Em: Assunto da Edição

PALESTRAS, ETC.

 

É comum, ao logo da vida, assistirmos à apresentação organizada de determinado assunto, seja nas aulas de nossa infância, seja em chatíssimas conversas motivacionais que só emocionam aos que as proferem. Estas apresentações podem ser chamadas por diversos nomes, cuja origem estudaremos hoje.

 

PALESTRA –  Do Grego palaistra, “escola, local para exercícios”, de palaíein, “lutar”.  Na Grécia antiga, esse era o nome dado a um local onde se fazia treinamento de lutas, lançamento de disco e outros esportes.

Servia também para o convívio social masculino (menina não entrava). Da conversa sobre assuntos variados acabou surgindo o sentido mais usado em nosso idioma, que é o de “debate, aula, conferência”.

 

FALA –  do Latim fabula, “história, ficção, conto”, derivada de fari, “falar, dizer”, de uma raiz Indo-Europeia bha-, “falar”.

 

DISCURSO –  do Latim discursus, particípio passado de discurrere, “correr ao redor”, metaforicamente “lidar com um assunto por vários pontos de vista”, formado por dis-, “fora”, mais currere, “correr”. No Latim tardio passou a ter o significado de “conversação”. O sentido mais usado hoje para nós é o de mensagem verbal, o mais das vezes em tom solene. Muitas vezes é mais eficiente do que um sonífero.

 

ARENGA –  vem do Frâncico hring e se usa para uma fala militar ou discurso em tom pejorativo.

 

ORAÇÃO –  do Latim oratio, “fala, discurso”, de orare, “pedir, rezar”, um derivado de os, “boca”, já que esta costuma ser o instrumento usado com esse fim.

 

MONÓLOGO –  vem do Grego monos, “um” e legein, “falar”. Indica que uma única pessoa é responsável por nos impor uma série de argumentos, sem ouvir outras partes.

 

DIÁLOGO –  quase todos pensam que este se dá entre duas pessoas, em conformidade com monólogo e por começar com “DI”. Mas não é o caso; ela pode designar uma conversação com número indefinido de participantes.

Vem do Latim dialogus, do Grego dialogos, “conversação”, relacionado a dialogesthai, “falar, conversar”, formado por dia-, “através”, + legein, “falar”.

 

CONVERSA – do Latim  conversatio, que queria dizer inicialmente “viver com, encontrar-se com frequência”, formada por com-, “junto”, mais vertere, “virar, voltar-se para”.

 

DISCUSSÃO –  aqui os argumentos são menos delicados, levando por vezes ao desforço físico. A palavra vem do Latim  de discutere, formado por dis-, “fora, mal, inadequado”, mais cussus, o particípio passado de quassare, uma variante dequatere, “sacudir, chacoalhar, bater”, por extensão “ameaçar, quebrar”.

Certamente uma criação bem expressiva.

 

CONFERÊNCIA –  do Latim conferre, “trazer junto”, figurativamente “comparar, consultar, deliberar”, formado por  com-, “junto”, mais ferre, “trazer, portar”. O sentido de “receber conselho, aprender sobre um assunto” se firmou, mas o de “fazer comparação, observar se algo está nos padrões” continua como antes.

 

AULA –  do Latim aula, (do Grego aemi, “soprar, respirar”, pois era inicialmente um lugar aberto), “palácio, pátio de palácio, onde se reúnem as pessoas para discussões”, depois “sala onde ficam os estudantes durante as lições”.

 

APRESENTAÇÃO – do Latim praesentare, “dar, mostrar para aprovação, exibir”, de praesens, formada por prae-, “à frente”, mais esse, “ser, estar”.

 

ELÓQUIO –  uma apresentação oral pode levar este nome, pouco familiar na atualidade. Vem do Latim eloquium, “discurso, fala”, e se forma por ex-, “para fora”, mais loqui, outro verbo usado para “falar”.

 

EXPOSIÇÃO –  do Latim exponere, “apresentar à vista, destacar, mostrar”, de ex-, “para fora”, mais ponere, “colocar”.

 

PRELEÇÃO –  deriva do Latim praelectio, “conferência”, de prae-, “à frente”, mais legere, “falar em voz alta”. Quem faz uma preleção fica falando em frente à plateia.

 

EXPLANAÇÃO –  do Latim explanare, “tornar claro, simples, liso”, de ex-, “para fora”, mais planus, “achatado, sem relevo”.

O triste é que muitas explanações, quando feitas com pouca dedicação, acabam ficando chatas mesmo.

 

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Em: Etimologia no Maternal

SONHOS DE UMA PROFESSORA

 

Cá estou entrando em minha aula. Um dia perfeitamente normal. De saída vejo a Patty encabeçando um cortejo de dança, Aninha e Lary sobre a minha mesa aos pulos, Sidneyzinho tentando agarrar uma das meninas, Valzinha contando alguma coisa horrorosa num canto, Zorzinho anotando tudo em seu caderno apesar de não saber escrever.

Quietos! Parados! Imóveis! Não falem, não ouçam, não respirem! Sentem-se em seus lugares e ouçam.

Por um dia pelo menos vou falar nas origens das palavras que designam qualidades que todos os professores do mundo adoram. Exatamente as que faltam a vocês, aliás. Escutem com atenção ou vão perder o recreio hoje.

Respeito, por exemplo. Veio do Latim respectus, particípio passado de respicere, “olhar outra vez”, de re-, “de novo”, mais specere, “olhar”. A ideia é de que algo que merece um segundo olhar em tem qualidades que levam a uma atitude de consideração e reverência.

Vocês bem que podiam olhar para mim nos corredores do colégio e dizer baixinho:  – “Lá vai a querida Professora Tia Odete, ela sabe muito de Etimologia e é extremamente paciente conosco!”

Mas não, assim que me veem saem correndo e berrando.

Também poderiam ostentar alguma disciplina. Esta veio do Latim disciplina, “instrução, conhecimento, matéria a ser ensinada”. E esta deriva de discipulus, “aluno, aquele que aprende”, do verbo discere, “aprender”. Gradualmente se lhe  agregou um novo significado, o de “manutenção da ordem”, que esta pobre sofredora gostaria tanto de ter em sua aula.

Outra coisa que seria encantador de ver seria obediência. Este maravilhoso ato de seguir as diretrizes dadas por uma autoridade superior  –  no caso, eu  – veio do Latim oboedire, “prestar atenção, a, escutar com seriedade”, de ob, “a”, + audire, “escutar”. É difícil eu ser ouvida em nossa aulinha, que dirá obedecida.

E não faria mal algum se meus aluninhos se dedicassem ao estudo, que se origina de studiare, de studium, “estudo, aplicação”, originalmente “ansioso por fazer algo, sério”, de studere, “ser diligente”, em suas raízes “empurrar para a frente”, do Indo-Europeu steu-, “bater, empurrar”.

Graças aos seus maus hábitos ainda não consegui que aprendam a extrair raiz quadrada de cabeça.

Não, Robertinho, nada a ver com guiar as diligências dos filmes de mocinho. Aqui o sentido é o de “atenção, cuidado, esforço para realizar algo”.

Menino esquisito esse, que ainda vê esse tipo de filme.

Iih, mais interrupção… Que é Valesquinha? Sim, um tio seu era artista plástico, que bom! Ele tinha um estúdio onde a mulher dele descobriu que ele se dedicava a fazer coisas de que ela não gostava e aí um dia ela queimou todas as telas dele… Bem, vamos deixar esse assunto de lado porque eu preciso dar a matéria para não nos atrasarmos no currículo quando chegar o fim do ano, isso é muito importante.

Como as intervenções de você me fizeram lembrar, outra característica que chama a atenção  pela ausência por aqui é o silêncio. Esta palavra vem do Latim silentium, “ato de estar quieto”, de silere, “ficar quieto, evitar ruído”.

Se você ficassem quietos e evitassem ruído com certa frequência, o resultados de minhas audiometrias seria bem melhor.

E se prestassem mais atenção aos conhecimentos que lhes trago, seria melhor para todos. Esta palavra vem do Latim attendere, “prestar atenção a, observar”, literalmente “esticar-se para”, formado por ad, “a”, + tendere, “alongar-, esticar, estender”.

Bonita metáfora, não é bem assim que a gente faz para prestar atenção? Ah, esqueci-me de que vocês não sabem o que é fazer isso.

O que tampouco ficaria mal seria mais capricho em seus deveres para casa. Capricho, aqui citado como “esmerado, bem realizado, bem apresentado” é uma palavra curiosa. No sentido de “inconstância, volubilidade”, vem do Italiano capriccio, do Latim caper, “cabra”, do Grego kápparos, “cabra”. Isso porque dizem que uma cabra costuma ser vivaz e inquieta.

O sentido de “esmero, cuidado” parece ser restrito apenas ao Português e em meus estudos não encontrei explicação que o ligue quanto à origem.

Sei dizer que, quando eu era aluninha  –  sim, Tia Odete já foi aluna e teve a mesma idade de vocês  –  eu ficava intrigada quando a professora elogiava um trabalho bem feito e dizia que era “feito com capricho” e pouco depois falava mal de “crianças caprichosas”, querendo dizer que eram inconstantes e exigentes.

Vejam só, depois de tantos anos ainda não descobri qual a razão.

Também seria bom se vocês se dedicassem com mais afinco aos deveres, o que nos veio de afigicare, uma forma do verbo figere, “cravar, fincar”. Dá vontade de fincá-los com um prego nas cadeiras para que trabalhem um pouco.

Que é isso, não fiquem com os olhos arregalados desse jeito! Tia Odete nunca faria tal coisa com vocês. A escola não fornece pregos nem martelo.

Mais um desejo inatingível desta que vos fala seria que vocês cuidassem mais da apresentação dos seus deveres. Essa palavra deriva do Latim praesentare, “dar, mostrar para aprovação, exibir”, de praesens, formada por prae-, “à frente”, mais esse, “ser, estar”.

Na hora de exibir o que fizeram, o quadro é dos mais tristes. Isso por falta de cuidado, o que faz as folhas se apresentarem dobradas, amassadas, rasgadas e portando os  borrões mais incríveis.

Cuidado vem de cogitare, “pensar, cogitar”. Para fazer algo com cuidado, é preciso pensar. Mas me parece que isso é demais para vocês.

Finalmente, para encerrar esta lista de sonhos impossíveis, vem a dedicação, que deriva do Latim dedicare, “consagrar, afirmar, colocar à parte, proclamar” , de de-, “de lado, fora”, mais dicare, da raiz de dicere, “dizer, falar”. No sentido de “entrega, sacrifício por alguma coisa, consideração”, é artigo em grande falta não só nesta aulinha como na maioria das que conheço atualmente.

Enfim, agradeço por terem ouvido este desabafo e agora saiam para o recreio. Tratem de não matar ninguém por lá, por favor.

 

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Em: Consultório Etimológico

Origem de palavra

Qual a origem da palavra “apresentação”? Quais são seus sinônimos?

Resposta:

Ela vem do Latim PRAESENTARE, “dar, mostrar para aprovação, exibir”, de PRAESENS, formada por PRAE-, “à frente”, mais ESSE, “ser, estar”.

Já os sinônimos não são conosco.

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