Palavra cama

Pergunta #11921

Palavras: cama , camarinha

Salut! “Camarinha” é mesmo uma cama com dossel? Ou apenas diminutivo de câmara (cama)? Vai daí que cama vem de…
Na música SENHORINHA, do Guinga, ele rima lindamente as duas palavras. Farofinei, acho.

Resposta:

Entre os significados dessa palavra estão “quarto”, “clareira no mato”, “prateleira”, “esconderijo de malfeitores”, “gota de líquido espalhado sobre uma superfície”, mas não vimos “cama”.

Sua origem é o Latim CAMERA, “aposento com teto em arco”, do Grego KAMARA, idem.

E “cama” é do Latim CAMA, “leito grosseiro”.

Viagens

– Passei de ano, Vô! Estou de férias e agora vou poder fazer uma viagem com os meus pais! – eu havia irrompido barulhentamente no gabinete cheio de livros do meu avô, muito contente por lhe dar a notícia, recém recebida no meu colégio, que ficava perto dali.

Ele me olhou com ar indiferente:

– E daí? Porque cumpriu com uma obrigação se acha grande coisa agora? – mas não conseguiu manter o disfarce e me deu um grande, quente, alegre e demorado abraço – em todo caso, parabéns!

Ele não me enganava. Eu sabia que ele se entusiasmava com as minhas vitórias, apesar de tentar aparentar indiferença. E eu me encantava com a emoção que fluía entre nós nessas ocasiões, um sentimento cúmplice, pouco falado mas captado com nitidez.

– Então vocês vão fazer uma viagem, é? Vão descansar, soltar-se um pouco… É muito bom, principalmente quando a pessoa deu duro para isso.

– Vô, isso me lembra que, no outro dia, vi escrita a frase “Ele era um grande viajor”. Não consegui entender esse erro.

– Não foi erro, rapaz. Ai, a falta de vocabulário! Viajor é sinônimo de viajante, “aquele que viaja, que se desloca em trajetos longos”. Ambas vêm de viajar, que vem do Latim viare, “viajar”, que por sua vez vem de via, “caminho, trilha, estrada”. Viare era, digamos, “pegar a estrada”.

Além dos caminhos terrestres podemos trilhar outros. Existe a palavra viático, que quer dizer “as provisões para uma jornada, para um deslocamento”. Essa palavra se aplicou também ao sacramento que se faz para uma pessoa doente ou prestes a fazer sua última viagem.

Temos também palavras para viagens mais curtas – uma excursão, por exemplo. Essa palavra vem do Latim excursum, particípio passado de excurrere, “correr fora”, formado por ex-, “fora”, mais currere, “correr”. E esta, por sua vez, vem do Indo-Europeu kers-, “correr”.

Note-se que uma viagem, por curta que seja, implica em um deslocamento, palavra essa que vem do Latim des-, “fora, ação reversa”, mais locare, “colocar”, de locus, “lugar”.

– E um passeio, Vô?

– Esse vem de passar, pois é o que a gente faz ao longo dele. E passar vem do Latim passare, “pisar, caminhar, passar”, de passus, “passada, ritmo da caminhada”. Relaciona-se com o verbo pandere, “espalhar, esticar (a perna)” e vem de uma raiz Indo-Européia pete-, “espalhar”.

Outra palavra que derivou daí foi pétala, do Grego pétalon, “folha”, pois estas se espalham a partir da planta.

Quando você estiver passeando e parar para apreciar as pétalas de uma flor, lembre-se disso.

– E o marca-passo que colocaram no nosso vizinho, o Seu Venâncio? Que eu saiba não foi nas pernas e sim no coração.

– Certo, Sherlock Holmes; embora ele sirva para a pessoa poder passear e evitar que ela passe desta para melhor, ele é colocado no coração para lhe corrigir o ritmo. Essa palavra se começou a usar em 1951 e é tradução do Inglês pace-maker, que originalmente (em 1884) era o nome dado ao tripulante de uma embarcação a remos que ditava o ritmo dos esforços para coordenar os demais atletas. Pace aqui está no sentido de “ritmo”.

– Meus pais estavam falando sobre a viagem no outro dia e citavam um vau… vau…

Voucher. Essa é uma palavra inglesa que se usa como tal, embora tenhamos as nossas. É o nome dado a um papel que a gente entrega no hotel de destino para demonstrar que já reservamos nosso quarto e já pagamos e que não devem tentar nos enrolar. Vem do Francês voucher, “chamar, convocar, clamar”, do Latim vocitare, “chamar insistentemente”, de vocare, “convocar, chamar”, que deriva de vox, “voz”.

Outra palavra inglesa que usamos como se não tivéssemos substituto em Português é charter; usa-se para designar um avião ou ônibus alugado especialmente para determinado grupo. Ela vem do Francês charter, que vem do Latim chartula, diminutivo de charta, “papel, documento”. Também se refere ao documento que comprova a transação.

– Quando a gente vai a outros lugares nós gostamos muito de caminhar. Esta palavra foi inventada porque a gente se cansa fazendo isso e depois só pensa numa boa caminha?

– Muuito engraçadinho este meu neto. Não tem nada que ver com cama, que vem do Latim cama, “leito estreito e baixo”; vem é do Latim vulgar camminus, “via, caminho, roteiro”, de origem Celta .

Falando em caminhar e dar voltas, me ocorre a palavra turismo. Ela vem do Francês tourisme, de tour, “ao redor, circuito, volta, circunferência”, que vem do Latim tornare, “polir, arredondar, girar como num torno”, que veio de uma fonte Indo-Européia ter-, “dar voltas, dobrar”.

Existe algo chamado city-tour, que é um passeio em ônibus numa cidade para conhecer os seus pontos principais. Vale a pena fazer logo que se chega a uma cidade desconhecida, para poder escolher passeios mais demorados depois.

Turismo, no sentido de “viajar”, se usa desde o século 17.

Ecoturismo eu sei o que é, Vô. É quando as pessoas viajam para achar montanhas que tenham eco, para poderem gritar e se divertir com o fenômeno, acertei? – o velho olhou ao redor, como procurando uma arma para me abater.

– Tá bom, acho que não era bem isso… Explique então para mim, Vô – eu disse com o meu ar mais anjinho-de-teto-de-igreja.

Ele me fulminou com um olho, mas o outro mostrava que ele estava se divertindo:

– Esse é o turismo ecológico, no qual as pessoas vão ver a natureza, águas, bichos em extinção, etc., para poderem voltar horrorizadas com o nosso futuro. O nome foi criado em 1873 pelo zoólogo alemão Ernst Haeckel, a partir do Grego oikos (pronuncia-se “écos”), “casa”, mais logia, “estudo”.

Existem outras formas de turismo orientado, como por exemplo o gastronômico, palavra que foi criada em 1800 por um francês, Joseph de Berchoux, como título de um poema sobre viver bem. Ele a fez a partir do Grego gastros, “estômago”, relacionado com gran, “comer, morder”. Neste turismo, as pessoas viajam a lugares famosos por seus pratos e restaurantes. Alguns sabem comer bem, outros só querem encher o bucho de forma cara para poderem se exibir depois.

– Não há gente que viaja para ver prédios também?

– É o turismo arquitetônico, de pessoas que se deslocam para conhecer palácios, castelos, ruínas e outras manifestações da engenharia antiga. Essa palavra vem do Grego arkhitekton, “mestre de obra, mestre construtor”, formada por arkhi, “chefe”, mais tekton, “construtor, carpinteiro”.

– Ah, daí as placas arquitectônicas? Ou placas teutônicas? Nunca sei direito.

– Se a sua capacidade de dizer besteira se transformar um dia em riqueza, prometa cinco por cento dos lucros para o Avô que tanto o agüenta agora. Olhe aqui, as placas são tectônicas, de tektonikós, “relativo à estrutura,à construção”.

E você sabe muito bem que teutônico se refere aos Teutos, um povo que vivia na Alemanha há muito tempo.

Mas falar sobre turismo com você me deixou com fome e sede. Vamos fazer uma excursão gastronômica à cozinha, para ver o que é que a gente consegue surripiar?

Resposta:

Móveis Domésticos

Todos nós crescemos entre móveis, em maior ou menor quantidade, mais refinados ou não. De qualquer maneira, eles são uma característica que acompanha os seres humanos desde as primeiras casas. Todos eles têm nomes, e estes nomes naturalmente têm suas origens. Agora vamos passear entre elas.

MESA – do Latim mensa, “mesa”.

Para todos aqueles que dão mesadas para os filhos: esta palavra vem do Latim mens, “mês”, e não de mensa.

Nas eleições, aqueles que se colocam atrás das mesas para controlar os procedimentos são os mesários.

CADEIRA – vem do Latim cathedra, “cadeira de braços”. Era um assento especial, dedicado às autoridades, aos professores e , mais tarde, às autoridades eclesiásticas.

Ainda hoje um catedrático é uma categoria de professor dentro das universidades. A matéria que ele ensina, por isso, se chama cátedra ou cadeira.

As cadeiras, aquela parte do corpo logo abaixo da cintura, levam esse nome porque são a parte que se acomoda ao sentarmos.

BANCO – do Germânico banka, mais exatamente “mesa”. Talvez porque uma mesa pequena destas servia também para sentar, adquiriu para nós o sentido de “assento sem encosto”. Banqueta é um diminutivo, não implicando em grande diferença na prática.

Na Idade Média e mesmo antes, os negociantes de câmbio e empréstimos se colocavam atrás de uma mesa para efetuar seu comércio. Daí veio o nome banco para “instituição financeira”. Se acontecia de eles irem mal nos negócios e ficarem sem condições de trabalhar, a mesa deles era quebrada, de onde nos veio o nome bancarrota, “banca quebrada” em Italiano.

ESCABELO – poucos conhecem esta palavra atualmente. Trata-se de um banquinho bem baixo ou de um apoio para os pés, do Latim scamnum, “estrado”. Mas ele fez parte de muitos romances medievais, onde era o móvel em que o jovem e belo menestrel se sentava para tocar o alaúde para a bela princesa. Conforme o sucesso que fazia, isso podia separar definitivamente a cabeça do pescoço dele, por ordem do rei.

CAMA – do Latim cama, “cama estreita”, provavelmente de origem ibérica.

Um aviso: camaleão nada tem a ver com este assunto. Vem do Grego kamailéon, “pequeno leão”. Camarada tampouco; esta era uma pessoa em quem se podia confiar, tanto que dava para ficar no mesmo aposento que ela (do Grego kamara, “arco” e depois “peça sob teto arqueado, quarto”).

CABIDE – é sempre bom ter um destes para não acabar espalhando a roupa sobre os móveis da casa inteira. Esta palavra vem do Árabe qabda, “garra, gancho”, o que dá uma boa idéia da sua forma e função.

Mas galinha de cabidela não é uma galinha pendurada num cabide pequeno, não. Trata-se de uma galinha preparada com os seus miúdos, também do Árabe kabid, “fígado”.

Há um nome agora pouco usado para “cabide, suporte”, que é mancebo. Esta palavra vem do Latim mancipius, de manu captus, “agarrado à força”. Nas guerras que impuseram o domínio romano à Europa, os jovens mais capazes e mais fortes eram preferidos para escravos.

Trabalhando nas cidades dos seus captores, muitas vezes eles se transformavam em “suporte” da casa pelas suas habilidades e pelo vigor da sua juventude. Daí essa palavra ser aplicada ao móvel, bem como ao homem jovem.

Quando o marido militar saía para suas guerras, para fazer mais escravos, o mancipius às vezes prestava outro tipo de serviços caseiros, mas isto é uma publicação de Etimologia e não de fofocas, razão pela qual nos calaremos.

ARMÁRIO – antigamente era o móvel onde eram guardadas as armas. Mais tarde esse nome se generalizou para móveis com portas onde se guardava todo gênero de objetos.

GAVETA – uma das coisas que é bom um armário ter são gavetas. Este nome vem, estranhamente, de um prato de madeira usado para comida nas embarcações da Idade Média, do Latim gabata. Chegou ao nosso idioma através do Italiano gavetta.

ESTANTE – outra coisa de que um armário precisa são estantes. Tal palavra deriva do Latim stare, “estar, ficar de pé, ficar firme”. Se uma estante não está firme e cai, é porque ela se encontrava instável, de in-, negativo, mais o mesmo stare, ou seja, “não ficava firme, não se mantinha em pé”.

PRATELEIRA – é um sinônimo da palavra anterior. Há duas versões para a sua origem. A primeira, que por mais simples parece ser a mais provável, é de que vem de prato, já que estes eram guardados sobre estas divisórias horizontais.

A outra diz que vem de pratel, “utensílio de metal branco”, que viria de prata.

APARADOR – vem do verbo latino aparare, “dispor, preparar”. É um móvel que “apara”, isto é, “sustenta” coisas. É o mesmo que a seguinte.

BUFFET – esta palavra, que quase só conhecemos de um restaurante com certo tipo de serviço, é o nome do móvel onde são colocados os alimentos que a casa coloca à disposição da clientela.

É uma palavra francesa, com origem indeterminada. Tentou-se aportuguesá-la para bufete, mas ao que parece a idéia não vingou.

BALCÃO – do Lombardo balko, “estaca, trave”, através do Italiano balcone. Em Espanhol se usa para nomear o que por aqui chamamos de “sacada”.

BAR – é praticamente o mesmo móvel acima, só que é o sonho do pessoal que gosta de beber. Vem do Francês antigo barre, “obstáculo, barreira”. Recebeu esse nome porque era um móvel longo que separava os atendentes dos clientes das tavernas, servindo para colocar sobre ele o que a casa oferecia.

Em Inglês, bar também significa “o exercício do Direito”, em alusão ao estrado com mesa que separa o juiz do resto do tribunal.

ROUPEIRO – é o lugar onde se guarda a roupa, evidentemente. E a palavra roupa vem do Germânico raupjan, “despojar, retirar as vestimentas”. É mais uma das palavras ligadas a ações guerreiras que herdamos desse povo.

ESCRIVANINHA – é um móvel para escrever, de scribanus, “aquele que escreve, escrivão” em Latim. É mais um móvel que tende a desaparecer, substituído pela mesinha do computador. Pode ser chamada também de birô.

BIRÔ – é um aportuguesamento do Francês bureau. E esta palavra vem de burel, o tecido grosseiro de lã que era usado para cobrir as mesas dos escriturários após o trabalho. O nome do tecido vem do Latim burrus, “avermelhado”, ligado ao Grego pyros, “fogo”.

SOFÁ – vem do Árabe çuffa, pelo Francês sofa. Originalmente, era usado para designar uma almofada grande sobre estrados de madeira. Mais tarde esse arranjo foi transformado num móvel inteiriço.

POLTRONA – do Italiano poltro, “cama”. Gradualmente o nome acabou aplicado a uma espécie de sofá para uma só pessoa.

Como o sujeito que gostava de passar o dia deitado no poltro o fazia por não gostar de muita atividade,a palavra poltrone acabou sendo usada para designar um preguiçoso, um folgado. E como uma pessoa com estas características não costuma ser das mais bravas em combate, a palavra poltrão hoje em dia designa um indivíduo covarde.

CLOSET – é uma palavra estrangeira, mas quem a colocou em uso não se importou com esse fato, e agora ela é bastante usada. Vem do Inglês close, que por sua vez vem do Latim claudere, “fechar”. Closet ficou como diminutivo de “local fechado”, que é como se apresenta hoje esta pe
quena peça para guardar roupas e se vestir.

CRIADO-MUDO – parece ser uma tradução direta do Inglês dumb-waiter, “pequena mesa portátil ou elevador para alimentos”, onde dumb tinha o significado de “estúpido, incapaz de iniciativa” e waiter, de “criado”.

A idéia era a de comparar o móvel a um criado que não ouviria ou entenderia o que os patrões dissessem, o que era difícil numa época em que eles se encontravam em todas as partes da casa.

“Mudo” vem do Latim MUTUS, o que não fala”.

TAPETE – sem ser um móvel propriamente, o tapete pode ser de muito uso numa residência. A palavra vem do Latim tappetum, do Grego tapes, “coberta, tapete”.

Resposta:

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