Palavra rajá

CHEFES DE ESTADO

Hoje o detetive das palavras, X-8, está recebendo mais um grupo de clientes. Mas o que é isso em seu escritório decorado à moda Anos Cinqüenta Degenerados? Diversas palavras-clientes se espalham pelos bancos toscos, mas cada qual ostenta uma dignidade e um brilho dignos de nota.

Veem-se ali medalhas, comendas, fitas, galões, franjas, borlas, correntes de todas as cores e todos os metais. O tilintar de metal contra metal e de seda revoluteando é ensurdecedor.

Para entender o mistério, apressemo-nos para ouvir a introdução do célebre pesquisador, que como sempre está envolto em sua gabardine folgada, chapéu desabado e mistério proposital:

– É subida honra receber em meu humilde escritório palavras que representam Chefes de Estado em geral, atrás de suas origens. Alguém se esqueceu de entregar o pagamento adiantado? Não? Então vamos lá, aleatoriamente.

Vejo aqui Sua Excelência o Presidente. Esta palavra, caro público, vem do Latim praesidere, “chefiar, agir como líder, superintender”, literalmente “sentar-se à frente de”,  formado por prae-, “à frente”, mais sedere, “sentar-se”. Quem preside uma organização ou um estado se senta à sua frente, pelo menos metaforicamente, para avaliar os problemas que surgem. E que não são poucos.

Presidente, usando uma faixa colorida, assentiu com gravidade.

O destemido detetive se voltou para outra cliente:

– Vejamos a origem de rei, que está sentado, quieto e curto, como que desprezando a sua importância. Saiba Vossa Majestade que deriva do Latim rex, “rei”, que veio do Indo-Europeu reg-, “mover-se em linha reta”, daí “dirigir, guiar, comandar”. Historicamente sabemos que muitos reis não seguiram a linha reta em suas vidas, mas isso é outro departamento.

E ali temos outra majestade, o imperador. Esta palavra vem do Latim imperator, “chefe, comandante”, um título inicialmente dado a um general romano vitorioso, do verbo imperare, “comandar”, formado por im-, “em”, mais parare, “ordenar, preparar”.

Ali atrás está um trio de parentes próximos: César, Kaiser e Czar. Estes dois últimos são títulos imperiais, o primeiro da Áustria-Hungria e Alemanha e o segundo da Rússia. Ambos derivam de Caius Julius Caesar, o imperador romano cujo nome passou a significar “imperador”. E esse nome vem de caesaries, “cabeleira”, pois o iniciador de  sua linhagem teria nascido com um revestimento completo de cabelo. O que não deixava de ser irônico, pois César era careca. E não gostava nada disso.

Epa, vejo uma certa agitação ali. Acalme-se, príncipe, sua vez chegou. Você deriva do Latim princeps, “o primeiro, o que vai à frente”, de primus mais a raiz de capere, “tomar, pegar”. Era “o que ia à frente” nas campanhas militares. Pelo menos era essa a ideia geral, que nem todos sentiam prazer em serem alvos de flechas e tiros.

Colho a ocasião para dizer que o uso atual de príncipe se refere aos filhos do rei. Aliás, na Península Ibérica, o título cabe unicamente ao filho que vai herdar a coroa, os outros são chamados infantes. Mas notem bem, príncipe não era necessariamente ligado ao parentesco real, foi por muito tempo um nome dado a pessoas de especial importância política.

Agora podemos falar de régulo, atualmente uma palavra pouco conhecida. Ela pode se referir a um rei ainda criança, mas é mais usada para falar em um rei de Estado de tamanho e importância diminutas; foi mais usado para designar chefes tribais na África. Deriva do Latim regulus, diminutivo de rex.

E ainda na África existe o título soba, chefe de povo ou pequeno Estado, do Quimbundo soba, “chefe, líder, governante”.

Sem falar que, na Etiópia, o título de imperador era conhecido como negus, do Amárico negus, “rei”.

Deixando de lado os países leigos, saudamos Sua Santidade a palavra  Papa. Nos inícios da Igreja Católica ela se aplicava a todos os bispos; depois passou a designar somente o bispo de Roma. Veio do Grego papas, “bispo, sacerdote”, uma variante de pappas, “pai”.

Ao lado dele se encontra, com seu bonito traje de penas, cacique. Esta vem do Espanhol, que a tirou do Taino cacique, “chefe”.

Indo para terras mais distantes, citamos nossa visitante rajá, que vem do Sânscrito rajan, “chefe, soberano” e é parente, vejam só, do rex latino.

Com ela se encontra sua amiga marajá, “grande rei”, formada por maha, “grande”, mais rajan.

Pela região do Oriente Médio, recebemos hoje sultão, do Árabe sultan, “soberano”.

E antes que me esqueça, soberano vem do Latim superanus, “chefe, comandante”, derivado de super, “acima”. Ele era o que “ficava acima” dos outros. Até que lhe cortassem a cabeça num golpe palaciano, claro.

Vejam ali o belo turbante de vizir, do Turco vezir, do Árabe wazir, “carregador”, de wazara, “levar um peso”. Eles viam essa tarefa como algo cansativo, ao contrário dos políticos de um certo país que se divertem cada vez mais com os seus cargos.

E o emir? Ele era o comandante ou chefe de Estado em alguns países islâmicos, do Árabe amir, “comandante”.

Em paises de língua espanhola se reserva o título de caudilho para um chefe de Estado, especialmente no caso de um ditador militar. Originou-se do Latim capitellum, diminutivo de caput, “cabeça”.

E, cheio de estrelas nos ombros, ali se encontra generalíssimo, usado para o comandante supremo de forças armadas, especialmente se além disso ele detém poder político. Deriva do Italiano generalissimo, aumentativo de generale, “general”.

Creio ter com  isso revisado as origens de tantas palavras ilustres e agradeço a distinção que me foi feita com sua visita.

Desejo-lhes uma boa noite e, por favor, não reparem na sujeira dos corredores do edifício. Não vão escorregar no lixo, que alguém pode se espetar em alguma medalha afiada. Uma boa noite para todas.

 

Resposta:

Nobres

Senhor, guardai-me dos meus arroubos de entusiasmo! Por que é que eu fui propor um dia para fazer uma corte medieval de fantasia aqui na aulinha, para passar noções de História?

Agora olha aí, ninguém quer ser menos que ser rei e rainha. Alguns vieram antecipadamente com as fantasias.

Dez minutos depois de começar a aulinha, nenhuma estava inteira. Ou porque a pestinha estava correndo e tropeçando em tudo ou porque os outros rasgaram. Resultado: choradeiras intermináveis.

A da Bebel a Patty rasgou; a da Patty, a Sheila arrancou; a da Sheila, a Bebel e a Deli descosturaram, tudo de inveja.

Outras foram rasgadas não por inveja mas por safadeza, pelo Joãozinho. Só a Maria Tereza, naturalmente, está sentadinha no canto, insuportavelmente bem-comportada, mas o resto corre e pula como se os demônios estivessem aqui. Ai, quem dera!

Crianças, crianças! Sentem-se em roda agora que a Tia Odete vai contar umas coisas sobre os títulos antigos de nobreza. Isso se a Valzinha tiver a bondade de parar de falar um pouco para que a gente possa pensar.

Quando se fala em cortes antigas, não se imagina que essa palavra se originou do lado de fora dos palácios. Ela vem do Latim cors (antigamente cohors), “pátio cercado”, denominação que se estendeu para as pessoas ali reunidas e depois passou para “os que se reúnem em torno da autoridade”.

E essa palavra se formava por com, “junto”, mais a base hort-, relacionada com hortus, “jardim, lugar plantado”.

Os lugares onde moravam as autoridades tinham que ser especiais; assim que pôde, a humanidade começou a fazer palácios para elas viverem.

Esta palavra vem do Latim palatium, “morada oficial de um soberano”, que era o nome da residência de César Augusto, por ter sido erguida no Mons Palatinus, “Monte Palatino”, uma das sete colinas de Roma antiga.

Por sua vez, a colina recebeu este nome da palavra palus, “estaca”, dando a noção de um lugar cercado.

Pois bem. Então já localizamos a corte, em sua maioria composta por um bando de puxa-sacos, dentro do seu palácio.

Hein? Se eles poderiam estar também num castelo? Muito bem, poderiam, sim. A diferença é que este nome se aplica a um prédio defendido com muralhas. Ele vem do Latim castellum, “vila fortificada”, diminutivo de castrum, “acampamento militar romano, forte”.

Mas, dizia eu, estamos vendo uma reunião da nobreza. O título mais alto na nobreza européia foi o de imperador.

Esta palavra vem do Latim imperator, “chefe, comandante”, um título inicialmente dado a um general romano vitorioso, do verbo imperare, “comandar”, formado por im-, “em”, mais parare, “ordenar, preparar”.

Houve muito mais reis que imperadores, no entanto. Tal palavra vem do Latim rex, “rei”, derivada do Indo-Europeu reg-, “mover-se em linha reta”, daí “dirigir, guiar, comandar”.

Essa raiz gerou também a palavra rajá, “soberano hindu”.

Sim, Valzinha? Você quer saber como era rainha em Latim? Era regina, por quê?

Aann, você vai passar a chamar assim a filha da síndica porque a sua mãe diz que ela é a rainha da sem-vergonhice? Talvez sua mãe esteja enganada… Hum, sempre anda com roupas de grife e não trabalha, só sai com um senhor diferente a cada noite? Está certo, problema delas, mas isso não é assunto para a gente aqui.

Passando muito rapidamente para outra palavra, temos soberano, que vem do Latim superanus, “chefe, comandante”, derivado de super, “acima”. Ele era o que “ficava acima” dos outros.

Há uma palavra que só se usa em relação aos senhores feudais, suserano, “chefe, soberano”. Ela vem do Francês suzerain, derivado do Latim sursum, “sobre, para cima”, contração de subversum, “de baixo para cima”, formado por sub, “abaixo, sob”, mais versum, “virado”.

Tá, Ledinha, eu já ia chegar lá. Quando o rei e a rainha casavam podiam não ser felizes para todo o sempre como nas histórias de fadas, mas que se enchiam de principezinhos e princesinhas, se enchiam.

Essa palavra vem do Latim princeps, “o primeiro, o que vai à frente”, de primus mais a raiz de capere, “tomar, pegar”. Era “o que ia à frente” nas campanhas militares. Pelo menos em tese…

Em Espanha e Portugal há só um príncipe de cada vez, ao contrário dos outros países europeus, onde eles abundavam. Na Península Ibérica, este título estava reservado ao herdeiro do trono. Seus irmãos eram infantes, do Latim in-, “não”, mais fari, “falar”.

Não, Valzinha, não chore por eles. Não quer dizer que eles fossem proibidos de falar (que horror para algumas pessoas, não?), apenas o título era esse porque, em relação ao trono, eles eram desprovidos de poder como se fossem crianças.

Sim, Zorzinho, claro está que o sonho de muito infante era que o príncipe sumisse do caminho. Antes que você possa inventar muita história, vou responder a outra pergunta ali. Hein?

Calma, Danielzinho, já vou explicar a origem dos nomes dos outros cargos.

Para começar, o mais elevado deles depois do rei era o duque. Este nomezinho vem do Latim dux, “o que guia, líder”, que veio do Indo-Europeu deuk-, “guiar”.

Abaixo dele vem o marquês. Essa palavra vem do Francês arcaico marchi, “comandante de uma área de fronteira”, do Latim marca, “fronteira, território delimitante”. Inicialmente era o cargo de alguém que chefiava áreas de terra junto a outros países, coisa sempre mais complicada que no interior. Depois passou a ser apenas um título de nobreza.

Agora vem o conde, do Latim comes, “servidor, companheiro”, formado por com-, “junto, com”, mais ire, “ir”. Ou seja, era o que “ia junto” com o chefe. E que muitas vezes descolava um titulozinho, porque sabia agradar ou porque era verdadeiramente útil.

Depois dele está o visconde, de vicecomes, que começa por vice, “o que está no lugar de”. Era uma pessoa de confiança do Sr. Conde, inicialmente.

E aí vem o barão, do Frâncico baro, “homem livre”.

E, claro, não poderiam faltar os cavaleiros, cujo nome vem de caballus, “cavalo”, o simpático quadrúpede que os levava à batalha.

Os guerreiros montados sempre foram uma força de ataque especialmente temida, pela sua velocidade e força. Nas suas hostes havia mais possibilidade de um soldado se destacar por feitos brilhantes.

Equipar-se para ir à guerra montado também era consideravelmente mais caro, numa época em que nem isso os soberanos providenciavam; portanto, eles pertenciam a famílias de posses.

Sim, meninas, pode ser que um cavaleiro de armadura brilhante chegue para levar vocês dos seus palácios para instalar uma criação de lindos principezinhos; mas, se quiserem um conselho, estudem e parem de pensar em babaquices do estilo. Viu, Bebel?

Podem guardar seus materiais e sair. Façam o favor de avisar em casa que o “Dia da Fantasia de Nobreza” está suspenso porque recém hoje me lembrei que já foi proclamada a República neste país.

Resposta:

Tia Odete é Homenageada

– Puxa, pessoal, eu realmente não estou acostumada a falar em público, exceto para as crianças da minha aulinha. Como? Não preciso gritar tanto assim? Está certo, desculpem , é o hábito.

Mas que surpresa! Bem que ontem eu vi o pessoal preparando esses cartazes de “Viva a Tia Odete!”, mas não podia imaginar que fosse para mim, apesar de hoje ser o “Dia da Funcionária do Mês”.

E surpresa, não se esqueçam, vem do Francês surprendre, de sur, “sobre”, mais prendre, “pegar, prender”, do Latim prehendere, “agarrar, prender, pegar à força”. Imaginem o que o bandido sente quando está achando que escapou e o mocinho pula de uma árvore em cima dele. Essa é a idéia.

Mas, como eu ia dizendo, apesar da minha falta de experiência com uma audiência adulta, não posso me furtar a dizer uma ou duas palavras para agradecer a esta homenagem tão sincera e tão espontânea de que sou alvo.

E, falando em homenagem, posso dizer desde já que essa palavra provém do Provençal Antigo, onde era omenatge, derivado do Latim hominaticus, de homo, “homem”. Era uma forma de um homem prestar vassalagem a outro nas épocas feudais, mas acabou tendo um sentido geral de “fazer honrarias”.

É claro que eu sei que nossa escolinha está fazendo um daqueles programas de qualidade que são usados para extrair até o bagaço de quem trabalha, fazendo muitos cumprimentos e recusando aumentos.

E todos nós aqui sabemos que, como parte desse programa, cada pessoa daqui já foi nomeada “Funcionária do Mês”, desde o pessoal que varre o pátio até a Diretora que está ali ruborizada e que eu sou a última da lista e que no próximo mês tudo vai recomeçar, mas tudo bem.

Já que eu disse funcionária, não custa lembrar que esta palavra vem do Latim functio, “função”, de fungi, “cumprir, realizar, desempenhar”. Functionarius era quem exercia uma função. Chegou até nós pelo Francês fonctionnaire.

Em todo caso, agradeço comovida esta medalha de plástico dourado numa corrente de alumínio também dourado que estão me entregando.

Engraçado, há uma figura de atleta nela. Ou não havia outra na casa das medalhas ou então estão dizendo que sou uma verdadeira atleta por agüentar essa turma. Prefiro esta hipótese.

Colho a ocasião para contar aos presentes que agradecer vem do Latim gratus, “o que agrada ou que reconhece um agrado”.

E que comover vem do Latim commovere, “mobilizar, mover conjuntamente”, formado de com-, “junto”, mais movere, “mexer, deslocar, mover”. Uma pessoa comovida é alguém que foi retirada do seu estado natural pelo esforço de outros, mesmo que eles não estejam muito desejosos de fazer isso.

E medalha tem uma história até bastante longa. Em Francês é médaille, em Italiano é medaglia, e derivou do Latim metallea moneta, “moeda feita de metal”. Nesse idioma, metallum queria dizer “metal”, e derivou do Grego metallon, “minério, metal” . Só que o sentido original desta palavra era “mina, escavação para buscar material”, derivado de metalleúein, “escavar, minar”, relacionado ao verbo metallan, “procurar, pesquisar”.

Quem diria, um caminho ininterrupto entre os gregos que procuravam materiais úteis e esta coisinha barata que acabam de pendurar no meu pescoço!

Por sua vez, alumínio é da palavra cunhada por Sir Humphrey Davy, que lá pelo fim do século dezoito, descobriu este elemento. Inicialmente ele o chamou de alumium e depois aluminum. Este nome foi mantido pelos americanos, mas os ingleses preferiram aluminium, “que soava mais clássico”, conforme uma publicação de 1812.

O nome foi escolhido por ele devido ao alume, sal mineral usado como adstringente, que em Latim se chamava alumen, “sal amargo”, com a mesma origem do Grego aludoimos, “amargo”.

Mas acho que estou me desviando do meu objetivo, que é agradecer pelas honrarias de hoje.

E a maior honra foi terem trazido a minha turminha de aluninhos que me olham dali do fundo. Vejam só o Zorzinho escrevendo sem parar, a Valzinha falando sem parar, o Joãozinho muito compenetrado com alguma revistinha misteriosa, a Joana Beatriz ouvindo os sussurros do Sidneizinho no seu ouvido, a Ledinha sem saber o que está acontecendo… São uma turma inesquecível. Mal posso esperar que termine este ano.

Sinceramente, não precisavam tê-los trazido! Principalmente se queriam me homenagear de verdade.

Como dizia eu, é uma honra, palavra que vem do Latim honos, “honra, reputação, dignidade”, ser agraciada com este título e este diploma impresso pelo computador em papel A4 barato, vejam só: vou mostrar e vocês vão aplaudir como se fosse algo fabuloso.

Não vou dizer que diploma, “licença, mapa”, originalmente, vem do Grego diploun, “dobrar”, de diplos, “dobro” porque acho que todos já sabem, mas quero lembrar que esta palavra não deve ser confundida com dilema, um termo técnico de Retórica, do Grego dilemma, “dupla proposição”, formado por di-, “dois” e lemma, “premissa, algo aceito como verdade”. A noção correta é “ter que fazer uma escolha entre duas alternativas desagradáveis”.

Antes que alguém me pergunte de onde vem título, respondo que é do Latim titulus, “cabeçalho, inscrição”, de origem obscura. Adquiriu o sentido de “palavra que indica a posição hierárquica de uma pessoa” lá pelo século quinze.

E fabuloso vem de fabula, como se chamava em Latim uma história. Literalmente, quer dizer “o que é contado”, do verbo fari, “falar, contar”, com base Indo-Européia bha-, “falar”.

Os mais velhinhos, como eu, se lembrarão das fábulas que ouvíamos na infância, histórias edificantes passadas entre animais, cuja idéia era nos incutir moral e sentimentos elevados. Pelo que se vê do mundo ao nosso redor, parece que não deu muito certo.

Mas, senhora Diretora, – ei, a senhora sabia que esse seu cargo se chama assim porque em Latim dirigere era “colocar certo, determinar corretamente”, formado por dis, “fora” e regere, “guiar”? E que isso vem do Indo-Europeu reg-, “mover em linha reta”?

Como se supunha que o soberano de um povo fizesse tudo certinho, tudo direitinho – que tempos aqueles, não? – daí veio o Latim rex, “rei”. Em Sânscrito, era rajan, “rei, líder”, que originou rajá e marajá. Essa base também originou em nosso idioma as palavras reto e correto.

Como eu dizia antes de interromper a mim mesma, senhora Diretora, não posso senão expressar meus grandes agradecimentos por esta homenagem tão espontânea, tão sincera, tão pura, tão especial, tão… faltam-me as palavras, exceto para perguntar se já definiram um aumento de salário para nós, pobres seres que aguentam a dureza sem praticamente emitir uma queixa que seja.

Ah, puxa, desculpe, a senhora está atrasada para o dentista e vai ter que sair correndo, eu não sabia! Diga a ele que a senhora merece o prêmio de Paciente do Mês!

Resposta:

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