Palavra plenipotenciário

PLENO

  

 Esta palavra deriva de uma raiz Indo-Europeia ple-, “estar cheio”. Esta deixou numerosa descendência nos idiomas europeus derivados do Latim, onde plenus significava “cheio, repleto, aquilo cujo espaço interior se encontra ocupado, o que se apresenta em toda sua potência”.

Vamos olhar alguns descendentes dela.

 

REPLETO  –  do Latim repletus, “totalmente cheio”, particípio passado de replere, “encher completamente, até o topo”, formado por re-, intensificativo, mais plere, “encher, completar”.

 

COMPLETO  –  do Latim completus, “cheio”, particípio passado de complere, “encher”, de com-, “junto, ao mesmo tempo”, mais plere.

 

CHEIO  –  vem diretamente de plenus, com alteração importante do som inicial.

 

PLETORA  –  esta palavra se usa mais em nossos dias para designar “o que é exuberante, o que tem abundância de energia ou vitalidade”.

Mas foi muito usada em Medicina para descrever um aumento do volume do sangue no corpo.

Ela vem do Latim plethora, “estado do que é cheio”, do Grego plethora, de mesmo significado, de plethein,  “estar cheio”.

 

TERRAPLENAR  –  vem de terra mais plenus. Ou seja, descreve aquilo que foi enchido com terra, como uma cavidade no solo.

 

PLENÁRIO  –  do Latim plenarius, “inteiro, completo”, de plenus. Uma sessão plenária de um Parlamento ou Poder é aquela em que todos os membros qualificados para tal comparecem. Ou pelo menos a maioria. Em alguns países não é bem assim.

O nome atualmente designa também o local onde são feitas essas reuniões.

 

EXPLETIVO  –  do Latim expletivus, particípio passado de explere, “encher, atulhar de”, formado por ex, “para fora”, mais plere.

Usa-se para designar um elemento da fala que serve apenas para dar realce ou encher uma frase, como a palavra só em “Imagina só quem eu encontrei”.

Em Inglês, expletive se refere também a um desaforo ou palavrão que não precisava estar no texto.

 

SUPLEMENTO  – do Latim supplementum, “aquilo que enche um recipiente”, de supplere, “suprir”, de sub, “de baixo”, mais plere.

Em Geometria, designa o ângulo que, somado a outro, completa os 180º.

 

COMPLEMENTO  –  do Latim complere, de com-, “junto”, mais plere.

Na Geometria refere-se ao ângulo que, somado a outro, forma 90º.

 

REPLEMENTO  –  de replere, o mesmo verbo que originou repleto. Usa-se em Geometria para o ângulo que forma 360º somado a outro.

 

PLENITUDE  –  do Latim plenitudo, “abundância, estado do que é cheio ou completo”, de plenus.

 

PLENILÚNIO  –   de plenus mais luna, “lua”. Os poetas de antanho é que gostavam de citar “encontros ao plenilúnio”, ou seja, sob a lua cheia. Em nossa cultura atual, o plenilúnio tem potencial maior de levar a um assalto do que a um poema.

 

PLENIPOTENCIÁRIO  –  do Latim medieval plenipotentiarius,  “aquele que tem completa autoridade”, de plenus mais potens, “o que tem poder, potência”.

 

PLENIFICAR  –  esta é pouco conhecida; significava conceder o grau de aprovação a um formando. Atualmente seu uso é “tornar completo, pleno”, de plenus mais facere, “fazer, tornar”.

 

IMPLEMENTO  –  como “aquilo que se faz necessário para realizar alguma coisa, apetrecho”, vem de implementum, “ato de preencher”, de in, “em”, mais plere.

 

Resposta:

Poder

O poder é algo pelo qual o Homem luta há séculos. A História inteira, pode-se dizer, é o registro dessa luta.

Política, conquistas, controle de multidões ou de uma pessoa próxima – nossa espécie necessita exercer poder de algum tipo em algum momento. E há os que desejam poder total o tempo todo, conseguindo se alçar à condição de ditadores. Conforme a sua capacidade, alguns tiranizam um país, outros se restringem ao seu condomínio ou à sua família.

O próprio desejo pelo dinheiro, o que não é em princípio errado em nossas sociedades ocidentais, é o desejo pelo poder que este proporciona.

Virgílio falou, na Eneida, sobre auri sacra fames, “a maldita fome pelo ouro”. Muitas vezes tal frase se traduz com ênfase em amaldiçoar o ouro, mas essa ação é feita, na verdade, sobre a fome – a ambição, o desejo pelo ouro, que podem levar a atos abomináveis.

Desde o seu início, poder deixou muitos descendentes em nosso universo de palavras.

Ela se originou no Indo-Europeu poti-, que era aplicada para o chefe de algum grupo social (família, clã, tribo).

Daí derivou o Grego pótis, “marido”. E despotés, inicialmente “senhor, chefe da casa”, mais tarde aplicado aos tiranos orientais e depois aos de todo gênero.

Em Latim, o adjetivo potis significa “poderoso, capaz de”.

Aprendamos alguns derivados:

POTESTADE – é “o poder daquele que manda”. Indica também uma classe de anjos na hierarquia celeste.

POTENTADO – chefe de um Estado não-democrático, em geral usado para indicar que se trata de alguém com grande riqueza.

POSSE – é o ato de possuir, de ter, e se origina do Latim potere, “poder”. “Ter a posse” de alguma propriedade, “ser empossado” num cargo, “possuir” sexualmente uma pessoa, tudo tem a mesma origem.

POSSÍVEL/IMPOSSÍVEL – refere-se ao que pode ou não existir ou acontecer, junto com os substantivos possibilidade/impossibilidade. Ou seja, trata-se do que tem poder de ocorrer.

POTÊNCIA – do Latim potens, “aquele que pode, potente”. Pode-se referir à potência de um motor de automóvel ou de qualquer outro tipo.

Existe em Medicina a expressão impotentia coeundi, “incapacidade de completar a união, a relação sexual”, para o homem. A segunda palavra vem de coeo, de co-, “junto”, mais eo, “vou”.

POSSANTE – usado para “vigoroso, aquele que tem potência”. É um sinônimo da seguinte.

PODEROSO – “o que tem poder”. E que muitas vezes se esquece de que este não dura para sempre.

ONIPOTENTE – do Latim omni-, “todo, completo”, mais potens, “poderoso”. Designa a pessoa que acha que é capaz de realizar a contento qualquer atividade, mesmo que esta dependa de fatores alheios a ela.

Levado ao extremo, é manifestação de problemas psíquicos sérios.

PREPOTENTE – do Latim praepotens, “muito poderoso”, de prae-, “à frente”, mais potens. Ou seja, “aquele que coloca o seu poder adiante, que o faz sobressair”.

Para os métodos de comando atuais, ser prepotente é mandar com base no cargo e não no convencimento dos demais. Tem resultados duvidosos em termos de liderança.

POTENCIAL – é basicamente a capacidade de que algo se desenvolva, mas ainda em embrião, em estado latente. É uma qualidade que ainda não chegou a poder ser exercida.

Sabe quando uma pessoa se mete a pintar a óleo achando que para isso basta comprar pincel e tintas e mostra os seus quadros a um artista esperando ser descoberta e recebe aquela frase “Você tem potencial, continue pintando?” Pois é. É por aí.

Um potencial precisa ser desenvolvido para existir.

PLENIPOTENCIÁRIO – é uma pessoa com todos os poderes para decidir numa missão diplomática ou política. Vem do Latim plenus, “cheio” e potens. Logo, ela está “cheia de poder”, tem plenos poderes.

Não podemos esquecer que há uma porção de palavras de uso freqüente que parecem ser derivadas de potere, mas não o são. Podemos citar rapidamente:

POTÁVEL, POÇÃO, POTE – todas estas vêm de potare, “beber”. Nada a ver com potere.

POTÁSSIO – essa passa perto das três acima. Vem do Holandês potaschen, (Inglês pot ash), cinzas de pote, pois esse elemento se confundia com o que era obtido depois de encharcar cinzas de madeira e evaporar a água em potes de ferro.

Resposta:

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