Palavra reto

espanhol

Palavras: dicha , quedar , reto , trás

Qué onda, muchachos?

Tenho umas dúvidas de origens espanhol.
As palavras quedar, dicha, reto, tras.
Dicha na minha opinião é uma das palavras mais legais do espanhol.

Un saludo cordial

Resposta:

Buenas, amigo de México!

a. Do Latim QUIETARE, “fazer descansar, fazer repousar”, de QUIETUS, “imóvel, o que não se mexe”.

b. DICHA, querendo dizer “sorte, fado, fortuna” vem de dicta, “coisas ditas, fatos predeterminados pelo destino”, de dicere, “dizer, falar, contar”. E a antepassada desse antepassado foi o Indo-Europeu deik-, “indicar”.

Diz-se que isso se deve à crença pagã de que a sorte de cada um se devia às palavras que os deuses pronunciavam quando uma criança nascia.

É mesmo uma bela palavra.

c. Do Latim REPUTARE, “calcular, refletir, considerar”, que também assumiu o sentido de “reprimenda, invectiva”, além do de “desafiar”.

d. Do Latim trans, “além, sobre, atravessado sobre”, talvez do verbo Indo-Europeu trare-, “cruzar”.

palavras do espanhol

Palavras: rayuela , reto , sastre

Qué onda muchachos?
Como vcs estão?
Queria sabe a origem das palavras do espanhol rayuela, reto (desafio) e sastre.

Un saludote desde México.

Resposta:

Hace mucho no nos veíamos, amigo!

De RAYA, “traço, risco”, do Latim RADIUS, “raio”. Isso porque as marcações desse jogo são feitas no chão com RAYAS, “riscos”. Do Latim REPUTARE, “calcular, considerar”, que assumiu o sentido de “repreender, culpar, acusar”, de onde passou a indicar “desafiar”. E REPUTARE quer dizer “refletir sobre, estimar, calcular”, de RE-, “de novo”, mais PUTARE, “pensar, supor, calcular, pensar”. Do Latim sartorius, de sartor, “remendão, aquele que costura ou emenda”, de sarcire, “costurar”.

Linhas

– Vô, por que a linha de costura e a que a gente traça nas aulas de Geometria têm o mesmo nome?

O senhor esbelto, de olhos azuis e barba branca, me olhou de alto a baixo:

– Ora, porque são parecidas, seu tolo. Veja bem: essa palavra vem do Latim linea, “corda,linha, fio de linho”, de linum, “linho”.

O sentido primitivo era o de “corda fina” mesmo; lá pelo século XIV passou a ser usada para designar um traço ou marca estreita e alongada como um fio, desenhado sobre papel ou algum outro meio.

– Tá bem,mas existem tantas linhas quando a gente vai estudar…

– Claro, e é para isso que você vai à aula. Se fizer tudo direitinho, daqui a muitos anos vai saber tudo que nem eu, embora eu duvide – disseo velhote, com ar completamente sério.

– Vou chegar lá antes do que o senhor pensa, mas por ora, se o senhor pudesse me ensinar de onde vêm esses nomes, como o da linha curva,por exemplo…

– Essa palavra vem do Latim curvus, “dobrado, torcido”, de uma base Indo-Européia ker-, “encurvar, dobrar”. O que me lembra, aliás, que a palavra inglesa para “anel”, ring,tem a mesma origem.

– Aah, Vô, vai me dizer que curvo e ring, palavras tão diferentes, têm algum parentesco?

– Coisas da Etimologia, meu caro. Aquele ker- de que falei passou a khrengaz no antigo Germânico, que passou a hring no Inglês arcaico, que chegou a…

Ring! É verdade,Vô? Puxa!

– Claro, ou você acha que estou chutando? Não preciso inventar, eu sei tudo!

– Se é assim diga por que o lugar onde se luta box se chama de ring. Nunca entendi a razão desse nome, se nem redondo é aquele tablado.

– É porque uma vez o local de luta foi redondo. Nos inícios do esporte, lutava-se no chão mesmo, as pessoas formando um círculo ou “anel” ao redor dos que trocavam socos.

– Veja só…Muito bem, e a reta?

– É do Latim rectus, “reto, direito”, do Indo-Europeu reg-, “deslocar em linha reta”, também “guiar pelo caminho direto, guiar direito”.

E já que o dia hoje é para se espantar mesmo, vou acrescentar que dessa palavra veio o Latim rex, “rei”.

– E isso por que,Vô?

– Bem, supunha-se que quem mandava num povo o fizesse de modo certo, reto, justo.

– Podia ser nessa sua época, Vô, mas pelo que se vê nos jornais, hoje o mundo mudou um pouco, né?

– Eu nasci um pouco depois dessa época, meu jovem. Mas concordo em que as esperanças deles foram um pouco infundadas. Se eles vissem o que fazem as pessoas no poder agora, inventariam uma palavra sem relação com reto.

– Certo. Deixando a política de lado, e quanto à linha tracejada?

– “Tracejar” vem do Latim tractiare, “delinear, traçar”, de tractus, “trilha, curso”, de trahere, “puxar, arrastar”.

– Hum. E quanto à linha perpendicular?

– Essa veio do Latim perpendicularis, “vertical como a linha de chumbada do pedreiro”, de perpendiculum, “linha com peso na ponta”, de perpendere, “balançar com cuidado”, formado por per-, “completamente”, mais pendere, “pendurar, sopesar”.

– Essa foi mais comprida. E que tal a linha  oblíqua?

– Esta vem do Latim obliquus, “inclinado, indireto”, formado por ob-, “contra”, mais a raiz de licinus, “dobrado para cima”.

– E o segmento  de linha?

– Deriva do verbo latino secare, “cortar”.

– Hah! Isso não queria dizer “secar” em Latim? Peguei o senhor num erro! – o velho me olhou com ar de desprezo:

– Muito livro o meu prezado neto há de comer antes que isso aconteça. “Secar” vem de siccare, meu senhor. E pare de tentar saber mais do que eu, que esse dia ainda não chegou!

– Baah, certo, Vô. O senhor tem razão. Agora vou ter que ir para casa.

– Qual a pressa?

– Vou estudar para um dia saber mais do que o senhor!

Ainda no corredor eu ouvia as risadas dele.

Resposta:

Tia Odete é Homenageada

– Puxa, pessoal, eu realmente não estou acostumada a falar em público, exceto para as crianças da minha aulinha. Como? Não preciso gritar tanto assim? Está certo, desculpem , é o hábito.

Mas que surpresa! Bem que ontem eu vi o pessoal preparando esses cartazes de “Viva a Tia Odete!”, mas não podia imaginar que fosse para mim, apesar de hoje ser o “Dia da Funcionária do Mês”.

E surpresa, não se esqueçam, vem do Francês surprendre, de sur, “sobre”, mais prendre, “pegar, prender”, do Latim prehendere, “agarrar, prender, pegar à força”. Imaginem o que o bandido sente quando está achando que escapou e o mocinho pula de uma árvore em cima dele. Essa é a idéia.

Mas, como eu ia dizendo, apesar da minha falta de experiência com uma audiência adulta, não posso me furtar a dizer uma ou duas palavras para agradecer a esta homenagem tão sincera e tão espontânea de que sou alvo.

E, falando em homenagem, posso dizer desde já que essa palavra provém do Provençal Antigo, onde era omenatge, derivado do Latim hominaticus, de homo, “homem”. Era uma forma de um homem prestar vassalagem a outro nas épocas feudais, mas acabou tendo um sentido geral de “fazer honrarias”.

É claro que eu sei que nossa escolinha está fazendo um daqueles programas de qualidade que são usados para extrair até o bagaço de quem trabalha, fazendo muitos cumprimentos e recusando aumentos.

E todos nós aqui sabemos que, como parte desse programa, cada pessoa daqui já foi nomeada “Funcionária do Mês”, desde o pessoal que varre o pátio até a Diretora que está ali ruborizada e que eu sou a última da lista e que no próximo mês tudo vai recomeçar, mas tudo bem.

Já que eu disse funcionária, não custa lembrar que esta palavra vem do Latim functio, “função”, de fungi, “cumprir, realizar, desempenhar”. Functionarius era quem exercia uma função. Chegou até nós pelo Francês fonctionnaire.

Em todo caso, agradeço comovida esta medalha de plástico dourado numa corrente de alumínio também dourado que estão me entregando.

Engraçado, há uma figura de atleta nela. Ou não havia outra na casa das medalhas ou então estão dizendo que sou uma verdadeira atleta por agüentar essa turma. Prefiro esta hipótese.

Colho a ocasião para contar aos presentes que agradecer vem do Latim gratus, “o que agrada ou que reconhece um agrado”.

E que comover vem do Latim commovere, “mobilizar, mover conjuntamente”, formado de com-, “junto”, mais movere, “mexer, deslocar, mover”. Uma pessoa comovida é alguém que foi retirada do seu estado natural pelo esforço de outros, mesmo que eles não estejam muito desejosos de fazer isso.

E medalha tem uma história até bastante longa. Em Francês é médaille, em Italiano é medaglia, e derivou do Latim metallea moneta, “moeda feita de metal”. Nesse idioma, metallum queria dizer “metal”, e derivou do Grego metallon, “minério, metal” . Só que o sentido original desta palavra era “mina, escavação para buscar material”, derivado de metalleúein, “escavar, minar”, relacionado ao verbo metallan, “procurar, pesquisar”.

Quem diria, um caminho ininterrupto entre os gregos que procuravam materiais úteis e esta coisinha barata que acabam de pendurar no meu pescoço!

Por sua vez, alumínio é da palavra cunhada por Sir Humphrey Davy, que lá pelo fim do século dezoito, descobriu este elemento. Inicialmente ele o chamou de alumium e depois aluminum. Este nome foi mantido pelos americanos, mas os ingleses preferiram aluminium, “que soava mais clássico”, conforme uma publicação de 1812.

O nome foi escolhido por ele devido ao alume, sal mineral usado como adstringente, que em Latim se chamava alumen, “sal amargo”, com a mesma origem do Grego aludoimos, “amargo”.

Mas acho que estou me desviando do meu objetivo, que é agradecer pelas honrarias de hoje.

E a maior honra foi terem trazido a minha turminha de aluninhos que me olham dali do fundo. Vejam só o Zorzinho escrevendo sem parar, a Valzinha falando sem parar, o Joãozinho muito compenetrado com alguma revistinha misteriosa, a Joana Beatriz ouvindo os sussurros do Sidneizinho no seu ouvido, a Ledinha sem saber o que está acontecendo… São uma turma inesquecível. Mal posso esperar que termine este ano.

Sinceramente, não precisavam tê-los trazido! Principalmente se queriam me homenagear de verdade.

Como dizia eu, é uma honra, palavra que vem do Latim honos, “honra, reputação, dignidade”, ser agraciada com este título e este diploma impresso pelo computador em papel A4 barato, vejam só: vou mostrar e vocês vão aplaudir como se fosse algo fabuloso.

Não vou dizer que diploma, “licença, mapa”, originalmente, vem do Grego diploun, “dobrar”, de diplos, “dobro” porque acho que todos já sabem, mas quero lembrar que esta palavra não deve ser confundida com dilema, um termo técnico de Retórica, do Grego dilemma, “dupla proposição”, formado por di-, “dois” e lemma, “premissa, algo aceito como verdade”. A noção correta é “ter que fazer uma escolha entre duas alternativas desagradáveis”.

Antes que alguém me pergunte de onde vem título, respondo que é do Latim titulus, “cabeçalho, inscrição”, de origem obscura. Adquiriu o sentido de “palavra que indica a posição hierárquica de uma pessoa” lá pelo século quinze.

E fabuloso vem de fabula, como se chamava em Latim uma história. Literalmente, quer dizer “o que é contado”, do verbo fari, “falar, contar”, com base Indo-Européia bha-, “falar”.

Os mais velhinhos, como eu, se lembrarão das fábulas que ouvíamos na infância, histórias edificantes passadas entre animais, cuja idéia era nos incutir moral e sentimentos elevados. Pelo que se vê do mundo ao nosso redor, parece que não deu muito certo.

Mas, senhora Diretora, – ei, a senhora sabia que esse seu cargo se chama assim porque em Latim dirigere era “colocar certo, determinar corretamente”, formado por dis, “fora” e regere, “guiar”? E que isso vem do Indo-Europeu reg-, “mover em linha reta”?

Como se supunha que o soberano de um povo fizesse tudo certinho, tudo direitinho – que tempos aqueles, não? – daí veio o Latim rex, “rei”. Em Sânscrito, era rajan, “rei, líder”, que originou rajá e marajá. Essa base também originou em nosso idioma as palavras reto e correto.

Como eu dizia antes de interromper a mim mesma, senhora Diretora, não posso senão expressar meus grandes agradecimentos por esta homenagem tão espontânea, tão sincera, tão pura, tão especial, tão… faltam-me as palavras, exceto para perguntar se já definiram um aumento de salário para nós, pobres seres que aguentam a dureza sem praticamente emitir uma queixa que seja.

Ah, puxa, desculpe, a senhora está atrasada para o dentista e vai ter que sair correndo, eu não sabia! Diga a ele que a senhora merece o prêmio de Paciente do Mês!

Resposta:

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