Palavra bagagem

origem de palavra

Palavras: bagagem

a origem da palavra bagagem

Resposta:

Veio do Francês bagage, inicialmente “equipamento militar”, de bague, “saco, pacote”.

TIA ODETE VIAJA DE AVIÃO – II

– Interessante casalzinho sentado ao meu lado aqui no avião, findo o lanche – palavra que veio do Inglês lunch, um encurtamento de luncheon, a qual veio lá dos mil quinhentos e setenta, quando se dizia nonechenche, que queria dizer “repasto leve de meio-dia”, de noon, “meio-dia” e schench, “bebida”, e que foi alterada por uma palavra do Norte do país, lunch, “pedaço de carne ou de pão”, e mais tarde foi aplicada a “comidinha leve entre refeições” – onde estava eu ?

Ah, sim, ia dizer que vou pedir licença para me levantar e caminhar um pouco pelo corredor, para fazer a digestão dessa coisa que aqui nas alturas eles denominam de “lanche”.

Antes que perguntem, explico que corredor vem do Italiano corridore, “corredor” mesmo, do Latim currere “correr”. O uso original era relativo a fortificações, onde muitas vezes era necessário correr mesmo, para fugir das balas inimigas. Não digo pedras e flechas porque o uso dessa palavra  data apenas de 1814, quando a humanidade estava mais avançadinha na arte de matar seus semelhantes e usava projéteis de chumbo impulsionados por pólvora.

– Boa tarde, senhoritas comissárias que estão reunidas aqui no fim do corredor, poderiam me dizer aonde levam estas portas? Dá para abrir um pouco para olhar lá para fora e ver se há mesmo anjinhos brincando nas nuvens? Ah, são os banheiros, posso olhar?

Nossa, mas que interessante o que há aí dentro! Pena que o nome esteja errado. Não entenderam? Ora, banheiro vem de banho, que vem do Latim  balneum, “lavagem corporal”, e aí dentro não vi nenhum chuveiro ou banheira. Pensando bem, não é má idéia, hein? Que tal instalar uma banheira nesse local, para maior relaxamento dos passageiros durante a viagem… ah, não digam, está por começar uma grande turbulência que vai derrubar todos os que estão em pé? Nossa, vou correndo de volta para meu assento e colocar o cinto bonitinho! Até logo, mas pensem em minha sugestão.

Com licença, doce casalzinho, já voltei para lhes contar mais coisas interessantes. Vocês – ops, desculpe o joelhaço – devem estar já com saudades do aprendizado grátis que estão recebendo.

Bem, de volta ao meu confortável assento – que deriva do Latim adsentare, “sentar-se em”, formado por ad, “a”, mais sentare, “sentar-se”… mas o que é aquilo ali na ponta da asa, que só notei agora?

Ou alguém colocou ali enquanto eu saí? Hum, o senhor diz que se chama winglet, é? Veja só, eu não conhecia o objeto em pessoa, mas já sabia que seu nome vem do Inglês wing, “asa”, mais –let, usado como sufixo diminutivo. Também sei que essa projeção vertical na extremidade de uma asa serve para dissipar os turbilhões de ar por ela gerados e assim reduzir o arrasto aerodinâmico.

Bem, vamos ver se vocês têm mais alguma dúvida etimológica – oh, coitadinhos, ambos tiveram uma súbita necessidade de ir ao banheiro ao mesmo tempo. Vão, por favor, que depois a gente continua. Ah, pretendem se trancar neles e só sair depois que o avião parar? Bem, se a coisa está assim…

– Por favor, senhora outra comissária que está passando por aqui, a que hora chegaremos? Ah, já estamos chegando, pois a tripulação implorou ao piloto acelerar ao máximo e usar todos os atalhos possíveis?

Curioso, parece que hoje todas as pessoas estão com pressa ao meu redor.

– Boa tarde, agradável senhor que desceu do avião comigo, pode me dizer o que estamos fazendo parados aqui? Ahn, esta é a esteira por onde serão entregues as nossas bagagens.  Enquanto elas não chegam, vou contar que esta palavra vem do Espanhol estera, que veio do Latim storea, “esteira” mesmo.

E colho também a ocasião para dizer que bagagem veio do Francês bagage, inicialmente “equipamento militar”, de bague, “saco, pacote”, provavelmente da mesma fonte escandinava que originou o bag inglês.

Ué, mais um que resolve ir correndo para o banheiro. Será que o lanche que serviram não estava bom? Para mim, que não estou acostumada a comer, acho que nada faz mal.

Ah, eis que chega a minha mala pela esteira.

– Com licença, minha senhora, desculpe empurrá-la bem quando a senhora ia pegar a sua mala, mas aqui vem a minha e eu tenho medo que, se não a pegar agora, os moços a agarrem e recoloquem no avião. Para compensar o empurrão, vou-lhe ensinar que mala vem do Francês malle, “saco de couro, cofre”, do Frâncico malha, de mesmo significado.

– Até logo, aeroporto de chegada! Em breve estarei aqui para ensinar mais coisas às pessoas que freqüentam este lugar tão interessante e moderno. Agora vou para o meu hotel…

– Boa tarde, senhor taxista, o senhor sabe de onde vem a palavra táxi?

Resposta:

Mochilinhas

Ai. Cena dantesca em minha sala de aula. Crianças aos gritos,dando socos em quem passar perto, puxando os cabelos umas das outras, escoiceando, atirando cadernos e lápis, pulando, berrando e dando risadas.

Valei-me São Benito que vou ter um faniquito. Santo Antenor, livrai-me deste horror. Santo Anspeçada, desaparecei com esta criançada. São Fernando, devolvei-me o controle deste bando.

Aqui, cri-an-ças! Vamos para de bater uns nos outros fazer uma roda aqui no chão e tentar descobrir o que foi que gerou este verdadeiro espetáculo do Circo Romano, aquele onde os lutadores se entrematavam para gáudio do público.

Hein? A Patty quis ver o que a Valzinha levava na mochila, aí esta achou ruim porque ali havia uma revistinha da tia dela que ela tinha prometido prô Joãozinho e achou que a Patty não podia saber dessas coisas e por isso a empurrou…

Bem, bem, ajeitem suas roupinhas e cabelos que a Tia Odete vai contar para vocês a origem de mochila. Esta palavrinha vem da época em que os escravos romanos, para não poderem passar por pessoas livres, tinham o cabelo raspado. Por isso eram chamados de mutilus, “mutilados”, já que tinham perdido uma parte do corpo.

Como muitas vezes eles andavam para lá e para cá levando às costas um saco de tecido com as compras do patrão, este começou a ser chamado de mutilus.

Como, Ledinha? O saco, não o patrão.

Depois de passar pelo idioma Basco, esse objeto para carregar material passou a se chamar mochila. Interessante, não?

Isso nos leva ao nome genérico de bagagem. Tal palavra nos veio do Francês bagage, de bague, “trouxa, atado, fardo”, de uma fonte escandinava que originou também a palavra bag, “saco”, em Inglês.

As bagagens costumam ser transportadas em malas, que também têm seu nome derivado do Francês – será que eles viajavam mais que os outros? – malle, “saco de couro”, do Frâncico malha, “saco para viagem”.

Sim, Aninha, maleta vem de mala, é o seu diminutivo. Menina esperta, essa! Que faro mais fino! Se se dedicasse mais ao estudo e menos à bagunça…

E, já que você falou nisso, podemos lembrar a valise, que vem do Italiano valigia. Como, em Espanhol, mala quer dizer “má”, a palavra que se firmou neste idioma para a mala de viagem foi valija, derivada do Italiano.

Um processo menos sofisticado de levar as coisas necessárias para uma viagem era colocar tudo num saco de qualquer material. Tal palavra vem do Latim saccus, do Grego sakkos, do Hebraico saq, todos com o mesmo sentido. Joãozinho, fique quieto.

Falando nisso, uma coisa que nós meninas não dispensamos ao viajar é a nossa nécessaire, uma bolsinha que os homens acham um absoluto mistério. Ali a gente leva as pinturas, os aparelhos de cuidar das unhas, os perfumes, todas essas coisas maravilhosas que os fabricantes nos dizem que vão atrair o Príncipe Encantado ao primeiro olhar ou à primeira fungada na nuca.

E, por mais que isso nunca aconteça, nós sempre acreditamos e compramos todas aquelas coisas para botar dentro. As esperanças nunca morrem!

Essa palavra francesa veio do Latim necessarius, “o que é indispensável”, literalmente “o que não tem volta”, de necesse, formado por nec, “não”, mais cedere, “recuar, ir embora”.

Também usamos uma bolsa para colocar nossas coisas dentro. Esse nomezinho veio do Latim pursa, idem, do Grego byrsa, “couro, pelego”.

Dentro dela colocamos o moedeiro, cujo nome evidentemente vem de “moeda”, e a carteira, que por incrível que pareça deriva mesmo de carta.

Não é assim, as cartas não ficavam amassadas porque no início as carteiras eram receptáculos grandes de couro que se usava para proteger a correspondência. Mais tarde elas foram encolhendo, até passarem a ser usadas para guardar dinheiro, entenderam?

Hum, o sinal do fim das atividades. Obrigada, Santa Paula, por termos chegado ao fim da aula.

Peguem as mochilinhas e não se metam mais no conteúdo das alheias.

Resposta:

Avião

– Diabinhos, parem de incomodar a Patty! Val, Bebel, Lúcia, Joãozinho, vão ali para trás e olhem o exemplo dos que não incomodam.

Olhem a Maria Tereza sentadinha de vestidinho branco imaculado, os pezinhos cruzadinhos debaixo da cadeira. Olhem o Zorzinho escrevendo sem parar, mesmo sem saber direito ainda. Olhem o Soneca roncando na sua cadeira. Por que vocês não podem ser assim?

Fiquem quietos! Pare de chorar e conte-me o que houve, Patty. Ah, você disse que queria ser aeromosca quando crescer e eles começaram a zoar?

Em termos de Português você merecia mesmo uma reprimenda, mas não era para tanto.

Vamos nos sentar que eu vou contar para vocês algumas coisas sobre aviões. Opa, foi só falar nisso que o Soneca acordou.

Avião é uma palavra que foi feita bem antes de existir o próprio, e é derivada do Latim avis, “ave”. Foi um francês, Landelle, que a usou primeiro num tratado chamado Aviation ou Navigation Aérienne, “Aviação ou Navegação Aérea”. O nome avion foi dado por Clément Ader a um aparelho que ele esperava que voasse em 1875 e pegou entre os idiomas latinos. Os Germânicos chamam seus aparelhos com nomes de outra origem.

Devo dizer, Patty, que as moças que têm tanto trabalho com os passageiros dentro desses aparelhos se chamam aeromoças, não aeromoscas. Nem vou dizer a derivação, que foi feita dentro do Português mesmo.

Não, Arturzinho, não dá para se saber como se dizia aeromoça em Latim porque em Roma não havia aviões.

Ai, Senhor, quando será que vão arranjar um bom professor de História Clássica no Maternal para este colégio?

Hoje este pessoal é chamado de comissário. Essa palavrinha vem do Latim commissarius, a pessoa que organizava os jogos circenses. Formava-se por com-, “com”, mais o verbo mittere, “lançar, emitir”.

Guiando o avião está um outro moço, o piloto, que comanda o leme para que a gente siga pelos caminhos do céu no meio das nuvens. Essa palavra veio do Grego pedon, “timão, leme”. Gostou, hein, Soneca?

O co-piloto não precisamos explicar de onde veio, né? Podemos dizer que ele usa um uniforme bonito como o resto do pessoal de bordo.

E essa palavra, de onde veio? Ah, do Latim uniformis, “o que tem um só aspecto, uma só forma”. Foi no Francês uniforme, de 1748, que essa palavra passou a significar “roupas usadas por um grupo para se distinguir dos demais”.

O avião tem uma fuselagem onde todos devem ficar sentados quietinhos bem bonitinhos até chegarem ao destino. Este nome vem do Francês de 1908 fuselage, “corpo do avião”, que vem do Latim infundibulus, “funil”, por certa semelhança de forma. E a palavra latina veio do verbo fundere, “derreter, espalhar, fundir”. Muitas vezes o material derretido para algum propósito era passado por um funil.

Tem também as asas, que derivam do Latim ansa, “cabo, punho, asa de vaso”. Por incrível que pareça, não vem de ala, “asa de ave”.

Geralmente nas asas há umas coisas penduradas e barulhentas que são os motores, que vêm do Latim movere, “deslocar, mover, fazer mexer”. Aplica-se a “máquina que dá a capacidade de mover algo” desde 1856.

Eles podem ser a jato, do Inglês jet, “jato”, do Latim jectare, “lançar, atirar”. Isso porque eles imprimem movimento ao avião lançando uma torrente de ar para trás.

Se os motores não forem a jato, eles têm uma hélice, que vem do Grego helix, “espiral, movimento circular”, do verbo eilein, ” torcer, girar” do Indo-Europeu wel-, “girar”.

Como? Não, não sou do tempo dos dirigíveis nem vi Santos Dumont fazer o primeiro vôo, engraçadinhos. Nasci bem mais tarde, para o seu governo.

Se pararem de me interromper, vou poder contar que, lá no fim da fuselagem, há uma estrutura chamada cauda, indispensável para a estabilidade e controle do avião. O nome vem de uma analogia evidente com a cauda dos animais, que era cauda mesmo em Latim e se situa lá no fim do bicho.

Para que ele possa andar pela terra quando não está voando, ele tem um trem de pouso.

Eu sei, eu sei que as rodas são de borracha, não são de trem. Esta palavra vem do Inglês train, do Latim traginare, uma forma do verbo trahere, “puxar, arrastar”.

Isso deu origem a palavras que expressam “objetos unidos uns atrás dos outros” e também “conjunto de coisas com uma finalidade comum”, que é o caso aqui.

Não, Lúcia, se o avião cai o pessoal de bordo não se atira de pára-quedas deixando os passageiros na mão lá dentro.

Eles cumprem com o seu dever de auxiliar as pessoas sob sua responsabilidade até o fim. Aliás, o nome desse artefato vem de parachute, uma palavra que um tal Blanchard, que andava fazendo experiências com balões, inventou em 1785.

O para- quer dizer “proteger contra” e vem do Latim parare, “preparar”; o chute vem do Francês antigo cheoir, “cair”, do Latim cadere, “cair”.

Os aviões descem nos aeroportos. Essa palavra se formou por analogia com os portos, onde também chegam e saem veículos com cargas, só que aqui os veículos andam pelo ar, aer em Latim e Grego.

Esses locais são também chamados aeródromos, palavra feita do Grego aer mais dromos, “correr, deslocar”, pois é isso que os veículos aéreos fazem ali.

Sim, Sheilinha, aeródromo tem a ver com dromedário, muito bem. O nome deste bicho em Grego era dromas kámelos, “camelo de corrida”.

Lá vem a Valzinha contar uma de suas histórias… E aí a bagagem da sua tia foi trocada no hotel pela de um senhor e ela só percebeu a troca ao abrir porque as malas eram iguais, mas havia muitas roupas íntimas femininas? E por que não? Decerto ele era representante, vendedor ou algo assim…

Ah todas de tamanho grande como ele? E da mesma cor? Sapatos de salto agulha 42? Chicotes e algemas também? Talvez ele fosse representante de artigos para carrascos, as roupas fossem para uma amiga de pé grande e vamos voltar ao assunto da aula e por favor fique quietinha aí.

Essas trocas de bagagem ocorrem às vezes. Não, comigo nunca aconteceram; andei pouco de avião. Por que andei pouco de avião?

Porque não ouvi o que o meu pai disse quando me recomendou casar com um sujeito bem de grana para depois me divorciar e ficar só gastando o dinheiro dele.

Mas não, ah, não! A esperta aqui resolveu que tinha um ideal, que era o de ensinar as crianças, o futuro de nossa nação, etc., e vejam só onde fui parar!

Mas deixemos de chorar pelo lacticínio derramado e falemos da origem de bagagem. Ela vem do Inglês baggage, que veio do Francês bagage, onde bague era “pacote, saco”.

Se depender de mim, vocês vão sair das minhas aulinhas com uma bagagem cultural nada desprezível. Se depender unicamente de vocês, sairão só com letras de pagode nas cabeças ocas.

Quando o avião parte, diz-se que ele decolou. Essa palavra vem do Francês décoller; foi criada lá por 1835 e… Parem com a gritaria! Eu sei muito bem que não havia aviões nessa época! Hein? Não, Deli, nem mesmo aviões gigantes de pergaminho!

Deixem-me falar: ela queria dizer, originalmente, “descolar, separar objetos grudados, afastar”. Em 1907, foi aplicada ao ato do avião se afastar da terra, como se estivesse antes colado nela e se soltasse. Viram, seus impacientes?

Tudo o que sobe deve descer; quando tudo corre bem, o avião aterrissa; é quando ele retoma o contato com o solo. Essa palavra vem, evidentemente, de terra, lugar onde preferimos andar.

Já se usou aterrar com o mesmo sentido, mas houve problemas. É que esse verbo já estava comprometido com dois outros significados, o de “encher de terra” e o de “assustar, aterrorizar”, este derivado do Latim terror, “medo, espanto, pavor”.

Enfim, Patty, algo me diz que sim, você terá uma carreira junto ao céu, mas não necessariamente como aeromosca.

Agora decolem todos e aterrissem em suas casas.

Resposta:

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