Palavra livro

Etimologia das palavras

Palavras: abacate , chifre , livro

Qual é a origem das palavras
1.Abacate
2.Chifre
3.Livro

Resposta:

Do Náhuatl  awácatl, o nome da fruta.

2. Origem incerta.

3. Do Latim liber, “livro, papel, pergaminho”, originalmente “parte interna da casca das árvores”, do Indo-Europeu leubh-, “descascar, retirar uma camada”.

TIA ODETE VAI À BIBLIOTECA

 

– Bom dia, caro senhor que ostenta tão garboso uniforme, eu gostaria de consultar… Ah, o senhor é da Segurança, para consultas devo falar com o pessoal do Atendimento, lá dentro? Agradecida pela gentileza.

– Bom dia, senhorinha que fica atrás do balcão, preciso fazer consulta a uns livros; será aqui? É? Que bom! Eu gostaria de ver uns livros sobre…

Ah, preciso dar meu nome antes? Muito bem, vamos lá. Meu prenome é Odete, um derivado feminino  de Odon ou Oton, do Germânico Otto, que vem de auda, “propriedade, riqueza”.

E o sobrenome é Sinclair. Odete Sinclair. Está certo, não é meu sobrenome de nascimento, mas afinal cada um tem o direito de fazer certas escolhas na vida, ainda mais quando já se passou dos trinta e cinco há algum tempo e se é professora de um grupo de crianças que enlouqueceriam qualquer santo, que dirá uma simples mortal.

Oh, céus, pela expressão da senhorinha vejo que me esqueci de algo fundamental, que é explicar a origem do sobrenome que escolhi, que vem de Saint Clair, um santo cujo nome vem do Latim clarus, com o significado de “brilhante, distinto”.

Mas, enfim, hoje vim aqui a esta Biblioteca, palavra que vem do Grego byblion, “papel, rolo com escrita”, de Byblos, “papiro”.

Mas preste atenção, que este era na verdade apenas o nome do porto de onde era enviado esse material. Esse lugar fica na antiga Fenícia, hoje Líbano, e é considerado a cidade mais antiga em habitação contínua do planeta.

Dali era exportado para a Grécia e arredores o material de escrita chamado papiro, feito a partir da planta do mesmo nome, uma espécie de caniço.

Essa palavra acabou virando o nosso papel.

E com este são feitos os livros, do Latim liber, “livro, papel, pergaminho”, originalmente “parte interna da casca das árvores”, do Indo-Europeu leubh-, “descascar, retirar uma camada”. Deles se originou a palavra livraria, “local onde se vendem livros”.

Estes objetos não têm agora tanto uso como antigamente. Como a minha simpática e um pouco espantada interlocutora sabe, são guardados em estantes, que derivam do Latim stans, “o que está, que fica de pé”, de stare, “estar, ficar de pé”. Uma estante deitada não teria muito uso, não lhe parece?

E são protegidos por capas. Elas se chamam assim por causa do Latim capa, de caput, “cabeça”; o capuz das roupas para o frio recebeu este nome porque recobre a cabeça. A relação entre proteção do corpo e do livro é óbvia, mesmo para pessoas mal-preparadas.

A parte de trás da capa se chama contracapa, de óbvio significado.

Eles apresentam também uma lombada, que une as folhas, do Latim lumbus, “costas, espinha dorsal, espinhaço”.

Já que falamos em folhas, estas vêm do Latim folium, que designava inicialmente as folhas das plantas e depois as de papel, devido à espessura.

As folhas são presas por uma borda dobrada à lombada por meio de cola, do Grego kolla, “grude, goma, cola”.

E não nos esqueçamos que borda vem do Germânico bord, “lado, extremidade, limite”.

Os pequenos caderninhos formados pelas folhas são presos entre si por uma costura, do Latim consuere, “coser”.

Num livro podemos encontrar, como meio de facilitar a leitura, partes relacionadas ente si que se chamam capítulos. Esta é outra palavra que vem de caput e quer dizer “cabecinha”, acho eu que por iniciar ou encabeçar uma nova divisão de um livro.

Se um livro é muito grande, pode ser repartido em volumes, do Latim volumen, do verbo volvere, “ato de fazer rodar”  que acabou se aplicando aos livros da época de Roma antiga, aqueles que eram de papiro e a gente precisava fazer girar na mão para ler.

Seja como for, meu escopo neste momento é fazer um consulta, que vem do Latim consultare, “receber o conselho de”, relacionado a consulere, “aceitar um conselho, considerar maduramente”, originalmente “chamar junto”, de com-, “junto”, mais selere, “reunir”.

Essa consulta é fundamental para os estudos a que estou me dedicando como consequência de minha atividade. Essa palavra vem do Latim studiare, de studium, “estudo, aplicação”, originalmente “ansioso por fazer algo, sério”, de studere, “ser diligente”.

Gostaria de saber, enfim, se entre os títulos desta notável biblioteca existem algo sobre temas como “Aplicação de Corretivos”, “Palmatória”, “O Método de Fazer Ajoelhar Sobre Grãos de Milho”, “Da Solitária como Veículo para a Volta à Razão”, “Uso de Máscaras Assustadoras para Garantir o Futuro das Crianças” e outros assuntos correlatos, pois pretendo fazer a obra definitiva sobre a área.

Gentil Senhorinha? Ué, ela saiu correndo.

Deve estar passando meio mal, a coitadinha. Foi-se embora sem nem conseguir agradecer por tanta coisa que lhe ensinei.

Bem, meu tempo escasseia, preciso corrigir os Trabalhos de Conclusão de Curso de meus aluninhos do Maternal. Voltarei outro dia para ser atendida pela Gentil Senhorinha.

 

Resposta:

PUBLICAÇÕES

 

A Humanidade, para o bem ou para o mal, espalha suas palavras, noções, palpites, ideologias, obras literárias, besteiras – enfim, o que lhe vem à cabeça – de diversas maneiras, em vários tipos de apresentações.

Hoje é o nosso dia de dar uma olhada no étimo de diversas palavras usadas para nomeá-las.

LIVRO – do Latim liber, librum, “livro, papel, pergaminho”, originalmente “parte interna da casca das árvores”, do Indo-Europeu leubh-, “descascar, retirar uma camada”.

LIBRETO – designa o texto de uma ópera e deriva do Italiano libretto, diminutivo de libro, “livro”.

REVISTA  –  do Francês revue, inicialmente usado em teatro, com o sentido de “espetáculo comentando acontecimentos recentes”, do Latim revidere, “ver de novo”, formado por re-, “de novo”, mais videre, “ver”.

JORNAL – da expressão  francesa papier journal, “escrito a cada dia, texto que se renova diariamente”, onde papier quer dizer “matéria escrita” e journal vem do Italiano giorno, “dia”, do Latim diurnum, “diário”, de dies, “dia”.

DIÁRIO – publicação que aparece a cada 24 horas; deriva do dies acima citado.

PANFLETO –  “pequena obra impressa, muitas vezes sem capa”. O nome deriva do Anglo-Latim panfletus, uma alteração do título Pamphylus, Sive de Amore, “Pânfilo, ou Sobre o Amor”, um poema amoroso do século XII, muito popular na Idade Média.

FOLHETIM – do Francês feuilleton, “publicação pequena, com oito páginas”, derivado de feuille, “folha”, que veio do Latim folium, “folha”.

PUBLICAR – do Latim publicus, “relativo ao povo”, de populus, “povo”.

Uma publicação é um texto trazido ao povo, para qualquer um ler.

BOLETIM – do Italiano bulletino,  diminutivo de bulletta, “documento”,  por sua vez diminutivo do Latim  bulla, “documento selado”.

Na verdade, este era o nome dado ao selo em si, que tinha  forma arredondada. Bulla queria dizer “arredondado, inchado, bolha, bola”; depois a palavra foi estendida ao documento inteiro.

PASQUIM – a palavra que designa este texto calunioso ou satírico, também aplicado a um jornal de pouca importância e malfeito, tem uma história interessante.

Em 1501 o Cardeal Caraffa instalou à frente de seu palácio, em Roma, uma estátua antiga e mutilada.  Os habitantes locais logo acharam que ela se parecia com um vizinho chamado Paschino e aplicaram o seu nome à estátua.

Como se tratava de uma área de grande circulação, as pessoas pegaram o hábito de afixar junto a ela papéis com escritos satíricos, caluniosos ou debochados voltados contra seus desafetos. E a partir daí se fez um substantivo que faz parte de diversos idiomas até hoje.

LIBELO – com um sentido semelhante à palavra anterior, mas mais sério, o de “afirmação por escrito capaz de prejudicar a reputação de uma pessoa”. Deriva do Latim libellus, diminutivo de librum, “livro”.

VOLANTE – este pequeno texto de propaganda que consta apenas de uma folha em tamanho pequeno recebeu seu nome a partir do Latim volans, “aquele que voa, o que se desloca rapidamente”, de volare, “voar”.

MANUAL – é uma publicação que geralmente não ensina a usar direito algum aparelho.  Seu nome vem do Latim manualis, “relativo à mão, aquilo que pode ser usado com uma mão, portável”, de manus, “mão”.

VADEMECUM – é um livro de referência de consulta freqüente, em tamanho adequado para o porte cômodo.

Em Latim, vade mecum quer dizer “vem comigo” ou “anda comigo”.

Resposta:

Livros

Eu estava com meus dez anos e já me dava muito bem com meu avô. Era o único neto que não tinha medo do carrancudo velho de barba branca bem curta e olhos azuis penetrantes.

Carrancudo para quem não sabia lidar com ele, pois a doçura que ele mostrava ao conversar comigo e me revelar seus conhecimentos ficou para sempre gravada em meu peito.

Nesse dia eu o via tirar o escasso pó das suas prateleiras enormes, cheias de livros.

Sentei-me no banquinho forrado de couro e perguntei:

– Vô, meus primos disseram que você tem livros com a data de mil e quinhentos Antes de Cristo e que você não mostra prá ninguém, é verdade?

Ele me olhou, deu uma batida final com o pano numa lombada, largou tudo e veio sentar na sua cadeira de balanço, à minha frente.

– Seus primos são umas figuras estranhas. Só porque têm medo de livros, não precisavam inventar tamanha besteira. E você, acho que já deveria saber o suficiente para perceber o que pode ser verdade ou não nessa área.

Hoje vou-lhe falar sobre uns termos relacionados com o livro, mas antes vou contar um fato verdadeiro que aconteceu com uma amiga muito querida.

De certa feita, ela estava fazendo uma mudança. Um dos rapazes da empresa ergueu aos ombros uma das muitas caixas de livros dela e resmungou para o companheiro: “- Odeio livros!”. O companheiro respondeu, de imediato: “- Por isso é que você está aí tendo que carregá-los!”.

Nunca se esqueça, menino, esse é um risco que se corre por não ler.

– Ora, Vô, o senhor sabe que eu gosto de ler!

– Sei, e isso me alegra. Seu primeiro livro fui eu que dei e há muitos outros esperando pela sua atenção aqui em minhas estantes.

Mas deixe-me contar a origem, por exemplo, da própria palavra livro. Ela vem do Latim liber, que designava a camada de tecido logo abaixo da casca das árvores, por onde corre a seiva. Era nesse material que se escrevia antes da descoberta de um outro, feito com o caule do papiro, uma planta quática.

E liber vem do Indo-Europeu leub-, “arrancar, descascar”, que era o que se fazia para obter tal tecido.

– Esses antigos sabiam que estavam construindo um idioma, Vô?

– Não tinham a menor noção. Mas elaboraram sistemas de comunicação extraordinariamente eficientes.

– E a capa do livro, eles faziam então com a casca das árvores? Devia ficar bonito!

– Não, nada disso. Por muito tempo esses materiais, incluindo o feito com papiro, que era muito melhor, eram usados em rolos que nem esses que a gente vê em filmes da época de Roma. Portanto, não existiam capas. Essa montagem que agora conhecemos como livro era chamada de códice, que vem do Latim codex, inicialmente “tabuinha com escrita, registro”.

– Devia ser complicado para os alunos da época colocar todos os rolos nas mochilas, né? Aposto que foi por causa deles que se trocou um tipo pelo outro.

– O ensino não era como agora e eles não levavam o material em mochilas. Realmente, era necessária certa prática para desenrolar um cilindro com uma mão e enrolar com a outra, sem deixar uma tripa de papiro arrastando pelo chão. O pior era achar uma determinada parte dentro de um rolo daqueles. O códice ou livro era bem mais prático nesse sentido e se desenvolveu a partir do cristianismo, com os registros eclesiásticos e a Bíblia.

Você falou em capa. Essa palavra vem do Latim capa, “roupa com cobertura para a cabeça”, derivada de caput, “cabeça”. Serve para proteger o conteúdo do livro, que era um objeto muito caro nos seus primórdios, pois era feito à mão. Um livro tem duas capas, unidas pela lombada. Esta vem do Latim lumbus, “dorso, rins, lombo”, pois faz pensar nas costas de um animal.

As capas podem não ser duras; é o caso das brochuras, com capa de papel mesmo e, por conseqüência, mais baratas. Essa palavra vem do Francês brochure, “junção costurada entre folhas de um livro”, do verbo brocher, “fincar, espetar”, de broche, “instrumento perfurante”.

– E as folhas? Eram feitas de folhas verdes mesmo? Não secavam depois?

– Você está me saindo ou muito gracioso ou muito burrinho, não sei ainda bem o quê. Estou de olho em sua figura.

Mas essa palavra vem mesmo das folhas das árvores, porque a Sibila, aquela dos oráculos, escrevia suas predições em folhas de palmeira. Esse nome depois se aplicou aos pedaços de papel que compõem um livro.

– Ainda tenho colegas que fazem uma confusão bárbara entre folha e página.

– Esta última vem do Latim pagina, “retângulo formado pelos galhos da parreira”. Os romanos compararam uma latada de vinhas à folha do livro e a própria planta seriam as palavras.

Eles eram inicialmente um povo agrícola e formaram muitas de suas palavras a partir dessa área, como o provam folha, livro e página.

Aliás, há mais coisa ainda com essa inspiração: uma linha escrita se chama verso, sabia?

– Ué, eu achava que verso eram aquelas coisas que a gente era obrigado a recitar bem no começo do primário!

– Acabou sendo, mas o sentido original é “linha”, por comparação com o o sulco do arado. Este escavava em linha reta e, nos limites do campo, virava para recomeçar, paralelo ao anterior. Essa virada era o versum, do verbo vertere, “virar”, que acabou designando a linha traçada.

Aliás, linha também vem do Latim, de linea, “fio, corda, linha”, derivado de lineum, “linho”, do qual eram feitos tecidos e fios. A comparação é pelo predomínio do comprimento sobre a largura.

– No outro dia o Pai me pediu para baixar um pouco o volume da música e perguntou se alguém tinha visto o segundo volume de um certo livro. Que confusão é essa?

– A pergunta é boa. Ocorre que os romanos chamavam cada um dos seus rolos de escritos de volumen, do verbo volvere, “virar, fazer girar, enrolar”, pois esse ato tinha que ser feito durante a leitura. Por analogia, cada livro de uma obra ou coleção recebeu esse nome também.

– E o da música?

– A palavra volume acabou sendo aplicada a “massa, quantidade” a partir do espaço ocupado por um livro. Aplicou-se mais tarde a “intensidade”, inclusive sonora, seja para música de verdade, seja para pagode.

– O Pai estava elogiando a fonte em que era escrito aquele livro. Também achei as letras bem bonitas, mas por que esse nome?

– Essa palavra vem do Latim fundere, “derreter, derramar, verter”, porque os tipos de letras eram fundidos, isto é, derretidos, nas tipografias, a partir de uma liga de chumbo.

Mas está na hora de você voltar para casa e fazer os seus temas, rapazinho. Nunca se esqueça: é mais fácil carregar livros dentro da cabeça do que às costas.

Até à próxima.

Resposta:

Passeio No Shopping

Santa Carlota, perdoai-me por ser tão idiota. Boa Santa, desculpai-me por ser tão anta. Santa Zaída, não me deixeis ser tão distraída. São João, ensinai-me a dizer “não”. São Lucas, dai-me tapas nas nucas. Santo André, pisai no meu pé.

O que é? Nada, crianças, apenas umas oraçõezinhas que sempre acho bom dizer quando estou tendo o prazer de estar com vocês num passeio da escolinha.

Por que não estamos junto com as outras turmas? Ora, porque vocês, meus aluninhos, formam um grupo especial, um conjunto que não vai ser esquecido tão cedo nos anais da da Pedagogia.

Se sofrer desse dinheiro…

Bem, já que estamos aqui neste passeiozinho tão bonito, vamos começar pelo mais importante: Val, pare de falar! Patty, pare de zoar! Zorzinho, pare de escrever! Acordem o Soneca e façam-no andar!

Então, meus queridos, aqui estamos no Shopping. Este prédio é o templo do consumo. Antes que alguém pergunte, prédio vem do Latim praedium, “habitação rústica”.

Em nosso país nós nos recusamos a chamá-lo de Centro Comercial, que parece tão pouco sofisticado e o chamamos de… Tá certo, shopping, mas não gritem tanto que os senhores vigilantes, esses cavalheiros com traje preto e cabelos bem curtinhos, já estão de olho em nós.

E usamos esse nome porque os americanos, que os inventaram, os chamam assim, certo? ERRADO!

Nenhum país de língua inglesa chama estes estabelecimentos de shopping. Para eles, esta palavra faz parte do verbo to shop, “comprar”. Este verbo vem do Germânico skopan, “pequena estrutura improvisada”, como eram as barraquinhas das feiras antigas.

To go shopping, em Inglês, é sair para fazer compras e nada mais.

Calma, Ledinha, já vou contar: para eles, este lugar é chamado de Mall.

E a história dessa palavra é bem interessante. Mall deriva de pall mall. Este passou a ser o nome, em Londres, do lugar onde se praticava o jogo do pall mall. Este esporte de origem italiana, o pallamaglio, se fazia com uma bola – palla – e bastões ou malhos – maglio.

No início era jogado nas calçadas mesmo, junto às lojas, com a conseqüente indignação de respeitáveis transeuntes britânicos, que eram freqüentemente atropelados pelos jogadores, quando não levavam um bastonaço ou uma bolada.

De tanta reclamação, depois se passou a jogar em locais mais adequados.

Uma coisa curiosa é que, em Inglês, essas duas palavras se pronunciam “pál mál” ou “pél mél”, nunca “pól mól”, como seria de se esperar.

Mas a palavra Mall sozinha se pronuncia “mól”. Vá-se entender! Mas isso pouco nos afeta, o que nos afeta é ali o Joãozinho indo atrás daquela moça de saia bem curtinha. Me-ni-no! Já para cá, antes que todos nós sejamos expulsos por atentado ao pudor!

Uma coisa que caracteriza estes estabelecimentos, crianças, como se vê, são as lojas. Essa palavrinha vem do Francês loge, do Frâncico laubjan, “abrigo feito de ramos e folhagens”. Quem diria que um tosco abrigo daqueles viria a nomear uma loja como esta, com suas vitrines!

Aliás, vitrine é uma palavra que vem de … Muito bem, Robertinho, de “vidro”. Mas aposto que ninguém sabe que a palavra original, em Latim, era o nome de uma planta.

O vitrum era uma erva que servia para fazer um corante azul. Como os vidros comuns em Roma eram dessa cor, devido ao seu baixo grau de pureza, foi dado o nome da plantinha à substância transparente usada para colocar nas janelas.

Olhem só, estamos na frente de uma grande livraria! Esta palavra vem de… livro, muito bem. Vocês estão afiados hoje, coisa impressionante.

E livro vem de… Bem, seria demais querer que vocês soubessem que liber em Latim era o nome dado a uma parte da árvore situada abaixo da casca e que servia para fazer uma espécie de papel com o qual se escreviam os textos de então.

Vejam como o piso daqui é limpinho. A palavra limpo vem do Latim limpidus, que queria dizer “claro, transparente”. Tudo aqui é bem clarinho, dá para ver bem o material de que é feito, pelo menos até que o nosso grupo passe por cima esparramando migalhas e respingando sorvete e refrigerante. Mas está tudo bem, as moças da limpeza designaram um esquadrão de cara amarrada para nos seguir e recolher as nossas manifestações.

Falando em comida, ali é a Praça de Alimentação. E alimentação vem do Latim alere, “alimentar, fazer crescer”. Aliás, aluno vem de alumnus, “o que é alimentado”. Vocês, meus aluninhos, são os seres preciosos que eu vou alimentando com a maravilhosa comida do saber.

Acreditando ou não nela, essa frase é boa para um discurso de fim de ano. Vou anotar.

Se é que vou estar viva no fim deste ano.

Vejam! Uma loja de brinquedos! Pois saibam que brinquedo vem do Germânico blinkan, “gracejar, brincar”. Claro que na época e lugar em que inventaram este verbo os brinquedinhos eram machados, escudos e espadas pequenos, com os quais os menininhos faziam carinhosas brincadeiras de guerra.

Os que sobrevivessem já ficavam encaminhados para seguir as ocupações dos papais.

Ai, ai. A escada rolante. Algo me diz que isso não vai prestar. Todos juntos agora. Subam e fiquem nos degraus. Parados! Joãozinho e Sidneizinho, aqui comigo. Olhando para baixo, não para os traseiros das moças que sobem!

Ai, senhor! Agora eles estão amontoados uns sobre os outros na saída da escada, rindo como loucos. Santa Fifi, tirai-me daqui! São Rabelo, dizei que isto é só um pesadelo!

Em ordem, crianças. Ajeitem-se senão eu começo a gritar! Ah… já estou gritando, é? Puxa, nem tinha notado. Está bem, senhor Segurança, vou baixar o tom de minha voz. É voz de professora, sabe? Passa fácil dos 115 decibéis. Ainda mais com estes meus alunos.

Falando em Segurança, o senhor sabe de onde vem o nome de sua função? Pois vem do Latim curare, “cuidar, tomar cuidado com”. Veja então que o senhor tem uma ligação com o cura da aldeia, o padre que tomava conta das almas do pessoal. E também com a sinecura dos mais espertos, que recebiam o salário sine cura animae, ou seja, “sem ter que cuidar das almas”.

Agradeço muito a sua intervenção. Não se assuste. Sim, algumas das crianças mordem, mas estão todas elas vacinadas, pelo menos isso eu exigi dos pais. Sei, tratarei de as manter afastadas dos seres humanos. Entendo o seu lado. Agradeço por nos permitir ficar mais um pouco.

Não, crianças, para lá é o estacionamento, palavra que vem do Latim statio, “estação”, de stare, “ficar de pé, ficar parado”. Em Grego este verbo era histanai, derivado do Indo-Europeu sta-, “ficar de pé”. É ali que são guardados os carros que vêm pela rampa.

E esta palavrinha vem do Francês rampe, “rampa, plano inclinado”, do Germânico hramp, “inclinado, recurvo”.

Como é, Valzinha? Ah, sua mãe diz que a vizinha de cima é uma rampeira? Ora, decerto a moça é uma engenheira que trabalha na Construção Civil e se especializa em planos inclinados interligando partes de prédios.

Se ela pode fazer isso saindo de noite de saia curta, barriguinha de fora e decote grande nos dias em que o marido viaja? Ah, não sei, minha filha, hoje em dia as profissões já não são o que eram antes. Vamos falar de outra coisa agora.

Não, não queremos saber o que foi que aconteceu quando o marido chegou da viagem antes do esperado. Vá ali ajudar o Zorzinho a escrever e fique quietinha, por favor.

Mas vejam só que maravilha, o relógio nos diz que já está na hora de voltarmos para nossa escolinha. Tal palavra vem do Latim horologium, de hora, “período de tempo, estação, hora”. Bendito relógio, Santo Eustórgio!

Vamos por aqui todos. Não esqueçam o Soneca. Basta arrastar pelos pés que ele vem junto. Parem de matraquear. Não passem a mão nas demais pessoas. Não mordam. Não gritem. Calma!

Quero chegar em casa para ter meu faniquito, São Benedito!

Resposta:

Material Escolar

Muito bem. Quem foi que escondeu o caderno do Oscarzinho? Por que tanta risada, Sidneyzinho, foi você? Tem certeza que não?

Enquanto o criminoso que fez isso não se acusar, a Tia Odete vai contar para vocês a origem dos nomes do materialzinho que vocês trazem nas mochilinhas para fingir que estudam.

Caderno, por exemplo, vem do Latim quaternum, de quattuor, “quatro”, porque eles começaram sendo feitos com folhas de tamanho padrão dobradas em quatro e juntadas pela dobra. Os caderninhos devem ser guardados com muito cuidado para não ficarem com orelhas de burro, parecidas com as de certos alunos.

A gente escreve nos cadernos com o lápis. Esta palavra vem do Latim lapis, que queria dizer “pedra”. Parece que, no começo, a pedra usada era uma que dava uma escrita vermelha, a lithos haimatites, “pedra vermelha” dos gregos, depois lapis haimatites dos romanos.

Hematita é uma pedra que ainda é usada para fazer jóias. Bem que uma professora sacrificada mereceria ganhar uma jóia dos seus aluninhos no fim do ano, mas ninguém se lembra disso.

Mais adiante, quando vocês forem maiorzinhos, vão usar a caneta para escrever. O nome dela se origina do Grego káuna, canna em Latim, e que queria dizer “cana, talo de vegetal”. Nas épocas antigas, cortava-se um talo desses, fazia-se uma ponta nele e se mergulhava a ponta na tinta para escrever. Era bem trabalhoso.

Não senhora, Mariazinha, eu não fui dessa época. Nasci séculos depois, está bom? Não é porque você é baixinha que pode ser abusada desse jeito!

Falando em tinta, este nome vem de acqua tincta, do Latim, que queria dizer “água pintada, colorida”. Tincta é o particípio de tingere, “colorir, tingir”.

Sim, senhores, vinho tinto vem daí, é o vinho “com cor”, mas não serve para escrever, não. Não interessa o que alguns pais digam, não é para escrever que eles compram vinho.

Os cadernos são formados por folhas, cujo nome vem do Latim folia, plural de folium, “folha de vegetal”. Aqui se revela de novo a importância da agricultura na formação das palavras latinas.

Atualmente, as folhas são de papel, que veio do Grego pápyros, provavelmente derivado de algum idioma oriental. No Latim era papyrus e acabou virando papel na Península Ibérica.

Não, Sidneyzinho, acho que na Antigüidade não se usava papiro higiênico e vamos mudar de assunto imediatamente.

Quando eu era estudante – não, eu não nasci deste jeito! Já fui estudante que nem vocês, com a diferença que eu respeitava meus professores e era bem comportada em aula. Como eu dizia, naquela época – não, não conheci nenhum faraó, Mariazinha! Naquela época a gente usava arquivos, que agora estão fora de moda.

Eram capas com garras metálicas onde a gente colocava folhas de papel já perfuradas. O nome deles vem do Grego arkhein, originalmente “começar” e depois, da noção de que quem começa fica na frente, “estar em primeiro lugar, dominar, reinar”. O arkheion era um prédio público. O plural dessa palavra, arkheia, era usado com o sentido de “registros públicos”.

Passou a archia em Latim, depois, archiva e agora está conosco nomeando ou “lugar onde se guardam informações e documentos” ou a espécie de caderno desmontável que eu citei para vocês, que também é um lugar para informações.

Se vocês cometerem um erro escrevendo a lápis, podem corrigi-lo com a borracha. Quem dera que a gente pudesse fazer o mesmo com as profissões mal escolhidas e que deixam a gente de cabelos brancos! Mas, enfim, o nome deste artigo tão útil parece vir do Espanhol borrar, que significa apagar. Hein? O Sidney está apagado de medo do Oscarzinho? Não, vocês já estão fazendo confusão. Quietos!

Algum dia vocês ainda vão usar um compasso, o instrumento que serve para fazer círculos e, por incrível que pareça, sem o qual não se pode desenhar um quadrado bem feito. O nome dele vem do Latim cumpassare, de cum, “com”, mais passare, de passus, “passo”. Dar passos regulares servia para algumas medidas, então esse nome foi aplicado ao instrumento que também serve para medir distâncias num mapa.

Ao fazer um desenho, vocês têm que cuidar para que a linha não fique torta. E linha vem do Latim linea, “corda, linha”, que era naquelas épocas feita com fios de um tecido chamado linho.

E, para que a linha saia bem retinha e bonitinha, vocês talvez tenham que usar uma régua. Esta vem de regula, do Latim, “padrão, bastão estreito, vara de medida”. Ah, se eu pudesse usar a régua de madeira de quarenta centímetros como a minha professoa usava…

Como era? Nada, deixem para lá. É apenas inveja dos bons tempos.

Mas, como eu dizia, esta palavra regula é parente de rex, “rei” e regere, “comandar, reger”. Daí o sentido de manter as coisas retas, de acordo com o prescrito. Para o pessoal que, aos domingos, não tem nada melhor para fazer e fica vendo as corridas de carro na TV, uma informação: o tal de guard-rail que se usa aos lados das curvas para que os carros não saiam da pista e não matem os espectadores que foram lá para ver os acidentes deriva daí. A palavra rail em Inglês foi formada a partir de regula.

Mas o que é aquilo? Ah, apareceu no chão o caderno do Oscarzinho? Que bom, não?

Estou tão contente que até vou deixar vocês saírem. Mas antes, só vou falar sobre a origem da palavra livro, que é tão importante no materialzinho de vocês. Agora não, mas um dia vocês estarão lendo, claro, Machado de Assis, Dostoyevski, Dickens, Balzac, e vão se lembrar que livro vem do Latim librum, que era o nome da película que fica entre a casca e o tronco das árvores, e que era usada para escrever antes da invenção do papiro.

Oscarzinho, fique aqui até que o Sidneyzinho pegue a condução escolar. E não discuta.

Resposta:

Do NOT follow this link or you will be banned from the site!