Palavra ninharia

MIUDEZAS

 

A todo momento nós temos que lidar com fatos e coisas que não constituem maior problema mas que recheiam nossa existência, para bem ou para mal.

É o mosquito que zune em nossos ouvidos quando desejamos dormir em paz, é o chaveiro que não sabemos onde se encontra, é o spam ou o folheto de propaganda, é o sorriso que uma criança desconhecida nos dá na rua… Como nomear e saber de onde veio tudo isso?

Olhem, mas desde já avisamos que muitas dessas palavras apresentam pouco uso hoje em dia.

 

MIUDEZA –  vem de miúdo, “pequeno, de tamanho reduzido”, do Latim minutus, de minuere, “diminuir em tamanho ou número”, de minus, “menor”, que veio do Indo-Europeu mei-, “pequeno”.

 

MINÚCIA –  também se origina de minutus.

 

BAGATELA –  do Italiano bagatella, “miudeza, coisa pequena”, ligado a bagattino, “moeda de pequeno valor”, do Latim bacca, “baga, espécie de fruto, como o do carvalho”, figurativamente “pequeno objeto arredondado”, como no caso de uma moeda.

 

BUGIGANGA –  do Espanhol mojiganga, uma variação de bojiganga, “peça teatral curta e burlesca”, por extensão “coisa ridícula e sem valor”, do Latim vesica, “bexiga”. Isso porque a bexiga seca de gado era usada para compor trajes e objetos de farsa. Os artistas vestiam roupas recheadas com bexigas cheias de ar para efeito cômico.

O nome bojiganga era o nome de um personagem do teatro burlesco.

 

NINHARIA –  nada a ver com ninho. Vem do Espanhol niñería, “criancice”, de niño, “menino”, possivelmente de origem em palavra gerada pela fala infantil.

 

MIGALHICE – com o sentido de “insignificância”, vem de migalha,  do Latim micalea, de mica, “fragmento, porção muito pequena de alguma coisa”.

Mica também designava a parte da areia que reflete a luz, fazendo-a brilhar; originou o Italiano micare, “brilhar, tremular”, de onde o termo de Mineralogia mica, usado para certos silicatos.

 

 

INSIGNIFICÂNCIA –  do prefixo latino de negação in-, mais significans, relacionado a significare, “mostrar por sinais”, de signum, “sinal”, mais a raiz de facere, “fazer”.

 

BOBAGEM –  “coisa de bobos”, do Latim balbus, “gago’, de origem onomatopaica. Em outras épocas se ligava esse problema de fala ao retardamento mental, uma noção completamente errada.

 

MIXARIA –  vem de mixe, “de pouco valor, insignificante, sem graça”, possivelmente do Guarani mi’xi, “pequeno, escasso”.

 

BESTEIRA –  deriva de besta, no sentido de “animal irracional”, do Latim bestia, “animal em geral”. Ou seja, designa um ato feito com escassa reflexão, algo de escasso valor.

 

FRIOLEIRA –  do Latim frivolus, “sem valor, vão, fútil”. Origina-se de friare, “triturar, quebrar”. A metáfora aqui é com cacos de cerâmica rotos, que para nada servem.

 

NONADA –  para designar alguma coisa insigniificante, sem valor, esta palavra foi inventada no século XIV, a partir de não e nada.

 

QUINQUILHARIA –  Do Francês quincaille, “mercadoria barata”, de clinquaille, derivado de cliquer, “fazer ruído”, de origem onomatopaica.

 

PARVOÍCE –  do Latim parvulus, diminutivo de parvus, “pequeno, miúdo, tolo” muitas vezes aplicado a crianças de tenra idade.

 

RIDICULARIA –  vem de ridículo, que vem do Latim ridiculus, “aquilo que desperta o riso, que não é levado a sério”, derivado de ridere, “rir”.

 

INÂNIA –  mais uma pouco usada. Significa “vazio, inútil” e vem do Latim inanis, “pobre, vazio”.

 

FUTILIDADE –  ela vem do Latim futilis, “sem valor, vazio”, literalmente “o que se derrama com facilidade”, portanto “facilmente esvaziado, não-confiável, vazando”, de fundere, “derreter, derramar”.

 

NUGA –  do Latim nugae, “frivolidades, bagatelas”.

 

NULIDADE –  vem de nulo, do Latim nullus, “inexistente, sem valor, inepto”, de ne-, negativo, mais ullus, “alguém”, que veio de unullus, um diminutivo de unus, “um”.

 

Resposta:

pitaya?

É verdade, vocês têm razão: a colocação do artigo, embora sutil, já é suficiente para determinar a origem por que eu procuro. Nem tinha reparado nisso. São as nuances da língua… Ótima observação!
Lary, você gosta de pitaya? Eu já a experimentei há uns tempinhos e não gostei dela, não, por mais linda que ela seja. Ela é muito mais bonita que gostosa. E é cara!!
E, para não parecer que eu só quero conversar, digam-me: de onde vêm TEODOLITO, NINHARIA, ÉCLOGA, PABULAR e LEVIGAÇÃO (última do dia)? Se vocês me deixarem, pergunto se a última tem alguma relação com levitar, mas, como vocês não me deixam, então eu não pergunto.

Resposta:

Para lidar adequadamente com Etimologia a gente precisa usar de uma metalinguagem, que usa certas convenções para tornar claro que estamos tratando diretamente com palavras e não com seus significados; ou seja, que estamos estudando a palavra em si e não escrevendo um texto em que a usamos.

Se não empregássemos as maiúsculas, o Itálico, o negrito, as aspas, nossos textos seriam incompreensíveis.

1) Nada a ver com “pedra de deus”. Vem do Latim THEODOLITUS, de origem desconhecida. Provavelmente resulte de um erro de tradução antigo.

2) Do Espanhol NIÑERÍA, “infantilidade, coisa de criança”.

3)  Do L. ECLOGA, “poesia pastoral”, do Grego EKLOGE, “escolha, seleção”, de EK, “para fora”, mais LEGEIN, “escolher”.

4) Do L. PABULUM, “pasto, alimento, forragem”. Daqui acabou se formando o verbo que significa “desdenhar, vangloriar-se” por comparação a quem tem posses e delas se vangloria.

5) Do L. LAEVIGATIO, “polimento, pulverização”, de LEVIS, “liso”.

Não deixamos, não. E assim evitamos um vexame.

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