressores de consciência que impedem a feitura de algo. Devoção, piedade, religiosidade.

na concepção por Cícero, vem de relegere = ler repetidamente (na ideia dos segredos por detrás das letras ou palavras) – na época de Cicero ainda não havia imprensa.

Já Lactantus é responsável pelo significado atual de religati – ligado, unido, ou ligado a Deus. Fonte: http://www.heinrich-tischner.de/22-sp/9sp-ecke/fragen/200/2009/religion.htm

Resposta:

Agradecemos muito a douta contribuição!  
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Religião

Origem e significado da palavra piedade

Resposta:

Você encontrará a origem em nossa Lista de Palavras. E o significado nos dicionários.
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HORÓSCOPO II

Eu tinha ouvido histórias sobre o horóscopo que meu avô me contara e, daí a uma semana, fui visitá-lo e pedi o resto.

– Você gosta mesmo de historinhas, não? Como eu gosto de contar, estamos bem complementados.

Mas vamos ver: tínhamos falado já em dois signos, Áries e Touro.

Vejamos o resto da bicharada, conforme me vier ocorrendo.

Gêmeos, Castor e Pólux, eram filhos de Zeus. O nome do signo e da constelação vem do Latim gemini, “gêmeos”.

– Esse Zeus é o mesmo que o senhor contou que se transformou num touro para namorar a tal da Europa?

– Exatamente. Só que desta vez ele estava querendo namorar uma bonita moça chamada Leda. E, para não perder o hábito, ele se transformou num animal. Desta vez num enorme e alvo cisne.

– Credo, e ela acreditou que se tratava mesmo de um cisne?

– Como eu já disse, naquela época era tudo diferente, as pessoas eram mais ingênuas… Ou ela era meio desligada mesmo. Só sei que, terminada a gestação, ela pôs dois ovos,  cada um com duas crianças. Outros dizem que foi um só, com quatro rebentos. Só sei que eu é que não queria estar na pele do obstetra dela.

– E então?

– Dali saíram: Helena, a que causaria uma enorme confusão que terminaria na Guerra de Tróia; Pólux; Clitemnestra e Castor.

Os dois primeiros eram imortais como Zeus; os dois outros eram mortais como Tíndaro, o legítimo marido de Leda.

– Algo me diz de novo que eles não foram felizes para sempre.

– Nem agora existe isso, que dirá naqueles tempos sem lei. Depois de muitas aventuras Castor foi morto. Seu irmão sentiu muito e quis abrir mão de sua imortalidade. O pai divino então concedeu que cada um morresse por um dia, alternadamente enquanto o outro brilhava no céu, entre os deuses.

– Que história, Vô!

– Ah, tem muito mais. Veja o Leão, por exemplo, cuja origem é o Latim Leo, “leão” mesmo.

Dizem que esse animal enorme, fortíssimo e feroz, habitava a região de Nemeia, na Grécia e fazia um enorme  estrago entre os rebanhos vizinhos. O semideus Héracles foi enviado para combatê-lo. Teve um enorme trabalho, mas acabou torcendo-lhe o pescoço e retirando a pele do felino.

Passou a  usá-la como couraça, pois ela era invulnerável. É por isso que ele é sempre representado usando ume pele de leão.

– E como fazia para lavá-la?

– Nem pergunte. Ele não devia cheirar muito bem.

Héracles está envolvido na história de mais uma constelação do Zodíaco. Trata-se de Câncer, do Grego karkinos, “caranguejo”.

– A doença é um signo, Vô?  –  disse eu, espantado.

– Não é isso. Ela recebeu esse nome pela semelhança entre um tumor típico, com seus vasos salientes, e um caranguejo. Mas na história que nos interessa, trata-se do animal que era amiguinho da Hidra de Lerna.

Este monstro precisava ser combatido e lá foi Héracles enfrentá-lo. Mas, ao chegar perto, um caranguejo saiu da toca do animal de sete cabeças e mordeu o calcanhar do herói.

– E aí, Vô?

– Ora, ele calçava no mínimo 62; com um movimento, achatou o pobre crustáceo decápode que se meteu onde não devia.

– E?…

– Aí a deusa Hera, esposa de Zeus, que não gostava de Héracles porque ele era mais um fruto de seu divino e inquieto marido com outra, premiou o animal colocando-o no céu e tornando-o numa constelação.

– Isso é que é prêmio.

– Verdade. Os deuses eram generosos naquela época. Também, com um céu ainda vazio, podiam fazer estrelas à vontade. Agora é que a coisa está mais difícil.

– É, antes era mais romântico, né, Vô?  E o que o senhor me diz do Aquário? Era o símbolo das casas que vendem aquários? Quantos peixes tem dentro?

– Meu caro e inculto neto, quanto terei que trabalhar para iluminar essa pobre cabecinha? Esse signo não tem nada que ver com os objetos feitos para conter água e peixinhos.

– Como assim? O que é um aquário então?

Aquário vem do Latim aquarius, “relativo à água”, de aqua, “água”. Era o nome dado à pessoa que servia água ou outros líquidos para os participantes duma refeição. A palavra também se usava para designar um tanque para plantas aquáticas ou um bebedouro para animais.

– E qual é a história sobre ele? Garanto que tem Zeus no meio.

– E tem mesmo. Acho que ele esperava ser eternizado pelas constelações que patrocinava.

Acontece que ele um dia viu um jovem pastor, chamado Ganimedes, cuidando do rebanho de seu pai perto do lugar onde se daria a guerra de Tróia e se tomou de simpatias pelo rapaz. Assumiu então a forma de uma águia, raptou-o e o levou para o Olimpo, onde o moço, entre outras coisas, servia os deuses de bebidas à mesa.

Parece que, em vez de pagar algum salário decente para o jovem, o que Zeus fez foi imortalizá-lo na constelação de Aquário, com o que o servidor se deu por bem pago.

– Falando em Aquário, e o tal de Peixes?

– Essa palavra vem do Latim pisces, “peixe”. Como as demais histórias que estou lhe contando, esta tem versões as mais diversas. Mas, enfim, como nada disso é verdade, vamos ficar com a que diz que Afrodite e seu filho Eros um dia estavam brincando à beira de um rio, quando se aproximou o monstro Tifão, com as piores intenções possíveis.

– Você quer dizer Tufão, Vô?

– Se eu disse Tifão, foi exatamente o que eu queria dizer, rapazinho. Mas vá lá, talvez o nome da potente tempestade e o do monstro tenham a mesma origem, possivelmente o verbo typhein, “fumegar”, não há certeza.

O fato é que o tal ser era o pior de todos os monstros. Sua cabeça tocava as estrelas,
seus braços abarcavam do Ocidente ao Oriente, em vez de dedos tinha cabeças de
dragões; da cintura para baixo tinha o corpo recoberto por serpentes e de seus olhos saía fogo.

– Credo, Vô, isso é assustador!

– Até os deuses tinham medo, meu caro, de modo que você está em boa companhia. Mas, seja como for, quando ele avançou contra mãe e filho, eles se atiraram na água e
foram salvos por dois peixes.

– Como Vô?

– Ah, isso a história não conta, de modo que vou ficar devendo. Só vou dizer que Zeus
colocou esses peixes no céu como mais uma constelação zodiacal, para comemorar
a coragem deles em enfrentar tão horrível criatura.

– Puxa! E o que foi feito dele?

– Depois de muita luta, em que ele quase venceu o pai dos deuses, este o encurralou com seus raios e arrancou diversas montanhas, que lhe atirou por cima sem dó nem
piedade.

O monstro fugiu para a Sicília, mas Zeus lhe atirou em cima o Monte Etna, que até hoje é um vulcão ativo. Suas chamas são provenientes dos raios que foram usados no
combate e comprovam que lá embaixo está enterrado o descontrolado Tifão.

E agora vá para casa, que da próxima vez tem mais.

– Existe no céu a Constelação do Avô?  –  perguntei eu.

Ele me deu um forte abraço:

– Se você fosse Zeus, aposto que existiria…

 

 

 

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CASTELO

 

Uma vez, quando eu era menino,  perguntei ao meu avô:

– O que são ameias num castelo, Vô? É onde os cavaleiros penduravam para secar
as meias de lata que usavam por baixo da armadura?

Ele me olhou de alto a baixo, tentando esconder seu ar divertido:

– Impressionante. O funcionamento do seu cérebro cada vez mais me faz pensar que você foi comprado como refugo em alguma feira de bebês, e não que faça parte do meu brilhante conjunto genético.

Mas, já que você está com os olhos brilhantes de quem quer saber mais, acomode-se aqui que eu vou lhe contar a origem de algumas palavras relativas a castelo.

Começando por esta, naturalmente. Castelo vem do Latim castellum, “vila fortificada”, de castrum, “acampamento militar”.

Muitos locais onde as legiões romanas erguiam suas tendas acabavam atraindo os comerciantes das vizinhanças, que se instalavam por ali e acabavam fazendo crescer uma aldeia mesmo depois de os guerreiros terem ido embora.

Mais tarde algum senhor local podia erguer uma fortaleza-morada no lugar e assim surgia o que hoje conhecemos como castelo.

– Tá, mas e as ameias?

– Arre, apressado! Essa palavra se originou do Latim minae, que queria dizer “peitoril, projeção” e se situa entre os merlões.

– E isso o que é?

– Sabia que ia pegá-lo com os merlões. Assim eram chamados os espaços elevados que ficavam entre as ameias; nestas os soldados se apoiavam para olhar e disparar projéteis contra o inimigo e os merlões eram a parte elevada, intercalada, que completava a proteção.

Vem do Latim merlo, o nome de certa ave, por comparação feita com quando elas
estavam pousadas numa beirada de prédio.

– Não devia ser difícil ficar lá dentro do castelo, quietinho, durante um cerco, com aqueles muros fortes ao redor…

– Nada disso. Muitas vezes os sitiados eram vencidos e podiam ser passados pela espada junto com a população inteira.

Os muros ou muralhas eram fortes, é verdade. Essas palavras derivam do Latim murus, “parede, muro, cerca”. Mas nem sempre precisavam ser derrubados. Já vi,
num castelo de verdade, o que se chamava “porta da traição”.

– O que era isso, Vô?

– Exatamente o que o nome diz: uma porta escondidinha que permitia a algum enviado sair e discutir ou os termos de uma rendição ou dizer ao inimigo como ele poderia entrar na cidade, em troca de dinheiro ou da vida.

– Que feio, Vô!

– Hum, a humanidade não mudou lá muito até agora. Mas deixe-me contar que as imagens dos castelos que vemos sendo alvo de batalhas, nos filmes, não dão uma grande ideia do que eles eram.

Assim que se tinha notícia de uma expedição inimiga, os defensores erguiam prontamente os manteletes, proteções de madeira colocadas ao longo das muralhas para diminuir os efeitos dos projéteis, desaforos e impropérios que viriam a ser lançados. Deriva do Francês mantelet, “pequeno manto”, do Latim mantus¸“capa, manto”.

– E a tal de ponte lavadiça, era para poderem lavar as armaduras?

Entre risadas, o velho explicou que a palavra era levadiça e que vinha de
“levar” com o sentido de “levantar, erguer”, do Latim levare, “erguer, sustentar,
elevar”, derivado de levis, “de pouco peso, leve, fácil de erguer”.

E seguiu dizendo, tentando controlar o riso,:

– A ponte se erguia sobre o fosso, “afundado na terra, canal, escavação”, do Latim fossus, que servia para atrapalhar mais o inimigo que tentasse se aproximar das muralhas.

– É verdade que eles enchiam o fosso de jacarés e tubarões para comer os inimigos?

– Você está impossível hoje. Claro que não faziam isso! Não por piedade, mas porque não contavam com esses animais à disposição.

Entre as defesas, havia seteiras no muros. Elas eram aberturas estreitas por onde ficava fácil disparar uma flecha e por onde era difícil penetrar um projétil inimigo. Esse nome vem do Latim sagitta, “flecha, seta”.

Havia sempre pelo menos uma torre ou torreão, do Latim turris, “estrutura elevada”, que normalmente tinha uma escada em helicoidal com determinada característica: ela virava para o lado direito de quem subia.

– Por que?

– Para atrapalhar o uso de armas dos atacantes com a mão direita, permitindo que os que estavam acima, defendendo o local, usassem as suas com desenvoltura.

– Aí os atacantes começaram a contratar soldados canhotos para isso…

– Não chegaram a esse ponto, mas teria sido uma boa ideia.

Falando nas torres, a principal delas era a chamada torre de menagem, que vem do Francês mansion, “morada, vivenda”, do Latim manere, “ficar, permanecer”. Ali moravam o senhor e sua família e esse era o último lugar a cair, em caso de luta.

– E esta sua biblioteca serve de castelo para o senhor, Vô?

Ele me olhou longamente e depois disse, com doçura:

– Às vezes penso que sim, meu menino esperto. Mas as portas dele sempre estarão abertas para você.

Saí dali tão contente…

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