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REFEIÇÕES

 

Eis aí uma coisa que a gente não pode dispensar nem que queira. Infelizmente, para muitas pessoas neste planeta não há certeza sobre a próxima.

Enfim, há diversas palavras para designar o ato de se alimentar, de acordo com horário, quantidade, ocasião, etc.

REFEIÇÃO – do Latim refectio, “comida, refeição”, formada por RE-,, de novo”, mais a raiz de FACERE. Comer algo refaz as forças de uma pessoa em sua jornada.

ALMOÇO – do Latim admordere, “mordiscar, começar a comer”, de ad, “a, em”, mais mordere, “morder”.

JANTA – do Latim jantare, “tomar a refeição da tarde”, que era a maior do dia em certa época, ligado a jejunus, “vazio”. Ou seja, era a hora de acabar com o vazio do estômago.

ajantarado – refeição feita mais tarde que o almoço e mais cedo que o jantar, em fins-de-semana, para substituir ambas e diminuir o trabalho na cozinha.

De “janta”, evidentemente.

LANCHE – do Inglês lunch, “almoço, refeição leve”. E essa palavra é um encurtamento de luncheon, que veio do arcaico nonechenche, “comida do meio-dia”, de none, “meio-dia”, mais schench, “beber”.

Deve ter sido criada por adeptos da bebida, pois a comida ficou esquecida na formação da palavra.

MERENDA – veio do Latim merere, “merecer”. Para comer algo todos tinham que fazer por onde, ao que parece.

O que nos lembra um antigo ditado em Latim:

Qui non laboret, non manducet.

(Quem não trabalhe, que não coma.)

E também um ditado espanhol:

Uma ley vino de Roma:

El  que no trabaje, no coma.

(Uma lei veio de Roma: o que não trabalhar, que não coma).

Muito justo.

COLAÇÃO – muitos não sabem que esta palavra, entre outros significados, quer dizer “refeição ligeira”.

Veio do Latim collactus, “levado consigo” de conferre, formado por com-, “junto”, mais ferre, “portar, levar”. Referia-se principalmente à comida que um agricultor carregava consigo para comer no meio da sua labuta, sem voltar para casa.

DESJEJUM – feita por des-, mais “jejum”, do Latim jejunus, “vazio”.

É palavra do século XX, certamente influenciada pelo Inglês breakfast, de mesmo significado – “primeira refeição do dia” e mesma construção.

REGA-BOFE – feita pela junção de “regar”, do Latim rigare, “banhar, molhar”, mais “bofe”, do Espanhol bofe, “pulmão do gado”, por extensão “vísceras em geral”.

Trata-se aqui de “molhar as tripas” o melhor possível, ainda mais quando são os outros que pagam.

BANQUETE – do Italiano banchetto, diminutivo de banco, “banco”. Originalmente era uma pequena refeição para tomar sentado no banco, sem nem se acomodar à mesa.

Parece que ela venceu na vida e conseguiu mudar completamente o seu sentido.

RANCHO – o nome da refeição servida ao soldado vem do espanhol rancho, “pequena propriedade rural, chácara”, do Francês rangée, “fila de pessoas”, derivada do Frâncico hrang, “círculo, anel ( de gente)”.

Sua aplicação passou de “lugar onde se reúne gente” para “lugar onde essa gente come” e depois para a própria refeição.

FESTIM – derivado de “festa”, do Latim festa, “feriado sem jejum, festa”, de festus, “alegre, contente”.

ÁGAPE – muitas vezes tido como sinônimo de “banquete”, vem do Grego ágape, “amor fraterno, caridade”, de agapan, “saudar com afeição, ter carinho”.

COMEZAINA – não é propriamente uma refeição, indica mais um destempero alimentar, que nem “rega-bofe”. Obviamente vem de “comer”, do Latim comedere, “comer”.

CONSOADA – de uso muito raro atualmente, designa “refeição leve sem carne, tomada em dia de jejum”, ou “ceia de Natal”.

Viria do Latim consolata, de consolare, “consolar”.

CEIA – do Latim cena, outro nome para “janta”.

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