Palavra cilindro

SÓLIDOS

 

Boa tarde meninos, meninas, zumbis, abantesmas e outros seres que neste dia porventura se encontrem no recinto.

Hoje a Tia Odete não está para brincadeiras, portanto é bom todos se aquietarem e pensarem em se comportar como se fossem crianças normais e não criaturas vindas de um filme de ficção científica dos anos cinquenta.

Quero lhes mostrar, em primeira mão, uma coisa que vai incomodar as minhas colegas pedagogas. Sabem, aquela turma que diz que crianças não devem aprender a ler antes dos vinte e um anos, ou coisa parecida. E que, com isso, conseguem que elas não leiam nunca.

Olhem aqui, enquanto vou tirando da bolsa alguns objetos que fiz em casa mesmo, com cartolina, cola, tesoura e muita paciência.

Prestem atenção, que eu estou lhes apresentando os Sólidos Platônicos. Que assunto para o Maternal, hein?

Calma, depois vou falar sobre cada um. Mas antes vou contar que, uns quatro séculos antes de nossa era, havia um filósofo na Grécia que se chamava Arístocles. Mas ficou conhecido pela posteridade como Platão. Platon queria dizer “de ombros largos”. Não, Valzinha, ele não malhava, era assim de nascimento mesmo.

Ele usava muito a cabeça, como compete a um verdadeiro filósofo, e um belo dia descobriu algo muito interessante. Percebeu que, em nosso mundo tridimensional só existem cinco corpos, ou sólidos, que tenham faces iguais entre si.

Parem com essa agitação, ou eu não conto mais nada!

Essas crianças são difíceis de controlar, mas gostam muito de origens de palavras. Parece mentira que assim dê para lidar com elas.

Para começar, devo dizer que sólido vem do Latim solidus, “firme, completo, inteiro”.  Em Geometria, quer dizer uma figura que tem partes em todas as três dimensões de altura, largura e profundidade Ela é “limitada em todos os sentidos”, no jargão; mas não quebrem demais as cabecinhas com isso por ora.

Faustinho, quem lhe deu licença para ir à lousa e desenhar? Ah, você queria mostrar figuras geométricas. Desenhou rapidamente uma coisa que parece uma bolacha Maria amolecida e uma casa sem telhado esmagada por um terremoto…

Ah, trata-se de um círculo e um retângulo, é? Bem, mesmo dando um considerável desconto, reparem que essas são representações bidimensionais dessas figuras; elas não podem existir nesta nossa dimensão, só podemos dar uma ideia delas ao desenhar.

Olhem para meu material. Vamos começar com esta figura que lembra uma pirâmide, palavra que parece que vem do Egípcio pymar, “pirâmide” mesmo.

Pois este é o tetraedro, do Grego tetra, “quatro”, mais hedra, “assento, lugar que se ocupa, superfície”.

Isso, Valzinha, ele tem quatro superfícies triangulares iguais. Como você está esperta hoje!

Como? Foi porque esse é o número de namorados que pensa ter quando for maior? Ah, bem, tem gente que até tem bastante mais. Hein? Ao mesmo tempo? Tá bom, fique caladinha que senão eu não lhe mostro este aqui, que é o…

Não, senhores! Isto não é um quadrado! Um quadrado tem duas dimensões, isto é um cubo, do Latim cubus, do Grego kybos, “cubo, dado, vértebra”. E tem também um nome menos leigo, que é hexaedro, do Grego hexa, “seis”, mais hedra.

O que ele tem de quadrado são as faces, todas iguaizinhas.

Antes que a Valzinha tenha outras idéias sobre namorados, vou apresentar o octaedro, de octa, “oito”, mais… Está bem, Patty, não precisava gritar que agora vinha o hedra. Aliás, em homenagem a você, não vou mais citar essa palavra nesta aula. Agora feche a boquinha e preste atenção.

Olhem para ele aqui, ele lembra duas pirâmides grudadas pela base.

Certo, Aninha, ele é formado por dois tetraedros. Que turma que está atenta hoje! O que terá acontecido?

E apresento para vocês, saindo diretamente de minha bolsa que já está tão velha, coitada, que mereceria ser substituída se certos aluninhos se reunissem para comprar uma nova, mas não pensem que estou dando idéias… Onde é que eu estava mesmo? Ah, sim, ia mostrar o dodecaedro. Olhem só, ele tem apenas faces pentagonais e lembra uma bola de futebol sem curvas.

Ele tem doze faces, do Grego dodeka, “doze”. Quieta, Patty!

E agora o irmão mais complexo dos cinco, o icosaedro, com vinte faces, do Grego eícosi, “vinte”.

Calma, Lary, fale mais devagar. Quer saber se inventaram já os sólidos não-platônicos? Claro que sim, menina.

Por exemplo, temos o cone, que é a forma aproximada de uma casquinha clássica de sorvete. Essa palavra vem do Grego konos, “pinha”, pela forma.

O cilindro vem do Grego kýlindros, , “rolo”, ligado a kýlindein, “rolar”.

O paralelepípedo deriva do Grego parallelepipedon, “corpo com superfícies paralelas duas a duas”, de parallelos, (de para allelois, “um ao lado do outro”, de para-, “ao lado”, mais allos, “outro”), mais epipedon, “plano” (de epi-, “sobre”, mais pedon, “chão, piso”). Complicada de explicar esta, não?

E por hoje é só, quem comeu regalou-se, quem não comeu ficou com fome.

 

Resposta:

Material Automotivo 2

Na última edição, falamos um pouco sobre as origens dos nome de peças de automóveis. Vamos continuar o mesmo assunto desta vez.

FAROL – vem do Latim pharus, “construção elevada na costa para sinalização”, do Grego pharos.

SINALEIRA – do Latim signum, “marca para distinguir, sinal”.

VIDROS – Latim, vitrum, “vidro”, originalmente o nome de uma erva da família da mostarda, de cujas folhas se extraía um pigmento azul.

O vidro antigo era contaminado por impurezas que o deixavam dum azul semelhante ao dos tecidos corados com esta planta.

ALAVANCA – esta palavra vem do Grego phálanx, que queria dizer, além de uma determinada formação militar de infantaria, “rolo de madeira”.

PEDAL – esta vem do Latim PES, “pé”, do Grego POUS, idem. A razão é óbvia, não?

EMBREAGEM – vem do Francês embrayer, “colocar em conexão peças que se encaixam”, de braie, o nome de uma peça que fazia parte do moinho de vento.

ACELERADOR – do verbo latino accelerare, “apressar”, formado por ad-, “a”, mais celerare, derivado de celer, “rápido”.

FREIO – do Latim frenum, o nome da peça bucal que se usa nos cavalos para controlar sua direção e velocidade de passo.

BUZINA – vem do Latim BUCINA, “trombeta”. Na face humana, nas bochechas, existe um par de músculos, os bucinadores, responsáveis pela ação de assoprar um instrumento musical.

PAINEL – vem do Inglês panel, derivado do Francês panel, “almofada de sela, pedaço de pano”, do Latim pannellus, diminutivo de pannus, “trapo, pedaço de tecido”.

Na época anglo-normanda, tinha o significado de “pedaço de pano com uma listagem de jurados”, de onde o seu outro sentido de “grupo de pessoas reunido para discussão ou estudo”.

ASSENTO – do Latim sedere, “estar sentado”.

RADIADOR – Latim, radiator, “aquele que emite raios”, de radius, “raio de luz, vara reta, vara de uma roda”. Esta parte do motor é usada para dissipar calor por irradiação.

CAPOTA – vem de “capote”, uma peça de roupa que recobre outras, do Latim cappa, “capa”, derivado de caput, “cabeça”, pois ela também recobria esta parte do corpo.

ESPELHO RETROVISOR – a primeira palavra vem do Latim speculum, derivado de specere, “olhar”.

A outra se forma por retro, “para trás”, mais um derivado de vedere, também “ver”.

PISTÃO – do Francês piston, “peça cilíndrica encaixada firmemente dentro de um tubo”.

CRUZETA – essa tá na cara, né? Vem de “cruz”, do Latim CRUX, idem.

MANGUEIRA – de “manga”, que vem do Latim manica, “parte da roupa que recobre os braços”, de manus, “mão”.

CÂMARA – vem do Latim camera, do Grego kamara, “aposento com teto curvo”.

CILINDRO – do Latim cylindrus, do Grego kylindros, “rolo”, de kylindrein, “enrolar, envolver”.

Resposta:

Material Automotivo 1

Os veículos automotores são formados por um enorme número de peças, algumas com nomes que nos parecem muito esquisitos. Vamos hoje descobrir algumas de suas origens.

RODA – vem do Latim rota, “roda” mesmo. Liga-se à palavra rotundus, “redondo”. Atenção: essa palavra rota nada tem a ver com a “rota” que a roda do carro percorre; esta vem do Latim rupta, “rompida”, da expressão via rupta , “caminho aberto, rompido à força”.

EIXO – onde há uma roda girando, tem que haver um eixo. Esta palavra deriva do Latim axis, “eixo”, que em Indo-Europeu se dizia aks-.

Em 1936 se constituiu o Eixo, aliança político-militar entre Alemanha e Itália, depois incluindo o Japão, mas isso é outro assunto.

A segunda vértebra cervical é chamada de axis, porque ela apresenta uma protrusão vertical que nos permite girar a cabeça de um lado para outro, para fazer que “não” com ela.

PNEU – encurtamento do Francês pneumatique, “pneumático”, ou seja, “cheio de ar”. Deriva do Grego pneuma, “ar, vento, sopro”.

Sim, pneumonia, “doença pulmonar infecciosa” é parente; a palavra grega foi usada para diversos nomes cultos relacionados com o pulmão.

CALOTA – enquanto os ladrõezinhos não a levarem, geralmente as rodas apresentam uma calota. Ela vem do Francês callotte, “solidéu, gorrinho redondo usado colado à cabeça”, do Provincial calota.

MOTOR – sem ele nem adianta existir o veículo… Deriva do Latim motor, “aquele que desloca, que move” do verbo movere, “deslocar, trocar de lugar”.

Sim, movimento vem daí. Bem como movediço e móvel.

VIRABREQUIM – eta nome mais estranho. Ele veio do Francês vilebréquin, “conjunto de articulações para transformar um movimento retilíneo em rotativo”, em uso desde o século XVII, do Holandês wimmelkijn, idem.

CARBURADOR – vem do Inglês carburet, “material composto por carbono e outra substância”. A parte de motor a explosão onde se mistura a gasolina com o ar recebeu esse nome em 1896.

CILINDRO – os motores costumam ter um número variável deles. A palavra vem do Latim cilindrus, do Grego kylindros, “rolo”.

ENGRENAGEM – do Francês engrener, “encaixar rodas dentadas”, “colocar grão no moinho”, derivado do Latim granus, “grão”.

Portanto, é parente de grânulo, granola, granja.

GUIDOM – do Francês guider, “guiar”.

SUSPENSÃO – é o que nos permite chegar no destino sem que as articulações se tenham desconjuntado.

Vem do Latim suspendere, “pendurar”, formado por sub-, “de cima para baixo”, mais pendere, “manter pendurado”.

Resposta:

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