Em: Assunto da Edição

PRÉDIOS PÚBLICOS

 

Os aglomerados urbanos apresentam, conforme o seu tamanho, diversas construções que servem a atividades que se fazem necessárias para o desenrolar da vida em conjunto. Elas podem ser aquelas indispensáveis à alimentação das pessoas, à administração da cidade, aos esportes, cultura, vida religiosa e muitas mais. Hoje aprenderemos algo sobre os nomes de suas sedes.

 

PRÉDIO –  vem do Latim praedium, “habitação rústica”.

 

PÚBLICO –  do Latim publicus, “relativo ao povo”, de populus, “povo”, possivelmente derivado do Etrusco. Também adquiriu o significado de “aberto a toda a comunidade”, em oposição a “privado”.

 

PREFEITURA –  este prédio administrativo recebeu seu nome do Latim praefectus, o cargo designado em Roma para certas funções. E este vem de prae, “antes, à frente” e facere, “fazer”. Assim se formou o verbo praeficere, “colocar à frente de”. A pessoa que recebia este cargo era “colocada à frente” do comando de certas instituições ou grupos.

O praefectus era “administrador, comandante, agente de mando, de governo”. Em nossos dias, é a autoridade maior de um município, mas existem também prefeitos universitários e eclesiásticos.

 

museu –  do Latim museum, “biblioteca, lugar de estudo”, do Grego mouseion, “altar para as Musas”. Mais tarde seu sentido mudou para abranger um local onde são guardados exemplos de Artes e História.

E Musa vem de mousa, literalmente “música, canção”, nome que foi dado a divindades protetoras e personificadoras das Artes, de uma raiz Indo-Europeia men-, “pensar, lembrar-se”, relacionada à palavra  mente.

 

TEMPLO –  do Latim templum, “território delimitado e consagrado para a avaliação de auspícios”, mais tarde “prédio para adoração religiosa”.

 

MESQUITA –  Do Árabe masjid, “lugar de se ajoelhar, de fazer adoração”.

 

SINAGOGA –  Do Grego synagoge, “reunião, assembleia”, de syn-, “junto”, mais um derivado de agein, “trazer, levar, liderar”.

 

IGREJA –  vem do Grego ekklesia, “assembleia, reunião”, derivado do verbo ekkalein, formado por ek-, “para fora”, mais kalein, “chamar, clamar”. Entrou em uso muito antes do início do cristianismo.

 

CATEDRAL –  vem da expressão em Latim Eclesiástico ecclesia cathedralis, “a igreja onde um bispo tem assento”. E catedral em si vem do Grego katá-, “para baixo”, mais hedra, “assento, face, base”, por sua vez derivado do Indo-Europeu sed-, “sentar”. A noção é a de “sentar sobre algo”.

 

PALÁCIO –  do Latim palatium, “morada oficial de um soberano”, que era o nome da residência de César Augusto, por ter sido erguida no Mons Palatinus, “Monte Palatino”, uma das sete colinas de Roma antiga. Por sua vez, a colina recebeu este nome da palavra palus, “estaca”, dando a noção inicial de um lugar cercado.

 

FORUM –  do Latim forum, “mercado, local aberto, área pública”, aparentemente relacionada a foris, “fora”, porque muitas vezes se situava no exterior do recinto amuralhado de uma cidade. Mais tarde adquiriu o significado de “local de reunião” e também o de “lugar onde se dispensa a Justiça”.

 

CASTELO –  vem do Latim castellum, “vila fortificada”, de castrum, “acampamento militar romano”. Em ocasião posterior, algum senhor local podia erguer uma fortaleza-morada no lugar onde tinha havido um acampamento desses e assim surgia o que hoje conhecemos como castelo.

 

TEATRO –  do Latim theatrum, do Grego theatron, literalmente “lugar para olhar”, de theasthai, “olhar”, mais  –tron, sufixo que denota “lugar”.

O sentido inicial de “prédio onde são realizados espetáculos” passou depois a ter maior alcance, designando peças, produção, a preparação de uma peça teatral em geral.

 

ESCOLA –  do Latim schola, do Grego skholé, “discussão, conferência, escola”, também “folga, tempo ocioso”.

O sentido original era “folga, descanso”, a partir da noção de que nesses momentos se pode começar uma conversa útil em termos de aprendizado.

 

ESTÁDIO –  deriva do Grego stadion, uma medida fixa de comprimento que equivalia a cerca de 185 metros; também designava, por extensão, uma corrida a pé e a trilha por onde esta se realizava.

 

HIPÓDROMO –  vem do Grego hippos, “cavalo”, mais dromos, “corrida”. Mais claro não pode ser.

 

MERCADO –  do Latim merx, “mercadoria, algo posto à venda”.

 

FÁBRICA –  veio do Latim fabrica, “oficina, lugar onde se fazem coisas”, de faber, “aquele que faz, artesão”, de facere, “fazer”.

 

PARLAMENTO –  do Francês parlement, antigo tribunal de Justiça na França, de parler, “falar”, a atividade mais levada a efeito nesse local.

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Em: Etimologia no Maternal

MUSEU

 

Crianças, antes que vocês comecem a trocar os habituais golpes uns nos outros, a Tia Odete aqui vai lhes projetar umas imagens bem bonitas.

Trata-se de umas fotos sobre um passeio a um museu, que eu fiz quando ainda era viva.

Esta palavra vem do Latim museum, “biblioteca, lugar de estudo”, do Grego mouseion, “altar para as Musas”. Mais tarde seu sentido mudou para abranger um local onde são guardados exemplos de Artes e História.

E Musa vem de mousa, literalmente “música, canção”, nome que foi dado a divindades protetoras e personificadoras das Artes, de uma raiz Indo-Europeia men-, “pensar, lembrar-se”, relacionada à palavra  mente.

O que está adequado, porque só quem tem uma mente que pensa se interessa por um museu.

Há gente que vai ao Exterior e não visita museus. Há quem nunca tenha colocado o pé num museu, nem mesmo nos de sua cidade.

Não ouvi bem, Valzinha, como é? Hum, sua mãe pegou seu pai falando ao telefone com uma moça que ele chamava de “minha musa” e o pau quebrou em casa? Ora, decerto foi um mal-entendido e ele estava era marcando uma visita ao um museu e explicando a origem da palavra.

Mas vamos falar noutras coisas… vejam aqui, que lindos e grandes quadros. Esta palavra vem do Latim quadrum, “o que tem quatro lados”, de quattuor, “quatro”.

Ao redor dele há uma preciosa moldura, olhem como é bem trabalhada. Sua origem é o Latim modulus, “medida, modelo”, de modus, “maneira, medida, modo”.

Não, Zorzinho, não acredito que os moços do museu deixariam você rabiscar nas margens do quadro, não. Quando for visitar um, aconselho-o a não tentar.

Os quadros são feitos através da pintura, que vem do Latim pingere, “pintar”. A raiz Indo-Europeia dessa palavra era pik-, “cortar”.  Que, aliás, deu origem a pigmento.

Calma, pessoal, já explico: é que o sentido dela deve ter variado de “decorar com sulcos” para “decorar com pintura, com cores”.

Muitos museus têm uma loja onde são vendidas reproduções de suas obras de mais fama. Esta palavra vem do Latim reproductio, “ato de dar forma novamente”, de re-, “outra vez”, mais producere, “produzir, tornar realidade”.

A inauguração de uma exposição de arte se chama vernissage. É uma parte importante da exposição; é quando vão os críticos para avaliar as obras, as famílias dos artistas para parecer que alguém se interessa pelo que ele fez, uma porção de gente para comer os salgadinhos e tomar as bebidinhas que são oferecidas.

E esse nome, que surgiu entre 1910e 1915, vem do Francês vernis, “verniz”. Isso porque, no dia antes de ser aberta a exposição, os pintores iam passar uma última camada protetora de verniz sobre as telas.

Se alguém aí perguntasse de onde vem a palavra “verniz” eu contaria que deriva do Grego berenike, nome de uma cidade na Líbia – a atual Bengazi – onde se diz que começou o uso dessa substância tão útil.

Mas além de pinturas, que apresentam uma imagem bidimensional, temos a escultura, que faz objetos nas três dimensões e vem do Latim sculpere, “desbastar, escavar”.

A próxima imagem mostra uma estátua de… Não, essa está sem roupa e o Joãozinho ali fica agitado… Esta, então – hum, também não dá! Deixem a Tia procurar uma coisa mais palatável.

Aqui está. Sei, é apenas uma cabeça, mas o escultor só queria mostrar mesmo isso.

Estátua vem do Latim statua, “imagem, figura em relevo”, literalmente “o que é colocado em algum lugar”, derivado de statuere, “instalar, colocar de pé”, de stare, “estar de pé, ficar”.

Existe uma palavra bem parecida que também vem daí: estatuto. De statuere, com o sentido de “estabelecer, definir através de lei” se fez em Latim statutum, “lei, decreto”, ligado a status, “situação, posição”.

Os museus costumam guardar muitas obras-primas… Hein? Como assim, primas de quem? De ninguém, crianças.

Mas esta expressão tem uma origem muito interessante. Na época medieval, as atividades artesanais como marcenaria, carpintaria, joalheria e outras formavam guildas com os seus profissionais. Esta palavra vem do Germânico arcaico gelth-, “pagamento”.

Já explico, parem de pular e perguntar! Vocês são impossíveis até quando prestam atenção.

Essas guildas eram sociedades de apoio mútuo, que pagavam os enterros dos sócios, providenciavam orações para os mortos, ajudavam as suas famílias, pagavam multas em caso de crimes justificados e muitas outras coisas.

 E daí? E daí que, quando um aprendiz queria passar à categoria de “mestre”, com direito a cobrar mais e ter alunos, ele se submetia a uma prova. Devia fazer sem qualquer auxílio uma das obras de seu ofício; ela era então avaliada por uma junta de profissionais e, se estivesse bem feita, o autor era promovido.

Esta era chamada a “obra-prima”, a “primeira obra” em excelentes condições daquela pessoa.

Em Inglês a expressão é masterwork, “obra de mestre”.  Ou seja, a obra que caracteriza o mestre.

Não, Mariazinha, eu não participei de guilda nenhuma. Elas já tinham terminado quando eu nasci, por incrível que  pareça.

E as associações de professores dão saudades das guildas antigas. No meu caso, a obra-prima seria controlar esta turma por uma aula inteira, ah, ah! Eu jamais sairia de aprendiz.

Bem, talvez com a aula de hoje eu ganhasse o título de mestra, pois todos ficaram razoavelmente quietos e não houve briga nenhuma.

Agora vão para casa e peçam a seus pais para fazerem uma visita ao museu.

Favor não me convidarem.

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