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ESPERTOS DE VÁRIO TIPO

 

É impossível passar a vida sem testemunhar ou ser vítima de alguém que tenta nos ludibriar ou agir de forma incorreta de algum modo, tentando tirar vantagens indevidas. Essas pessoas recebem uma porção de qualificativos, cujas origens vamos avaliar agora.

 

ARDILOSO – é o sujeito que trata de iludir, de enganar outrem por meios disfarçados. Vem do Espanhol ardid, do Frâncico hardjan, “manha, truque”.

 

SORRATEIRO –   origem duvidosa; talvez do Latim subrepere, “introduzir-se por baixo, infiltrar-se”, de sub, “por baixo”, mais rapere, “tomar, agarrar”.

 

ASTUTO – do Latim astutiosus, de astutia, “logro, trapaça”. Mas devemos lembrar que a astúcia muitas vezes tem uso legítimo, quando se trata de atividades bélicas.

 

ARGUCIOSO – vem de argúcia, que vem do nome de um gigante da mitologia grega. Trata-se de Argos, que tinha nada menos que cem olhos. Isso lhe dava a capacidade de, ao vigiar alguma coisa, fechar cinquenta deles e ainda ter outros cinquenta olhando o objeto. Daí que uma pessoa atilada, alerta, inteligente, possa ser comparada com o Argos da história, pois se mantém focada no assunto como se tivesse cem olhos. Infelizmente, essa concentração toda pode ser dirigir para causar o mal dos outros.

Muitas vezes nos perguntamos quanto ele gastaria em colírio, se surgisse a necessidade.

 

PILANTRA – tem origem desconhecida, o que é comum em palavras da gíria. De qualquer forma, é sempre bom ficar longe de gente que pode ser incluída nessa qualificação.

 

SOLERTE – do Latim sollers, “engenhoso”, formada por sollus, “só, inteiro”, mais ars, “prudência, manha, capacidade de fazer algo”.

 

VELHACO – do Espanhol bellaco, “homem desonesto, ruim”, de origem incerta. Nada a ver com velho, embora a idade nada tenha a ver com honestidade ou não.

 

BILONTRA – também designa um velhaco e com esta compartilha a mesma falta de origem.

 

azevieiro – acompanha as duas cima em suas características. Não é das mais usadas no Brasil.

 

TRAPACEIRO – do Latim trappa, “armadilha”, do Germânico trappa, “laço”.

 

SOCARRÃO – é palavra pouco usada. Originalmente se referia a uma pessoa que falava com engodos; agora se usa para um trapaceiro ou enganador.

Vem do Espanhol socarrón/chocarrón, aparentemente do Basco sukarra, “chama”, já que as palavras dessa pessoa podem figurativamente queimar os outros.

 

ALARIFE – trata-se de um espertalhão, um finório, e sua origem é o Árabe al-harif, “aquele que sabe, o que se encontra bem informado”. Ter dados sobre a vítima é essencial para preparar um golpe.

 

CAPCIOSO –   este indivíduo que procura induzir os outros a erro, um enganoso, tem seu nome vindo do Latim captiosus, de capere, “tomar, pegar, agarrar”.

 

FINÓRIO – de fino, do Latim finis, “fim, limite, ponto mais alto”. Aplica-se a uma pessoa que tenta enganar os outros pelo sentido de que se trata de alguém que usa de métodos esmerados para conseguir a sua finalidade.

 

MANHOSO – vem do Latim mania, com o sentido de “habilidade manual”. Nesse sentido faz lembrar uma pessoa jeitosa, com habilidade para lidar com os outros.

 

LADINO – do Latim latinus, “latino”. Inicialmente se aplicou a pessoas que falavam esse idioma, numa época em que ele era ensinado apenas a um estrato superior de cultura. Depois se apresentou o uso de “indivíduo que usa de conhecimentos superiores para enganar os outros”.

 

CAVILOSO – este indivíduo fingido veio do Latim cavilosus, “malicioso, irônico, desdenhoso”.

 

ESPERTO/ESPERTALHÃO – do Latim expertus, “acordado, atento, esperto”. Trata-se do indivíduo que se encontra sempre atento para aproveitar oportunidades de lucrar às custas de outrem.

 

MALICIOSO – do Latim malitiosus, “mal-intencionado, iníquo”, de malitia, “maldade, má-fé”, de malus, “mau”.

 

 

 

 

 

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