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MARAVILHANDO-SE

 

O ser humano gosta de se espantar, de se maravilhar, de ter uma sensação de assombro perante atos ou coisas fora do comum, como uma sinfonia, um palácio, uma bela paisagem.

Gosta tanto que inventou diversas palavras para expressar esse sentimento. Vamos ver as suas origens.

 

ADMIRÁVEL –  vem do Latim ad-, “junto, para, a”, mais mirabilis, “o que é digno de admiração”, de mirus, “assombroso, surpreendente”.

admirando –  é um sinônimo da anterior, de uso raro em nossos dias. Naturalmente tem a mesma origem.

TRANSCENDENTAL –  do Latim transcendere, “subir sobre, sobrepassar”, de trans-, “além”, mais scandere, “subir”.

MARAVILHOSO –  deriva do mirus que citamos há pouco.

MIRÍFICO –  igualmente.

IMPRESSIONANTE –  do Latim imprimere, “aplicar com pressão, fazer uma imagem em”. Este verbo se forma por in-, “em”, mais premere, “apertar ou empurrar contra, pressionar, comprimir” de uma raiz Indo-Européia prem-, “atacar, golpear”. Pode-se aplicar tanto à impressão em papel como à sensação que uma pessoa causa no espírito de outra.

ASSOMBROSO –  forma-se por a- mais sombra. A ideia básica lida com a sensação dada por uma sombra, aqui com o sentido de “aparição, ente sobrenatural”. Ou mesmo com o fato de um cavalo que às vezes se assusta da própria sombra e fica agitado.

PASMOSO –  do Latim spasmus, “espasmo, convulsão”, do Grego spasmós, de mesmo sentido, que veio de span, “puxar, dar um tirão”. Às vezes a gente vê algo tão estranho que teme ter uma convulsão de espanto.

ESPANTO – do Latim expaventare, de ex-, “para fora”, mais pavere, “tremer de medo”, ligado a pavor, “pavor, medo”. Inicialmente usada para se referir a situações assustadoras, agora engloba também o que provoca admiração.

FASCINANTE –  Do Latim fascinare, também “lançar um encantamento, um feitiço”, originalmente “usar o poder de Fascinus”;  deriva do deus fascinus, abundantemente representado por um falo na cultura romana. Dizia-se que ele protegia contra o mau-olhado, daí o fato de se colocar tanta confiança nele.

Sendo nossa cultura menos dada a imagens tão explícitas, atualmente seu lugar foi tomado pela nossa conhecidíssima figa.

DESLUMBRANTE –  esta vem do Espanhol deslumbrante, “o que deixa alguém maravilhado, ofuscado”, de des-, intensificativo, mais lumbre, do Latim lumen, “luz”.

GRANDIOSO –  de grande, do Latim grandis, “de maior tamanho, grande”. Esta suplantou o Latim magnus, “grande”, nos idiomas românicos.

FENOMENAL –  do Latim phaenomenon; inicialmente tinha o sentido de “tudo aquilo que é percebido pelos sentidos”. Veio do Grego phainomenon, “o que é visto, o que surge aos olhos”, de phainesthai, “aparecer”, relacionado com phos, “luz”,  pois a presença dela nos mostra o que há para ver.

FANTÁSTICO –  do Grego phantázein, “fazer aparecer”, por sua vez derivada de phaínein, “mostrar”. Esta palavra e seu sentido são ligados a phos.

ESPLÊNDIDO –  deriva do Latim splendere, “brilhar”.

ESTUPENDO –  vem do Latim stupere, “ficar pasmado, atônito, espantado, sem ação perante algo extraordinário”. Note-se que algo que causa tudo isso é algo estupendo. Mas, como resultado, a pessoa pode ficar tão afetada que fica estupefata. E, se esse estado for duradouro, ela pode ficar estúpida. Cuidado.

INAUDITO – inauditus, “novo, estranho, nunca ouvido”, de in-, prefixo negativo, mais auditus, particípio passado de audire “ouvir”.

SURPREENDENTE –  do Francês surprendre, “causar surpresa, fazer algo inesperado” de sur, “sobre”, mais prendre, “pegar, prender”, do Latim prehendere, “agarrar, prender, pegar à força”.

MAGNÍFICO –  do Latim magnificus, “aquele que faz grandes obras”, de magnus, “grande”, e facere, “levar a efeito, fazer, produzir”.

DIVINO –  vem do Latim divinus, “divino, relativo a um deus”, que veio de divus, “deus”. Mais antigamente ainda se presume como raiz para esta palavra o Indo-Europeu diw-, “brilhante”.  Esta raiz gerou também o nome de Zeus, o Pai dos Deuses gregos. E a própria palavra “Deus”.

 

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