Palavra prego

maçarico no Rio de Janeiro

Palavras: prego

Abração gente boa deste site! Desejo saber a raiz da palavra “prego”, muito usada na Itália. Deve ser do verbo PEDIR, mas seu uso aponta outra intenção. Vira e mexe falam PREGO!
E maçarico, vem de onde? Bigada!

Resposta:

Essa palavra faz parte do verbo PREGARE, “pedir”; é como no Francês, quando a gente agradece e eles dizem “je vous en prie” ou em nosso país, quando se diz “por favor”, ou seja, “não agradeça por algo tão simples”.

Vem do Latim PREX, “prece, pedido” e originalmente se referia ao ato de erguer, em pé, os braços retos para a divindade no céu, juntar as palmas das mãos e enviar seu pedido.

Maçarico não tem origem definida.

MATERIAL DE CONSTRUÇÃO

 

A maioria de nós vive, trabalha e se diverte em casas, edifícios, prédios de todo tipo.

Poucos de nós percebem que um dia eles foram construídos e que, para isso, foram empregados materiais dos mais diversos.

Hoje veremos as origens dos nomes de alguns deles.

 

 

CIMENTO  –  do Latim caementa, “lascas de pedra usadas para fazer cimento”, de caedere, “quebrar, partir, romper” (também “matar”). Inicialmente relacionada a “pedras quebradas”, depois passou a significar “pó de pedras” que, misturado com água e areia resulta em nosso valioso elemento para construção.

 

CONCRETO – do Latim concretus, particípio passado de concrescere, “crescer em conjunto, aumentar por processo de agregação”, formada por com-, “junto”, mais crescere, “aumentar, crescer”.

Inicialmente designava o que tinha existência real, o que era palpável, sólido. A partir de 1834 passou a ser usado para o material de construção.

 

CAL  –  do Latim calx, “pedra calcárea”. Note-se que os romanos tinham outro significado para a mesma palavra: era o de calcanhar.

Destarte, essa palavra originou, a partir do primeiro sentido aqui citado, o nome do elemento cálcio e seus derivados (calcita, calcinose, calcificar). E do outro veio recalcitrar, “escoicear, teimar, resistir a uma ordem”.

 

GESSO  –  do Latim gypsum, “gesso, giz”, possivelmente do Hebraico gephes, “gesso”.

 

MADEIRA  –  ela é usada mesmo em prédios de alvenaria, para construir as formas onde será vertido o concreto.

Vem do Latim materia, “substância de que é feito um objeto físico”, bem como “a parte interna de uma árvore”, possivelmente relacionada com mater, “mãe, fonte, origem”.

 

COMPENSADO  –  esse nome foi dado a partir do Latim compensatus, particípio passado de compensare, “pesar, equilibrar, distribuir o peso”, formado por com-, “junto”, mais pensare, “pendurar para avaliar o peso de um objeto”, de pendere, “pendurar, pesar”.

Isso porque a peça, por ser feita de várias camadas finas de madeira em disposições diferentes, compensa as torções naturais do material.

 

FERRAGEM  –  as peças de ferro que dão firmeza ao concreto são de ferro, do Latim ferrum, “ferro”. Muito provavelmente deriva do Indo-Europeu bhars“ser firme, rígido”.

 

VIDRO  –  sem ele, a luz do dia não entra em nossos prédios. Veio do Latim vitrum, “vidro”, originalmente o nome de uma erva da família da mostarda, de cujas folhas se extraía um pigmento azul.

Os objetos de vidro inicialmente eram de um azul-esverdeado em Roma; o material passou a ser transparente com o aprimoramento das técnicas de fabricação em torno do século I de nossa era.

 

TIJOLO  –  do Espanhol tejuelo, diminutivo de techo, “teto”,  do Latim  tegere, “cobrir, revestir”.

 

TELHA  –  também deriva de tegere.

 

AZULEJO  –  do Árabe az-zulaiji, “pedrinhas lisas”. Portanto, nada a ver com a cor azul.

 

AREIA  –  sem ela, não há cimento nem concreto. Do Latim arena, derivado de areo, “ser árido, seco, sem água”.

 

PREGOdo Latim plicare, “dobrar, enroscar”. Parece meio estranho, mas se pensa que o raciocínio por trás disso é que o prego como se enrosca na madeira e passa a fazer parte dela.

 

ESQUADRIA  –  são indispensáveis para fazer aberturas, como janelas, portas e respiradouros. Vem do Italiano squadro, o nome do instrumento que era usado para medir ângulos retos, do Latim quadrus, “quadrado, partido em quatro, em ângulo reto”, de quattuor, “quatro”.

 

CANO  –  do Latim canna, “cana, planta que tem talo cilíndrico”.

 

FIO  –  sem eles, nada de telefone e de Internet. Veio do Latim filum, “fio, fibra, corda”.

 

Resposta:

Ferramentas

Ao chegar no pátio da casa de meu avô, descobri-o lidando com umas madeiras das estantes de livros que ele estava consertando.

– Aí, hein, Vô, trabalhando de carpinteiro para fazer uma graninha? – disse eu.

Ele, tentando ocultar que estava contente de me ver, respondeu, sério:

Marceneiro, seu inculto. Carpinteiro é quem trabalha em estruturas, em obras pesadas, e vem do Latim carpentarius artifex, “o que lida com carros”, de um tipo de carro de tiro animal chamado carpentum, nome de provável origem celta.

Marceneiro é o sujeito que lida com madeira para fazer móveis, objetos pequenos, decorativos. Parece que deriva de mercenarius, “o que trabalha por dinheiro, a contrato”, de merx, “material à venda, mercadoria” .

– Hum, o senhor está com toda a corda hoje, não?

– E quando não estou?

– Então conte-me qual a origem do nome dessa ferramenta que o senhor está segurando, já que não vou ter escapatória mesmo – falei, revirando os olhos, com cara de quem não estava interessado no assunto.

– Vou falar; sempre há uma esperança de que até as mentes mais obtusas aprendam algo – nós gostávamos de inticar um com o outro.

Mas antes, vou explicar porque estas coisas se chamam de ferramentas: em Latim, ferramenta é uma palavra plural e quer dizer “conjunto de instrumentos de ferro”.

O nome deste martelo que estou segurando vem do Latim martellus, que viria de malleus, “martelo”.

E o nome do prego que ele enfia na madeira vem do Latim plicare, “dobrar, enroscar”, dada a noção de que ele como que se “enrosca” na madeira e passa a fazer parte dela.

Particularmente,acho que tem a ver também com o péssimo hábito de os pregos se dobrarem quando a gente bate neles com o martelo. Pelo menos quando sou eu quem está batendo.

– Já que falamos nisso, e o parafuso, Vô?

– Sua origem não é bem definida; parece vir do Latim fusus, “objeto alongado e cônico, fuso”.

– Outra coisa em que se bate é isso ali, como é o nome mesmo?

Formão. Esta palavra vem do Latim forma, “aspecto, aparência, molde”. A ferramenta servia para dar forma a coisas, daí o nome.

Outra coisa em que se bate com o martelo é o punção. O, ouviu? É um substantivo masculino. Serve para fazer furos em diversos materiais e vem do Latim pungere, “furar”.

E olhe aqui: esta serra já se chamava exatamente assim em Roma. Por semelhança, chamamos uma cadeia de montanhas, com o aspecto denteado dos seus picos, de serra também.

Há tipos diferentes de serra mecanizados, como a circular porque a lâmina é redonda, a de fita porque sua lâmina é longa, estreita e se dobra, a tico-tico

– Porque os tico-ticos a usam para fazer seus ninhos?

– Se eu não fosse ter problemas com a lei, eu a usaria para cortar seu crânio para espiar o aterrorizante vazio que há dentro.

Esse nome,seu espertinho, vem do fato de que a serra se move para diante e para trás, como a cabeça de um passarinho dando bicadas nas minhocas.

– Ah, tá, Vô, mas mudemos de assunto; conte-me de onde vem o nome do alicate, ali. É verdade que foi inventado por um Árabe chamado Ali Kate?

– Sua gracinha até passou mais perto do que você pensava, pois vem do Árabe al-liqât, “tenaz”.

– E a tenaz mesmo?

– Vem do Latim tenax, “o que agarra”, do verbo tenere, “pegar, segurar”, mas usado também com o sentido de “incomodar, aborrecer, torturar”.

Certos netos que incomodam, aborrecem, torturam pobres avôs indefesos deveriam ir para a cadeia.

– Indefeso o senhor, é? Tá bom, diga-me então de onde vem torquês.

– Do Latim torquere, “torcer”, pois é para isso que se presta.

– Hum. E aquelas coisas para alisar madeira que estão ali?

– Começamos pela grosa, que provavelmente vem do Latim crassa, “grossa”, pois é uma lima de dentes grandes, para iniciar o trabalho numa madeira que se apresenta muito irregular.

É interessante saber que existe um número que corresponde a doze dúzias – desde já digo que isso dá cento e quarenta e quatro, para você não forçar a frágil cabeça – e que parece derivar também de crassus, na acepção de um número “gordo”.

Depois dela temos a lima, que apresenta uma ação mais delicada e se chamava assim mesmo em Latim.

E ali estão as lixas, para cujo nome há várias explicações, ou seja, nenhuma é de confiar.

Ali no canto está uma gazua, ou pé-de-cabra. O primeiro nome vem do Espanhol ganzúa, mas antes disso não se sabe a origem. E o outro é óbvio, pois lembra o pé bifurcado de uma cabra.

Mas vamos encerrar por hoje; volte amanhã que já terei terminado minhas tarefas e vou poder contar mais sobre estes nomes.

Resposta:

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