Palavra peta

INFORMÁTICA

Palavras: bit , bluetooth , byte , exo , giga , informática , mega , peta , spam , tera- , zetta

Quando cheguei ao gabinete de meu avô, ele estava muito entretido fazendo algo em seu computador.

– Sabe, Vô, a maioria de meus colegas e amigos não tem avós tão espertinhos como o senhor. Muitos deles nem chegam perto de um computador.

– Viu só, prezado descendente, que eu sou mais esperto do que pareço?

– Mas aposto que os seu conhecimentos de Etimologia não adiantam muito na área de Informática.

– Por que você acha isso, rapazinho?

– Ora. Vô, vai me dizer que os gregos e romanos e persas e o resto daquela turma antiga sua conhecida tinham computadores?

– Vejam só como ele é inteligente! Até já conhece esse fato histórico! Mas, de qualquer maneira, as palavras da tal “aquela turma antiga” são usadas ainda inteiras nessa área ou originaram outras. Quer ver?

– Por via das dúvidas, vou pegar papel e caneta, posso? Pela sua cara, não vou escapar de aprender alguma coisa.

– Comigo é sempre assim, o que falta é reconhecerem o meu gênio.

Vamos ver… por exemplo, Informática. Ela deriva de uma expressão, “ciência da informação”. Esta última palavra vem do Latim informare, “modelar, dar forma”, de in mais formare, “formar”, que veio do Grego morphé, “aspecto externo, forma, beleza”.

Dentro da Informática encontramos, como eu disse, palavras usadas praticamente sem alteração; destas, podemos citar certos prefixos usados para dar ideia de tamanho e quantidade de informação.

É o caso de mega-,  que expressa “um milhão”. Esta vem do Grego megas,  ou “grande”.

Depois vem giga-, que representa um bilhão, ou seja, dez elevado à nona potência, do Grego gigas, “gigante”.

E aí vem o tera-, um trilhão, de teras, “monstro”. Com o avanço da área, as duas primeiras qualquer dia vão acabar sendo abandonadas.

– Monstro mesmo. Tem mais?

– Sim, o peta, mil vezes maior que o anterior. Mas não se conhece a origem dela, por incrível que pareça.  Deve ter vindo da cabeça de um cientista meio distraído que se esqueceu por que escolheu essas letras.

Mas tem mais; multiplicando esse número por outros mil, vem o exo– do Grego exo-, “fora”. Depois se segue o zetta-, derivado da letra grega zeta, “Z”, e ainda o yotta-, de iota, o “Y” do seu alfabeto. Parece que eles concluíram que estava difícil de inventar prefixos mais criativos para núm eros tão descomunais.

– Elas se aplicam a bits e bytes. E estas, de onde vêm?

– O bit é uma contração de binary digit, que teve seu uso inicial em 1947. Isto quer dizer “dígito binário”. Um computador, por maior e sofisticado que seja, só lê informações em termos de atributos de dois valores. A partir de estados de zero ou um ele faz todas essas maravilhas que conhecemos.

– E o byte?

– Este designa um conjunto de oito bits, e permite registrar qualquer algarismo ou letra usando o sistema binário. Foi criado em 1956 e se escreve assim para evitar confusão com a palavra bit.

E há outras palavras com uma origem inesperada. Por exemplo, o spam. Esta vem do nome de um produto de carne enlatada de grande uso nos EUA, que é uma contração de spiced ham, “presunto temperado”.

Ela foi fabricada em quantidades enormes durante a Segunda Guerra Mundial, pois era uma maneira de levar proteína de boa qualidade  –  se bem que talvez de sabor discutível  –  aos soldados americanos. Aliás, ela ainda é um alimento usadíssimo nas ilhas do Pacífico, cujos habitantes conheceram as latinhas prismáticas através desses soldados. E  parece que, não por coincidência, se encontram entre os povos com maior incidência de obesidade no planeta.

– E por que usaram esse nome? Os primeiros informautas ficavam comendo essa coisa enquanto esperavam que seus computadores movidos a manivela fizessem alguma coisa?

– Acontece que, em 1970, a rádio inglesa BBC passava uma série cômica na qual havia uma lanchonete onde todos os pratos continham spam, numa crítica à abundância desse alimento. Um coro cantava elogios ao spam, de onde veio o significado de “conversa não solicitada que é forçada sobre a gente”.

– Isso me lembra que tenho ouvido gente pronunciar “blutú” em vez de Bluetooth.  Talvez algum dia esse termo entre desse jeito para o nosso idioma, coitado.

Aqui está outra história muito interessante: bluetooth quer dizer “dente azul” em Inglês. É uma tradução do Escandinavo blatann, que era o apelido do rei Harald Gormssen (cujo dentista não devia ser grande coisa) da Dinamarca e partes da Noruega, que forçou tribos discordantes a fazerem parte do mesmo reino.

A ideia da Ericsson, a empresa que criou essa tecnologia sem cabo, é que ela reúne num padrão único diferentes protocolos de comunicações, com o o bom rei Haroldo fez com as tribos.

– E o rei tinha dente azul mesmo?

– Consta que eles chamavam a atenção, mas uns dizem que era porque ele vivia comendo frutinhas do mato, outros dizem que ele tinha cabelo muito escuro, o que era raro na região… enfim, não se sabe. O certo é que esse rei escandinavo falecido pouco antes do ano novecentos é lembrado com frequência.

– Mesmo sem se saber bem por que.

– Correto. Mas agora você sabe.

– E vou me exibir com meus conhecidos. Pensando bem, retiro o que disse no começo, Vô, você até que é bem espertinho para uma pessoa da sua idade.

E me raspei antes que ele me atirasse algo na cabeça.

 

Resposta:

Mentiras

Às vezes uma pessoa, uma instituição ou até mesmo um governo inteiro se vê às voltas com a mentira. Esta tem muitas faces, tanto que diversos são os nomes a ela relacionados. Com conotações um pouco diferentes entre si, todas essas palavras são usadas por pessoas em quem um dia foi depositada confiança e que, descobertas, tentam explicar que não foi bem assim.

MENTIRA – do Latim mentior , “faltar à palavra dada, fingir, imitar, dizer falsamente”. Em Latim ainda, menda era “defeito, falha, descuido no escrever”, do Indo-Europeu mend-, “defeito físico, falha, aleijão”. Uma origem muito adequada, pois uma mentira é um fato aleijado, sem as pernas da verdade para se sustentar.

Logo, remendar é tornar ao aleijão que se cometeu e repará-lo.

Uma maneira culta de chamar um sujeito de mentiroso é dizer mendaz, de pleno uso em nosso idioma, embora poucos conheçam a palavra agora.

INVERDADE – há quem pense que chamar assim uma mentira a suaviza. Esta palavra vem de verdade, que vem do Latim verus, “real, autêntico, sincero”. Com o prefixo negativo in-, passa a significar “o que não é verdade”. Ora, salvo melhor juízo, o que não é a verdade é mentira.

PATRANHA – sua origem estaria no Espanhol pastraña, que passou a patraña, “história fabulosa, situação impossível”. E esta palavra teria vindo de pastoranea, por sua vez vinda de pastor, “pastor”.

O sentido inicial seria “conversa de gente rústica, crédula, que não tem meios de distinguir a verdade”. Originalmente tinha mais a conotação de “mentira por ignorância, por despreparo ou credulidade” do que de má fé.

PATARATA – teria vindo do Espanhol patarata, “excesso ao demonstrar sentimentos ou fazer cortesias; atitude desprezível, beirando pelo ridículo”. A origem antes disso é incerta. Há quem diga que vem de pato, a ave, pelo ruído que faz ao andar por terra. Esta parece meio forçada!

PATACOADA – também tem origem incerta. Viria de pataca, moeda que era usada em Portugal e suas colônias. Talvez se ligasse a bazófias sobre possuir grandes riquezas, muito dinheiro acumulado.

PAROLAR – também existe o substantivo parolagem. Vem do Italiano parola, “palavra”. O sujeito que é muito tagarela, que desperdiça muitas palavras, freqüentemente falta com a verdade.

Talvez porque não haja tanta verdade no mundo como para sustentar a conversa constante de quem é falador para valer…

PETA – do Latim pitta, palavra usada para designar “bilhete de loteria”. E esta vem do Grego pettos, “pedra de jogo”. Quando se trata de jogo, a possibilidade de alguém estar enganando ou mentindo para levar vantagem é grande, de onde o sentido de “mentira” que se adjudicou a peta.

EMPULHAR – vem do Italiano puglia, “mão de cartas, jogada”. A esta palavra se aplica o mesmo raciocínio usado em peta.

OMISSÃO – quando a pessoa diz uma mentira à Polícia, ela depois diz à imprensa que “não mentiu, omitiu“. É mais uma tentativa tola de lidar com a situação, dificilmente capaz de enganar uma pessoa com mais de cinco anos de idade.

Tal palavra vem do Latim omissus, particípio passado de omittere, “deixar escapar, perder, renunciar, não falar de”. E esta palavra se compõe de ob-, intensificativo, mais mittere, “enviar, deixar ir”.

EXAGERO – o mentiroso apanhado também pode dizer que apenas exagerou quando contou algo. Pelo que dizem as histórias, essa atividade parece ser mais comum entre pescadores.

Esta palavra vem do Latim exaggerare, “aumentar, expandir, exagerar”, formada por ex-, “fora”, mais agger, “amontoado de material”. Houve uma comparação entre cavar um buraco, enterrar nele alguma coisa, tapá-lo e perceber ver que o local ficou como que inchado pela terra que agora está sobrando.

OCULTAR – é o que os mentirosos tentam fazer com a verdade, quando esta os compromete. Vem do Latim occultare, “dissimular, reservar, manter secreto”, formado por ob-, “sobre”, mais cellare, “esconder, tirar da vista”.

ENROLAR – a partir do significado físico de “enovelar, emaranhar” se fez o sentido metafórico de “enganar emaranhando idéias e informações”. A palavra vem de rolo, que vem do Latim rotulus, “pequeno cilindro”. Por sua vez, esta vem de rota, “roda”.

ESCONDER – se uma pessoa não quer ser apanhada, pode tentar esconder provas. Tal palavra vem do Latim abscondere, “esconder, subtrair à vista”, de abs-, “fora”, mais condare, “unir, reunir, juntar”. Este verbo é formado por com-, “junto, com” e dare, “dar”.

O sentido era “reunir, enfeixar um conjunto de coisas e afastá-lo da vista”

LOGRAR – vem de lucro, do Latim lucrum, “ganho, vantagem, lucro”. Para obter um lucro apreciável, muitas vezes as pessoas acham que têm que passar as outras para trás nos negócios.

ENGAMBELAR – do Baixo latim gamba, que deu o Italiano gamba, “perna”, do Grego kampé, “curvo”. Meios indiretos, tortuosos, “curvos”, costumam ser usados para enganar as pessoas.

Usa-se a expressão “passar a perna” em alguém para dizer que, metaforicamente, lhe foi dado um calço, foi feito algo que fez a pessoa tropeçar na realização de seus objetivos.

ENGANAR – do latim ingannare, “debochar, lograr, zombar de alguém”, por sua vez vindo de ganno, “ganido de cão”.

ENGODO – aparenta vir do Latim in-, “em”, mais gaudium, “alegria”. A palavra toda queria dizer “atração, logro, engano, sedução”.

Nada tem a ver com Godos, Ostrogodos, Visigodos!

ESQUECER – às vezes, na tentativa infantil de dizer que não está mentindo, a pessoa diz que “se esqueceu” de citar tal dinheiro na declaração, que “se esqueceu” de tal empréstimo, que “se esqueceu” daquela fazenda que está em seu nome.

Elas estão usando uma palavra que veio do Latim excadescere, “cair”, de ex-, “para fora”, mais cadere, “cair”. A idéia é de que o tal fato tenha como que “caído” fora da mente da pessoa, a ponto de não ser lembrado.

Felizmente a Lei não aceita desculpas deste tipo usadas por quem é responsável por uma situação.

EMBUSTE – de embusteiro, que veio de imposteiro. Esta palavra veio de impostor, do verbo latino imponere, “impor”.

E esta palavra veio de in-, “em, dentro” mais ponere “colocar, botar”. Uma pessoa que se coloca dentro de uma posição falsa pode convencer os outros e tentar obter certas vantagens.

ATOCHAR – deriva de uma palavra Pré-Românica taucia, “giesta, esparto, um tipo de junco do qual se extraem fibras para tecer”. Daí se fez também touceira, “mato rasteiro, arbusto, matagal”.

Atochar seria “encher de esparto”, depois “encher apertadamente de qualquer coisa, socando à força”.

Uma boa atochada é aquela que nos enche até em cima, da qual não desconfiamos nada.

TERGIVERSAR – quando a pessoa está apertada, pode tentar tergiversar. Isto vem do Latim tergiversare, de tergo, “costas”, mais versare, “virar”. Ou seja, “dar as costas” à situação e tratar de colocar a atenção de quem investiga em algum outro ponto, para obter alguma folga da investigação.

Resposta:

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