Palavra fonte

eletronica

eu gostaria de saber a origem dessas palavras capacitor, fonte, decodificador,circuito,valvula,display, amplificador.Led!
por favor é urgente eu não acho em lugar algum!
nem precisa ser todas se não conseguir!!
obrigada

Resposta:

1) Veja “capacidade” em nossa Lista de Palavras.

2) Do Latim FONS, “nascente de água”, metaforicamente “origem”.

3) Do prefixo DES-, “fora, afastado, que desmancha”, mais o Latim CODEX, “livro”.

4) Do L. CIRCUITUS, “volta ao redor de”, de CIRCUM, “ao redor”, mais IRE, “ir”.

5) Do  L. VALVA, “metade de uma porta dupla”, originalmente “o que gira”, de VOLVERE, “girar, virar”.

6) Do L. DISPLICARE, “abrir, expor à vista, mostrar”, de DIS-, “fora”, mais PLICARE, “dobrar”.

Por termos sido alvo de abusos de pessoas que queriam que fizéssemos seus trabalhos de casa, atendemos apenas a seis consultas por dia . Amanhã você terá aqui as que faltam.

7) Do Latim AMPLIFICARE, “aumentar de tamanho”, de AMPLUS, “grande”, mais FACERE, “fazer, tornar”.

8) Do Inglês LIGHT-EMITTING DIODE, “díodo emissor de luz”.

Livros

Eu estava com meus dez anos e já me dava muito bem com meu avô. Era o único neto que não tinha medo do carrancudo velho de barba branca bem curta e olhos azuis penetrantes.

Carrancudo para quem não sabia lidar com ele, pois a doçura que ele mostrava ao conversar comigo e me revelar seus conhecimentos ficou para sempre gravada em meu peito.

Nesse dia eu o via tirar o escasso pó das suas prateleiras enormes, cheias de livros.

Sentei-me no banquinho forrado de couro e perguntei:

– Vô, meus primos disseram que você tem livros com a data de mil e quinhentos Antes de Cristo e que você não mostra prá ninguém, é verdade?

Ele me olhou, deu uma batida final com o pano numa lombada, largou tudo e veio sentar na sua cadeira de balanço, à minha frente.

– Seus primos são umas figuras estranhas. Só porque têm medo de livros, não precisavam inventar tamanha besteira. E você, acho que já deveria saber o suficiente para perceber o que pode ser verdade ou não nessa área.

Hoje vou-lhe falar sobre uns termos relacionados com o livro, mas antes vou contar um fato verdadeiro que aconteceu com uma amiga muito querida.

De certa feita, ela estava fazendo uma mudança. Um dos rapazes da empresa ergueu aos ombros uma das muitas caixas de livros dela e resmungou para o companheiro: “- Odeio livros!”. O companheiro respondeu, de imediato: “- Por isso é que você está aí tendo que carregá-los!”.

Nunca se esqueça, menino, esse é um risco que se corre por não ler.

– Ora, Vô, o senhor sabe que eu gosto de ler!

– Sei, e isso me alegra. Seu primeiro livro fui eu que dei e há muitos outros esperando pela sua atenção aqui em minhas estantes.

Mas deixe-me contar a origem, por exemplo, da própria palavra livro. Ela vem do Latim liber, que designava a camada de tecido logo abaixo da casca das árvores, por onde corre a seiva. Era nesse material que se escrevia antes da descoberta de um outro, feito com o caule do papiro, uma planta quática.

E liber vem do Indo-Europeu leub-, “arrancar, descascar”, que era o que se fazia para obter tal tecido.

– Esses antigos sabiam que estavam construindo um idioma, Vô?

– Não tinham a menor noção. Mas elaboraram sistemas de comunicação extraordinariamente eficientes.

– E a capa do livro, eles faziam então com a casca das árvores? Devia ficar bonito!

– Não, nada disso. Por muito tempo esses materiais, incluindo o feito com papiro, que era muito melhor, eram usados em rolos que nem esses que a gente vê em filmes da época de Roma. Portanto, não existiam capas. Essa montagem que agora conhecemos como livro era chamada de códice, que vem do Latim codex, inicialmente “tabuinha com escrita, registro”.

– Devia ser complicado para os alunos da época colocar todos os rolos nas mochilas, né? Aposto que foi por causa deles que se trocou um tipo pelo outro.

– O ensino não era como agora e eles não levavam o material em mochilas. Realmente, era necessária certa prática para desenrolar um cilindro com uma mão e enrolar com a outra, sem deixar uma tripa de papiro arrastando pelo chão. O pior era achar uma determinada parte dentro de um rolo daqueles. O códice ou livro era bem mais prático nesse sentido e se desenvolveu a partir do cristianismo, com os registros eclesiásticos e a Bíblia.

Você falou em capa. Essa palavra vem do Latim capa, “roupa com cobertura para a cabeça”, derivada de caput, “cabeça”. Serve para proteger o conteúdo do livro, que era um objeto muito caro nos seus primórdios, pois era feito à mão. Um livro tem duas capas, unidas pela lombada. Esta vem do Latim lumbus, “dorso, rins, lombo”, pois faz pensar nas costas de um animal.

As capas podem não ser duras; é o caso das brochuras, com capa de papel mesmo e, por conseqüência, mais baratas. Essa palavra vem do Francês brochure, “junção costurada entre folhas de um livro”, do verbo brocher, “fincar, espetar”, de broche, “instrumento perfurante”.

– E as folhas? Eram feitas de folhas verdes mesmo? Não secavam depois?

– Você está me saindo ou muito gracioso ou muito burrinho, não sei ainda bem o quê. Estou de olho em sua figura.

Mas essa palavra vem mesmo das folhas das árvores, porque a Sibila, aquela dos oráculos, escrevia suas predições em folhas de palmeira. Esse nome depois se aplicou aos pedaços de papel que compõem um livro.

– Ainda tenho colegas que fazem uma confusão bárbara entre folha e página.

– Esta última vem do Latim pagina, “retângulo formado pelos galhos da parreira”. Os romanos compararam uma latada de vinhas à folha do livro e a própria planta seriam as palavras.

Eles eram inicialmente um povo agrícola e formaram muitas de suas palavras a partir dessa área, como o provam folha, livro e página.

Aliás, há mais coisa ainda com essa inspiração: uma linha escrita se chama verso, sabia?

– Ué, eu achava que verso eram aquelas coisas que a gente era obrigado a recitar bem no começo do primário!

– Acabou sendo, mas o sentido original é “linha”, por comparação com o o sulco do arado. Este escavava em linha reta e, nos limites do campo, virava para recomeçar, paralelo ao anterior. Essa virada era o versum, do verbo vertere, “virar”, que acabou designando a linha traçada.

Aliás, linha também vem do Latim, de linea, “fio, corda, linha”, derivado de lineum, “linho”, do qual eram feitos tecidos e fios. A comparação é pelo predomínio do comprimento sobre a largura.

– No outro dia o Pai me pediu para baixar um pouco o volume da música e perguntou se alguém tinha visto o segundo volume de um certo livro. Que confusão é essa?

– A pergunta é boa. Ocorre que os romanos chamavam cada um dos seus rolos de escritos de volumen, do verbo volvere, “virar, fazer girar, enrolar”, pois esse ato tinha que ser feito durante a leitura. Por analogia, cada livro de uma obra ou coleção recebeu esse nome também.

– E o da música?

– A palavra volume acabou sendo aplicada a “massa, quantidade” a partir do espaço ocupado por um livro. Aplicou-se mais tarde a “intensidade”, inclusive sonora, seja para música de verdade, seja para pagode.

– O Pai estava elogiando a fonte em que era escrito aquele livro. Também achei as letras bem bonitas, mas por que esse nome?

– Essa palavra vem do Latim fundere, “derreter, derramar, verter”, porque os tipos de letras eram fundidos, isto é, derretidos, nas tipografias, a partir de uma liga de chumbo.

Mas está na hora de você voltar para casa e fazer os seus temas, rapazinho. Nunca se esqueça: é mais fácil carregar livros dentro da cabeça do que às costas.

Até à próxima.

Resposta:

A Fala

Crianças! Quietos, todos!! A turma hoje está incontrolável. Valzinha, pare de falar. Val, eu já disse… Muito bem, você pediu. Meninos, amarrem a Val na cadeira e passem-lhe uma mordaça na boca. Assim… isso… Cuidado para não machucar. Bem. Aaahh… Não é melhor, um pouco de silêncio?

Já que tivemos problemas com a fala, nada mais justo que hoje a gente aproveite para lidar com a origem de algumas palavras ligadas à comunicação.

Por exemplo, “falar” vem do Latim fabulare, que vem de fabula, que quer dizer “rumor, diz-que-diz, conversa familiar, lenda, mito, conto”. Atualmente, se usa em Psiquiatria o termo fabulação, significando uma grande produção de palavras com pouco conteúdo. É um sintoma mais comum do que se pensa.

Quando uma pessoa fala, ela está se comunicando. Esta palavra vem do Latim communicare, “usar em comum, partilhar”. No caso, ela está partilhando – sejam de interesse ou não – informações.

E esta palavra vem também do Latim, de informare, “modelar, dar forma”, de in mais formare, “formar”. Daí surgiu a conotação de “formar uma idéia de algo”, que passou depois a “descrever” e mais tarde se generalizou em “contar algo a alguém sobre alguma coisa”. Às vezes a gente tem que ouvir cada coisa que não interessa sem poder fazer nada…

Hein? Não, senhores! Tudo o que eu digo aqui interessa muitíssimo a Vossas Senhorias! Talvez, quando vocês forem fazer o Vestibular, já se exija Etimologia como matéria básica para entrar em qualquer Faculdade. Se eu estiver viva até lá, ou seja, se vocês não me causarem um infarto em plena aulinha, ainda podem me encontrar num cursinho pré-vestibular ou fazendo as questões para a prova.. Portanto, é bom prestarem muita atenção.

Tá bom, tá bom, a Titia já está mais calma. Obrigada pelo copo dágua, Humbertinho.

Vamos continuar: às vezes, a gente comunica conhecimentos, tal como eu vivo me sacrificando para fazer com vocês, bando de ingratos.

Esta palavra vem de uma base Indoeuropéia gn-, que gerou, em Grego, gnosis, “conhecimento” e seus derivados. Gnóme significava “razão, entendimento”. Um sujeito chamado Paracelso mais tarde daria esse nome a entidades espirituais ligadas ao conhecimento, daí o nome dos gnomos, seres que andavam pela floresta assombrando as pessoas e provavelmente levando a culpa por malfeitorias bem humanas.

Temos mais derivados importantes dessa raiz. Um deles é diagnóstico, de dia, “através” e gignósko, “conhecer, saber”. O nome de uma doença é descoberto “através do conhecimento”, após avaliar os sinais e sintomas.

Usa-se muito também a palavra prognóstico. Esta vem de pro, “antes” mais gignósko. Significa “saber antes, prever”. Por exemplo, eu faço os prognósticos mais horrendos sobre o futuro de crianças que não querem estudar e nem sequer se comportam bem em aula. Tomem o exemplo do Soneca, ali: ele nunca estuda, mas em compensação dorme o tempo todo e não incomoda. O único problema é acordá-lo no fim do horário para ele poder ir dormir em casa.

Em Latim, essa raiz gerou noscere, “saber, conhecer” (mais para o lado de conhecer). Daí temos, por exemplo, cognição, “conhecimento, ato de saber”, coisa que faz falta a muito aluninho meu que não se aplica bem nos estudos.

Temos também incógnito, de in, partícula negativa, e cognito, conhecido. Uma pessoa incógnita é uma pessoa que passa despercebida. Tipo estrela de cinema que chega de óculos escuros e peruca numa baita limusine cercada de seguranças porque não quer ser reconhecida nem incomodada ao fazer suas compras.

Ignorar tem a mesma origem; quer dizer “não saber”. Coisa feia, uma criança não estudar direito e acabar sendo um adulto ignorante. E não esqueçam: não há prova mais concisa de ignorância do que xingar outra pessoa de inguinorante, como eu já vi acontecer.

Um desaforo que agora está fora de moda é néscio. Isso quer dizer “aquele que não sabe”, do Latim ne, “não” mais scio, de scire, que é mais propriamente “saber”. Ou seja, se algum dia eu chamar algum de vocês de néscio, podem chorar.

Às vezes, uma pessoa desfia uma conversa sem parar. Na verdade, ela não está conversando, está monologando. Conversari, em Latim, queria dizer “viver em companhia, freqüentar” – ou seja, exige um intercâmbio entre as pessoas. Já monologar vem do Grego monos, “um” e legein, “falar”. Indica uma única pessoa falando.

Muitas vezes se usa a comunicação para difundir idéias. Essa palavrinha vem do Latim di, “embora, para longe, afastado” e fundere, “derramar, verter”. A palavra transmite a idéia de espalhar um líquido. Este fundere, aliás, originou, por exemplo, fútil; originalmente, futilis significava “derramamento, gotejamento”. Acabou tendo o sentido de “leviano, vão”, provavelmente da noção de que apenas secar o chão quando se tem uma goteira em casa não resolve o problema.

Outro derivado de fundere é o uso da palavra fonte para os tipos de letra que a gente usa em tipografias ou no computador. Elas eram fundidas em metal, por isso receberam esse nome.

Transfusão também tem essa origem: vem do Latim trans, “através, cruzando, de um para outro lado” e fundere, isto é, “derramar de um para outro”.

E quando a Tia Odete conta essas coisas para os aluninhos que ela adora mas que gostaria de estrangular quando estão agitados, está usando uma palavra que vem do Latim computare. Por sua vez, ela é formada de com, “junto” e putare, “supor, imaginar, fazer estimativa”. QUIETOS!! Parem já com esses sorrisinhos tortos! Cabeças sujas! Indecentes! Parem de pular e deixem-me contar direito…

Por exemplo, existe o que se chama de legítima defesa putativa, alegada quando uma pessoa acha que vai ser agredida por outra e a agride antes. É uma defesa a uma agressão suposta. Ai, meu santo, por que é que fui entrar nessa! Desçam das mesas e das cadeiras!

Já vi que não adianta mais tentar por hoje. Vamos encerrar a aula. Mas antes, ajudem-me a desamarrar a Valzinha, que está toda roxa, coitadinha. E um de vocês acorde ali o Soneca, por favor. Da próxima vez, cada aluninho vai trazer um comprimidinho de Dienpax para que possamos ter uma aula tranqüila. Até lá.

Resposta:

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