Café Da Manhã [Edição 43]

Santa Gertrude que me ajude! Santa Hortência, dai-me vossa paciência! São Sambaqui, acalmai isto aqui!

Cri-an-ças! Mais confusão na hora da merendinha da manhã, é? Parem de chorar e de bater uns nos outros, que assim não vai dar. Olha ali a Leonorzinha com geléia de amora no cabelo, o Zorzinho com uma fatia de pão com manteiga grudada no rosto – ele é tão desligado que acho que nem reparou – a Patty bem limpinha, o que a torna muito suspeita, a Aninha e o Tiaguinho dançando sobre os sanduíches não sei de quem…

Sentem-se aqui ao meu redor que eu vou limpar vocês enquanto eu conto a origem dos nomes das coisas que consumimos no café da manhã.

Para início, café vem do Turco kahweh, que veio do Árabe kahwah, que provavelmente se relaciona com Kaffa, região da Etiópia que era grande produtora.

Ao falar nele, e gente se lembra do seu companheiro frequente, o leite, que vem do Latim lac, “leite, seiva com aspecto lácteo”.

Sim, Ledinha? Claro que as vacas não sobem em árvores, isso todos sabem. Ah, e como foi que elas colocaram o leite nos cocos? Isso é um assunto diferente, meu bem, e depois que eu conversar com seus pais a gente fala nisso, tá?

Nessa ocasião em que a gente se alimenta para enfrentar o trabalho diário – claro que, para uns, como policiais e bombeiros, é tudo moleza, difícil mesmo é dar aulas para certas turminhas – em geral não falta o pão, que vem do Latim panis, “pão”.

Ao ver certas pessoinhas que fazem dupla para incomodar, que nem aqueles dois dançarinos ali, a gente tem que se lembrar da palavra companheiro, que significa “aquele com quem se reparte o pão”, ou seja, “pessoa de confiança”.

Joãozinho, quieto, pare de cochichar no ouvido da Valzinha! Às vezes me dá vontade de dar… deixa pra lá, não sei por que me ocorreu agora outro componente do café da manhã, a bolacha. Ela vem de “bolo”, pela sua forma arredondada. Digamos que é um bolo minúsculo.

Pois não, Valzinha? Era de ver o bolo que deu quando o seu vizinho da frente descobriu que a mulher dele se mostrou muito carinhosa com a empregada nova que ela levou para casa?

Bem, essa palavra aí quer dizer “mistura, confusão”, tal como se faz com os componentes ao fazer um bolo e vamos logo seguir adiante e aprender que a gente passa uma coisa chamada manteiga no pão e cujo nomezinho, tão bonitinho, vem do antigo idioma ibérico mantica, uma espécie de saco de couro para transportar este alimento que as vaquinhas, tão boazinhas, nos fornecem.

E para quem tem problemas com o colesterol ou não tem paciência para passar a manteiga no pão sem o transformar em farofa, existe a margarina, cujo nome vem do Francês margarine. Ela foi criada quando, no século XIX, o imperador Napoleão III ofereceu um prêmio para quem inventasse um substituto para a manteiga, para uso da classe pobre e dos militares. Muito bonzinho ele, não? A manteiga ficava para o pessoal do andar de cima. Pois aí se inventou uma mistura de óleos comestíveis que recebeu o nome pela semelhança com o aspecto perolado do ácido margárico.

Calma, Maria Tereza, sua Tia Margarida tem algo a ver com isso, sim, não fique assim brava. É que “pérola” em Grego se dizia margaron, daí o nome de sua tia e o do tal ácido.

Arre, se a gente não tem um pouco de cultura geral não se ajeita com estes demoninhos…

Não, crianças, entenderam mal, eu disse que-ri-di-nhos.

Mas seguindo: a gente também pode passar geléia no pão ou no bolo ou até no dedo, se estiver meio confusa. Este nome vem também do Francês gelée, “congelado”, de geler, “gelar”, do Latim gelare, idem.

Eu sei, Angélica, que ela não é nem fria, mas o pessoal achava que lembrava algum líquido gelado sobre o pão e pronto.

Olha só, terminou nosso horário, graças a São Macário! Vão todos agora para casa e amanhã, durante o café, não se esqueçam de repetir para seus pais o que aprenderam hoje, certo?

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