Palavra passeio

DESFILE

Hoje nada me fará perder a calma. Tomei dose dupla de Nervocalm logo antes de vir para o trabalho e não estou me preocupando com nada. Podem meus pequenos selvagens pular, berrar e ostentar condutas incivilizadas de vário tipo que não vou me abalar.

Pelo contrário, Tia Odete aqui vai chamar todos para ficar em roda para podermos falar um pouco de Etimologia, que estranhamente é o único assunto que deixa todos em paz.

Há pouco eu estava olhando vocês no pátio do recreio. As meninas passeavam e os meninos iam atrás, quais Satanazes perseguindo almas perdidas.

Esse estranho desfile me trouxe à mente palavras que descrevem “deslocamento em grupo”

Começando pelo próprio desfile: esta palavrinha vem do Latim des-, um prefixo negativo, mais filum, “fio, fiapo de tecido”. Normalmente um desfile é organizado com pessoas umas atrás das outras, lembrando um fio retirado, “desfiado” de uma peça
de pano.

Aliás, a fila do caixa do supermercado ou do cinema tem exatamente sua origem em filum.

Dizem que os índios caminham em fila indiana, para misturar as pegadas e não dar ao inimigo ideia de quantos eles são. Acho que é verdade, pois o único que eu vi caminhava desse jeito.

Podemos pensar também numa parada. Esta tem uma história mais complicada. Vem do Latim parata, no sentido de “guarnição militar”, particípio passado de parare, “preparar, arranjar, ajeitar”.

Os soldados ficavam prontos para a ação numa situação dessas, mas com muito pouco deslocamento. Esse uso se estendeu depois para o desfile desses militares em ocasiões festivas ou solenes.

Falando em soldados, uma das coisas que eles costumam fazer é marchar, que vem do Francês marcher, “andar marcando passo”, do Frâncico markon, “tropeçar”.

Ah, ali a Valzinha quer nos dizer algo muito importante. Hum… pensando bem, Valzinha, não é muito adequado para aluninhos deste nível saberem o que foi que houve com seu avô quando era militar e resolveu marchar com o fuzil carregado e pronto para disparar.

Passando para o lado religioso, lembremo-nos de procissão. Esta vem do Latim procedere, “seguir em frente, marchar”, de pro-, ”à frente”, mais cedere, “ir”.

Um deslocamento com motivação religiosa também é a peregrinação. Ela vem do Latim per agri, “pelos campos”, dando a ideia de trajetos longos e árduos até chegar ao local de devoção.

E um cortejo vem do Italiano corteggio, “séquito, desfile de apoiadores”, de corte,
do Latim cors. Esta palavra era usada inicialmente para “pátio, local fechado”. Depois se estendeu para “pessoas que são próximas a um soberano”, cujo comportamento devia ser refinado e adequado a pessoas de alto nível.

Como, Zorzinho? Não, na verdade nem sempre essas pessoas atendiam a esses requisitos.

Ah, você você diz que viu seu vizinho Ataliba passeando e queria saber a origem dessa
palavra? Ela vem de “passo”, do Latim passus, “passada, passo”, que veio de pandere, “esticar, alongar”, que é algo que a perna faz quando se caminha.

Às vezes um cortejo é feito com veículos, caso em que se chama de carreata. Este é um neologismo inventado a partir de carro. Particularmente me parece uma palavra feia e mal-encarada.

Bem, Ledinha, quando não haviam inventado os carros e não se queria fazer isso a pé, fazia-se uma cavalgada, que veio do Latim caballus, o nome popular para “cavalo”.

E quando se trata de um deslocamento muito grande, às vezes compreendendo populações inteiras, fala-se em migração. Ela  vem do Latim migrare, “mover-se de um lugar para outro”, do Indo-Europeu mei-, “mudar-se, ir, deslocar-se”.

As migrações são comuns entre certos tipo de animais, que as fazem com regularidade. Houve um Dr. Morton na Inglaterra que, em 1703, declarou que as andorinhas se deslocavam para a Lua no inverno.

Parem com a gritaria! Eu sei que isso não é verdade porque elas não têm foguetinhos para isso, mas o pobre doutor não era tão bem informado quanto vocês. Embora ganhasse no quesito bom comportamento.

Bem, eis o sinal do fim das aulinhas. Agora façam uma caminhada até suas casas, não
esquecendo que esta palavra vem de “caminho”, que vem do Celta camminum, derivado do Indo-Europeu gam-, “andar, caminhar, deslocar-se”.

Viram só? Meu remédio é uma beleza, acho que vou me candidatar a ser coroa-propaganda dele na TV.

 

Resposta:

VIAGEM

Eu estava comentando com meu avô a viagem que meus pais fariam a outro país. Eu estava meio incomodado por não me levarem junto, mas entusiasmado por ficar sozinho em casa, de dono do pedaço.

– Eles tiveram muito trabalho e gastos com você, meu caro, agora é a vez de eles aproveitarem. Seja paciente e ganhe o dinheiro para a sua viagem, quando chegar a sua vez.

Lembro-me de quanto eles estudaram e trabalharam sem se queixar enquanto você crescia.

Falando nisso, já lhe contei a origem da palavra viajar?

– Vai contar já, imagino. Deixe eu me acomodar.

– Ela veio do Latim viaticum, “jornada”, originalmente “provisões para uma jornada”, derivado de via, “caminho, estrada”.

Note que, na Igreja Católica, existe um sacramento dado aos doentes ou moribundos chamado de “viático”, que se considera uma preparação para outro tipo de jornada.

– Brr. E ajuda nela?

– Até agora ninguém se queixou. Mas é verdade que tampouco teve ocasião. Mudando para coisas mais viventes, vou contar-lhe que isso que seus pais vão fazer, turismo, tem seu nome derivado do Francês tour, “volta, circuito, volta ao redor”,  de tourner, “fazer a volta”, do Latim tornare, “fazer dar a volta, polir, girar um torno”.

– Está certo, pois numa viagem de turismo a gente acaba saindo, dando uma volta e regressando para casa.

– Muito bem, você é menos burro do que parece, eu sempre digo. E para tentar melhorar mais ainda essa situação, informo que passeio vem do Latim passare, “passar, caminhar”, de  passus, “passo”.

– E uma excursão, como aquela que fiz com o colégio, Vô?

– Vem do Latim excursio, “saída militar, expedição, corrida para a frente”, de ex-, “fora”, mais currere, “correr”.

– Mas nós não corremos, fomos caminhando…

– Mais uma gracinha dessas e você vai ter que sair daqui correndo. Aproveite para aprender, sujeitinho!

Por exemplo, aprenda que expedição vem do Latim expeditio,  relacionado a expedire, “liberar, tornar adequado, aprontar”, literalmente “livrar os pés das cadeias”, de ex- mais pedis, “corrente, peso para os pés”, de pes, “pé”.

– O pai de um colega meu trabalha na expedição de uma firma.

– Nesse lugar as empresas despacham as suas mercadorias, fazem-nas sair para percorrer o mundo. Daí o nome.

E o nome que se dá a uma peregrinação, você sabe de onde vem? Claro que não, a pergunta foi apenas retórica. Vem do Latim peragrare, “andar sem destino”, feito por per-, “através”, mais ager, “campo”, originalmente “terra selvagem”.

Mas seus pais não estão fazendo nenhuma viagem religiosa, que eles não são disso, nem andando soltos pelo campo; o que eles disseram que queriam ver era “cidades com mais de dois mil anos e menos de cinco mil habitantes”. Escolheram cuidadosamente o itinerário para tentar o seu objetivo.

Claro que essa palavra vem do Latim itinerarius, “relato de uma viagem”, de iter, “jornada”, derivado de ire, “ir”.

– E safári, Vô?

– Ah, essa vem do Swahili safári, “jornada, expedição”, do Árabe safar, “jornada”.

– E essa jornada de que o senhor tanto fala?

– Vem do Francês journée, “o trabalho ou o trajeto feito num dia”, do Latim diurnum, “feito durante o dia”, de dies, “dia”.

Existe o verbo “jornadear” em nosso idioma, como sinônimo de “viajar”.

E a palavra “jornal” como “publicação diária com notícias” vem do Francês papier journal, “folha, documento diário”.

– Legal… Eles não vão pegar uma caravana, né? De onde vem esta?

– Do Francês antigo carouan, trazido durante as Cruzadas do Persa karwan, “grupo de viajantes do deserto”. É pouco provável que eles andem numa caravana, mas muito bem podem fazer uma parte do trecho numa van, que é um encurtamento inglês para essa palavra.

– Depois de tanto tempo foram pegar uma palavra antiga dessas para designar uma camionetona?

– Ela não é de uso tão moderno como você pensa. Está em atividade para “veículo coberto” pelo menos desde os anos 1600.

– O senhor devia ser bem pequeno então, Vô…

– Nada disso, eu já tinha matado muitos dinossauros naquela época, quando a gente saía em explorações e… taí, esta palavra vem do Latim explorare, “investigar, procurar, examinar”, de ex-, “fora”, mais plorare, “gritar”.

– E essa agora? O que uma gritaria tem a ver com isso?

– Tem a ver que se tratava de uma linguagem usada em caça, quando se lançava um grito ao localizar o objeto do próximo churrasco.

E falando em churrasco, agora pretendo fazer um para a gente, no qual vou tentar repor as proteínas gastas tentando iluminar a sua pobre mente.

Chega de perguntas e de sabedoria, vamos relaxar um pouco.

Resposta:

Passeando Na Pracinha

 

– Ai, meus santos, valei-me! De quem foi a idéia de fazermos um passeio na praça? Artur, largue essas lesmas! Robertinho, saia de dentro do chafariz! Joãozinho e Sidneizinho, larguem a Maria Tereza e a Helozinha! Val, cale a boquinha! Mariazinha, não se meta com o que os outros estão fazendo!

Se arrependimento matasse eu já era múmia!

Isto me irrita, Santa Rita! Isto nunca me aconteceu, São Judas Tadeu! Protegei minha fé, Santo André! Aonde isto leva, Santa Genoveva? É um horror, Santo Alaor! Eu quero dar um grito, Santo Agapito! Que isto chegue logo ao fim, São Serafim!

Zorzinho, desça já dessa árvore. Eu sei que você está apenas escrevendo, mas se cair e se machucar eu é que sou a responsável. E os outros, parem de gritar que vão acordar o Soneca ali, que é o único que não está incomodando, bendita seja a sua preguiça

Crianças, crianças, vamos sentar e abrir os nosso lanchinhos e falar de coisas interessantes. Vamos fazer uma roda… assim… Joãozinho, tire a mão daí. Maria Tereza, sente ali com a Mariazinha que de inocente não tem nada e pode ensiná-la a evitar certos avanços.

Vamos começar a merendinha. Olhem ali os balanços. Depois, se eu ainda estiver viva, nós vamos nos organizar e andar neles.

Sabiam que esse nome vem do Latim? Pois, nesse idioma, lanx era o nome que se dava ao prato de comida. Como os equipamentos para avaliar peso de objetos eram dotados de dois pratos, um para o objeto a ser avaliado e outro para os pesos de valor conhecido, ele se chamou bilanx, “dois pratos”, o que deu a nossa balança.

Como o ato de pesar implicava num movimento de oscilação, de vaivém, a palavra “balançar” acabou se aplicando ao ato de fazer esse movimento. Logo, nós chamamos de balanço esse brinquedo tão conhecido.

Sim, Ledinha? O seu lanche é balanceado? Eu sei que essa palavra agora até figura em alguns dicionários, mas não gosto dela . Ela é mais uma das traduções que são feitas apenas com base na semelhança entre certas palavras do Português e do Inglês.

Neste idioma, to balance significa simplesmente “equilibrar”. Para eles, algo balanced é algo equilibrado, bem repartido, como se diz de uma ração que contém tudo o que é necessário para os nossos animaizinhos domésticos.

Já que citamos equilibrar, esta palavra vem do Latim aequi, “igual”, mais libra, “peso”. Uma situação equilibrada, em termos de balança, é a que tem pesos iguais em ambos os pratos.

Aliás, essa noção de comparar pesos está na origem de nomes de algumas moedas. Por exemplo, o peso, moeda de mais de um país de fala espanhola. Ocorre o mesmo com a libra inglesa, que ostenta ainda o nome latino .

Aliás, vocês sabem por que antigamente as moedas tinham a borda serrilhada? Acontecia muitas vezes de as pessoas que lidavam com grande quantidade delas, como banqueiros e agiotas, rasparem um bocadinho da borda das moedas de ouro e prata.

Com isso, os safados iam juntando pó de metais valiosos que mais tarde iriam fundir e vender. Imaginem isso sendo feito muitas vezes numa moeda; ela acabava perdendo uma parte significativa do seu peso e seu valor. Quando as moedas começaram a ser cunhadas com uma serrilha nas bordas, uma pessoa podia se recusar a aceitar a moeda se ela estivesse lisa ali.

Foi uma idéia genial. E o interessante é que a serrilha se manteve em muitas moedas, apenas por tradição, mesmo depois que elas deixaram de ser feitas de ouro ou prata.

Mas olhem ali: uma criança acaba de se estatelar caindo do escorregador. Parem de rir! Esta palavra vem do Latim excurricare, de excurrere, que queria dizer “fazer uma incursão, um avanço militar”. Em nosso idioma, acabou com o sentido de “deslizar”.

Em Latim, “escorregão” se dizia lapsus. Até hoje as pessoas cultas dizem, quando alguém dá um fora falando, que houve um lapsus linguae, um “escorregão da língua”. Também se diz lapsus calami, “escorregão da pena”, quando alguém está escrevendo e lhe sai uma expressão errada, viu, Zorzinho? Cuide muito com o que você escreve.

E um aviso para quem fala muito: quanto mais se fala, mais fácil dar um fora. Os romanos já diziam: “Ninguém se prejudicou por calar, se prejudicou por falar”. Ouviu, você aí, minha jovem? Ah, claro que não ouviu, está matraqueando sem parar desde que chegou.

– Como, Humbertinho? A origem de matraca? Você é mesmo um amor, pedindo para a Tia Odete dar a origem de mais uma palavra. Mirem-se no exemplo deles, vocês! Tão pequeno e já tão paradigmazinho.

Matraca é uma palavra que vem do tempo em que os Árabes dominaram a Espanha e Portugal. Na época, mitraka queria dizer “martelo de madeira”. O nome foi atribuído depois a peças de madeira articuladas de modo a fazerem ruído quando giradas. Da noção de “ruído” é que vem o nosso verbo matraquear, significando “falar sem parar”, sabia, Val?

Não, Humbertinho, não chore! Quando eu o chamei de paradigma, eu quis dizer que você é um exemplo para os outros. Esta palavra vem do Grego; é formada por para-, “do lado”, mais deykninai, “mostrar”. Quando uma coisa é mostrada lado a lado com outra, fica mais fácil distinguir qual é a melhor. Esta palavra grega também foi a fonte de algo que toda criança deve aprender a usar, que é o dicionário.

Alguém aí, solte já esse pobre pato! Quem foi que o colocou aí dentro? Bem que eu estava achando estranho ver aquela mochila se agitando sozinha ali junto da árvore, mas estava tendo muito trabalho para controlar a turma.

Foi só quando o bicho botou a cabeça de fora que eu vi o que estava acontecendo. Deixem-no ir para a sua casinha, que é o laguinho, e para os seus filhinhos, que estão ali adiante.

Vocês sabiam que o nome deste palmípede vem do Italiano patta, e que este deve vir do Germânico, e que é o-no-ma-to-pai-co, isto é, imita o som que o animal faz caminhando ? Olhem: pat, pat, pat, lá vai o pato, pata aqui pata acolá…

Eu estou vendo que há alguém querendo entrar de novo na água do chafariz para molhar os pés. Nada feito. Vamos fazer assim: você desiste e eu lhe conto que essa palavra vem do Árabe çahrij, que eles usavam para designar um poço ou tanque dágua.

Não está lindo aqui na praça, crianças, com este céu azul-profundo de outono e as folhas secas caídas das árvores?

Sabiam que a palavra praça vem do Latim platea, que queria dizer “rua larga, praça para reuniões públicas”?

E que árvore também vem do Latim, onde era arbor? Existe um verbo descendente daí, arvorar. Significa “erguer, levantar alto como uma árvore”.

Assim se pode dizer “O conquistador arvorou a sua bandeira na cidade vencida”. Também “O político se arvorava em salvador da pátria mas não deu certo”, em alguns casos.

Que é isso? Parem de atirar comida uns nos outros! Que desrespeito, que frege! Noutro passeio destes é que não me pegam. Não sei onde eu estava com a cabeça quando aceitei trazer a turma. Santa Eunice, que burrice! Santa Inês, que estupidez! Santa Teresa, estou indefesa! Ai, minha Santa, eu fui uma anta! E de ficar sentada no chão, minha Santa Cunegunda, já estou com dor na traseira!

Taí, passeio é mais uma palavra latina. Vem de passus, particípio passado de pendere, “estender”.

Os romanos se basearam no passus para medir comprimentos; um conjunto de mil passos dava uma milha, cerca de mil e seiscentos metros. Antes que alguém pense que os passos deles eram enormes, com um metro e sessenta centímetros, é melhor esclarecer que o passo para eles era o duplo, isto é, era contado até onde chegava o pé que estava imóvel ao romper a marcha. Dá dois dos nossos passos, conforme os contamos hoje.

E olhem aquela criancinha com o triciclo colorido – parados aí!! Nada de ir lá e tomar o brinquedo dela! Quietos. Eu ia dizer que essa palavra vem de tri, “três”, mais kyklos, “redondo” em Grego.

Esta última palavra originou muitas outras em nossa língua. Uma delas é o cíclope, um gigante enorme com um olho só, redondo, bem no meio da testa, muito feio e fedorento, que adora comer crianças. Coloca duas ou três inteiras na boca e fica mascando como se fosse chiclete, por um tempão, antes de engolir.

Eu tenho uns amigos que são cíclopes e que, aliás, gostam de vir passear nesta praça. Eles gostam muito de crianças. Dizem que, quanto mais malcriada, mais gostosa.

Bem. Agora que vocês estão tão quietinhos, nem sei por quê, vou aproveitar para dizer que bicicleta é uma palavra formada que nem triciclo, só que com duas – bi – rodas.

E motocicleta é um veículo de duas rodas a motor.

– Hein? E com quatro rodas? Pois existe o quadriciclo, que é um veículo muito perigoso quando as pesoas resolvem usá-lo para subir e descer morros. Não, um automóvel não é chamado de quadriciclo porque já tinha recebido o outro nome, mas a rigor é um quadriciclo. E se chama automóvel porque “leva a si mesmo”, porque é móvel por conta própria, sem ser puxado por animais.

Falando em veículos, olhem só, está chegando a hora de voltar. Nossa camionete já está manobrando ali adiante. Vamos juntar nossas coisinhas e…

Cadê aqueles quatro? Saiam já de trás das moitas! Meninas, eu já não disse que não é para ir atrás da conversa desses dois? Zorzinho, largue um pouco este caderno de anotações e ande! Acordem o Soneca ali! Artur, deixe as lesmas no lugar. Não quero saber se você ia cortar os olhinhos delas com tesoura em casa. E isso não é pensamento científico coisa nenhuma.

Botem o pato de volta! Não arranquem flores de lembrança! Não juntem pipocas do chão! Deixem os brinquedos das outras crianças! Não se espalhem! Vocês dois, desçam da árvore!

Santo Irineu, por que eu? Santa Clemência, dai-me paciência! Santa Sofia, dai-me sabedoria! São Justino, devolvei-me o tino! São Bernardo, livrai-me deste fardo!

Sabem quando é que eu vou acompanhar vocês noutro passeio? No dia de São Nunca!

Resposta:

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