Palavra pílula

REDONDO

Eis aí um conceito intuitivo que todos têm, mesmo sem poder explicar direito de que se trata sem apelar para uma forma descritiva, como “bola”, “esfera” ou “aquilo que tem
curvas”.

Já que ele aparece a todo momento nodia-a-dia, vamos examinar algumas palavras que a ele se relacionam.

REDONDO – do Latim rotundus, “circular, redondo”, derivado de rota, “roda”.

Em outras épocas, essa palavra tinha o sentido de “total, cheio, completo”, numa alusão à simetria de um círculo e por este delimitar uma área fechada. Essa é a origem de nossa expressão “estar redondamente enganado”, ou seja, “completamente errado”.

CÍRCULO –  do Latim circulus, “pequeno circo”, de circus, “local para demonstrações ou espetáculos”, do Grego kyklos, “curvado, redondo”, já que as pessoas se dispunham desse modo ao redor da atração para acompanhar o que estava acontecendo.

CIRCUNFERÊNCIA  –  de circum, “ao redor”, mais ferre, “levar, carregar, portar”.

ESFERA  –  do Latim esphaera, “globo, bola, espaço curvo ao redor da Terra”, do Grego sphaira, de origem desconhecida.

No século XIV, acreditava-se que havia sete ou dez esferas invisíveis e concêntricas girando ao redor de nosso planeta e servindo de base aos corpos celestes. Quando elas roçavam uma na outra, o som resultante era chamado de “música das esferas”. Diziam que era muito bonito. Desde que se deixou de acreditar nas tais esferas, não se ouviu mais a música.

GLOBO  –  do Latim globus, “massa arredondada, bola, esfera”, relacionado a gleba, “torrão, porção, amontoado de terra”.

Desta se originou a nossa palavra “gleba”, com o sentido de “área de terra, local de nascença, terreno para cultivo”.

Um diminutivo de “globo” é “glóbulo”, nome dado a certos elementos figurados do sangue nos quais devemos estar sempre atentos: os glóbulos vermelhos e os glóbulos brancos.

CÔNCAVO  –  do Latim concavus, “arqueado, curvo, vazio”, de com, “junto”, mais cavus, “vazio, oco”. Desta palavra surgiu a nossa cavidade.

CONVEXO  –  do Latim convexus, também “arqueado, curvo”, mas para o outro
lado. Forma-se por com, mais vehere, “trazer”, possivelmente através da noção de as curvas de uma abóbada se encontrarem no centro dela.

BOLA  –  do Latim bulla, “bola, bolha, objeto esférico”, do Indo-Europeu bhel-, “inchar”. Naturalmente que balão é um aumentativo.

Uma parente dessa palavra é bula, nome dado até hoje a certos documentos emitidos pelo Papa. Eles começaram a ser assim chamados devido aos selos de lacre que os autenticavam e que eram redondos. A bula dos remédios recebeu esse nome a partir daí.

BEXIGA  –  em vários lugares do Brasil, esse é o nome usado para o balão das festas infantis. Vem do Latim vesica, “bexiga”, pois com esse órgão dos animais eram feitas bolas para as crianças e os marmanjos se entreterem.

PÍLULA  –  do Latim pilula, diminutivo de pila, “objeto redondo”, usado especificamente para “bola de jogar”.

A expressão “dourar a pílula” vem da época em que algumas pílulas eram pintadas de dourado para se tornarem mais atraentes para aqueles que tinham que engoli-las (muitas vezes eram demasiado grandes ou de sabor desagradável). Seu significado é “disfarçar algo ruim com um aspecto melhor”.

PELOTA  –  é um diminutivo de “pela”, que quer dizer “bola” em nosso idioma, embora tenha pouco uso. Veio também de pila.

RONDA  – do Espanhol ronda, “ato de vigiar deslocando-se”, o que nos castelos significava dar uma volta ao redor de certa área e recomeçar do início. Deriva de rotundus.

Resposta:

FORMAS MEDICAMENTOSAS

 

São numerosas as formas que a Farmacologia usa para introduzir no corpo humano substâncias para tratar as doenças. Umas através da pele, outras de engolir, outras doloridas – mas que têm que ser usadas para evitar um mal maior.

A seguir, as origens dos misteriosos nomes usados para elas.

POMADA – veio do Italiano pomata, de pomo, “maçã”, do Latim pomum, “fruta”, porque uma das primeiras receitas incluía maçãs esmagadas.

UNGUENTO – do Latim unguentum, “óleo perfumado, essência”, de unguere, “untar, ungir”.

Na Roma antiga, chamava-se unguentarius o sujeito que trabalhava com esse material, o que hoje diríamos “perfumista”.

CREME – veio de uma palavra latina de origem gaulesa, cramum, misturada com o Latim chrisma, outra palavra que eles tinham para ungüento, essa vinda do Grego khrisma, de mesmo significado.

LOÇÃO – do Latim lotio, “ato de lavar”, de lotus, forma popular de lautus, particípio passado de lavere, “limpar, lavar”.

COLÍRIO – do Latim collyrium, do Grego kollyrion, “emplastro, ungüento para os olhos”.

EMPLASTRO – do Latim emplastrum, “medicamento que permanece sobre a pele”, do Grego emplastron, derivado de plassein, “modelar, dar forma”.

CATAPLASMA – do Grego katáplasma, de kataplassein, “cobrir com gesso”, formado por kata-, “contra, encostado em”, mais plassein.

 SPRAY – é uma palavra inglesa, mas é tão usada que vamos citá-la igualmente. Vem do Germânico antigo spraewjanan, “espalhar”, de uma fonte Indo-Europeia sper-, “espalhar”.

EMBROCAÇÃO – poucos conhecem esta palavra, confessem. Ela designa o ato de passar medicação líquida na pele, como se esta estivesse sendo pintada, e deriva do Grego embrokhe, “loção, remédio de passar na pele”.

INJEÇÃO – ui, dá medo! Este nome vem do Latim injectio, de injicere, “lançar em”, formado por in-, “em”, mais jacere, “atirar, lançar”.

ESCARIFICAÇÃO – algumas vacinas são feitas por este método de raspar a pele em alguns pontos e depois pingar o líquido com os vírus desativados no local.

A palavra deriva do verbo latino scarificare, “abrir por meio de raspagem”, do Grego skariphasthai, “riscar um contorno, esboçar”, de skariphos, “estilo, varinha de escrever”.

COMPRIMIDO – é o particípio passado de “comprimir”, já que eles são feitos apertando-se o pó onde estão misturados o veículo e a substância medicamentosa.

E comprimir vem do Latim comprimere, “apertar, comprimir”, formado por com-, “junto”, mais premere, “apertar”.

PÍLULA – do Latim pilula, “objeto pequeno e arredondado”, diminutivo de pila, “bola, bolota”.

DRÁGEA – do Francês dragée, “confeito com nozes, amêndoas e pistache recoberto de açúcar”, originalmente “mistura de grãos variados para forragem animal”.

CÁPSULA – do Latim capsula, diminutivo de capsa, “caixa, baú, arca”.

PASTILHA – do Espanhol pastilla, diminutivo de pasta, “massa”.

XAROPE – do Italiano sciroppo, do Árabe sharab, “bebida, vinho”.

GOTAS – do Latim gutta, “gota”.

Resposta:

Formas Medicamentosas

Existem diversos modos de fazermos uma substância agir em nosso corpo.  Conforme o local a ser atingido, podemos esfregar o medicamento, injetá-lo, engolir… Vamos ver quais as origens das palavras que as nomeiam.

PÍLULA – do Latim pilula, “bolinha”, diminutivo de pila, “bola”.  Originalmente elas eram feitas à mão, com as substâncias sendo misturadas na palma e preparadas como se fossem confeitos. Lá pelo século XVII havia uma pílula que não se gastava nunca. Era uma bolinha de antimônio que era ingerida e provocava uma irritação intestinal daquelas. Depois de fazer efeito, era recuperada, lavada e guardada para usar de novo.

COMPRIMIDO – do Latim comprimere, “apertar junto”, formado por com-, “junto”, mais premere, “apertar”.  Esta apresentação farmacológica consta da substância ativa mais um outro material aglutinante, geralmente amido, tornados em uma só peça por compressão.

CÁPSULA – vem do Latim capsula, diminutivo de capsa, “caixa”. Aqui um fármaco em pó ou grânulos é contido numa pequena “caixa” oblonga, cujas paredes são feitas de gelatina que se dissolve prontamente nos líquidos do trato digestivo.

ELIXIR – do Latim medieval elixir, “pedra filosofal”, que tanto podia transmutar metais como servir para curar qualquer doença;  provavelmente veio do Árabe al-iksir, derivado do Grego xerion, “pó para curar feridas”, de xeros, “seco”.

SOLUÇÃO – do Latim solutio, “afrouxamento, ato de soltar”, de solvere, “afrouxar, soltar, desligar”. É uma mistura de dois líquidos, como o comprimido é uma mistura de dois pós.

CREME – para passar na pele, em princípio sem lipídios na composição. Relaciona-se ao Latim chrisma, “líquido para untar”, do Grego khryein, “untar, ungir”.

Pelo aspecto, o nome creme também se aplicou adiversas apresentações alimentares.

UNGÜENTO – veio do Latim unguentum, “óleo com perfume, essência”, de ungere, “untar, ungir”.  Tem um veículo gorduroso, ao contrário do creme.

GEL – é uma palavra que se começou a usar em 1899, como encurtamento de “gelatina”, que por sua vez deriva do Latim gelare, “tornar frio”.

COLÍRIO – do Latim collirium, do Grego kollyron, “pasta aglutinante”, relacionado com kolla, “cola”.

SORO – Latim, serum, “liquido aquoso”, do Indo-Europeu ser-,  “fluir, correr”.

INJEÇÃO – que medo, ui! Vem do Latim injicere, “lançar em”, formada por in-, “em”, mais jacere, “lançar”. É bem o que a injeção faz: lança uma certa quantidade de líquido no corpo a ser tratado. Pode ser doída, mas muitas vezes é o único jeito de se obter certos resultados.

Resposta:

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