Palavra couraça

ARMADURA

Eu tinha andado lendo uns livros sobre a Idade Média que meu avô me tinha emprestado e fui visitá-lo para tirar umas dúvidas. E também para desfrutar da agradável companhia dele, que por sua vez gostava de me ver.

– Vô, ontem embatuquei lendo um dos seus livros, quando o cavaleiro se aprontou para enfrentar o inimigo e colocou a lança em riste. O que é isso, o bagageiro do cavalo?

O velho riu:

– Não. Os cavalos não tinham bagageiro. Aliás, nem caixa de mudança ou guidom, seu citadino.

Fiz meu melhor ar atoleimado:

– Aah…

Riste era uma peça que se situava à direita da couraça que defendia o tórax do cavaleiro, uma projeção fixa no metal. Servia para apoiar o cabo da lança quando ele
investia. Vem do Catalão rest, provavelmente ligado ao Francês rester, “descansar, repousar, apoiar”.

Outras partes da armadura eram o peitoral, que servia para…

– … para proteger o peito do herói!  –  disse eu, triunfante.

– Impressionante como você está sabido, meu neto! Não esperava tanto de você  –  disse ele.

Agora, se você já terminou de se meter a engraçadinho, vou lhe contar que essa palavra vem do Latim pectus, “peito”.

– Mas isso não se chama couraça também?

– Sim, este nome é dado à parte da armadura que protege  o tórax. Veio do Latim coriacea vestis, de corium, “couro”, mais vestis, “roupa, veste”. Isso porque inicialmente era feita de couro.

– Eu tenho uma jaqueta de couro, mas acho que ela não seria grande coisa para me defender de uma espada!

– Santa Paciência, é hoje que eu vou infartar. Saiba, meu ignorante neto, que essas peças eram feitas com couro cozido e prensado, o que resultava num material de excelente resistência.

– Ah. E a armadura propriamente dita, vem de onde?

– Do Latim armatura, “armadura” mesmo, de arma, “armas, material bélico em geral”.

– Outro dia eu vi na TV um tanque passando e o texto em Inglês falava em “armored
car”
. Isso não quer dizer “carro com armas”?

– Não, quer dizer “blindado”. Esse armored se refere a placas de defesa, não a armas.

O que me lembra de uma palavra que certamente você não conhece: gargueira.

– Isso é algum remédio para gargarejar depois da batalha?

– Até é; era uma peça que garantia que o soldado ainda teria uma garganta nessa ocasião. Tratava-se de uma peça usada na frente do pescoço para defendê-lo. Vem do Latim gula, “garganta”, derivado de um som imitativo de ruídos feitos sem o uso
das cordas vocais, garg. E você está certo em associar a peça da armadura a gargarejo, pois elas têm a mesma origem.

Esta peça ainda tem uso simbólico em alguns uniformes de gala hoje em dia, como no Exército inglês.

Perto dela, logo acima, ficava o elmo, a proteção para a cabeça inteira, que deriva do Frâncico helm, “elmo, capacete”, do Germânico helmaz.

Falando no capacete, temos que sua origem é discutida. O que parece se aproximar mais da verdade é que venha do Espanhol capacete, “peça de proteção para a cabeça”, do Latim capaceum, derivada de capere, “conter”.

Na Idade Média, houve uma moda de se colocar sobre o capacete figuras as mais estranhas, feitas em couro ou algum outro material. Eram monstros heráldicos, animais, plantas, qualquer coisa servia para aumentar a estatura do cavaleiro e assustar o inimigo. Claro que este também fazia de tudo para assustar, de modo que ficavam elas por elas.

De qualquer modo, eles usavam um tecido protegendo o capacete contra a poeira e a ferrugem. Ele começou a ser feito nas cores principais do escudo do portador. Chamavam-se lambrequins, do Holandês lamperkin, de lamper, “tecido fino”.

Eles fazem parte importante de um escudo de armas quando se estuda Heráldica.

– E o escudo, Vô?

– Vem do Latim scutum, “escudo alongado”. Pensei agora no guante, uma espécie de luva em metal, do Frâncico want-, “punho”.

Note como os germânicos e os francos, que eram um povo germânico, originaram palavras relacionadas a atividades bélicas. Parece que eles gostavam de uma boa confusão.

Eles protegiam as pernas com uma peça chamada greva, que parece vir do Francês grève mas cuja origem se desconhece.

E para as coxas eles faziam defesas chamadas coxotes, do Latim coxa, “coxa”, mas que inicialmente se usou para designar “osso do quadril”.

Pois essa parte da armadura se chamava quijote em Espanhol, há alguns séculos. Foi esse o nome que um cavaleiro senil chamado Alonso Quijano, que vivia num lugar chamado La Mancha, escolheu para si quando resolveu sair mundo afora vingando injustiças e libertando donzelas indefesas.

– Verdade, Vô?

– Quando você ler “Dom Quixote” vai saber. Até lá, continue interessado.

 

Resposta:

COURO

 

Eu ainda não tinha feito dez anos mas já gostava de visitar meu avô em seu gabinete.

Eu me sentia bem com ele e percebia que o velho de barba branca não era na verdade o carrancudo que tentava aparentar. Pelo menos comigo. O resto não importava.

Ah, o seu estúdio! Aquela peça no fundo do pátio era o paraíso para mim. Aconchegante, forrada por livros e objetos interessantes, com estofados de couro amaciado pelo tempo e pelo estudo…

Só muito mais tarde percebi que iria passar a vida toda tentando providenciar um lugar assim para meu uso.

Mas naquele dia, talvez devido à luz do fim da tarde que entrava pela janela, meus olhos estavam atraídos pelo couro das poltronas.

– Quem foi que inventou o couro, Vô? – perguntei, sabendo que ele entenderia o que eu queria dizer.

– Ah, meu rapaz, esse é um dos materiais usados há mais tempo pelo Homem, e sua utilidade está tão presente agora quanto há milhares de anos. Pensando bem, está mais presente ainda.

A palavra que usamos para ele vem do Latim corium, “pele retirada de animal”, do Grego khorion, “couro, membrana, pele”, de uma fonte Indo-Europeia sker-, “cortar”.

– Parece certo, né? Não dá para tirar um couro sem cortar.

– Isso mesmo, para supremo incômodo do portador do couro. Aliás, essa mesma fonte resultou na palavra latina caro, “carne”, pelos mesmos motivos.

O Grego khorion nos deu a palavra de uso erudito cório, usada em Biologia e Zoologia para designar vários tipos de membrana.

E   corium nos deu, por exemplo, couraça, que designa a parte da armadura que protege o tronco, envolvendo peito e costas.

– Ué, Vô, as armaduras não eram de metal?

Couraça é um nome usado até hoje, com base nas proteções mais antigas, que podiam ser de couro fervido, muito resistente e que davam proteção muito boa  –  até que as armas foram se aperfeiçoando e acabaram com a festa.

Veja que existem navios chamados encouraçados justamente por terem uma blindagem especialmente resistente – e ela não é de couro.

– Ia ser difícil costurarem tudo aquilo ao redor do navio.

– Isso, você está ficando mais inteligente a cada dia. O que me lembra que há uma classe de soldados que não temos mais, os couraceiros.

– Andavam com um couro de vaca pendurado nas costas, Vô?

– Não exatamente, seu graciosinho. Começaram no século XVI, com equipamento muito semelhante ao dos cavaleiros medievais. Até o século XIX participaram de batalhas usando a couraça e o capacete.  Eram homens grandes, em cavalos muito fortes, e tinham em conjunto uma especial capacidade de choque.

Até hoje há exércitos europeus – Espanha, Inglaterra, Itália, França, por exemplo – usando regimentos de couraceiros, que fazem bonita figura quando desfilam com seus uniformes de gala.

– Quando o senhor era moço lutou contra eles, Vô? – eu disse com meu ar mais ingênuo  – o que fez o velho me virar olhos esbugalhados e dizer:

– Não, seu tolo. Quando eu servi nas Forças Armadas, a gente usava só pedras e pedaços de pau. Essas modernidades vieram muito depois de minha época. Agora aquiete-se e me deixe contar sobre uma coisa muito interessante.

Se você não sabe, é hora de saber o que é um pergaminho. Trata-se de um material para escrita que teve importância enorme na história humana.

Tudo começou, ao que parece, lá pelo segundo século  AC. Foi quando um tal de Eumenes, governante de Pérgamo, uma cidade da Ásia Menor, ficou aflito porque se defrontou com uma grande escassez de papiro, o material retirado de uma planta aquática e que servia para escrever.

– Ué, naquele época o pessoal gostava tanto assim de escrever?

– Talvez não gostassem tanto, mas precisavam fazer isso para poderem manter funcionando a administração e as leis.  Seja como for, ele acabou determinando o surgimento da indústria do pergaminho, um material feito a partir do couro de novilhos, cabras e ovelhas.

– Mas, afinal, isso é um couro; por que ter um nome diferente?

– Inicialmente, é um couro mais fino, de animais com, digamos, um revestimento menos espesso que o de gado bovino adulto. Depois, o tratamento é diferente: ele é tratado com soda cáustica e não é curtido. Desse jeito, ele não fica impermeável e se presta a receber e absorver tinta. Se não fosse assim, ela iria escorrer e fazer uma lambuzeira daquelas.

– Ah, entendi.

– Pois o material chegou para ficar, ainda mais que, como era mais resistente que o papiro, formado apenas por fibras vegetais, ele se prestava muito bem para o uso em rolos.

– Aqueles que aparecem nos filmes sobre Roma e tempos bíblicos? Aquelas coisas pareciam meio incômodas de se usar.

– Você tem razão. Era mesmo atrapalhado de encontrar uma parte qualquer porque era necessário desenrolar tudo até chegar ao ponto desejado. Foi por isso que se começou a usar uma outra apresentação para a palavra escrita, o códice, que vem do Latim codex, literalmente “tronco de árvore”, porque era feito inicialmente com tabuinhas de madeira recobertas com cera para escrever. O códice tem a estrutura de nossos livros atuais e é muito mais fácil de usar.

– Bem, Vô, mas esse tal de pergaminho já está fora de uso há séculos. Por que o senhor diz que ele é tão importante?

– Engano seu. Ainda hoje há documentos nacionais muito especiais que são feitos em pergaminho.

E mais, há muitos artistas que estão procurando esse material como base para suas obras, pois eles dizem que ele interage com o material de desenho, se retorce levemente e faz saliências e afundados que conferem à obra uma caráter quase de ser vivo. Assim, o século XX viu um renascimento do pergaminho.

Mas a grande importância a que eu me referi é a seguinte: o papiro era muito frágil e permitia a escrita apenas num lado. Já o pergaminho não só permitia fazer isso dos dois lados como deixava que um texto anterior fosse apagado por meio de raspagem e se escrevesse um novo em seu lugar.

Por isso esse material era chamado palimpsesto, do Grego palin, “para trás”, e psen, “esfregar suavemente”.

– E daí?

-Daí que várias obras perdidas, ou seus trechos, foram recuperadas de textos de menor importância. Como o pergaminho era caro, ele era amplamente reaproveitado e muitas vezes eram anotados fatos de menor importância por cima de escritos de grande valor.

Hoje há muito trabalho de pesquisa com equipamentos modernos feito em palimpsestos guardados como tesouros em bibliotecas antigas.

 Veja só o quanto a gente pode aprender simplesmente prestando atenção num material que está espalhado ao nosso redor e que aparenta ser tão banal que a gente nem nota.

E já que você está aí, pegue um pano e me ajude a limpar o couro de meus estofados.

Resposta:

Armas Antigas

Certa vez, quando eu estava com uns doze anos, contei para o meu avô, em seu gabinete confortável e cheio de livros:

– Sabe, Vô, que no outro dia eu tinha lido umas coisas sobre as guerras da Idade Média e comecei a pensar que, se eu vivesse naquela época, poderia ter inventado algumas armas.

– E o que foi que você bolou? – disse o velhote.

– Pois comecei a pensar em alguma coisa que fosse pesada, que tivesse uma ponta… Ia precisar ter uma parte cortante, uma defesa para a mão de quem usa… E acabei inventando a espada!

O velho riu:

– Coisas assim já me aconteceram. Eu poderia ser rico, por exemplo, se outra pessoa não tivesse inventado o serrote muito antes de mim!

Mas, já que você puxou o assunto “armas antigas”, posso lhe contar umas coisas sobre os nomes delas.

Fiquei contente:

– Oba! Comece pela espada, Vô.

– Claro, quando se trata de lidar com armas, eles se interessam; se fosse para aprender Matemática você não estaria assim tão faceiro. Mas vamos lá, que eu também fui desse jeito.

Espada vem do Grego spathé, “peça achatada de madeira usada pelos tecelões, pá do remo”. Como vê, a palavra começou a vida descrevendo objetos menos destrutivos. Devido ao formato, acabou aplicada ao instrumento de guerra.

Mas esse vocábulo grego também originou, por exemplo, espátula, “objeto achatado usado em artes”, espáduas, “costas, dorso de uma pessoa”, o espaldar da cadeira onde a gente apóia as ditas cujas.

Os romanos usavam uma espada curta, o gládio, cujo nome parece vir do Gaulês kladyos, do Indo-Europeu qelad-, “bater, golpear”.

– Daí os gladiadores?

– Isso mesmo. E também o gladíolo, uma flor, devido ao formato das folhas.

– E a lança, Vô?

– Essa vem do Latim lancea, “lança leve de arremesso”, palavra de origem celtibérica. Desse nome derivou o verbo lançar, que no começo se referia apenas ao atirar da lança e depois passou a designar o arremesso de qualquer coisa, desde pedras até desaforos, tomates e ovos podres.

Esta arma tem diversas variantes, cada uma com seu nome. Os romanos usavam a hasta, que corresponde mais à imagem comum da lança, e o pilum, especial para se cravar no escudo do inimigo para o obrigar a largá-lo, deixando-o desprotegido.

Havia também o venábulo, uma lança curta muito usada para a caça, de onde tirou o nome, pois venare em Latim queria dizer “caçar”. E também outra lança curta, o dardo, que veio do Germânico darothuz, “lança”.

– Mas há outras coisas mais curtas que se chamam dardo, não é?

– Sim. Há aqueles que os ingleses atiram num alvo enquanto bebem cerveja morna nos seus pubs. Há os que são usados com tranqüilizantes para sedar animais. Às vezes, quando estamos incomodados, nosso olhos dardejam também, sabia?

Eu sabia. Já tinha visto uma vez aquele fogo gelado nos olhos do velho e não queria ver de novo. Puxei rápido outra pergunta:

– E o arco e a flecha, Vô?

– O arco tem origem meio complicada: veio do Latim arcere, “conter, repelir, afastar, guardar”, que originou também a arca onde antigamente a gente guardava os tesouros, e as arcadas dos prédios clássicos, por exemplo. Aplicou-se a analogia destes objetos curvos ao instrumento de arremesso de flechas.

E estas têm o seu nome originado no Frâncico fliukka, “flecha”, ligado ao verbo germânico fliegen, “voar”.

Elas podem ser chamadas também de setas, do Latim sagitta, “flecha”.

– E o que isso tem com o tal signo do Sagitário?

– Tem que essa constelação representa um centauro atirando com arco e flecha, daí o nome dela.

– Hum. Uma vez vi escrito frecha num dos seus livros antigos. Que erro, hein?

– Nenhum erro. Frecha é uma forma antiga mas ainda é Português correto, embora quase não se use em nosso país.

– E aquela espécie de arco com coronha?

– Ah, a besta, uma arma que lançava projéteis mais curtos que as flechas comuns e com energia bem maior. Havia uma grande discussão entre os seus partidários, que destacavam o grande alcance dela, e os do arco e flecha, que podiam disparar com muito mais velocidade.

Pronuncia-se bésta, preste atenção, com “É” aberto. Não tem nada a ver com besta com “Ê” fechado, que vem de bestia, “animal”.

O nome da arma deriva do Latim balista, uma arma pesada para arremessar dardos. Pode-se dizer também balesta ou balestra.

Mas, voltando às armas de combate próximo, temos o machado, que parece vir do Latim marculatus, derivado de marcus, “martelo”. E o que você me diz da francisca?

– Faz tempo que a gente não sabe da nossa vizinha, desde que ela fugiu com o pastor da igreja dela…

O velho riu muito:

– Peguei! Francisca é o nome do machado de duas lâminas que os godos gostavam muito de usar no pescoço alheio. O nome mais usado é franquisque, mas o outro está certo. Vem da palavra latina franciscus, “Frâncico”, um povo germânico que fazia das suas pela Gália.

– Essa eu não conhecia mesmo. Mas e quanto àquela coisa com uma bola e pontas de ferro…

– A maça. O nome vem do Latim mattea, derivado de matteola, “malho, martelo grande”. Era uma arma extremamente destruidora, mas precisava ser manejada por uma pessoa muito forte. Podia ter as pontas instaladas na extremidade rombuda ou ter uma bola espinhuda presa ao cabo por uma corrente.

– Não parece muito esperto isto da corrente, Vô. Fica mais difícil para usar. Qual era a vantagem?

– A vantagem era que a bola podia ser girada e passar por cima do escudo do desafeto para acertar a cabeça dele por trás. Acha pouco?

– Tá bom, Vô. Antigamente eles eram mais espertos do que eu pensava.

– Não se esqueça disso na hora de avaliar a minha inteligência. Mas você já ouviu falar de um cavaleiro de lança em riste?

– Já li alguma frase assim. Não quer dizer “com a lança levantada”?

– Atualmente quer dizer com qualquer coisa levantada, mas originalmente riste era uma peça da armadura peitoral que servia para apoiar o cabo da lança ao erguê-la para acometer o inimigo. Vem do Catalão rest, que era o nome desta peça.

E já que falamos em capacete, sua origem é discutida. O que parece se aproximar mais da verdade é que venha do Espanhol capacete, “peça de proteção para a cabeça”, do Latim capaceum, derivada de capere, “conter”.

Podemos falar também em armadura. Essa palavra vem do Latim arma, originalmente ligado a “armas de defesa, peças para evitar ferimentos no soldado”.

Ela pode ser chamada às vezes de couraça, do Latim corium, “couro”.

– Não me diga que se faziam armaduras de couro, Vô! Essa não!

– Faziam, com couro grosso fervido e elas serviam muito bem, sendo mais leves que as outras.

Mas quem fala em armadura logo se lembra de escudo, que vem do Latim scutum, “escudo”.

Falei no capacete e me esqueci que, nas armaduras antigas, se falava mais em elmo, do Frâncico helm, do Germânico antigo khelmaz, “cobrir, esconder”.

Logo abaixo da proteção para a cabeça vinha, na armadura de placas, uma peça chamada >gorgueira, para proteger o pescoço, do Latim gurguis, “garganta”.

Isso me lembra que a palavra usada para designar a peça que protegia as coxas é coxote, do Francês cuissot, que vem de cuisse, “coxa”, que era coxa no Latim. Em Catalão, essa peça se chamava cuixot, passando a quijote em Espanhol.

– Ué, Vô, esse não é o nome do…?

– Exatamente: Dom Quixote, “El Caballero de la Triste Figura”, da obra de Cervantes.

– Não entendi essa confusão do nome dele com uma peça de armadura.

– O nome dele na história era Alonso Quijano. Por semelhança com o sobrenome, ele teria escolhido como nome de guerra a palavra que designava essa peça. Em Espanhol da época, escrevia-se Quixote, com “X”, e se pronunciava com o som do nosso “CH”.

– Puxa, Vô, como a gente aprende coisas quando se põe a estudar as origens das palavras!

– É isso mesmo, rapaz. Mas a gente tem que estudar direitinho, para não acabar inventando origens, assim como você estava querendo inventar armas. Da próxima vez a gente fala mais. Até logo.

Resposta:

Do NOT follow this link or you will be banned from the site!