Palavra porto

Bebidas: Vinho

As bebidas alcoólicas desde muito cedo acompanharam o homem, graças à facilidade com que frutas e grãos fermentam e produzem álcool etílico, o mesmo que etanol.

Dentro do corpo humano, os metabólitos desta substância causam diversos efeitos, que podem variar desde uma leve euforia até o coma, passando pelas fases de chatice, porquice e até violência.

Foi criado um número imenso de bebidas alcoólicas, com diversas variantes. Vamos esquadrinhar algumas palavras relacionadas.

ETANOL – iniciando pela Química… Essa palavra foi cunhada em 1873, a partir do Grego AITHER, “o ar das camadas superiores da atmosfera”, derivado do verbo AITHEIN, “queimar, brilhar”, de uma raiz Indo-Européia aidh-, “queimar”.

O “éter” era visto como uma forma mais pura de ar que, segundo a antiga Cosmologia, preenchia o espaço para além da Lua.

Esse nome foi dado a uma determinada substância química em 1757, pela sua leveza, cor clara e volatilidade. Mais de um século depois seria descoberto que ela tem qualidades anestésicas.

VINIL – mas ainda a Química? O que tem o material dos discos antigos com o vinho?

– Muito. O nome desse tipo de plástico, criado em 1939, é um encurtamento de polivinil, pois é constituído por numerosas moléculas chamadas radicais vinila.

Esta molécula foi descoberta em 1863, como um derivado do etileno. E este se obtinha através do álcool etílico, que faz parte do vinho. Talvez o profissional que fez esta cadeia de raciocínio estivesse entusiasmado por algumas taças de bebida no momento de escolher o nome.

ÚVULA – agora, um pouco de Anatomia; esta parte do corpo, bem lá no fim da boca, no andar de cima, recebeu o seu nome porque pela forma lembra uma pequena uva, uvula em Latim, de uva, o fruto da videira.

LIBAÇÃO – desde o Século 12, significa “verter vinho em honra a um deus”. Vem do Latim libatio, “oferta de bebida”, do Indo-Europeu leib-, “derramar, pingar”. Hoje o sentido é mais aproximado de “líquido derramado na goela para embebedar”.

Os bebedores de cachaça que gostam das tradições ainda vertem umas gotas “para o santo”, antes de virar o copo no bucho.

VINHO – deste há muito que falar. É uma das mais antigas bebidas alcoólicas existentes. Em Grego se chamava oinos, palavra que deu origem a enologia (“estudo do vinho”) e seus derivados.

E oinos se associa ao mito de Oineus, “Eneu”, rei de Cálidon, na antiga Grécia.

Diz-se que um pastor chamado Estáfilo percebeu que alguns dos bodes que ele guardava apresentavam uma especial afeição por mastigar os frutos de uma determinada planta até então desconhecida.

Por algum motivo estranho, em vez de as comer, ele espremeu as frutinhas e as misturou com água do rio. Deve ter esperado algum tempo, que permitiu a fermentação, pois quando bebeu ficou tão faceiro quanto os bodes.

Após se recuperar do que deve ter sido o primeiro porre do mundo, ele foi contar ao seu rei sobre aquele estranho achado. O rei, vaidoso, colocou o seu próprio nome na bebida e hoje temos uma pujante indústria resultante da atenção de um pastor aos seus bodes.

Note-se que o nome do pastor quer dizer “cacho”, numa referência à apresentação dos frutos. Essa palavra também foi usada para designar um tipo de bactéria redonda que cresce aglomerada em cachos e que às vezes nos dá muito trabalho, o Estafilococo.

Em Latim, o nome da bebida era vinum. Tanto esta palavra como a grega vêm do Indo-Europeu win-o-, com o mesmo significado.

Na Idade Média, os bons frades costumavam dizer que Vinum bonum Dei donum, “o vinho bom é um presente de Deus”. Espertos, eles.

VINHA – não é a mulher do vinho, não. É a plantação de onde se extrai a uva, que os romanos chamavam de vinea.

VINTAGE – é uma palavra inglesa que está registrada em alguns dicionários nossos. Naquele idioma está atestada desde 1450, com o sentido de “colheita de uma vinha”, do Latim vindemia, formado por vinum mais demere. E esta palavra vem de de-, “fora”, mais emere, “tirar”.

Em 1746 passou a significar “ano em que foi feito um vinho”. Em linguagem geral, agora significa “algo antigo e bom”, “um clássico”.

CHAMPAGNE – vinho espumante criado em 1664. O nome vem da região em que ele era feito, a Champagne, antiga província do noroeste da França, cujo nome significava “campo aberto”. Vem do Latim campus, originalmente “espaço aberto para exercícios militares”.

VINHO DO PORTO – esse vinho adocicado e forte, criado em 1691, recebeu tal nome porque era embarcado na cidade do Porto, em Portugal. Em Espanhol ele é chamado vino de Oporto, tendo-se julgado que “O Porto” fosse uma palavra só.

CLARETE – é um tipo que parece andar em desfavor entre os conhecedores. Seu nome vem da expressão francesa vin claret, “vinho claro”, do Latim clarus, “claro, brilhante”.

ROSÉ – é da expressão francesa vin rosé, “vinho cor-de-rosa”, de 1897.

SHERRY – é o mesmo que Xerez. Vem do Espanhol vino de Xerez (hoje Jerez), cidade próxima a Cádiz, onde ele era feito, e cujo nome é uma corruptela de Urbs Caesaris, “cidade de César”. O nome em Inglês se definiu numa época em que o “X” castelhano ainda soava como “SH”.

CONHAQUE – é o vinho produzido em Cognac, uma comuna do Departamento de Charente, no oeste da França.

Foi criado no Século 16. Diz-se que ele foi inventado por comerciantes ingleses e holandeses que resolveram fazer uma dupla destilação para evaporar boa parte do volume, o que permitiria levar uma quantidade maior por barril. Chegada a mercadoria ao destino, o volume seria reposto com etanol.

Mas, logo no começo, alguém resolveu provar aquele líquido escuro e gostou. Daí ele passou a ser vendido como era, sem adição de mais nada.

Os povos de língua inglesa chamam esta bebida de brandy. Este nome vem de brandywine, que deriva de brandewijn, “vinho queimado” em Holandês, devido à dupla destilação.

VINAGRE – isto atualmente não é bebida. Mas já foi, e de qualquer maneira é uma palavra que deriva de vinho. Da expressão latina vinum acetum, “vinho azedo”, veio a expressão francesa vin aigre, idem. E daí se passou ao nosso vinagre.

Os romanos usavam o vinagre diluído em água, que chamavam posca, como bebida. A passagem do Novo Testamento que diz que Cristo crucificado foi torturado ao receber vinagre para beber mais provavelmente corresponde a um soldado romano penalizado, oferecendo ao agonizante um pouco da sua própria bebida.

MOSTARDA – não, não vou dizer que esta é uma bebida. Mas o tempero era feito com uma pasta dos grãos da mostarda, uma planta crucífera, misturada a vinho recém-feito. O nome deste era musteum, “vinho novo” em Latim, de mustus, “fresco, novo”.

Portanto, o nome desse tempero indispensável ao cachorro-quente é intimamente relacionado ao vinho em sua origem.

GRAPA – é uma espécie de conhaque feito com resíduos de vinho, criada em 1893. Seu nome vem do Italiano grappa, “uva”. Aquele refrigerante que surgiu no Brasil na década de 50, a Grapette, deriva o seu nome de grape, “uva” em Inglês.

E grappa vem do Frâncico krappon, “gancho”. Originalmente, era o gancho usado para pegar uvas, passando depois o nome às frutas apanhadas com ele.

A grapefruit é uma fruta cítrica que recebeu esse nome porque cresce aglomerada, lembrando cachos.

GOURMET – por incrível que pareça, esta palavra também tem
algo a ver com vinho. Formou-se em 1820 do Francês arcaico grommes (com influência de gourmand, “guloso”), “criados de mercadores de vinho”, de origem incerta. Seja como for, parece que eles eram chegados a uma boa alimentação.

Resposta:

Os Deuses Antigos Na Nossa Vida

 

Normalmente pensamos que a mitologia greco-romana está passada, definitivamente enterrada sob as colunas derrubadas dos templos, a poeira dos séculos e a névoa do esquecimento. Mas isso não é verdade. Nada do que é lembrado morre de verdade, e nas nossas palavras de uso comum encontramos citações de nomes de divindades que eram evocadas há milhares de anos. Olhem só:

MOEDA (e derivados: monetário, monetarismo, moedeiro, etc.) – numa das invasões dos bárbaros à Itália, quando o Império se estava esfacelando, um grupo deles tentou escalar a parte da muralha de Roma junto à qual, pelo lado de dentro, se situava um templo dedicado a Juno, a deusa que era esposa de Júpiter. Os gansos consagrados à deusa, que estavam no terraço do templo, deram o alarme e os soldados romanos acorreram e afugentaram o inimigo. Gansos são ótimos vigias, pois fazem um grande estardalhaço na presença de estranhos.

Agradecidos, os romanos declararam que aquele templo era dedicado a Juno Moneta, “a Juno que avisa”.

Esta palavra vem do Latim monere, “advertir, admoestar, avisar”, e gerou, em Português, premonição (um aviso antes do acontecimento), admoestar (advertir), monitor (aparelho que serve para acompanhar o que acontece; pessoa que acompanha ou auxilia o ensino; nome de um tipo de navio, a partir do nome próprio do primeiro do tipo; um tipo de lagarto cuja presença, dizia-se, avisava da proximidade de crocodilos).

Mais tarde, nesse templo, se estabeleceu um local onde se cunhavam discos metálicos, com valor definido, próprios para fazer negócios de compra. Estes receberam um nome derivado da deusa do templo – ou seja, moneta ou moeda. Em Inglês, mint – derivado daí – é um local onde se fabrica moeda. Também é uma palavra usada para designar algo em estado de novo, como se fosse uma moeda recém-feita.

VOTO DE MINERVA – é uma expressão que se refere ao voto de desempate numa situação indefinida.

Minerva (Atená para os gregos), na mitologia romana, era a deusa relacionada à sabedoria e à prudência. Era filha de Júpiter, que a engolira antes de ela nascer, para evitar que se cumprisse uma previsão nefasta.

A vida era dura naquela época, mesmo para os deuses.

Nove meses depois de fazer isso, Júpiter começou a ter uma dor de cabeça terrível. Quando o próprio Pai dos Deuses tem dor de cabeça, imaginem a intensidade dela…

Para obter alívio, pediu a Vulcano, o deus que lidava com forjas e que preparava os raios para a prática de tiro-ao-alvo, que lhe desse uma martelada na cabeça. Vulcano obedeceu prontamente, ainda mais que não havia esquecido que Júpiter o havia atirado pelos céus abaixo quando era pequeno (levou dias e dias caindo e ficou manco para sempre). Assestou vigorosa marretada na divina cabeça.

Para espanto de todos os deuses, saiu dali Minerva, já vestida para o combate, armada de lança e escudo e dançando uma dança guerreira. Não admira que aquela dor fosse tão forte!

Imediatamente ela passou a ajudar o pai na luta que ele vinha sustentando contra os Gigantes, mas isso é uma outra história.

Os antigos, ao fazerem um mito tão cru, provavelmente estivessem pensando em colocar na deusa as características associadas à cabeça, como a inteligência, a disciplina, a prudência, a sabedoria.

E, se ela é uma deusa especialmente prudente e inteligente, é de esperar que o seu voto, quando solicitado, seja cheio de bom senso e possa resolver situações de empate entre vários julgadores.

PALÁDIO – não é uma palavra de uso vulgar agora; designa um elemento químico do grupo da platina, usado em ligas e contatos elétricos.

Já que acabamos de falar em Minerva, nos ocorre o nome de sua grande amiga de juventude, Pallas, que foi morta por engano pela própria deusa num trágico acidente. Desse dia em diante, esta adotou o nome da amiga inseparável e passou a ser chamada de Pallas Atená em Grego.

Dizia-se que uma estátua de madeira de Pallas, chamada de palladium, protegeria contra as invasões inimigas as cidades onde se encontrasse.

Várias cidades tinham o seu palladium. Inclusive Tróia, que tinha um tão poderoso que evitou por dez anos a vitória dos gregos. Como muitas cidades dessa época, com palladium ou não, acabaram sofrendo nas mãos dos inimigos, deduz-se que este não poderia ser considerado uma defesa infalível.

OPORTUNO – os romanos tinham um deus chamado Portunus. O seu nome vinha de portus, “passagem”, relacionado com “porta”, o ponto de passagem para um aposento. Portus, “porto”, ficou como a passagem da via aquática para uma cidade.

De ob-, “para, em direção a”, e Portunus se fez opportunus, “o que empurra para o porto”, ou seja, “vento favorável”.

Metaforicamente, todos nós queremos ou precisamos de ventos favoráveis. De tal modo, qualquer acontecimento oportuno é bem-vindo.

SANCIONAR – entre os romanos se adorava um deus muito antigo, Sancus. Era ele quem tornava invioláveis os juramentos e promessas e que presidia ao seu cumprimento. Do seu nome se fez o verbo sancire, “consagrar”. O particípio passado desse verbo era sanctus, “consagrado, santo, que deve ser respeitado acima de tudo”; obviamente, santo derivou daí. Uma forma alterada, São, é usada antes de nomes iniciados por consoante.

Quando era feito um juramento com a invocação de Sancus, o atendimento a ele era considerado sanctus, “sagrado”

Uma lei sancionada é uma lei que entrou em ação e deverá, portanto, produzir os efeitos nela descritos.

HERMÉTICO – Hermes era um deus grego com história e atividades complexas. Entre os romanos, era conhecido como Mercúrio. Ele protegia os comerciantes, os ladrões e os médicos.

O caduceu, um bastão com duas serpentes enroladas, é um atributo de Hermes que até hoje simboliza a Medicina.

O capacete alado, outro de seus atributos, é usado como símbolo do Comércio. Os caixeiros-viajantes usam as sandálias aladas, mais uma peça da roupa divina.

Qual seja o símbolo dos ladrões, não sabemos. Talvez a classe seja desunida ou esteja ocupada demais para se preocupar com o assunto.

O deus egípcio Thoth era considerado o inventor da alquimia e recebeu, de uma corrente filosófica grega, o nome Hermes Trismegistus, “Hermes, o Três Vezes Grande”.

Quando se queria tornar inviolável um frasco com alguma substância, colocava-se no seu gargalo um selo, muitas vezes de cera, com o símbolo de Hermes. Onde havia a tecnologia do vidro disponível, uma ampola desse material tinha o seu gargalo aquecido e comprimido, donde só podia ser aberta por rompimento.

De qualquer modo, o frasco a partir daí estava hermeticamente fechado. Fosse pela proteção do deus, fosse porque ficaria clara a violação, dava certo!

AFRODISÍACO – Em Grego, a deusa do amor era chamada Afrodite. Na verdade, ela era algo bem mais complicado que isso, com origem oriental, mas aqui teremos que simplificar um pouco.

Em etimologia popular, o nome da deusa costuma ser associado a afró, “espuma”, por ela ter nascido nas espumas do mar. No entanto, isso é um engano. A verdadeira etimologia do seu nome, como uma deusa oriental da fertilidade, é desconhecida. Como ela tinha o hipocorístico (apelido por encurtamento do nome) Afró, fez-se a confusão.

O nome dela passou a ser usado em relação aos assuntos amorosos. Hoje em dia a palavra “afrodisíaco” é usada apenas com o significado de algum processo que ajude a manter relações sexuais. Ganha-se muito dinheiro mundo afora vendendo substâncias e poções com esse qualificativo. Se funcionam, é outro assunto.

Do nome latino dela, Venus, temos mais um derivado relativo a alguns resultados indesejáveis de encontros físicos. É o adjetivo v
enéreo
, que designa as doenças sexualmente transmitidas.

Uma outra palavra que veio de Venus é vieira, de veneria. Essa palavra, que constitui também um sobrenome em Portugal, designa um determinado molusco comestível. A lenda conta que Vênus nasceu do mar sobre uma concha, que recebeu seu nome a partir da deusa.

Ainda há mais: o verbo venerar e seus derivados vêm daí, sob a conotação de “amar”. Não soa irônico chamarmos de venerável uma pessoa que merece todo o respeito e consideração pelos seus atos ou posição, sabendo que essa palavra veio de uma sensual deusa pagã?

MARCIAL – as artes ditas marciais estão em grande voga no momento; quase todos os filmes de ação atuais necessitam de um instrutor do assunto,

Além disso, como todos sabem, este é um adjetivo que se refere a atividades militares em geral: “porte marcial”, ‘banda marcial”, ‘atitude marcial”.

Essa palavra se originou também num deus grego: Mars, “Marte”, que geria a guerra com todas as suas conseqüências desagradáveis.

Um deus, aliás, muito ocupado ultimamente. Ele deve andar por aí se divertindo, em sua biga puxada por dois cavalos furiosos, Medo e Terror (em Grego, Fobos e Deimos). Esse é o nome das duas luas do planeta Marte. Esse planeta da cor do sangue era associado ao deus muito antes de se desconfiar que ele tinha dois satélites.

JOVIAL – um dos nomes de Júpiter, o pai dos deuses, era Jove. Antes de mais nada, vamos esclarecer uma coisa: ele não era realmente pai da maioria dos deuses. Era assim chamado pela sua posição de chefia, não pela relação familiar. Eram épocas em que pais eram respeitados…

Segundo a antiga Astrologia, nascer sob a predominância do planeta Júpiter era um excelente sinal, pois ele era considerado o mais feliz dos planetas. Ora, quem entra na vida com tamanho favorecimento só pode andar muito contente por aí. Logo, as pessoas que estão contentes e sociáveis, de alto astral – como hoje se diria – são pessoas joviais.

PÂNICO – em eras antigas, a vida era uma farra nas planícies e montanhas da Grécia. Em tardes de sol se podia ouvir ao longe os gritinhos da ninfas fingindo que queriam fugir dos faunos, sátiros e o restante do pessoal desejoso de festa.

Havia um deus, Pã, que presidia aos pastores e seus rebanhos. Ele tinha o corpo peludo, chifres e patas de bode e mesmo assim era alegre, até mesmo turbulento. Pelo visto, ele tinha a felicidade de se aceitar como era.

A sua energia sexual era interminável; era uma divindade que perturbava as pessoas quando aparecia, inquietando os espíritos e gerando muito medo pelo contato com esse aspecto básico da vida. Daí usarmos até hoje a palavra pânico quando nos deparamos com uma situação extremamente assustadora, perigosa ou ameaçadora.

EROTISMO – esta todo o mundo sabe: entre os gregos, o amor sexual era personificado num deus menino, alado e travesso, cujas flechas condenavam as pessoas atingidas a serem consumidas pela paixão.

Analiticamente, a noção de ele ser uma criança é profunda, pois se espera que, atingida a idade da razão, não ocorram mais situações deste tipo. Espera-se…

O nome desse deus, cuja paternidade é atribuída a mais de um casal, era Eros. Outros tipos de amor tinham denominações diferentes, como philia, “amizade” e agape, “amor fraterno”.

HIPNÓTICO – este adjetivo, que faz a gente pensar num sujeito vestido de fraque e cartola, com um bigodinho fino, cara de vilão antigo e olhos esbugalhados, significa “aquele que faz adormecer”. Pode ser um discurso muito maçante, pode ser uma medicação para ajudar os insones ou um coadjuvante do processo anestésico – se ajudar a dormir, é hipnótico.

Esse nome vem de um deus grego, Hypnos, o Sono. Ele era irmão gêmeo de Tânatos, a Morte. Ambos eram filhos de Nyx, a Noite.

É uma forma bonita, poética e assustadora de relacionar fatos que apresentam características em comum. Hypnos tinha asas e percorria a Terra, em geral sob o manto da mãe, entrando em todos os lugares sem ser convidado e fazendo adormecer pessoas, animais e até mesmo os deuses.

PLUTOCRACIA – esta palavra não é muito comum fora dos meios econômicos ou revolucionários hoje em dia. Significa “o governo pelo dinheiro”, referindo-se a algum país onde os que verdadeiramente mandam, mesmo através de aparências democráticas, são os ricos. Todos já ouvimos falar nisso, será que existe mesmo?

O rei do Hades, o reino subterrâneo da mitologia grega, era Plutão. O seu nome se liga a um termo que significa “muito, numeroso, cheio”. Ele era rico, pois o seu reino continha os minérios dos quais se retirava material precioso, bem como as raízes dos vegetais que alimentavam a humanidade e seu gado. Além disso, à medida que o seu reino foi se enchendo de almas, ele passou a ser “rico em hóspedes”. Desta forma, Plutão passou a ser associado à riqueza e veio a fazer parte de palavras de uso erudito.

O cão do Mickey, Pluto, deve o seu nome a este deus. É a forma usada em Inglês.

HERCÚLEO – este adjetivo vem do Latim Hercules, que veio do Grego Heraklês. Um esforço hercúleo significa a aplicação de uma força descomunal. Todos sabem que Hércules era um herói grego, filho de Zeus, muito forte, que andou realizando muitos feitos famosos, entre os quais os Doze Trabalhos.

O que é pouco sabido, no entanto, é que Heraklês não era o nome verdadeiro dele, e sim um apelido. Ao nascer, ele foi chamado de Alcides, pois um antepassado dele se chamava Alceu. Só recebeu o outro nome mais tarde, depois de completar os Doze Trabalhos, que lhe foram impostos como castigo.pela deusa Hera; Heraklês significa “aquele que trouxe glória a Hera”.

CEREAL – vem de Ceres, o nome latino da deusa grega Deméter. Isto a grosso modo, pois na verdade elas não eram exatamente a mesma na Grécia e em Roma.

Ceres foi quem ensinou aos mortais como plantar e colher, dando-lhes, assim, os meios básicos de sobrevivência. A partir disso, os grãos de modo geral foram chamados de cereal.

CICLÓPICO – quando se vê alguma coisa colossal, grande, enorme, etc., algumas pessoas mais cultas poderão aplicar a elas esse adjetivo. Ele deriva não propriamente de um deus, mas de seres da mitologia grega, os Cíclopes. Em Grego, a palavra é formada de kyklos, “redondo” e ôps, “olho”. Eles eram gigantes que tinham um só olho redondo no meio da testa.

Dá para imaginar que, não tendo visão binocular, eles não poderiam avaliar direito as distâncias. Provavelmente eram muito desajeitados, deviam viver tropeçando e derrubando coisas.

Na antigüidade, restos de muralhas feitas de pedras muito grandes eram atribuídas a eles, de onde o uso da palavra ciclópico.

CRONOLOGIA – (“definição de datas históricas”) e seus parentes, como cronômetro, cronógrafo, e muitas outras, são relacionadas ao tempo e sua marcação. A maioria das pessoas dirá:

– “Hah, essa eu sei! Cronos era o deus do Tempo para os gregos, daí o uso do seu nome para assuntos correlatos! Quando é que este Site vai dizer alguma novidade?”

Pois aqui está a novidade: os gregos nunca tiveram um deus do tempo, e a associação acima não passa de etimologia popular. Existia, sim, o deus Kronos, filho do Céu e da Terra, portanto pertencente à primeira geração de deuses.

Simplificando muito: ele matou o seu pai, que temia ser destronado por um dos filhos. Depois casou com Réia e se tornou pior ainda do que o pai, tratando também de destruir os filhos (pudera, com um modelo desses!). Um deles, Zeus, conseguiu dominá-lo
e passou a comandar o Olimpo.

Depois pai e filho se acertaram e Kronos acabou reinando sobre a Ilha dos Bem-Aventurados, onde se mostrou bom e justo. Às vezes as brigas dentro de uma família dão certo, se as partes se mostrarem maduras.

A única ligação de Kronos com o tempo é que, por ter reinado em passado muito, muito distante, dizer “no tempo de Kronos” significava um tempo enorme atrás.

Mas então por que a confusão? Porque em Grego, Chronos era a palavra usada para “tempo”, e nada tinha a ver com o nome do deus. A palavra começava com a letra chi, que tem um som semelhante ao CH alemão, ao passo que o nome do deus começava com a letra kappa. O som da letra chi não existe na maioria dos idiomas derivados do Latim, e não há como representá-lo adequadamente nessas línguas. Havendo diferença apenas na letra inicial, instalou-se toda uma história inverídica a respeito desta etimologia.

Resposta:

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