Palavra mare

MAR

 

Os seres vivos tiveram seu início no mar. Ele ainda faz as delícias das pessoas que o visitam, enchendo-as de areia, fazendo-as ouvir o som furioso dos altofalantes da orla, mostrando os hábitos do pessoal da farofa, etc.
Muitas palavras se relacionam a ele, como:

MAR  –  do Latim mare, “mar”, do Indo-Europeu mari-, “massa de água, mar, lago”.

 

MAREADO  –  é o sujeito que se sente tonto, nauseado. Deriva de mar, fazendo lembrar que muitas pessoas sofrem de uma alteração dos órgãos sensores do equilíbrio quando são muito sacudidas, tal como acontece quando estão num navio em mar agitado.

 

NAUSEADO –  de náusea, que veio do Latim nausea, do Grego nausia, de naos, “barco, navio”. Tem a mesma explicação que a anterior.

NÁUTICA  –  de naos; designa a arte de conduzir uma embarcação de um ponto a outro. Originou a palavra nauta, “marinheiro”. Ela agora é muito usada como parte de internauta, “o que navega na Internet”.

 

NAVEGAÇÃO  –   do Latim navigatio, “navegação”, de navis, “nau, navio, embarcação”. É o mesmo que a anterior.

Outra derivada é a palavra naval, “relativo a navios”.

 

MARINHA  –  do Latim marinus, “relativo ao mar”. Tanto pode designar a instituição que compreende o conjunto de navios de uma nação quanto um local de atracação de barcos. Evidentemente, marinheiro é aquele que faz parte da citada instituição.

Também se usa para nomear um quadro que mostra cenas de paisagens à beira-mar.

 

MARINE  –  não faz parte de nosso idioma, mas como muitas vezes surge confusão na tradução de filmes, vamos explicar que essa palavra inglesa designa os soldados, ou fuzileiros navais, que originalmente eram transportados por navios para lutar em outros países.

Por vezes ela é confundida com mariner, a palavra inglesa que designa “marinheiro” e que teve o seu lugar ocupado em grande parte por sailor.

 

MARÉ  –  também vem de mare; designa o movimento de subida e descida das águas marinhas por influxo da gravidade.

 

OCEANO – do Latim oceanus, do Grego okeanos, o nome de um grande
rio que contornaria todas as terras na Geografia grega dos tempos clássicos.
Ele é apenas uma convenção para facilitar a orientação humana.

 

CIRCUM-NAVEGAR –  ou seja, “dar a volta navegando”. Vem do Latim circum, “ao redor”, mais navigari.

 

VELEJAR  –  deslocar-se por meio de velas, do Latim vela, “véu, tecido, vela”.

 

PILOTAR  –   do Grego medieval pedotes, “timoneiro”, de pedon, “remo usado como leme”, de pous, “pé”.

 

REMAR  –  do Latim remus, “remo”.

 

NADAR  –  se tudo o que foi descrito acima não funcionou, resta fazer isto, que vem do Latim natare, “nadar”.

 

Resposta:

Sono

– Que é que foi, Ledinha? Ora, vejam só, nosso Soneca está dormindo, para variar. E no chão. Desta vez ele se superou. Acordem-no e façam-no sentar, que ele sabe muito bem dormir sentadinho na sua classe. Ele tem uma longa experiência nisso. E assim ele não se suja.

Como, Artur? De onde vem essa palavra? Bem, então hoje eu vou falar em sono e assemelhados.

Sono vem do Latim somnus, “sono”, do Indo-Europeu swep-, “dormir”. De sono se fez o apelido do Daniel, Soneca, um diminutivo. Quem não gosta de tirar uma soneca depois do almoço? No caso dele é antes, durante e depois, mas isso é lá com ele.

Outro derivado é insônia, do Latim in-, partícula negativa, mais somnium. A pessoa que tem dificuldades para se manter dormindo é insone.

E o sonambulismo vem de somnium mais ambulare, “andar, caminhar”, já que muitas vezes a pessoa caminha dormindo e depois não se lembra. Existem também, e até são mais comuns, os soníloquos, de somnius mais loquere, “falar”. São os que falam durante o sono.

Como é, Val? O marido de sua vizinha foi apanhado por ela em crise de sonambulismo? Bem, não parece nada de mais. Ah, ele estava entrando no quarto de uma parenta dela que estava passando uns dias com eles? Sei, está bem, vamos mudar de assunto. Não, não queremos saber o que foi que a sua vizinha fez com ele.

Como é? E a vizinha, por sua vez, é soníloqua e andou tendo uns sonhos esquisitos com um antigo namorado e disse o nome dele dormindo e arfando – não, também não queremos saber o que o marido fez com ela. Vamos falar noutras coisas.

Uma palavra que também derivou de swep- foi sopor, do Latim sopor, “sono profundo”. Como tal ela é pouco usada em Português, mas o seu derivado soporífico, “aquilo que dá sono”, como alguns remédios e certas aulas e palestras, está em uso.

Estão rindo de que? Parem de bocejar, seus engraçadinhos!!

Outra palavra que vem de sopor é insopitável, querendo dizer “o que não pode ser adormecido”. Parece que o seu vizinho, Val, tinha um desejo insopitável de visitar essa moça de que você falou, a ponto de se meter em encrenca.

Já que eu os mandei parar de bocejar, saibam que esta palavra parece vir de boca, que é o que usamos para isso.

Dormir, por sua vez, é um verbo que vem do Latim dormire, “dormir” mesmo, do Indo-Europeu dre-, “dormir”. Dormitório é um lugar para dormir.

Como, Ledinha? Se dormictório é um lugar onde se faz xixi na cama? Essa palavra não existe, pare de inventar, preste atenção!

Quando estamos com uma perna formigando e meio desobediente porque sentamos de mau jeito e atrapalhamos a circulação, dizemos que ela está dormente. Esta palavra designa também aquelas madeiras atravessadas debaixo dos trilhos do trem, porque elas ficam quietinhas ali, como se estivessem dormindo.

O oposto de dormir e de sono é vigília. Esta palavrinha vem do Latim vigilia, “ato de de velar, de prestar atenção”, de vigil, “acordado, cuidando, vigilante”. Origina-se do Indo-Europeu weg-, “ser forte, ativo”. Esta raiz também originou o Latim velox, “rápido, vivo, veloz”.

Quando a gente dorme à tarde, isso se chama sesta. Esse nome vem do Latim hora sexta, “a sexta hora”. Eles começavam a contar as horas a partir do amanhecer, de modo que a sexta hora se situava pelo meio-dia ou pouco depois, que é a hora em que a gente prefere dar uma dormida para escapar do calor.

Enquanto a gente dorme, surgem os sonhos, palavra que vem do Latim somnium mesmo. Se o sonho não for bom, nós o chamamos de pesadelo, que vem de pesado. É como se a gente sentisse um peso esmagando-nos.

Por exemplo, uma sacrificada e pouco reconhecida professora pode ter sonhos ruins recorrentes em que um grupo de aluninhos muito malcriados se muda para a casa dela e ela tem que cuidar deles para o resto da vida, tanto em casa quanto no serviço. É um peso terrível!

Hein? Se eu conheço alguém que sonhe com isso? Não, não, foi só um exemplo que me ocorreu…

Vamos continuar. Que foi, Robertinho? Você é que vai ensinar agora? Diga então.

Ai, ai, ai. Andou lendo aquelas revistas chutadoras de novo, não? Tá certo, nightmare é “pesadelo” em Inglês. Mas não vem da época em que os camponeses acordavam sonhando que havia uma égua pulando em cima da cama deles, não.

Sim, mare quer dizer “égua”. Sim, Robertinho, ter um sonho desses é ruim. Só que esse mare não é a “égua” moderna, vem de uma palavra do antigo Inglês, mare, que queria dizer “demônio noturno”. Por sua vez ela deriva do Germânico maron, “duende, ser fantástico”. Agora pare de ser teimoso e fique quietinho, tá?

Não, não, Ledinha, sonoro não tem nada que ver com isso que estamos estudando. Essa palavrinha vem do Latim sonus, “ruído, barulho, som”, não somnium.

Quando vejo certas pessoas com pouco entusiasmo pelo estudo, lembro-me de uma situação associada ao sono, que é a preguiça. Isso vem do Latim pigritia, “preguiça”, de piger, “lento, indolente”.

Pois muito bem, agora vocês todos podem ir para casa e ser preguiçosos por lá. Os seus pais que se arranjem. Mas antes acordem o Soneca e expliquem que está na hora de descansar.

Resposta:

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