Palavra gênio

Etimologia de Fobias

Olá, sou apenas um visitante frequente do site, e esta é a primeira vez que lhes envio uma pergunta. Existem muitas fobias de nomes bem fáceis de se deduzir a origem, porém existem outros que quase parecem um xingamento haha. Haveria alguma chance de serem fornecidas as etimologias das seguintes fobias?

Agliofobia/Algofobia/Odinofobia/Odinefbia (medo de sentir dor); Agorafobia (medo de lugares abertos, de estar na multidão, lugares públicos ou deixar lugar seguro); Antlofobia (medo exagerado de enchentes ou inundações); Azinofobia (medo de ser agredido pelos pais); Cacorrafiofobia (medo do fracasso, ou de falhar); Cnidofobia (medo de cordas); Coulrofobia (medo de palhaçoes); Dinofobia (medo de vertigens ou redemoinhos); Ereutrofobia/Eritrofobia (medo de ficar vermelho/ Medo de luzes vermelhas ou da cor vermelha); Estigiofobia (medo do inferno – tem a variável Hadefobia, mas é meio óbvio); Geniofobia (medo de manter a cabeça erguida); Ictiofobia (medo de peixes); Lofobia (medo de veneno); Latrofobia (medo de ir ao médico); Pantofobia (medo de tudo, ou de todas as fobias); Sinistrofobia (medo de coisas do lado esquerdo, da mão esquerda); Tanatofobia/Tantofobia (medo da morte); Tripofobia (medo de padrões irregulares ou de agrupamento de pequenos buracos ou saliências); Urifobia (medo mórbido irracional, desproporcional persistente e repugnante a fenômenos paranormais). Sei que é uma seleção bem extensa, mas só listei algumas específicas. E não há necessidade de pressa alguma. Também pensei que seria interessante à vocês que as etimologias constassem na lista de palavras. Pelo menos as que eu não encontrei. Obrigado desde já! Grande abraço.

Resposta:

Seja bem-vindo, caro visitante. Certamente você conhece a nossa regra de responder a 6 palavras a cada dia. Hoje começaremos com um grupo inicial; volte a cada dia a este ponto para receber as demais respostas.

Sempre que nos é feita uma pergunta sobre uma palavra que ainda não consta na Lista de Palavras, ela passa a fazer parte dela.

Já que tratamos de fobias, iniciaremos dizendo que esta palavra vem do Grego PHOBOS, “medo, temor”.

Aglio-/algo-   —   do Grego ALGÓS, “dor”.

Odino-/odine-  —  do G. ODINE, “dor”.

Agora-  —  entre em nossa Lista de palavras e olhe por esta origem.

Antlo-  —  do G. ANTLIA, “bomba de sucção”.

Azino-  —  nada encontramos sobre esta.

Cacorrafio-  —  do G. KAKORRAPHIO, “plano malicioso, enganoso” de KAKOS, “mau, mal feito”.

Cnido-  —  do G. CNIDOS, “ferrão”. Não é medo de cordas, não, e sim de picadas.

Coulro-  —  feita na década de 1980, talvez venha do Grego KOLON, “membro”, ligando-se ao sentido de “aquele que anda sobre pernas-de-pau”, daí “palhaço”.

Dino-    do G. DINÉO, “fazer girar, balançar, dar voltas”.

Ereutre-/eritro  —  do G. ERYTHROS, “vermelho”.

Estige-  —  do G. STYX, o nome de um dos rios do Inferno de sua mitologia.

Genio-  —  do G. GENIO, “mandíbula, queixo”. Seria o medo de queixos, que francamente nos parece uma perda de tempo, com tanta outra coisa assustadora por aí.

Ictio-  —  do G. ICHTHYS, “peixe”.

Lofo-  — nada localizamos sobre esta.

Latro –   — Confira a grafia desta.

Panto-  — do G. PAN, “todos, tudo”.

Sinistro-  —   do Latim SINISTER, “esquerdo, canhoto”.

Tanato-  —  do G.  THÁNATOS, “morte”.

Tripo-  —  do G. TRYPA, “orifício, buraco”.

Uri–  —  vimos este problema ser definido como “medo de urinar com pessoas ao lado”, do G. OURON, “urina”.

GENS I

 

Esta palavra latina vem de uma fonte Indo-Europeia gen- ou gnê-, “gerar, engendrar, fazer nascer”.

Não tentando evitar um trocadilho, podemos dizer que ela gerou uma quantidade enorme de outras palavras que fazem parte de nosso vocabulário e se mostram indispensáveis nas mais diversas áreas do conhecimento .

GÊNESE – o começo de tudo. Pelo menos na Bíblia.

Em Grego, genesis queria dizer “criação, força produtiva, origem”, de genos, “nascimento, família, raça”, da raiz Indo-Europeia acima citada.

GENITOR – em Latim, genitor e genitrix queriam dizer “pai” e “mãe”, ou seja, “aqueles que geram”.

A progenitura é a “geração, a descendência”.  É interessante observar que hoje em dia progenitor se usa para os pais, quando na origem designava avós ou antepassados mais distantes.

Era formada por pro-, “à  frente, antes”, mais genitor.

PRIMOGÊNITO – de primus, “primeiro, o que veio antes de todos”, mais genitus, “nascido, gerado”.  Existe gente, contudo, que anuncia o nascimento de “seu segundo primogênito”, “seu terceiro primogênito”, etc.

GENITAL – do Latim genitalis, “relativo à geração”.  Aplicou-se aos órgãos reprodutivos em geral.

GENITIVO – esta palavra quase só é conhecida de quem estuda Latim ou outros idiomas com declinações, como o Alemão. Em Gramática, quer dizer “o que marca a origem”.

GENTE – vem do Latim gens, “raça, clã, família em sentido amplo, família nobre”.  O sentido mudou e agora ela designa “número indeterminado de pessoas, pessoas com interesses semelhantes”.

GERME, GERMINAR – do Latim germen, derivado de gen-men, “broto, crescimento, descendência”.  Em Latim, germinanus, “o que é da mesma descendência, irmão”, passou a germanus.

Em Português, “germano” se usa para designar os irmãos que têm o mesmo pai e a mesma mãe. Também porta o significado de “puro, verdadeiro, sem mistura”.

Em Espanhol passou a hermano, “irmão”.

Note-se bem que esta palavra nada tem a ver com sua homófona e homógrafa  germano, usado como sinônimo de “alemão”.

Esta foi usada primeiramente por Júlio César ao descrever suas andanças pela Gália, talvez em referência a uma tribo específica que encontrou pelo caminho.  Provavelmente tem origem céltica, querendo dizer “barulhento”.

GÊNERO – do Latim genus, “raça, extração”.

DEGENERAR –  “corromper-se, perder as qualidades essenciais”,  do genus acima citado.

GENEROSO – originalmente “de bom nascimento, de família nobre”, fixou o sentido no aspecto de “aquele que reparte com largueza”, o que devia acontecer bastante.

REGENERAR – de regenerare, formado por re-, “de novo, outra vez”, mais generare, “gerar”, queria dizer “fazer viver novamente”.

Uma pessoa que regenera seus hábitos e deixa de lado uma carreira criminosa ou o uso de drogas é como se tivesse nascido de novo.

GERAL – de generalis, “o que pertence a um gênero”, atualmente  implicando mais em “genérico, universal”.

GENERAL – sim, até neste alto posto militar nossa palavrinha se meteu.

Este deriva da expressão francesa capitaine général, “capitão-geral”, “comandante em sentido amplo, com maior abrangência”.

Note-se que o cargo era mesmo o de capitaine, a outra palavra era apenas um qualificativo.

GÊNIO – de genius. Tratava-se, segundo os romanos, de uma divindade particular de cada pessoa, nascida com ela, que sobre ela velava e que com ela desaparecia.

Havia quem dissesse que uma criança nascia com dois gênios, um bom e um mau. Nos dias em que ela se mostrava uma peste, dizia-se que ela estava “de mau gênio”.

Por alguma razão, o bom gênio nunca era lembrado, uma injustiça.

Ao gênio individual se atribuíam certas capacidades proféticas. Lá pelo século XVII o adjetivo genial passou a ter o significado de “talento ou inteligência inatos”.

ENGENHO, ENGENHOSIDADE – de ingenium, “qualidades inatas”, ingeniosus, “o que tem naturalmente todas as qualidades de inteligência”.

É interessante notar que, em Inglês, ingenuity não quer dizer “ingenuidade”, como tantos tradutores de filmes pensam; significa “talento inventivo, engenhosidade, esperteza”.

INDÍGENA – de in-, “em”, mais genitus: “gerado no lugar, nascido dentro do país”.

 

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