Palavra fósforo

FONTES DE LUZ

 

 

O único animal que consegue produzir luz com meios artificiais é o Homem, já notaram isso?

Para poder enxergar à noite, ele inventou numerosos métodos e dispositivos, usando materiais diversos. Esta edição se dedicará a informar a origem da denominação de vários deles e seus correlatos.

LUZ – do Latim lux, “luz”, do Indo-Europeu leuk-, “luz, brilho”.

FOGO – é o mais básico dos métodos de produzir luz e calor: aquecendo o suficiente diversos tipos de materiais, eles entram em combustão e ionizam o ar próximo, estimulando os átomos do combustível a emitir fótons, ou seja: luz.

“Fogo” vem do Latim focus, “lareira, local de fazer fogo numa casa”.  E, sim, o “foco” das lentes recebeu esse nome a partir daí, pois é o ponto onde convergem os raios luminosos e no qual a temperatura fica mais alta

FÓTON – já que o citamos acima, esta palavra foi criada em 1926. Foi feita a partir do Grego phos-, “luz”, mais on, aqui com o sentido de “unidade”.

FÓSFORO – para acender uma fogueira muitas vezes se usa um destes, cujo nome vem do Grego phosphoros, que se aplicava à Estrela da Manhã (o planeta Vênus em sua aparição matutina).

Literalmente, queria dizer “aquele que traz a luz”, “portador de tocha”, de phos-, “luz”,  mais phoros, “portador”, de pherein, “levar”.

ISQUEIRO – é outra maneira de iniciar um fogo. Deriva do Latim esca, “pasto, nutrição”. Os isqueiros antigos dependiam de um material de fácil combustão e bem aerado para iniciar a chama com facilidade, a “isca”.

O sentido de “isca” para pegar peixes ou, metaforicamente, atrair alguém para uma cilada também vem do significado de “alimentar”, “oferecer algo atraente”.

FAÍSCA – basta uma para começar um incêndio, todos sabem. Esta palavra viria do Germânico falawisk, “centelha, faísca”.

CENTELHA – veio do Latim scintilla, “faísca, pequena luz”.

FAGULHA – latina; de facucula, diminutivo de facula, “tocha, archote”.

TOCHA – do Latim torquere, “enrolar, torcer”, já que as tochas antigas eram muita vezes feitas com uma corda enrolada e embebida em cera ou breu.

ARCHOTE – do Espanhol hachote, “tocha”, que viria talvez do Latim fax, “feixe”, pois era possível improvisar uma tocha com um feixe de ramos secos.

LÂMPADA – finalmente vamos deixar de lado essas coisas que a gente só vê em filme e lidar com algo mais moderno, certo?

Errado.  Esse nome se aplica a objetos usados para fazer luz, em geral dependentes de óleo, há milênios.  A que usamos em nossas casas é apenas um dos tipos, este de funcionamento à eletricidade.

Seu nome vem do Grego lampas, “tocha, raio de luz, meteoro luminoso”, de lampein, “brilhar”.

LAMPIÃO – do Italiano lampione, “lâmpada grande”.

LANTERNA – bem, esta sim é moderna, com as pilhas e tudo… Não?

Não. Esta palavra está em nosso idioma pelo menos desde o século XIII, lá pelos anos mil e duzentos, imaginem só.

Claro que o aparelho era bem diferente, possuindo material transparente ou diáfano disposto ao redor de uma fonte que dava luz por combustão.

Era já lanterna em Latim, vindo do Grego lampter, “tocha”, do nosso já conhecido verbo lampein.

VELA – quando falta energia elétrica, precisamos recorrer a esse artefato de cera com uma mecha.

Seu nome deriva do Latim vigilare, “cuidar, observar, vigiar”. Em outras épocas, isso muitas vezes era feito à luz oscilante de uma vela.

Aliás, obras imortais também nasceram ao seu bruxulear.

BRILHO – veio do Latim brillus, “qualidade daquilo que emite luz ou dá reflexos”, derivado do Grego beryllos, o nome de uma pedra que devolvia intensamente a luz.

FAROL – esta construção que salvou muitas vidas deve seu nome à ilha de Pharos, junto à cidade de Alexandria, no Egito.

Nesta pequena ilha do seu porto se ergueu um prédio muito elevado (120m a 140m, dizem) para abrigar o fogo que orientaria os viajantes até à segurança da terra.

Ele figura entre as sete maravilhas da Antiguidade e até hoje é lembrado nesta palavra.

SEMÁFORO – este dispositivo também salva muitas vidas. E salvaria mais se os motoristas obedecessem a ele.

Vem do Francês sémaphore, composto do Grego sema, “sinal”, mais phoros. Ou seja, é um aparelho para indicar sinais de trânsito.

CANDELABRO – do Latim candelabrum, originalmente “vela”, de candela, “tocha, vela, objeto em ignição para emitir luz”, relacionado a candere, “brilhar”.

Resposta:

Depois da Partida

O assunto de hoje talvez assuste muita gente, mas não se pode negar que ele lida com um dos acontecimentos infalíveis na vida de todos.

TUMBA – vem do Grego tymbe, “tumba, local de enterro”, do verbo tymbeúo, “enterrar”.

Esta palavra é relacionada com o Latim tumere, “inchar”. Daqui veio intumescer em Português.

Tumulus em Latim significava “altura, elevação, monte de terra”. Sempre que se enterra algo fica um montículo sobre a escavação, como um inchaço. Por isso, essa palavra passou a indicar “terra amontoada” e depois qualquer lugar onde se coloca uma pessoa para o seu descanso final.

CRIPTA – em Grego, kryptós significava “escondido, oculto, secreto”. Daí temos “cripta” em nosso idioma, basicamente “câmara subterrânea”, mas quase sempre usada em assuntos post-mortem e histórias de terror em geral. O mocinho perdido com a mocinha atarantada numa cripta, com alguma coisa muito feia dando risadas e tentando pegá-los é um clichê de cinema já visto por todos.

Aliás, quanto mais tolo o filme, mais o vilão ri, já notaram?

Pelo Latim crypticus temos “críptico”, ou seja, “aquilo que tem significados ocultos”, agora muitas vezes com conotação de “difícil de entender”. Outro derivado é apócrifo, que é o texto de autoria “escondida”, isto é, desconhecida. Há um enorme número de palavras técnicas derivadas de kryptós, como: criptogâmico (gamós, “casamento”: plantas com órgãos reprodutores ocultos); criptografia (grafós, “escrevo”: escrita oculta, cifrada); criptorquidia (orkos, “testículo”: ocorre quando este não se posiciona no lugar correto); fora uma pilha de outras que a gente encontra nos dicionários.

SEPULCRO – o Sânscrito sapati, “ele serve” gerou o Grego hepein, “cuidar, providenciar”. Descende daqui a palavra latina sepelire, “fazer desaparecer, enterrar”, a qual gerou sepulchrum, que não precisamos traduzir. A palavra sepélio era bastante usada até uns tempos atrás, mas agora parece estar restrita apenas ao falar culto. Na época em que os enterros eram anunciados por cartazes muito sérios, em preto e branco, colados nos postes do bairro do falecido, era comum ler-se que “o sepélio se dará a tais horas…”

O particípio passado de sepelire era sepultus, “enterrado”, de onde temos sepultura. Outra palavra correlata que caiu em desuso é féretro, o caixão de defunto. Ela vem do Grego phero, “levar, conduzir”, através do Latim ferre, do mesmo significado. “Conduzir” para o mundo subterrâneo, é claro.

ATAÚDE – vem do àrabe at-tabut, “a caixa, a arca”. Desnecessário explicar mais, não?

ESQUIFE – do Longobardo skif, “barco estreito”. A palavra, além do significado de “caixão de defunto” ainda mantém o de “pequena embarcação”, em geral levada a bordo de outra maior e usada para se ir desta à terra, em lugares onde não há cais de atracação. Continua sendo um modo de transporte entre uma vida e outra. Note-se a quantidade de derivadas de vários idiomas que temos para designar a mesma coisa. Há quem pense que isso ocorre porque as pessoas, pouco à vontade com esse assunto ou francamente supersticiosas, deixavam de usar uma palavra e passavam a outra para não chamar a atenção da Inevitável Senhora.

Mas… e depois da cerimônia terminada? Muitos – geralmente aqueles que se sentiam com algum tipo de dívida – dizem ter visto aqueles que partiram sob a forma de …

FANTASMA – do Grego phantázein, “fazer aparecer”, por sua vez derivada de phaínein, “mostrar”. Esta palavra e seu sentido são ligados a phos, “luz”, pois a presença dela nos mostra o que há para ver.

Uma palavra aparentada de “fantasma” é “fantasia”, querendo dizer algo que não é real, que só existe na imaginação. Passou também a significar “disfarce usado em festas”.

Muitas vezes os fantasmas são descritos como seres meio transparentes; eles são diáfanos, do Grego dia, “através” e phaínein. Ou seja, pode-se enxergar através deles. “Ser mostrado, aparecer”, era dito, em Grego, phainomai. Em Latim, esta palavra gerou phenomenon, que inicialmente tinha o sentido “tudo aquilo que é percebido pelos sentidos”.

Agora a palavra fenômeno é usada para qualificar o que é inusitado ou estranho. A tendência mais recente é usá-la para qualificar algo com destaque muito positivo, como um gênio em algum ramo da arte ou do esporte.

Outra palavra de muito uso que deriva de phos é fase, que veio direto de phasis, “aparência”. Ela significava “forma aparente da lua”. Ainda hoje há quem corte o cabelo de acordo com a fase da lua. O significado astronômico original levou a uma extensão metafórica e fase acabou tendo o sentido de “estágio ou momento em uma seqüência de eventos”.

Falando tanto em phos, não podemos deixar de lado os fósforos. Esta palavra se forma de phos e phoros, “levar”. Ela era usada para designar o planeta Vênus em sua aparição ao alvorecer: “aquele que leva a luz”. O Latim apresenta o seu exato equivalente: lucifer, de lux, “luz” e ferre, “portar”. Ou seja, “o que traz a luz”; uma confusão de palavras na tradução da Bíblia acabou grudando esse nome no Príncipe das Trevas. Talvez ele até goste, mas não era esse o seu nome de batismo. A palavra fósforo passou a ser aplicada a qualquer substância que brilhasse;no século 17, foi usada para designar o elemento químico Fósforo, que se destaca por entrar em combustão quando exposto ao ar.

Fósforos, os palitos que pegam fogo quando atritados contra uma lixa, são uma aplicação comercial da palavra.

Resposta:

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