REPUTAÇÕES QUE VÃO PARA O BREJO

 

Há situações em que uma empresa, instituição ou pessoa decai no conceito que tem em suas relações. Isso pode acarretar prejuízos de diversa ordem, às vezes de difícil recuperação. Temos diversas palavras para expressar essa situação, cujas origens veremos a seguir.

 

REPUTAÇÃO –  custosa de obter, pode ser destruída num instante. Ela pode ser boa ou má; em todo caso, vem do Latim reputatio, “consideração”, de reputare, “refletir sobre, estimar, calcular”, de re-, “de novo”, mais putare, “pensar, supor, calcular”, originalmente “podar”.

Aqui se faz referência a pensar como um ato em que se tem que podar, ou seja, retirar fora do processo o material que não colabora para levar a uma conclusão.

 

MANCHA –  do Latim macula, “mancha, nódoa”. Metaforicamente pode significar que uma reputação foi contaminada, que está suja por algum mau ato.

 

MÁCULA –  ainda é a palavra latina que nos acompanha há séculos.

 

NÓDOA – do Latim notula, diminutivo de nota, “sinal, marca, indicação”.  Uma carreira com más referências ao longo de seu histórico tem escasso futuro.

 

MARCA –  do Gótico marka, “fronteira, limite”. Daí passou a designar “o sinal que informa sobre uma fronteira” e depois “sinal em geral, impressão física”.

 

INFÂMIA –  do Latim infamia, “desonra,  má fama, má reputação”, de in, negativo, mais fama, “reputação, fama”, esta derivando do Indo-Europeu bha-, “falar”.

 

DESLUSTRE –  de des, indicando oposição, mais lustrar. E esta vem do Latim lustrare, “polir, limpar, dar brilho”, do Indo-Europeu leuk-, “limpar, dar brilho”.

 

DEMÉRITO –  do mesmo des-, mais mérito, que  vem do Latim meritum, “bondade, serviço, benefício, valor”, de merere, “merecer, adquirir, obter, ganhar”.

 

DESCRÉDITO –  de des-, mais crédito, do Latim creditum, “algo emprestado, objeto passado em confiança a outrem”, particípio passado de credere, “acreditar, confiar”.

E esta vem do Indo-Europeu kerd-dhe-, “acreditar”, literalmente “colocar o coração em”.

DESDOURO –  de desdourar, com des-, mais dourar, “revestir com ouro”, do Latim aurum, “ouro”. Ou seja, desvanecer o brilho, retirar valor.

 

DESONRA, DESONOR –  do Latim honos, “honra, dignidade, reputação”.

 

CONSPURCAÇÃO –  do Latim conspurcare, “enodoar, manchar, sujar”, de com-, intensificativo, mais spurcus, “sujo, imundo”.

 

EMPANAMENTO –  significa que algo perdeu o brilho, o valor, que sua aparência está desmerecida. Vem de pano, pela metáfora de que cobrir algo precioso com um pano lhe oculta o valor.

E pano vem do Latim pannus, “pedaço de tecido, remendo”.

 

ENXOVALHAR –  significa sujar-se, manchar-se; o sentido se estendeu também à reputação ou memória de alguém.

Alguns atribuem sua origem a enxovia, “prisão”, do Árabe ax-xaiuia, “prisão, cárcere”. Mas não há certeza.

 

PERDIÇÃO –  do Latim perditio, de perdere, “deixar de ter, desperdiçar, destruir”, formada por per-, “total, por completo”, mais dare, “dar, passar para outrem”.

 

LABÉU –  do Latim labes, “mancha”. De uso raro, refere-se a uma mancha numa reputação, desonra, desdouro.

 

ESTIGMA –  do Grego stygma, “marca,  punção, picada”, de stizein, “marcar, tatuar”.

 

IGNOMÍNIA – ignominia,  “desgraça, vergonha”, de in-, negativo, mais nomen, “nome”: era “a perda de um bom nome”.

 

FERRETE –  do Francês ferret, “objeto de ferro”, ligado ao ferro de marcar, derivado do Latim ferrum, “ferro”.

 

SUJEIRA –  do Latim succidus, “com seiva, gorduroso, úmido”. Quando gruda numa reputação é muito difícil de tirar. Deve ser evitada.